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Posts de novembro 2009

15 minutos de fama

30 de novembro de 2009 4

Numa de suas sacadas geniais, Andy Warhol disse que no futuro todos teriam 15 minutos de fama. Bem, o cientista político César Benjamin parece ter atingido este objetivo com o artigo publicado na Folha de São Paulo de sexta-feira, no qual atribuiu ao Presidente Lula revelação de que ele próprio teria tentado manter relações sexuais com um jovem companheiro de cela, durante prisão por motivos políticos em 1980. Achei o episódio todo lamentável. Lula não é nenhum modelo de fala politicamente correta (quem não lembra da piadinha infeliz sobre Pelotas?), de erudição e de coerência ideológica – como, a propósito, mostram sobejamente a condenação enfática ao golpe em Honduras e a celebração feita ao Presidente Ahmadinejad, do Irã -, mas isto não autoriza ninguém a desrespeitá-lo de forma tão vil. É o fim da picada trazer a público uma conversa privada que aconteceu há 15 anos em um contexto totalmente diverso. As declarações do hoje Presidente se de fato se deram, provavelmente, ao chegarem ao artigo em tela, foram retiradas de seu contexto, como, aliás, já declara o cineasta Sílvio Tendler, um dos convivas acomodados à mesa junto a qual a conversa mencionada teria se dado. Achei um gesto vulgar e traiçoeiro, que expõe desrespeitosamente a vida privada do homem que hoje é Presidente da República, retirando uma suposta fala de seu contexto e sentido originais e revelando intenção de ofender a imagem pessoal de forma a explorar, inclusive, preconceitos. Este gesto em nada qualifica o debate público democrático.

Busto de Flores da Cunha no Piratini

30 de novembro de 2009 3

Esteve simpática, na manhã de segunda-feira, dia 23, a cerimônia de apresentação oficial do busto do General José Antônio Flores da Cunha no Palácio Piratini. Falaram muito bem o Ex-Ministro Luiz Fernando Cirne Lima, os Ex-Governadores Jair Soares e Alceu Collares, o tradicionalista Paixão Cortes e a Governadora Yeda Crusius. Presentes estavam historiadores, jornalistas, empresários e familiares do General. Foi uma cerimônia simples, discreta e a-partidária. Com o gesto, a Governadora registrou a importância desse personagem da nossa História.


É interessante notar a existência de algumas coincidências entre o Governo Flores da Cunha e Yeda Crusius. Ambos enfrentaram o problema do déficit público e de decomposição das finanças estaduais. Flores conseguiu conduzir o Rio Grande a um período de crescimento depois de estabilizar o drama financeiro do Estado, muito embora, verdade seja dita, a questão da pré-insolvência tivesse já sido equacionada em 1928 por Getúlio Vargas, por meio de um grande empréstimo de consolidação da dívida ruim, a curto prazo e juros elevadíssimos, que fora resultado do descontrole administrativo legado por Borges de Medeiros. Yeda Crusius parece ter tudo para conseguir o mesmo feito, se a crise econômica internacional e a crise política local não a atrapalharem. Dois governos no Rio Grande do Sul foram capazes de equacionar o drama do déficit público com eficácia estrutural: o de Getúlio Vargas e o de Yeda Crusius. O Governo Flores, de 1930, foi em alguma medida, a continuação do Governo Vargas. Flores, além disso, enfrentou as conseqüências da crise econômica mundial de 1929 e o esforço de guerra de 1930. Enfim, nos dois casos, o saneamento das finanças é ponto de partida para a chance de um surto de desenvolvimento real.


Outro aspecto em comum entre Flores e Yeda é que ambos têm personalidade forte. Além disso, ambos os governos foram sacudidos por escândalos e bombardeados por denúncias, sendo atacados por dura campanha oposicionista. A família Flores da Cunha, inclusive, chegou a ser implicada no assassinato do jovem jornalista Waldemar Ripoll, em Livramento, em 1934. Flores da Cunha foi o primeiro governador do Rio Grande do Sul a sofrer um processo de impeachment, drama que também atingiu a governadora Yeda Crusius.

Positivismo no México e na Venezuela

28 de novembro de 2009 0

Tenho andado um pouco ausente do blog nos últimos dias. Estou passando estes dias em São Roque, próximo a São Paulo, tomando parte em um colóquio, que se realiza em um hotel da região, sobre os embates entre o positivismo e o liberalismo no México e na Venezuela, no século XIX e princípios do século XX. Os debates e as leituras têm me absorvido de tal maneira que acabei me distanciando um pouco das outras atividades. Além disso, a Internet aqui é lenta.

Estou especialmente animado com a leitura de José Vasconcellos, um ensaísta mexicano de grande erudição e pensamento libertário, que chegou a ser ministro da educação no México. Um de seus livros, “Raça Cósmica”, que eu já havia lido há uns dois anos, é um poderoso transe metafísico. Muito antes de Gilberto Freyre, Oswald e Mário de Andrade, Vasconcellos exalta a mestiçagem biológica e cultural dos latino-americanos, teorizando sobre ela. Muito antes de Stephen Zweig ele afirma ser o Brasil o país do futuro. Vale conferir.

