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Posts de setembro 2010

Heloísa Crocco: Topomorfose

28 de setembro de 2010 1

Foi um charme o lançamento do livro da Heloísa Crocco, Topomorfose, nesse último sábado, dia 25. Posto aí para vocês algumas fotos do evento, realizado no atelier da artista, na Vila Conceição, em Porto Alegre. Todas as fotos são de Christiano Witt.

Heloísa Crocco, Gunter Axt e Ademir Bueno

Heloísa Crocco e Máximo SoalheiroTopomorfoseVista da frente do atelier de Heloísa Crocco, projeto do arquiteto Trajano Straggiotti

Vista dos fundos do atelier de Heloísa Crocco

Heloísa Crocco: Topomorfose

25 de setembro de 2010 0

Bom dia pessoal!

Estou em Porto Alegre. Hoje a tarde irei ao lançamento do livro Heloísa Crocco: Topomorfose, no atelier da artista, na Vila Conceição, que por si só já é uma obra de arte, autoria do arquiteto Trajano Silva. O livro é assinado pelo mineiro José Alberto Nemer, tem design gráfico do premiadíssimo Marcelo Drummond e fotografias primorosas de Fábio Del Re e Carlos Stein. A pré-impressão foi do queridíssimo pessoal da ClicK Pro e a impressão a cargo da Gráfica Maredi. A editora é a Paiol – um selo editorial que criei em parceria com a Leitura XXI do Sérgius Gonzaga para acolher os livros que escrevo ou produzo. É uma grande honra que o livro da Heloísa Crocco seja a edição de estréia da nova Editora. Hoje saiu no Caderno de Cultura da ZH em excelente artigo da Paula Ramos sobre o livro, bem como uma nota muito boa na coluna da Mariana Bertolucci.

O atelier da Heloísa está lindo! A produção da festa é da Cem Cerimônia e o coquetel by Neka Menna Barreto.

A morte da efígie - artigo de Affonso Romano Sant'Anna sobre a polêmica na Bienal de São Paulo

25 de setembro de 2010 0

Vale a pena consultar o artigo do Affonso Romano Sant’Anna sobre a polêmica envolvendo as gravuras de Gil Vicente, na Bienal de São Paulo, nas quais o artista se retrata matando personalidades da política. Veja aí os links: O artista acima de qualquer suspeita? Blog do Affonso Romano Sant’Anna

STF amorcega a Ficha Limpa

25 de setembro de 2010 0

O STF passou para a sociedade brasileira um atestado poltrão. Já é melancólico o empate de 5 a 5 no julgamento que resolvia se a Lei da Ficha Limpa valia ou não para essas eleições. Já que o Ministro Eros Grau se aposentou antes da votação, o Presidente da Corte, Ministro Cesar Peluso, deveria ter usado de sua prerrogativa de voto de Minerva. Deixar a decisão para o próximo Ministro que será nomeado ainda pelo Presidente Lula é vexaminoso. É submissão ao Executivo. Na prática, todas as candidaturas suspensas para as eleições desse ano foram abonadas. Tremendo anti-clímax!

Quando o pop fazia sentido

20 de setembro de 2010 1

Muito a dizer, sem tempo para escrever…

Então, melhor deixar o recado hoje com ele, Bowie. E pensar que hoje o que temos é a Lady Gaga…. Argh!

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A ditadura de Getúlio Vargas

16 de setembro de 2010 4

Já está on-line o meu novo artigo na revista Voto. Reproduzo-o abaixo para vocês.

A ditadura de Getúlio Vargas

Em outubro de 1937, sob o pretexto de combater uma suposta insurreição comunista, decretou-se o estado de sítio. Nessas condições, era facultado ao governo federal requisitar as milícias estaduais. Assim, em 14 de outubro, o ministro da Guerra, general Gaspar Dutra, convocou a Brigada Militar do Rio Grande do Sul a se tornar força auxiliar do Exército Nacional. O então governador José Antônio Flores da Cunha, derrotado pelas intrigas instigadas por Getúlio Vargas, exila-se no Uruguai. Caía a última séria barreira ao projeto centralizador.

