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Furdunço literário

01 de maio de 2010 5

Está em curso no Rio de Janeiro, com reflexos em blogs por todo o Brasil, um furdunço literário como há algum tempo não se via.

As polêmicas literárias, como ensina o ótimo livro “Duelos no Serpentário – uma antologia da polêmica intelectual no Brasil 1850-1950″, organizado pelo poeta Alexei Bueno, sacudiram, no passado, o Brasil, envolvendo chefes de estado, a construção da identidade nacional, duelos pelos jornais, vaias em teatros e manifestações de rua por parte da juventude letrada. Tudo começou em 1856, com a publicação do poema épico “A Confederação dos Tamoios”, de Gonçalves de Magalhães. O ainda jovem José de Alencar, com 27 anos, insurgiu-se contra os favores com os quais o Imperador Dom Pedro II cumulava o poeta, numa série de artigos publicados no “Diário do Rio de Janeiro” sob o título global de “Cartas sobre a Confederação”. Como mostra o antropólogo Robert Rowland, o pai da historiografia brasileira, Adolfo de Varnhagen, também embarcou na polêmica, contra Magalhães, enviando uma carta ao Imperador em 1857. Tratava-se então, em sua percepção, de combater a afirmação crescente do indianismo (que exaltava a figura do índio como fundadora da identidade nacional) em benefício de um elogio à colonização portuguesa.

Daí em diante, muitas foram as polêmicas literárias que empolgaram o País e se refletiram no espaço público. Houve-as de todos os tipos, nacionais e regionais.

No Rio Grande do Sul, uma das mais comentadas aconteceu em 1907, quando a peça “Talita”, de autoria do político e dramaturgo Pinto da Rocha, foi representada no Theatro São Pedro, em plena campanha para o Governo do Estado, provocando enorme debate. Pinto da Rocha dissentira do regime hegemônico, chefiado por Borges de Medeiros, que lhe reprovou, em nome da afirmação do nacionalismo, o fato de o enredo, tipicamente romântico, ser ambientado numa aldeia do interior de Portugal. O então jovem Getúlio Vargas, agora em face politicamente oposta a Pinto da Rocha, sentado ao lado de João Neves da Fontoura em uma das primeiras filas do Theatro, foi hostilizado pela platéia. E, no dia seguinte, a disputa teve seqüência nos jornais.

Porém, dos anos 1980 para cá, o gênero perdeu vigor e repercussão social. Não obstante, recentemente na pacata Curitiba eclodiu um debate envolvendo o genial e recluso Dalton Trevisan e um de seus ex-pupilos, Miguel Sanches Neto. Trevisan chamou-o, por um poema, de “Hiena Papuda”, de “filho adotivo espiritual de Caim” e “delator premiado”, por ter exposto aspectos de sua intimidade esquiva no livro “Chá das Cinco com o Vampiro”.

Já a polêmica presente foi detonada pela publicação do artigo “A crítica como papel de bala”, de Flora Süssekind, no caderno Prosa & Verso do jornal O Globo, no último dia 24. Veja o link: A crítica como papel de bala.

Falecem-me competências para avaliar com pertinência as proposições ali contidas, vez que sou historiador e não crítico literário. Mas a leitura do texto suscitou algumas impressões, muito intuitivas, que compartilho aqui brevemente.

Sustenta Flora, no Brasil hodierno, o “apequenamento e a perda de conteúdo significativo da discussão crítica, assim como da dimensão social da literatura”. A sua tese provar-se-ía mediante a leitura, crítica, dos necrológios de Wilson Martins, que atestariam “a perda de lugar social da crítica”. Pretende ela discutir os necrológios de Alcir Pécora, professor da Unicamp, publicado no suplemento “Mais!” da “Folha de S. Paulo”; do escritor Miguel Sanches Neto, publicado no jornal curitibano “Rascunho”; e um post no blog de Sérgio Rodrigues. E conclui, em tom acre: “talvez seja necessário, na discussão de um espaço ainda crítico para a crítica, matar mais uma vez Wilson Martins”.

Vazado em tom acadêmico – próprio, talvez, para uma tese de doutorado, mas desde já esquisito em um jornal –, a leitura do artigo não parece muito estimulante. A argumentação desenha-se ainda um tanto confusa. Se inicialmente Flora atribui o esvaziamento da dimensão social da crítica literária à “expansão meio informe de uma classe média cujo imaginário não parece ultrapassar uma coleção inesgotável de bens de consumo”, não deixando de traduzir, assim, vezo elitista, conclui que os necrológios a Wilson Martins, que o teriam, segundo ela, coberto de encômios, invocariam uma “volta a um jogo entre iguais, a um território mais restrito, homogêneo e regulado, de relevância previamente estabelecida, como volta às Belas Letras”, esgrimindo, aqui, crítica ao elitismo.