O Cine-Theatro Capitólio

24 de novembro de 2009 1

Porto Alegre tem a mais alta média de cinema por habitantes do País. Hoje, a grande maioria deles está nos shoppings. Com o fechamento do Guarany e do Imperial, encerrou-se a era dos cinemas de calçada. Os hábitos mudaram. Nos idos de 1985, operavam 22 cinemas na Capital gaúcha, sendo que apenas um ficava em um centro comercial. O cinema se ressentia então com a popularização da televisão e com os novos lazeres incorporados pela classe média, como o veraneio na praia, por exemplo, bem menos acessível antes da construção da free way e da disseminação do automóvel.


O cinema foi a arte por excelência do Século XX. Mas já lá por 1980 deixara de ter aquele glamour que arrebatava multidões e ditava modas e comportamentos. Houve épocas em que as pessoas estavam mais interessadas nas músicas e nos cantores que apareciam nos filmes do que no enredo. Houve épocas em que as pessoas debatiam os filmes, pois o que interessava era, justamente, o enredo, o diretor, a qualidade da interpretação dos atores. Hoje, parecem ser os efeitos especiais o que mais atrai as multidões.


O Capitólio foi inaugurado em outubro de 1928, na Avenida Borges de Medeiros. Tinha capacidade para quase 1.300 pessoas. A fachada era eclética e a decoração interior suntuosa. Um verdadeiro palácio de entretenimento. Chamava-se Cine Theatro, porque sua arquitetura inspirou-se nos grandes teatros de ópera. E não era por menos. Afinal, a tela, protegida por uma elegante cortina, ficava sobre um palco, onde também se apresentavam atrações teatrais, mambembes e musicais.


Os filmes já haviam ficado mais longos. Mas ainda eram apresentados entre uma e outra atração musical ou teatral. Permaneciam pouco tempo em cartaz e muitas sessões podiam ser feitas em homenagem a uma pessoa ou a uma entidade. Um piano acompanhava os filmes mudos. Mas o cinema falado estava chegando com tudo. E, no fim dos anos 1930, veio o tecnicolor.


O Cine Theatro Capitólio também abrigou concursos de misses, congraçamentos sociais e bailes de carnaval. Este espaço de socialização perdeu importância quando começaram a surgir clubes com boas instalações para estes fins. Com o tempo, o cinema ficou sendo só cinema.


Em 1969, o Capitólio foi arrendado e passou a chamar-se Cine Première. Dez anos depois, foi reformado e teve o nome original devolvido. Em 1988, uma nova reforma tentou atrair o público que exigia espaços mais modernos.


Mas os tempos eram outros. A área central da cidade envelhecera. E o público preferia os shoppings. O Capitólio rendeu-se ao cinema pornográfico, para, enfim, fechar em 1994.


Um tombamento providencial, em 1995, salvou esta jóia da arquitetura local da destruição. Dez anos seriam ainda necessários para que as reformas tivessem andamento.

Visita constrangedora

23 de novembro de 2009 7

Sim, eu consigo entender que o Brasil precisa buscar novas oportunidades de mercado e o Irã, com seus 66,4 milhões de habitantes e US$ 12.800,00 de PIB per capita pode ser um importante parceiro comercial. Também entendo que o Brasil tem todo o direito de ter sua própria política externa, independentemente de quem quer que seja. Entendo, ainda, que enquanto existir a opção pelo diálogo, ela deve ser explorada ao máximo. Penso que os bloqueios econômicos e os embargos tendem a ser nefastamente contraproducentes: em Cuba, o bloqueio maltrata a população e contribui para a manutenção do regime policial local; no Iraque, o bloqueio colocou a população totalmente a mercê do ditador Sadam Hussein. E assim por diante.


Mas daí a receber o Presidente Ahmadinejad com pompa e circunstância, vai uma grande distância.


Eu me orgulho da capacidade de tolerância e de diálogo que o nosso País sustenta ao longo de sua história, na maior parte do tempo. Mas acho que a tolerância tem um limite: ela termina quando nos deparamos com a intolerância. Ser um pacifista durante a Segunda Guerra Mundial era ser ingênuo. Tratava-se de uma luta do mundo livre contra a besta-fera nazista: a única opção era lutar. E o Brasil participou daquela luta. Brasileiros derramaram o seu sangue na Itália para ajudar a libertar o mundo do horror nazista.


Agora vem o Sr. Ahmadinejad dizer que o Holocausto não existiu, que não passa de um mito, que Israel deve ser varrida do mapa, que os homossexuais devem ser condenados à morte. São atentados à memória e aos direitos humanos diante dos quais não devemos fraquejar. Não me identifico com o conjunto da política externa do estado de Israel e estou plenamente de acordo com a necessidade de se criar logo um Estado Palestino. Mas defender a aniquilação de Israel não contribui em nada para a construção da paz. Pelo contrário! E negar o Holocausto é uma brutalidade insustentável!