Em 10 de novembro, um golpe de Estado suspendeu as garantias constitucionais e outorgou uma Constituição, que ficou conhecida como “Polaca”. A faculdade legislativa foi enfeixada pelo presidente da República, a Justiça Eleitoral suspensa, os parlamentos fechados, o direito à greve banido e a censura prévia à imprensa estabelecida. As instituições representativas previstas na nova Carta jamais chegaram a ser instaladas. Implantou-se um regime policialesco.

Ao outorgar a Constituição de 1937, Vargas proclamou o fim do federalismo e da democracia liberal. Num ato de grande impacto, fez queimar as bandeiras dos Estados. Em seguida, extinguiu a Justiça Federal de primeiro grau.

Estado Novo investiu contra certos autonomismos étnicos, especialmente no Sul. Escolas, clubes e hospitais ligados à população imigrante foram obrigados a nacionalizar suas razões sociais e seus regulamentos. Jornais em língua estrangeira foram fechados e procurou-se também nacionalizar o ensino nas escolas paroquiais. Em face da pressão norte-americana, súditos do Eixo precisaram retirar-se de sociedades acionárias. Todas essas medidas foram reforçadas por uma intensa campanha, produzida pelo novo Departamento de Propaganda, para forjar uma nacionalidade orgânica.

Desde a Semana de Arte Moderna de 1922, tomava corpo um imaginário que advogava a valorização da identidade brasileira. Vargas soube captar este traço, enaltecendo suas reformas com a valorização do sentimento nacional.

Assim, a Revolução de 1930, que começou como disputa oligárquica, converteu-se em compromisso liberal durante uma concorrida campanha à Presidência, para terminar militarizada, centralizadora e intervencionista. O projeto contou com o apoio da nascente classe industrial paulista. O Estado Novo logrou de fato forjar integração jurídica, administrativa e comercial até então desconhecidas. A extinção das tarifas interestaduais, por exemplo, foi fundamental para a criação de um mercado nacional.

Acompanhando o recuo do sistema federativo, cresceram o intervencionismo e a burocracia federal. A administração pública foi fortalecida, modernizada e racionalizada, especialmente por meio da criação do DASP (Departamento de Administração do Serviço Público). O DASP colaborou na implantação de uma série de órgãos reguladores, tais como conselhos, comissões e institutos, base para a criação e o fortalecimento de empresas estatais que se constituíram no núcleo do desenvolvimento industrial fundado na substituição de importações. A legislação social para o trabalhador urbano avançou, mas a estrutura sindical foi inteiramente cooptada pelo Ministério do Trabalho.

Segundo o estudioso Joseph Love, em que pese a notável concentração das decisões, a administração, pelo menos no que tange à matriz tributária, permaneceu bem menos centralizada. A proporção entre impostos arrecadados pelo governo central e pelos governos estaduais foi menor no Brasil estado-novista do que no Canadá, na Argentina ou no México. Enquanto no México, por exemplo, entre 1938 e 1945, os Estados arrecadaram 17,3% do total dos impostos coletados no país, no Brasil esse percentual subiu para 55,7%.

Entre fins de 1943 e início de 1944, o modelo autoritário principiou a dar sinais de desgaste. À medida que avançava a confiança numa vitória dos aliados na Europa, os militares brasileiros, que lá ajudavam a combater uma ditadura, endereçavam críticas ao Estado Novo. Em outubro de 1943, um manifesto de intelectuais de Minas Gerais escapava à peneira da censura, pedindo a redemocratização. Em janeiro de 1945, o 1º Congresso Brasileiro de Escritores foi ainda mais ousado, exigindo eleições e liberdade de expressão. Em 28 de fevereiro, o governo emitiu um Ato Adicional, emendando a Constituição de 1937 e determinando o prazo de 90 dias para fixar a data e as regras das futuras eleições. Em março, um Congresso da União Nacional dos Estudantes (UNE), em Recife, reorganizada, indicava que a opinião pública tornava-se hostil ao regime. Em 9 de maio, foi formalmente organizado um novo partido político, o PSD (Partido Social Democrata), que apoiou a candidatura à Presidência do ministro da Guerra, general Dutra. Enquanto isso, a oposição ao varguismo concentrou-se na UDN (União Democrática Nacional), organizada em agosto, apoiando a candidatura do brigadeiro Eduardo Gomes. Entretanto, a atmosfera de relativa confiança no processo de abertura foi abalada pelo Movimento Queremista, que estalou em agosto lançando Vargas à Presidência.

