Lixo é uma coisa bizarra. Todos os dias a gente tenta se livrar dele. E estamos sempre o produzindo novamente.
Eu penso muito no lixo. Impressiona-me como geramos todos os dias montanhas dele. Coisas da nossa sociedade moderna de consumo...
Noto que produzimos muito mais lixo seco do que orgânico. Isso sempre me incomoda, pois parece que estamos desperdiçando energia e matéria prima, que estamos contribuindo para entupir o planeta de porcarias: plásticos, garrafas, latas...
Assim, no meu dia-a-dia, tento minimizar o impacto do lixo que produzo. Há vários anos aderi à coleta seletiva. Instaurei o hábito nos dois prédios onde fui síndico. Até hoje funciona direitinho.
Tanto em Porto Alegre, quanto em Gramado, as cidades onde moro atualmente, a Prefeitura nos favorece com um bom serviço de coleta seletiva. Em Gramado, tem até coleta do chamado lixo verde, que é aquele resultante da poda das plantas do jardim.
É um conforto. O caminhãozinho vem e recolhe o lixo na porta de casa. O orgânico passa três vezes por semana. A coleta seletiva acontece uma vez por semana, assim como a coleta do lixo verde.
Na França é bem diferente. Precisamos estocar o lixo que produzimos em casa e levá-lo até os contêineres do quarteirão: há um para os plásticos, outro para os vidros, outro para papelão... Nós mesmos fazemos a triagem. É uma mão de obra daquelas! Em algumas cidades menores, é preciso encher o porta-malas do carro com o lixo e levar tudo até o centro de triagem. E todo o mundo faz isso.
Aqui no Brasil, nem tem desculpa, pois basta separar em saquinhos diferentes e o caminhão passa na porta de sua casa. E a triagem é feita num centro específico para este fim.
Ainda assim, muita gente não se liga na necessidade de separar o lixo. No Rio de Janeiro, morei num prédio que não fazia coleta seletiva. Em Gramado, percebo que muitos vizinhos não têm paciência de guardar o lixo seco por uma semana, esperando pelo caminhãozinho, e o dispensam junto com o orgânico.
Eu, já fico pensando em como reduzir o lixo que produzo. Com a maior parte do lixo verde, fizemos uma composteira, que hoje fertiliza a hortinha no quintal. Os galhos são picados para produzir lenha e gravetos para a lareira.
Para não depositar os sacos de lixo que o lixeiro recolherá na calçada, instalei uma lixeira. Controlo o horário do caminhão e deposito ali o lixo tarde da noite anterior à manhã em que ele passará. A idéia é não deixá-lo exposto junto à calçada desnecessariamente, pois me parece uma interferência desagradável na paisagem.
Tudo muito bem. Até que os vizinhos resolveram utilizar a minha lixeira e não a deles! Como foi que eu não pensei nisso antes? Que algumas pessoas poderiam achar uma idéia genial depositar o lixo no terreno do vizinho?!!
Como os vizinhos não se ligam nos horários do caminhão, a minha lixeira agora fica atrolhada todo o dia. Uma feiúra só! Às vezes azeda - eca! E quando vou colocar lá o meu lixo, já nem tem mais espaço.
Botei um cartaz na lixeira, pedindo compreensão. Não adiantou. Liguei para alguns vizinhos. Também não surtiu efeito. Resolvi passar o cadeado na lixeira!
Mesmo assim, eu me ralo. Porque o lixeiro passa às 7 horas da manhã. E eu acordo por volta das 8 horas. Acordo devagar, faço o mate, leio o jornal... Nesse meio tempo, um vizinho já colocou o lixo dele ali e todos precisaremos esperar dois dias para que seja recolhido...



Apenas um parágrafo sobre a diminuição da produção de lixo. É muito pouco. Este é o principal problema. Formas diferentes de expulsá-lo de nossas casas é um pseudoproblema.
Concordo com vc que é preciso rever nossos padrões de consumo. Mas a consciência qto ao lixo que produzimos começa pela sua triageme pela forma de tratá-lo. Obrigado, abraços.
queria saber uma coisa que nao ta dando geito vivem colocando lixo na minha porta gostaria de saber se e crime essa açao que tao cometando