O Brasil é a primeira democracia ocidental a receber o Presidente Ahmadinejad depois de sua reeleição em pleito cravejado por denúncias de fraudes e marcado por protestos violentamente reprimidos. Enquanto boa parte do mundo repudiava a repressão, o governo brasileiro saiu em defesa do presidente iraniano. Melhor seria ter ficado quieto. Especialmente se considerado o contraste com a atitude brasileira face à questão em Honduras, onde o traço golpista não foi tolerado.


Acho a recepção a este senhor em solo brasileiro constrangedora para todos aqueles que se preocupam com os direitos humanos, para todas aquelas nações que lutaram contra o pesadelo nazista. E talvez ainda seja até contraproducente. A iniciativa pode prejudicar a pretensão brasileira a um assento permanente no Conselho de Segurança da ONU. Sem contar que pode ser interpretada como uma bola nas costas de Barack Obama. E, penso, seria temerário o Brasil apoiar a legitimação do controverso programa nuclear iraniano, o que é uma das pretensões do Sr. Ahmadinejad.


A multilateralidade e a diversidade de vozes no mundo contemporâneo são mais do que convenientes e necessárias. Mas precisamos saber todos que existem limites para o que é tolerável e o que não é aceitável. O Sr. Ahmadinejad não pode ser encarado simplesmente como uma voz com opiniões diversas. Sua voz não é só retórica – como mostra sobejamente a repressão aos seus próprios compatriotas que dele ousam discordar – e ele constitui uma ameaça real à paz no mundo.

Tom Wolfe: modernista antimoderno

22 de novembro de 2009 3

A apresentação de Tom Wolfe em Porto Alegre foi um marco, sem dúvida. Não é sempre que temos a oportunidade de ver de perto uma verdadeira lenda viva.


Dito isso, quem conhecia a obra de Tom Wolfe e acompanhava um pouco de sua trajetória estava preparado para um discurso conservador. Ainda que todos os comentários saudando a sua chegada a Porto Alegre tenham associado-o à revolução do Novo Jornalismo, cujo expoente máximo foi o notável Truman Capote, passando às pessoas a idéia de que se tratava de um libertário. Faltou contextualizar com leitura crítica.


O conservadorismo, em geral, me incomoda, muito, mas não é possível negar que, em matéria de arte, sujeitos insuportavelmente conservadores – às vezes radicais de direita e até fascistas – foram deveras importantes, bastante modernos e esteticamente revolucionários. Sim, é um paradoxo chocante: nem todos revolucionários modernos foram libertários. Muito embora a criatividade modernista em seu conjunto tenha florescido num ambiente de expansão da classe média e do mercado consumidor de massas, bem como num ambiente de afirmação das liberdades individuais e democráticas, descortinado no fim do século XIX. Esta mesma criatividade feneceu sob regimes totalitários, como na Alemanha de Hitler e na Rússia de Stálin. Mesmo assim, existiram esses modernistas antimodernos, para usar uma expressão de Peter Gay.


O poeta T.S. Eliot está entre os mais célebres dentre este estranho grupo. Inspirado nos rebeldes literários franceses anti-burgueses do século XIX, revolucionou a poesia no mundo anglo-saxão, onde se tornou o poeta dos poetas. Mas até os conservadores o achavam radical: odiava o liberalismo, atacava a democracia, detestava os imigrantes que invadiam os Estados Unidos e era até anti-semita. Ele tinha total aversão à mobilidade do mundo contemporâneo.


Outra figurinha dessas era o genial compositor Charles Ives: o cara era totalmente homofóbico. Para ele, inclusive, bastava elogiar demais uma obra modernista que o sujeito estava dando mostras de veadagem. É incrível, já que ele foi um dos maiores compositores modernistas de todos os tempos. Faltou, quem sabe, sair do armário.


O magnífico dramaturgo sueco August Strindberg foi o precursor do teatro moderno em pleno século XIX. Foi um inovador radical, um realista assombroso. Construía ações rápidas, com falas econômicas e inéditas. Falava a linguagem do novo século. Mas na vida privada foi um misógino, absolutamente contrário à emancipação feminina. Escreveu artigos defendendo a inferioridade das mulheres em relação aos homens e opondo-se ao seu ingresso nas universidades.