Mesmo com a negativa de Getúlio, o Queremismo serviu de base para a mobilização das lideranças sindicais na organização do PTB (Partido Trabalhista Brasileiro) e sinalizou para a possibilidade de o ditador estabelecer uma política baseada na militância operária, a exemplo do que fizera Perón na Argentina, sobressaltando a oposição. Em 10 de outubro, Getúlio baixou um decreto antecipando as eleições estaduais e municipais para 2 de dezembro, mesmo dia agendado para o pleito federal. Com a manobra, a oposição passou a temer que Getúlio manipulasse os pleitos locais por meio da ação de seus interventores. Em 25 de outubro, Getúlio demitiu o chefe de Polícia do Distrito Federal, João Alberto, substituindo-o por Benjamim Vargas, seu impopular irmão, irritando os generais. Recusando um ultimato de Dutra e Góes Monteiro para afastar Benjamim do cargo, Vargas foi deposto pelo Exército em 29 de outubro. Terminava, assim, o Estado Novo.

Camille Paglia demole Lady Gaga

15 de setembro de 2010 0

Está imperdível o artigo de Camille Paglia publicado no Sunday Times desse domingo. Camille demoliu Lady Gaga, “primeira grande estrela da era digital”. Viu nela artificialismo robótico, numa tradução da morte do sexo e da sensualidade. Percebeu-a como uma copista superficial e inescrupulosa. Vale a pena ler. Este link permite acessar um resumo do artigo, que está disponível na íntegra na página do Sunday, que cobra pelo acesso. What sex got to do with it?

François Jullien em Porto Alegre - 30 de setembro

13 de setembro de 2010 0

No sétimo módulo da série de conferências Mal-Estar na Cultura, coordenada pela Professora Kathrin Rosenfield, falará o francês François Jullien, um dos mais importantes filósofos europeus da contemporaneidade, quem eu já tive a oportunidade de entrevistar aqui no blog e para a revista Cult, de São Paulo. O título da conferência do Jullien será  As Transformações Silenciosas e o diálogo cultural entre Oriente e Ocidente. Trata-se de uma das temáticas mais palpitantes e atuais – a possibilidade de diálogo entre as culturas e a emergência de uma nova estética mestiça no planeta, analisada da perspectiva da filosofia.


O evento terá lugar no dia 30 de Setembro, quinta-feira, 19h, na Sala II do Salão de Atos da UFRGS.  Como o evento contatará com o sistema de Tradução Simultânea, as inscrições são limitadas. Assim, a organização pede, mesmo para os já inscritos no evento, que confirmem sua presença pelo e-mail difusaocultural@ufrgs.br.



A Organização é da Pró-Reitoria de Extensão

Universidade Federal do Rio Grande do Sul

Fones: 51-3308-3034/3933

www.difusaocultural.ufrgs.br

Histeria eco-urbanóide

11 de setembro de 2010 1

As pessoas perderam a conexão com a natureza, com o campo, com a floresta. Vivem encapsuladas em rotinihas urbanas alienadas, com controles remotos nas mãos, vagando sobre o concreto, e, de repente, pensam que vão salvar o planeta adotando a primeira macega na qual tropeçam. Empilham-se os exemplos dessa histeria eco-urbanóide que medra por aí.


Dia desses, eu quase fui trucidado por alguns vizinhos em Gramado, tudo porque resolvi derrubar 11 árvores. Queixaram-se à Prefeitura, fizeram um auê. Mas deram logo com os burros n’água, porque eu tomara o devido cuidado de solicitar à Prefeitura autorização para o abate, como prevê a lei. Ela me foi prontamente concedida, pois os exemplares visados eram acácias negras com mais de 14 anos, eucaliptos brancos e vermelhos e alguns ciprestes. Todos os exemplares eram exóticos e estavam em zonas lindeiras, oferecendo risco, inclusive, à segurança das pessoas e à integridade material das propriedades vizinhas.