Cabe, contudo, inquirir, antes de tudo, se esta erosão da dimensão social da crítica literária é um fenômeno brasileiro ou global. Aliás, seria somente a literatura a padecer desse infortúnio? Contexto similar não estaria sendo diagnosticado no campo das artes plásticas desde que, por exemplo, Susan Gablik e Camille Paglia identificaram o fim das vanguardas? Na música, José Ramos Tinhorão e Chico Buarque crêm na possibilidade do fim da canção, isto mesmo para um país como o Brasil onde os músicos e compositores populares alcançaram o status de estrelas maiores. Tinhorão acredita que a canção de qualidade existirá quando muito em nichos especializados, assim como acontece hoje com a música erudita contemporânea, ou com o cinema de arte.

Aliás, o artigo passa a idéia de que as coisas no Brasil vão de mal a pior. Pode ser. Mas, em termos de América Latina, se tombo houve, ele foi muito pior para países como a Argentina. Aliás, com todas as suas limitações, o Brasil talvez seja hoje a locomotiva no Continente em termos de jornalismo cultural – literário também, portanto. Por que esta nossa compulsão acadêmica para enxergar sempre o lado negativo nos rumos que o País toma? De certo que ele existe. Mas não há nunca nada a comemorar?

Quanto ao Wilson Martins, não sou nenhum expert em sua obra. Mas não me traz desconforto algum o fato de se lhe atribuir um caráter narrativo ou estruturalista. “História da Inteligência Brasileira” é resultado de um poderoso esforço de síntese e de notável erudição. Não é e nem precisa ser a interpretação última e mais acabada da cultura e da literatura brasileiras. É mais uma. E, em minha modesta opinião, muito útil, para todo aquele que deseja alcançar uma aproximação razoável ao Brasil. Fundamental nestes tempos em que se processa esta “expansão meio informe da classe média”.

Abaixo reproduzo para vocês os comentários de Deonísio da Silva e Affonso Romano Sant’Anna sobre o artigo de Flora.

“OBSERVATORIO DA IMPRENSA:
WILSON MARTINS (1921-2010)

Crítico é atacado depois de morto
Por Deonísio da Silva em 27/4/2010

Quando o escritor Josué Montello morreu, fui procurado para falar (mal) dele. Em entrevista a Geneton Moraes Neto, no Jornal do Brasil, e em artigos assinados no Estado de S. Paulo, eu tinha feito várias ressalvas, não apenas à sua obra, mas à sua atuação como personalidade literária que era. Josué Montello respondera-me em grandes jornais, eu dera a tréplica no Verve, pequeno jornal editado por uma equipe presidida por Ricardo Oiticica, em Niterói (RJ).

Há quase trinta anos mantenho coluna semanal no Primeira Página, pequeno jornal de São Carlos (SP). Acredito muito nos pequenos jornais. Eles completam as falhas geológicas dos grandes. E a imprensa do período, ainda mais agora com os mecanismos de busca, jamais será a de um jornal apenas, como já foi no passado.

Ao me negar a falar de Josué Montello depois que ele morreu, comentei a advertência que, na Odisséia, Ulisses faz à Ericléia, que se alegra com o massacre dos pretendentes, popularizada pela seguinte expressão do latim vulgar: “De mortuis nil nisi bene” (Dos mortos nada, a não ser o bem).

Escrevera aqueles artigos e dera aquelas declarações a Geneton Moraes Neto quando eu tinha 35 anos! Hoje, aos 61, diria tudo o que disse de modo diferente. O outono nos ensina a moderação, mas fazer o quê? Pedro Nava definiu a experiência como um automóvel com os faróis virados para trás. Quer dizer, de pouco serve, pois o percurso já foi feito.

Sem espaços

Flora Süssekind, professora altamente qualificada, não deve desconhecer a recomendação que da literatura migrou para a vida cotidiana, mas perpetrou várias indelicadezas e equívocos no caderno “Prosa&Verso” de O Globo (24/4/2010). Não apenas com o que disse, mas com o que costuma silenciar, pois ela deve conhecer a qualidade de livros e autores que omite em suas pesquisas. Como disse Eduardo Portella, “o silêncio é aquilo que se diz naquilo que se cala”.

O pior de tudo é que jamais discordou de Wilson Martins quando ele era vivo. Em cima de seu caixão, com o profissional morto, ela, não só desanca sua obra, como ainda fala mal de quem falou bem do crítico, aí incluídos referências da crítica literária, como é o caso de Alcir Pécora e Miguel Sanches Neto, comentaristas de inegável qualidade. Qual foi o erro dos dois? Discordar dela?