Um dos mais malucos foi o principal romancista da Noruega, Knut Hamsun, vencedor do Prêmio Nobel em 1920. Em 1890 ele publicou “Fome”, um romance magistral que revolucionou a literatura, rompendo com a mera descrição de cenas e instalando definitivamente o romance psicológico. Pois esse mesmo cara, uma semana após o suicídio de Hitler em seu bunker em Berlim, publicou um longo necrológico elogiando a besta-fera nazista. Hamsun desprezava as massas, desdenhava o parlamento, defendia a ditadura como forma superior de governo, opunha-se a libertação feminina e incensava o racismo. Estava disposto a apoiar tudo aquilo que fosse estático ou propusesse um retorno ao passado remoto romantizado e mistificado. Foi o único autor laureado com o Nobel a adorar Hitler. Nem T.S, Eliot, também premiado, chegou a tanto.


Em 1933, o filósofo Martin Heidegger apoiou a queima dos livros “não-alemães” na Alemanha nazista! Sim, um filósofo que contribuiu para o holocausto dos livros. Na França, o revolucionário arquiteto Le Corbusier flertou descarada e interesseiramente com o regime de Vichy, que considerou um patrono a ser adulado, absorvendo a retórica nacionalista e o chauvinismo racial.


Bem, tudo isso para dizer que é exatamente a esta bizarra tradição a que se filia nosso Tom Wolfe. Sua palestra em Porto Alegre, mais do que conservadora, foi reacionária. Descosida e apoiando-se em generalizações rasteiras e carentes de embasamento histórico consistente, defendeu uma restauração simplista da estética e dos costumes da belle époque burguesa, rechaçando sumariamente todas as conquistas libertárias e modernas do século XX.


Estou, portanto, de acordo com a análise de Cláudia Laitano, na Zero Hora de ontem, e estranho os colunistas on-line que celebraram a fala de Wolfe como uma oportunidade para “abrir as cabeças dos porto-alegrenses”. Tom Wolfe não pode abrir nada, só fechar. Até para os conservadores ele é reacionário. Mas nada disso, por incrível que pareça, esvazia o enorme mérito de sua produção literária e jornalística. A grande lição de sua conferência foi escancarar o bizarro fenômeno dos modernistas antimodernos. E nos mostrou o quanto precisamos saber de fato ler um autor.

O exemplo de uma vida

21 de novembro de 2009 11

É extraordinária a notícia da doação pelo poeta e Procurador de Justiça Itálico Marcon de sua magnífica biblioteca de 180 mil volumes, a segunda maior do País, ao Banco de Livros! Trata-se de uma digníssima demonstração de espírito público e de amor pela sua comunidade! Um gesto comovente, celebrado com pertinência em duas páginas da Zero Hora e que nós, gaúchos, não devemos jamais cansar de emular! O trabalho de uma vida inteira, dedicada à cultura, à literatura, agora acessível ao conjunto da população.


O projeto Banco de Livros/Fiergs inscreve-se, em minha opinião, no contexto da necessidade de ampliação da presença da Feira do Livro no espaço público, como sublinhei em meu post do dia 17, “Reflexões de fim de Feira”. Este é precisamente um desdobramento desse potencial – pode gerar um efeito em cadeia que, em última instância, qualifica o próprio espaço público. É sintomático, aliás, que a doação tenha partido de um membro do Ministério Público, instituição engajada na defesa da cidadania.


Penso, agora, que devemos ser capazes de reagir à altura de um gesto de tamanha grandeza. A Câmara de Vereadores de Porto Alegre, por exemplo, está diante de um motivo esplêndido para conceder uma homenagem, talvez de cidadão emérito, para Itálico Marcon! Nossa intelectualidade, quem sabe, já tem um forte candidato para a próxima edição do Prêmio Fato Literário!


E está aí uma oportunidade para o Governo Yeda deixar a sua marca na Cultura! Um acervo com tal unidade, volume e densidade poderia ser preservado em seu conjunto. Para a sua guarda poderia ser criada uma seção da Biblioteca Pública e lhe ser destinado um prédio novo, quiçá de arquitetura icônica, para enfatizar ainda mais a importância que o livro e a leitura gozam em nossa sociedade. E, indo mais além, esta seção poderia se dedicar a acolher, no futuro, novas coleções privadas de grande importância patrimonial, mantendo sempre a sua unidade fundante, associada ao nome e à trajetória de vida de seu organizador. É fato que muitas bibliotecas se dispersam porque seus proprietários ou herdeiros não encontram locais capazes de acolhê-las, preservá-las e divulgá-las. Trabalhos de uma vida inteira se perdem por não dispormos de instituições preparadas para recebê-los.


O gesto do Dr. Itálico, se bem compreendido pelos nossos governantes em toda a sua plenitude, poderia mudar este melancólico estado de coisas. Seria uma pena se amanhã ou depois a portentosa biblioteca do Dr. Itálico fosse dispersa por estabelecimentos díspares ou, pior, seu acervo acabasse, com o passar dos anos, nos sebos da cidade, como já aconteceu, no passado, por exemplo, com a biblioteca de João Neves da Fontoura, doada a uma entidade, cujos critérios não se pautavam pela preservação da unidade primordial do acervo. Hoje, não há mais biblioteca João Neves da Fontoura!