Qualquer mentecapto deveria saber que uma acácia negra precisa ser derrubada depois de 10 anos, se não, pode cair de podre. Já os eucaliptos, ninguém precisa dizer que são árvores de corte, exóticas, que contribuem pouco para a qualidade do nosso ecossistema, a não ser quando plantadas especificamente para o corte. Não há porque os termos em zona urbana. Quanto aos ciprestes, tirei quatro, dos sete que havia no terreno, para, justamente, permitir a entrada de luz solar e substituí-los por espécimes nativas e frutíferas. O biólogo da Prefeitura elogiou minha ação. Mas os vizinhos aratacas surtaram. O mais exaltado era um senhor grisalho, comprovando que, diferentemente do que muitos supõem, a alienação com relação à natureza e à biologia vai muito além da juventude.


Noutro dia, passeava eu pela Vila Assunção, em Porto Alegre, quando vi a coitadinha de uma extremosa, numa praça, tomada de erva de passarinho. As extremosas não são nativas, mas são arvorezinhas encantadoras, que colorem o verão com a sua floração intensa e pintalgam o outono na sua condição caducifólia. Não incomodam ninguém, suas raízes são contidas e suas dimensões limitadas. Por outro lado, sabe-se o quão nociva pode ser a terrível erva de passarinho. Há meses aquela pobre arvorezinha estava assim, sem receber os cuidados necessários da SMAM. Então, resolvi tomar uma atitude e fui arrancar eu mesmo o parasita deletério. Eis que surge, retumbante, de uma casa de fronte uma moradora indignada por que eu estaria depredando a extremosa….! Nem adiantou argumentar: a erva era verde e tudo o que é verde para essa gente sem noção é bom. Simples assim. Ficou lá a extremosa, a ser sugada pelo parasita. E a doidivanas da praça achando que tinha ganho o seu dia na luta para salvar o planeta.


Nunca aconteceu com vocês?


Recentemente reverberaram por prestigiosas colunas críticas à derrubada dos ficos e ligustros na Praça da Alfândega. A derrubada estava aprovada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e era mais do que justificável, pois estas espécies exóticas possuem copa cerrada, que bloqueia a entrada e luz solar, sufocando as demais, sem mencionar suas raízes agressivas, que prejudicam o encanamento e o calçamento. Além disso, seriam substituídas por encantadores ipês amarelos, árvores nativas muito apreciadas pela fauna e notadamente decorativas. O que mais me impressionou na queixa vazada pela imprensa era que partia de cidadãos cultos, professores universitários, jornalistas experientes… Num indicativo muito claro de que estamos errando fragorosamente no nosso sistema educacional, pois há muito tempo estamos produzindo gerações de pessoas alienadas da natureza. Essas pessoas agora se descobrem paladinos da luta verde e convertem-se em furibundos defensores das macegas que crescem pelos cantos das calçadas. E a quem interessar possa, vale lembrar que as praças e parques são locais de paisagismo urbano – não tem o menor cabimento aceitar ali qualquer macega, pois há um projeto paisagístico que precisa ser preservado. Bom, pelo menos deveria haver, pois isso é civilização e cultura!


Outro dia, postei aqui no blog link para um lúcido artigo da Camille Paglia no qual ela criticava exatamente essa dissociação do ensino universitário com a vida real. Quando professores universitários, alguns até apopsentados, resolvem defender os ligustros e os ficos da Praça da Alfândega, esta tese fica mais do que comprovada!


Aliás, em se tratando da Praça da Alfândega, eu iria ainda mais longe. Eu adoro os guapuruvús: são lindos, altos, esguios, quase uma escultura modernista, com magnífica floração amarela na primavera. O problema é que são árvores que caem, com enorme freqüência, sobretudo depois de uma certa idade. Ora, os guapuruvús da Praça da Alfândega são imensos e já bem antigos. Eu gostaria de ver um laudo da SMAM sobre a segurança que eles oferecem aos freqüentadores da Praça…