Destaco trecho do que escrevi na coluna de Augusto Nunes na Veja on-line, no dia seguinte ao falecimento do crítico: “Wilson Martins dizia: `não comento autores, comento livros´. Fez a história da literatura brasileira de 1500 a 2009, acompanhando os lançamentos e garimpando neles o que achava relevante. Antonio Candido data sua história de nossas letras na segunda metade do século XVIII e vem até 1930. E nas universidades só ele é citado. Há décadas. Wilson Martins integra a multidão de esquecidos para que poucos possam aparecer louvados pelos mesmos de sempre”.

A militância política dos professores não pode ser exercida em sala de aula. Ali há programas, ementas, objetivos e bibliografias bem definidos a cumprir. Sejam pagos por escolas públicas ou privadas, os mestres estão submetidos a hierarquias baseadas em relações de saber, não de poder, e precisam ministrar aos alunos um ensino de qualidade. Aqueles que substituem ações docentes por proselitismo estão traindo os alunos. Não é esta a única razão do notório fracasso escolar, mas é uma força considerável no rebaixamento da qualidade de ensino. O artigo de Flora Süssekind logo estará sendo citado e multiplicado em universidades para ajudar a deformar nossos cursos de Letras. A mídia vem sistematicamente negando espaço a quem faz literatura de qualidade, aí incluída a crítica, naturalmente, e por isso enseja a consagração de mediocridades.

Colunas suspensas

Há algo muito mais grave do que ensinar que não houve ou não há literatura brasileira. É fazer de conta que obras e autores do gosto do mestre sejam impostos aos alunos como únicas referências literárias. Naturalmente, o mestre tem seu gosto, que é também uma categoria estética, mas quem experimenta o prato é o cliente, não o garçom. E neste caso, críticos e professores são garçons.

Por melhor crítico que tenha sido Armando Nogueira, quem fez a jogada foi Pelé, foi Garrincha, foi Romário, foi Maradona, não ele. Ele não jogava, ele comentava. Exagerando um pouco, Sartre disse que “os críticos são guardiães de cemitérios”. E ademais já não somos poucos os que achamos que é urgente uma revisão em nosso cânone literário, que consagra tantas mediocridades.

Os editores de cadernos literários usam sempre como recurso de argumentação que não há espaço para comentar mais livros ou outros livros, revelar outros autores, sair da geléia geral em que a maioria deles está há muitos anos. Por que, então, dedicar duas páginas inteiras para um solilóquio desses contra Wilson Martins? Não teria sido melhor abrir o mesmo espaço para uma saudável controvérsia?

Wilson Martins e Affonso Romano de Sant´Anna tiveram suas colunas suspensas em O Globo em agosto de 2005. Comentando o afastamento dos dois, escreveu Alberto Dines neste Observatório (8/6/2005): “A maior empresa de comunicação do país, uma das maiores do mundo, não tem os caraminguás para manter uma instituição que dá à combalida cultura carioca o suporte erudito para o seu renascimento. De diferentes gerações (um é poeta e professor mineiro; o outro ensaísta e professor curitibano) ARS e WM são dois expoentes da cultura brasileira que O Globo oferecia ao seu público no mesmo dia e mesmo caderno”.

Pois é. Olhem só para quem ocupou o lugar deles. Os leitores façam as suas comparações!”

Blog do Affonso Romano Sant’Anna

Li o artigo de Flora Süssekind no “Prosa e Verso” d’O Globo deste sábado 24.04.2010. Nunca vi tanto fel, tanto ódio sob o pretexto de tratar da crítica literária. Metralhadora alucinada e giratória, ela atira em todas as direções, inclusive no próprio pé. É constrangedor. Flora pensa mal e escreve pior ainda. Se me provocarem, eu mostro. O verdadeiro tema de seu texto é Wilson Martins. Em sua ira generalizada diz claramente que é preciso “matar Wilson Martins uma segunda vez”. Irritou-se que, três críticos, entre outros (Miguel Sanchez, Alcir Pécora, Sergio Rodrigues) tenham escrito sobre Wilson, quando de sua morte. Autoritária ela quer apagar o nome dele e de outros e fazer a história ao seu jeito. Com reparos que lhe podem ser feitos, Wilson Martins deixou uma obra sólida, instigante, um marco não só na literatura, mas na cultura brasileira do século XX. Não é ocaso de Flora e suas pequenas invectivas. Wilson Martins morto é mais útil e fecundo do que Flora Süssekind viva.