Penso mais: se o Governo do Estado chamasse a si a responsabilidade de organizar um tal ente, a classe ministerial, numa homenagem ao gesto desprendido do seu colega, poderia se mobilizar para se engajar num projeto sob os auspícios da Lei Rouanet: ora, sabe-se que as pessoas físicas podem destinar até 6% do Imposto de Renda devido, sem ônus, a projetos culturais de sua escolha. Se todos os membros do Ministério Público concorressem com sua parcela de contribuição, já seria uma importante fonte de renda para esta nova biblioteca pública. Um presente para a comunidade.


Enfim, o gesto do Dr. Itálico Marcon é uma dessas iniciativas que têm o condão de valorizar nossa identidade cultural e fortalecer o nosso espaço público. Oxalá estejamos a altura da generosidade desse homem. Oxalá as gerações futuras possam usufruir da unidade de seu acervo extraordinário! Oxalá sua doação possa desenhar um novo marco para a política cultural em nosso Estado.

“Apagão” na Educação: erros e preconceitos no novo ENEM

21 de novembro de 2009 14

Há algum tempo, desejo escrever um post sobre o ENEM. Bem antes das trapalhadas envolvendo a regulamentação do exame e, em seguida, do vazamento da prova, surpreendia-me o equívoco da concepção. Ontem mesmo, postei para vocês neste blog uma entrevista que fiz em Paris com o grande teórico do interculturalismo, François Jullien. Este filósofo opera com os conceitos de universal, comum e uniforme, cuja definição merece ser consultada. Diante deste horizonte, ele considera a Comunidade Comum Européia uma usina do uniforme, ou seja, uma máquina de regulamentação centralizante e padronizante, que está desconsiderando as especificidades regionais, sufocando as autonomias comunitárias e produzindo reações espontâneas – como o “Não” dos franceses à Constituição européia -, as quais jogam papel paralisante sobre o futuro do bloco. O que Jullien diz é que a CCEU está, em parte, se comportando na contramão dos novos tempos, cuja senha é cada vez mais a autonomização do indivíduo e o empoderamento das comunidades, de cuja prática livre e democrática brotaria o comum e a união: um novo universalismo baseado nas diferenças.

Fruto de mentalidades burocráticas, o ENEM é exatamente isto: uma poderosa usina de uniforme; e jamais de produção do comum! É incrível que num País como o Brasil, continental e com imensas peculiaridades regionais, pretenda-se uma prova uniformizada, produto de um esforço centralizador, aplastante. É evidente que os problemas de segurança – apenas uma face, dentre muitas, do dilema – aumentam exponencialmente face ao gigantismo da empreitada. O pessoal de Brasília talvez seja até bem intencionado, mas o resultado de sua iniciativa promove desmobilização comunitária e desestimula a reflexão humanística, o que, em última análise, tem conseqüências conservadoras e autoritárias.

O ENEM era uma excelente proposta enquanto funcionava como instrumento de aferição da qualidade do ensino médio. Mas é contraproducente substituir o vestibular pelo ENEM. Num país que enfrenta crise de valores, em decorrência dos escândalos de corrupção, da queda da qualidade dos nossos políticos e da impunidade generalizada, o vestibular era uma instituição respeitada. A população confiava na sua excelência e na sua importância. O vestibular brasileiro emergiu como uma barreira ao “homem cordial” descrito por Sérgio Buarque de Hollanda: entrava na Universidade quem conquistava bom desempenho e não existia qualquer tipo de favoritismo pessoal. Cada universidade produzia a prova com vistas ao conhecimento universal e aos traços específicos da cultura local. Se a qualidade do ensino médio é precária, é preciso melhorar este ensino, e não abastardar o vestibular!

Mas chega de falar!

Recebi ontem um texto excelente do Professor Dr. José Plínio Guimarães Fachel, da Universidade Federal de Pelotas, com uma análise ponderada, elegante e eloqüente da prova do ENEM que vazou. Com a autorização dele, reproduzo-a aqui para vocês, acreditando, como o Prof. Fachel, ainda haver tempo para abrir o debate e reverter o equívoco. Com a palavra, o Prof Fachel:



As chuvas, os ventos e os raios não podem ser responsabilizados pelas trapalhadas no Exame Nacional do Ensino Médio. A prova vazou, o processo atrasou em dois meses, o dinheiro público foi desperdiçado e o ministro pediu que a prova exposta servisse de modelo para estudos. O “novo” ENEM envolve diretamente mais de quatro milhões de inscritos e, conforme a LDB (Lei das Diretrizes e Bases da Educação), tem de ser uma referência em avaliação. Portanto, merece uma análise crítica.


Alertamos ao Ministério da Educação que sua Portaria 109/09, que regulamentava o exame, estava lotada de erros, tanto que foi invalidada por republicação em 08/06/2009 e alterada pela 244/09. Esta também apresenta erros de grafia e repetição de parágrafos inteiros (ver art. 13, 17 e 27). Ainda, gera novas inseguranças e quebra a isonomia, mediante a informação de que há datas distintas para aplicação aos apenados. A regulamentação do atual exame apresenta, inclusive, falha ao prever em seu programa a disciplina de língua estrangeira, que não será cobrada neste ano.


