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O Cine-Theatro Capitólio

24 de novembro de 2009 1

Porto Alegre tem a mais alta média de cinema por habitantes do País. Hoje, a grande maioria deles está nos shoppings. Com o fechamento do Guarany e do Imperial, encerrou-se a era dos cinemas de calçada. Os hábitos mudaram. Nos idos de 1985, operavam 22 cinemas na Capital gaúcha, sendo que apenas um ficava em um centro comercial. O cinema se ressentia então com a popularização da televisão e com os novos lazeres incorporados pela classe média, como o veraneio na praia, por exemplo, bem menos acessível antes da construção da free way e da disseminação do automóvel.


O cinema foi a arte por excelência do Século XX. Mas já lá por 1980 deixara de ter aquele glamour que arrebatava multidões e ditava modas e comportamentos. Houve épocas em que as pessoas estavam mais interessadas nas músicas e nos cantores que apareciam nos filmes do que no enredo. Houve épocas em que as pessoas debatiam os filmes, pois o que interessava era, justamente, o enredo, o diretor, a qualidade da interpretação dos atores. Hoje, parecem ser os efeitos especiais o que mais atrai as multidões.


O Capitólio foi inaugurado em outubro de 1928, na Avenida Borges de Medeiros. Tinha capacidade para quase 1.300 pessoas. A fachada era eclética e a decoração interior suntuosa. Um verdadeiro palácio de entretenimento. Chamava-se Cine Theatro, porque sua arquitetura inspirou-se nos grandes teatros de ópera. E não era por menos. Afinal, a tela, protegida por uma elegante cortina, ficava sobre um palco, onde também se apresentavam atrações teatrais, mambembes e musicais.


Os filmes já haviam ficado mais longos. Mas ainda eram apresentados entre uma e outra atração musical ou teatral. Permaneciam pouco tempo em cartaz e muitas sessões podiam ser feitas em homenagem a uma pessoa ou a uma entidade. Um piano acompanhava os filmes mudos. Mas o cinema falado estava chegando com tudo. E, no fim dos anos 1930, veio o tecnicolor.


O Cine Theatro Capitólio também abrigou concursos de misses, congraçamentos sociais e bailes de carnaval. Este espaço de socialização perdeu importância quando começaram a surgir clubes com boas instalações para estes fins. Com o tempo, o cinema ficou sendo só cinema.


Em 1969, o Capitólio foi arrendado e passou a chamar-se Cine Première. Dez anos depois, foi reformado e teve o nome original devolvido. Em 1988, uma nova reforma tentou atrair o público que exigia espaços mais modernos.


Mas os tempos eram outros. A área central da cidade envelhecera. E o público preferia os shoppings. O Capitólio rendeu-se ao cinema pornográfico, para, enfim, fechar em 1994.


Um tombamento providencial, em 1995, salvou esta jóia da arquitetura local da destruição. Dez anos seriam ainda necessários para que as reformas tivessem andamento.

Comentários (1)

  • Christian diz: 30 de novembro de 2009

    Feliz Aniversário, Gunter!!

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