Comentários (5)

  • Deonísio da Silva diz: 1 de maio de 2010

    Meu caro Gunter,
    Grato por retomar o assunto. Hoje em O Globo, consoante com as pertinazes exclusões, Prosa & Verso volta ao assunto com uma ligeireza de dar dó. Como é que pode o suplemento literário de um grande jornal apequenar-se desse modo? Bem faz você em mostrar aos internautas a visão geral do que se passa, apresentando os comentários meus e do Affonso Romano de Sant´Anna, infelizmente desconsiderados por Prosa & Verso na volta à polêmica, fazendo dela um solilóquio atroz.
    Um abraço do
    Deonísio da Silva

  • Lia Lisandra Pellegrino diz: 1 de maio de 2010

    Fogueira de vaidades!…Estas “guerrinhas” verborrágicas estão sempre presentes no mundo literário mundial. Na França, por exemplo, há embates furibundos em todos os séculos q estudemos. Voltaire foi único e maior – para quem entende o q quero dizer, e digo! Afinal, Wilson Martins está morto e pronto. Como não foi um escritor criativo e nos tenha legado nenhum estilo, uma vez q não passou de um grande crítico de obras alheias, não se importará com a opinião da professora, sua seguidora ( em termos genéricos, se me faço entender ). O resto é apenas blá-blá-blá. Os envolvidos na disputa atual devem estar envolvidos, também, em disputas por verbas oficiais para seus “estudos”. No meio acadêmico atual, já q arte literária é tão defunta quanto o Wilson Martins e seus iguais, o q importa mesmo é estar na patota certa, na hora exata! O resto é resto…

  • luis antonio do nascimento diz: 1 de maio de 2010

    O trabalho de um crítico, ou quem quer que se disponha a analisar uma obra, seja em conjunto ou separadamente, é despertar a atenção para aspectos relavantes de seu conteúdo, sem descuidar de seu contexto. Neste sentido, e acredito que a minúscula flora não tenha se dado conta, as críticas apenas despertaram interesse pelo conjunto da obra e por seu autor. O risco que corremos ao desqualificar o trabalho alheio, em qualquer área (e a cultura não está infensa a isto), é exatamente o mesmo de atirarmos um “bumerangue”. Ele sempre volta em direção à cabeça de quem o atirou.

  • Christian diz: 2 de maio de 2010

    Li todos os artigos com atenção. Achei o texto desta Flora chatíssimo! Um porre! Como escreve mal!!! E que idéia mais louca é essa de achar que necrológios tenham de xingar o morto?! Nunca se viu disso em lugar algum! Necrológio é o espaço para destacar o legado positivo do morto. Coitado do WM – morreu solitário e desprezado, tamanha foi a campanha que lhe dirigiram em vida. E nem depois de morto lhe dão sossego.

  • Rodrigo Gurgel diz: 2 de maio de 2010

    Na verdade, meu caro Axt, o que se esconde no substrato do texto prolixo e confuso de Flora Sussekind é uma determinada concepção de literatura — uma concepção excludente, preconceituosa e autoritária. Concepção, aliás, defendida por significativa parcela da crítica literária brasileira contemporânea. Para esses críticos, ou a literatura se transforma num vanguardismo sempiterno — no qual a linguagem é elevada à condição de única protagonista da obra, o que gera livros sem enredo e sem personagens, narrativas nas quais enredo, personagens, fluxo de tempo, configuração do espaço etc. amontoam-se num verdadeiro caos –, ou abraça cegamente o dogma do politicamente correto — e cria obras em que as chamadas minorias sociais são sempre apresentadas como boas, justas, belas, corretas e bem-aventuradas –, ou, ainda, une as duas possibilidades e dá vida a narrativas que, além de incompreensíveis, são também demagógicas.

    Dessa forma, a obra literária que não se incluir em alguma dessas categorias já está classificada, de antemão, como mero exercício beletrista, ultrapassado e, portanto, condenado ao desprezo absoluto desses luminares.

    Não importa que, ao seguir esses dogmas absurdos, a produção literária se distancie radicalmente do leitor, transformando-o em um ser incapacitado para decodificar o texto, condenando-o a ler sem entender, ou ler defrontando-se com dificuldades sobre dificuldades. O que importa para tais críticos é a mistificação de que a verdadeira obra de arte literária é, necessariamente, difícil de ser compreendida. Ou seja, a leitura, para ser uma experiência realmente libertadora deve se tornar, necessariamente, um exercício obscuro, aflitivo — uma nova forma de tortura.

    Além de expulsar o leitor do sistema literário-cultural, essas concepções críticas reforçam um fenômeno exótico: o dos escritores que se bajulam mutuamente em suas seitas particulares, repetindo um fenômeno que Antonio Candido já detectou nos primórdios da vida cultural brasileira: a situação artificial em que os próprios escritores são “ao mesmo tempo grupo criador, transmissor e receptor; grupo multifuncional de ressonância limitada e dúbia caracterização, onde a literatura acabava por abafar a si mesma, esterilizando-se por falta de um ponto de apoio”.

    É óbvio, portanto, que esses mandarins da crítica literária pretendam assassinar duplamente Wilson Martins (como propõe Flora Sussekind). Isso não é nenhuma novidade, pois eles já assassinam, no nascedouro, qualquer narrativa que não siga os limites estreitos que eles pretendem impor à literatura nacional.

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