O ENEM é draconiano e excessivo na segurança em relação aos candidatos, ao impor a permanência de no mínimo duas horas na sala, eliminar aquele que portar lápis, borracha ou grafite e negar o direito de postular a anulação e revisão de questões. Tais determinações prejudicam os direitos constitucionais de ir e vir e do contraditório. Qualquer candidato, que não esteja cumprindo pena, poderá abandonar o local do exame quando desejar. Por outro lado, vedar o recurso no âmbito administrativo fere a previsão da lei e da boa pedagogia no sentido de que as avaliações devem ser dialógicas.


Atualmente, o ENEM, além de ser uma forma de aferir a qualidade do ensino, competências e habilidades dos estudantes, também se apresenta como uma forma de classificação dos estudantes para ingresso nas universidades, embora o Ministério da Educação negue o aspecto classificatório da prova. É inadequado que o mesmo exame analise situações tão diversas como aferição das competências e habilidades dos estudantes para o fim de conclusão do ensino médio, que exige um grau de dificuldade básico, e a classificação para ingresso em concorridas universidades, cujo grau de dificuldade se apresenta, em regra, mais acentuado.


De todas as falhas apresentadas, a mais prejudicial é o retorno à forma de avaliação tecnicista e unificada, pautada por questões de cruzinhas, que foi implementada no Brasil na época do regime militar. Este tipo de avaliação supõe verdades absolutas. Neste contexto, as habilidades e competências que envolvem a crítica e a criatividade não são avaliadas, como ocorre nos vestibulares com questões analíticas e dissertativas, forma de avaliação mantida em excelentes universidades brasileiras[1].


Na prova que vazou, por falha da segurança, constam erros e preconceitos. A fim de auxiliar no aprendizado dos estudantes e demonstrar os problemas desta forma de avaliação, que justificam a necessidade de previsão de recursos, passo a analisar o exame.


Na prova de Linguagens, constam falhas nas questões:


1) Apresenta uma perspectiva muito subjetiva ao questionar acerca de reticências no final das frases da linguagem da internet;


19) Nas linhas 6 e 8 do texto, há erro no uso dos porquês.


Na prova de Matemática, os erros começam na capa, onde há falha na acentuação na linha 3, e seguem nas questões:


49) As alternativas A e C são idênticas;


68) A questão, contrariando a realidade, aponta como alternativa correta a compra no comércio de uma tampa de reservatório com mais de 108m²;


72) As medidas na figura estão desproporcionais;


90) A alternativa apontada como correta reforça o machismo e induz à conduta abolida em nosso país ao prever que os pais “precisariam procurar uma clínica” especializada para a escolha do sexo de seus filhos. Desde 1992, no Brasil, é ilegal escolher o sexo dos filhos em reprodução assistida. O novo Código de Ética Médica em seu art. 15, §2º, III, impede o médico de: “criar embriões com finalidade de escolha de sexo, eugenia [...]“.


Na prova de Ciências Humanas, há os seguintes problemas:


53) A assertiva apontada como correta induz o estudante a crer que foi “a partir” de 1968 que teve início o desrespeito à Constituição então vigente e aos direitos civis. Exige mera memorização da data.


55) O estudante é questionado acerca do “processo democrático” na República Velha. Ocorre que o texto da questão não se refere a processo democrático, mas sim a processo eleitoral, tanto que menciona o voto a cabresto, os currais eleitorais, os eleitores fantasmas, a troca de favores, as fraudes e  violências eleitorais. Tais vícios eleitorais, embora ainda ocorram em nosso país, não são democráticos.


62) A escravidão indígena, embora frequente, foi proibida muito antes de 1755 devido aos interesses no tráfico com a África, diferente do que indica a questão. Por outro lado, a exploração do trabalho indígena pelos jesuítas não pode ser considerada como escravidão, pois a Revolta dos Beckman demonstra o contrário.


65) Nas duas telas há a incorporação dos indígenas. Na de Portinari, conforme Leonardo Rodrigues, “a estrutura plástica foi reabsorvida numa espacialidade realista”. Os dois artistas, apesar de usarem semânticas diferentes, são coincidentes nos objetos (“As Primeiras Missas…”, 19&20, RJ, VII, n. I, jan/2007). A alternativa A também está correta.


67) A afirmação de que houve recessão norte-americana nas três primeiras décadas do século XX não é correta, especialmente frente ao crescimento econômico durante e logo após a I Guerra Mundial.


69) Os cortes feitos no texto de História da América, sem nenhuma indicação, alterou completamente o conceito de economias metropolitanas proposto pelo autor, inviabilizando as respostas.


72) É improvável que “Música ao Longe” tenha sido escrita no início da década de 1930.


77) Apesar da recente retirada de direitos previdenciários, “A Ordem Social” permanece sendo o Título VIII da Constituição Federal e não o VII como apontado na questão.


84) Os mexicanos, os indígenas e os povos das Antilhas vivenciaram práticas bélicas na execução da Doutrina Monroe.


Na prova de Ciências, constam as seguintes falhas:


16) Fizeram uma profunda adulteração e não uma adaptação no esquema da SANASA. No original (http://www.sanasa.com.br), o cloro e a cal são adicionados não apenas na fase 5, como consta na questão, mas também na fase 2. Considerando que a educação deve ser pautada pela realidade, não há resposta correta.


43) Denominar as pessoas arrancadas da África pelo escravismo luso-brasileiro como “escravos africanos” é um erro conceitual. Na África não nasceram escravos, sendo que poucos, dentre aqueles, vivenciaram o escravismo naquele continente. A doença referida na questão, anemia falciforme, atingiu basicamente os bantos no noroeste da África. Logo, nem todos os contingentes africanos apresentavam este problema genético.


Além destes problemas, o exame é excessivamente longo, preocupando-se com a quantidade em detrimento da qualidade das questões. Só dois minutos e seis segundos para a solução de cada uma das questões, preciosas nas exigências de fórmulas e datas, favorecem o erro casual ao invés do raciocínio.


Em termos de qualidade, é preciso lembrar que em um país continental é essencial que o ensino busque retratar as realidades históricas e geográficas regionais, o que foi prejudicado pela homogeneização do programa.


Contudo, não basta destruir o que sobrou, é necessário construir o que falta, sobretudo em atenção aos estudantes das regiões menos favorecidas do Brasil que têm menor possibilidade de acesso às universidades que não se submeteram ao novo ENEM.


Acreditamos que com base nas experiências dos vestibulares das diversas universidades, o Ministério da Educação pode construir uma avaliação do ensino médio mais segura e de melhor qualidade.



[1] Indico a leitura do artigo “A necessidade de questões analítico-expositivas de História no Vestibular…”, de minha autoria, em “Qual História? Qual Ensino? Qual Cidadania?, org. ANPUH/RS, ed. Unisinos: 1997.

Por um novo universalismo baseado na interculturalidade: íntegra da entrevista com o filósofo François Jullien

20 de novembro de 2009 1

Reproduzo hoje para vocês a íntegra da entrevista que fiz com o filósofo francês François Jullien, publicada  na edição de novembro da revista Cult.


François Jullien é um dos filósofos franceses mais em evidência na atualidade. Especializou-se em pensamento chinês e afirmou-se como um importante teórico do diálogo intercultural no contexto do mundo globalizado.

É professor na Universidade Denis Diderot, Paris VII, onde dirige o Instituto do Pensamento Contemporâneo. É membro sênior do Instituto Universitário da França, já presidiu o Colégio Internacional de Filosofia e a Associação Francesa de Estudos Chineses. Ele dirige atualmente a revista Agenda do Pensamento Contemporâneo, editada pela Flammarion. Desempenha também papel de consultor para empresas ocidentais que desejam se instalar na China. Seus livros estão traduzidos em uma vintena de países, inclusive no Brasil.

Nesta entrevista, concedida em Paris, François Jullien discute a sua opção por estudar a China, problematiza a diferença entre alteridade e exterioridade, entre universal, uniforme e comum, conceitos que considera fundamentais para compreender a dinâmica do diálogo entre as culturas. Jullien fala ainda sobre o pensamento chinês como um modo de coerência com características próprias e debate a China contemporânea, a Comunidade Comum Européia, o Brasil e o papel do intelectual na atualidade. Repensa, ainda, os limites dos Direitos Humanos e defende a necessidade de construção de um novo universalismo, baseado na diferença, mas refratário ao relativismo cultural.

Por que a China, por que fazer da China o sujeito de seu trabalho?

No início, fui helenista. Mas fui interessando-me pela China porque ela se constitui em uma exterioridade particularmente marcante em face da cultura européia. Exterioridade de língua, já que o chinês não pertence à grande tradição indo-européia; de História, já que os contatos da Europa com a China tornaram-se mais freqüentes apenas a partir do século XVI, na esteira das missões de evangelização, ganhando intensidade na segunda metade do século XIX, como desdobramento do processo colonial moderno. Apesar das diferenças, ambas, Europa e China, são comparáveis. Não se trata de buscar o exotismo da China, mas de se evidenciar o quanto ela é um caso particularmente tipificado e com forte exterioridade com relação à cultura européia. Minha abordagem é filosófica. Trabalho sobre um pensamento constituído e explicitado, com o objetivo de re-interrogar o pensamento europeu a partir de fora.

Qual é a diferença entre a exterioridade e a alteridade?

Sim, eu mencionei exterioridade e não alteridade. Por que a exterioridade é algo dado pela geografia, pela língua, pela História – se constata. Por sua vez, a alteridade é uma construção cultural. A China está alhures; mas em que medida ela se constitui em um outro? É o que Foucault chamava literalmente, em “As palavras e as coisas”, de heterotopia da China, distinguida da utopia: as utopias confortam, as heterotopias inquietam.


Mais do que a diferença do pensamento extremo-oriental com relação ao europeu há uma indiferença nutrida tradicionalmente entre estes termos. O primeiro desafio é sair desta indiferença mútua, de maneira a que um possa visualizar o outro, numa mudança de enfoque que suscita o pensar.

Existem modos possíveis de coerência no mundo contemporâneo em paralelo à tradição judaico-cristã e ao racionalismo ocidental?


Contrariamente ao que pretende a história ocidental da filosofia, o Extremo Oriente não ficou em estado pré-filosófico. Ele inventou os seus marcos de abstração, conheceu uma diversidade de escolas e explorou outras fontes de inteligibilidade.


Há um benefício duplo deste percurso intelectual pela China. Além da descoberta de uma outra inteligibilidade, sonda-se até onde pode ir esta deterritorialização do pensamento. Mas este deslocamento implica também num retorno. A partir deste ponto de vista da exterioridade, trata-se de retornar aos pressupostos a partir dos quais se desenvolve a razão européia, pressupostos ocultos, não explicitados, que o pensamento europeu veicula como uma evidência. O objetivo aqui é remontar ao impensado do pensamento, captando a razão européia ao inverso, a partir de sua exterioridade.


Pensar na China é justamente sair deste grande movimento pendular entre Atenas e Jerusalém encarnado pela filosofia européia.


Na sua percepção, os chineses possuem noções do Ser, da Verdade e do Tempo diferentes daquelas consolidadas pela tradição ocidental?

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Terrores noturnos

19 de novembro de 2009 3

Há algumas coisas muito boas nessa edição da Bienal.


Desejo registrar para vocês uma obra que apreciei e que, talvez pela localização, não foi percebida por muitos. Ela está situada no Armazém 3, aquele da areia por tudo, lembrando a Paris Plage e evocando a perda da praia pela urbanização das margens do rio. Pois bem, se você adentrar pela areia, virando à direita, há uma escadinha que conduz a uma salinha, onde há uma projeção de alto nível. Refiro-me às vídeo-animações em stop-motion intituladas Lucía e Luis, de 2007 e de 2008, respectivamente, autoria de um pessoal interessante: os chilenos Nilles Attalah, Cristóbal León e Joaquin Cociña. A narração pelas vozes de crianças em sussurro contido é um grito lancinante, que nos joga para a dimensão do terror noturno, medos infantis que todos um dia sentimos. O incrível trabalho de animação expande as angústias que se desenham nesta fronteira entre o mundo real e a fantasia. No Youtube vocês podem encontrar a Lucía. Olha que legal: http://www.youtube.com/watch?v=_gZt-4pnZMQ

Cristóbal León nasceu em Santiago de Chile, em 1980. Vive e trabalha em Berlim. Entre 1999 e 2005 estuda Desenho e Arte na Universidad Católica. Trabalha com animação em formatos distintos, tais como curta-metragem e vídeoinstalação. Juntamente com Niles Atallah e Joaquín Cociña, forma um coletivo de artistas. Vídeo-instalações: Nocturno de Chile, Vídeo Art Show, Museo de Arte Moderno, Santiago, Chile (2007); Birth, Vídeo Art Show, Museo de Arte Moderno, Santiago, Chile (2007). Lucia, feira arteBA, Buenos Aires, Argentina (2007).


Joaquín Cociña
nasceu em Concepción, Chile, em 1980. Vive e trabalha em Santiago do Chile. Licenciou-se em Artes pela Universidad Católica de Chile, e pós-graduação em Literatura pela Universidad de Chile. Juntamente com Niles Atallah e Cristóbal Leon, forma um coletivo de artistas. Vídeo-instalações: Nocturno de Chile, Vídeo Art Show, Museum of Virsual Arts, Santiago, Chile (2007); Lucia, Baires Contemporary Art Fair, Buenos Aires, Argentina (2007).


Niles Atallah
nasceu em Santiago de Chile, em 1978, onde ainda vive e trabalha. Juntamente com Joaquín Cociña e Cristóbal Leon, forma um coletivo de artistas. Graduou-se em Fotografia pela University of Califórnia em 2002. Vídeo-instalações: Nocturno de Chile, Vídeo Art Show, Museum of Virsual Arts, Santiago, Chile (2007); Birth, Vídeo Art Show, Museum of Visual Arts, Santiago, Chile (2007). Lucia, Baires Contemporary Art Fair, Buenos Aires, Argentina (2007). Também há no Youtube este vídeo dele: http://www.youtube.com/user/damascoboy#p/a/u/0/0vqfiN704V8