E falando em SMAM, na esquina das Avenidas Copacabana e Wenceslau Escobar, na Tristeza, havia uma casinha, que foi demolida para dar lugar a um empreendimento comercial. Até aí, tudo normal. O lance é que o prédio ali erguido foi obrigado a desviar duas velhas árvores. Criou-se uma forma arquitetônica meio esdrúxula. A medida seria mais do que elogiável, não estivessem estas árvores condenadas e definhando a olhos vistos. Uma delas, cuja qualidade agora não me recordo, estava completamente tomada de erva de passarinho e já tinha um de seus lados necrosado; a outra, era uma araucária, que de tão velha, já formara a taça. E se tratava de uma araucária especialmente raquítica, indicando que crescera em solo impróprio e jamais conseguira se desenvolver convenientemente. De fato, o motivo pelo qual as araucárias não se adaptam bem em Porto Alegre é que elas necessitam de solos profundos, o que existe na serra, mas não na Capital. Para piorar a situação, essa árvore fanava a olhos vistos, já tendo vários galhos ressequidos e pelados. Estava morrendo, de velha, de fraca. Nesse caso, o melhor seria abreviar o suplício e cortá-la de uma vez! Mas, não! É verde! E a SMAM, que não dá conta de limpar as ervas de passarinhos das árvores, não deixou derrubar aquelas duas agonizantes, num claro indício de que a histeria eco-urbanóide chegou aos técnicos. Melhor seria ter determinado aos construtores do prédio que as derrubassem e ali plantassem exemplares nativos, em substituição.


É esse tipo de dissociação que está tomando conta da nossa Câmara de Vereadores. Nossos Vereadores podiam estar propondo soluções criativas para a cidade, mas preferem paralisá-la com essa discussão sobre os 60 metros de área de restrição à construções por 60 quilômetros de orla. Se estivessem efetivamente preocupados com o bem estar da população de Porto Alegre e com o ambiente da cidade, teriam, por exemplo, entregue à Governadora e ao Ministério Público uma moção exigindo que os incendiários dos Campos de Cima da Serra fossem severamente multados e, até, enjaulados. Afinal, o fogo que eles produzem contribuiu para o aquecimento global e ajudou a levar as emergências dos hospitais da Capital a um colapso sem precedentes. Imaginem o impacto que uma moção assim não teria junto ao Governo! E coloco aqui o Ministério Público também porque quando todos os agentes Executivos falham, é no ente ministerial que depositamos nossas esperanças. Foi por isso que a sociedade outorgou-lhe o poder que esgrime desde a Constituição de 1988. E é triste constatar que no caso dos incêndios criminosos nos campos, o Ministério Público nada tem feito. Mas, não, os Vereadores preferem perder-se em debates infrutíferos e delirantes.


Mais exemplos? Em Copacabana, no Rio de Janeiro, será instalada uma usina de biodiesel para reciclar o óleo de cozinha dos bares e restaurantes. Esse óleo normalmente é despejado nos esgotos, prejudicando sobremaneira o meio ambiente e ajudando a entupir tubulações. O biodiesel que seria produzido a partir daí, seria utilizado para movimentar os caminhões de lixo da Prefeitura, reduzindo gastos com combustível e a emissão de CO2. O equipamento todo para a usina custa menos de R$ 250 mil reais, o que estabelece retorno garantido para a iniciativa. Ou seja, a Prefeitura ainda terá lucro!


Por quê não propor algo parecido para Porto Alegre? Por quê não ajudar o Executivo a encontrar soluções criativas e eficazes?

Debate delirante

09 de setembro de 2010 1

Às vezes é difícil entender o que acontece com Porto Alegre. Uma cidade que já foi tão progressista…Em 1845, chegou a ser a quarta maior cidade do velho Império do Brasil. Foi a primeira capital brasileira a contar com um serviço regular de distribuição de energia elétrica, em 1887. Em 1906, era a Capital de um Estado cujo parque industrial quase se equivalia ao de São Paulo. Nos anos 1920, tinha a segunda maior frota de veículos do País, perdendo apenas para São Paulo. Nessa época, arquitetos do mais alto gabarito, como Theodor Wiedersphan, erguiam verdadeiras obras de arte na cidade, algumas das quais estão aí até hoje, a nos encantar. Desde o século XIX, tem sido uma cidade pujante e influente, cultural e politicamente, com grande projeção nacional.


Hoje, contudo, parece que o que empolga a cidade com freqüência inaudita são o ranço, a compulsão para andar para trás, típica do chamado espírito de caranguejo, a picuinha, o descolamento da realidade, próprio de uma mentalidade fantasista. Sim, o que mais dizer do delírio em curso na Câmara Municipal, que pretende derrubar o veto do Prefeito ao artigo 68 do Plano Diretor que estabelece arbitrária e doidamente a faixa de 60 metros de orla como área de restrição para construções, num trecho de cerca de 60 quilômetros? A proposta é, antes de qualquer coisa, uma violência à história de ocupação da orla da cidade, que seguiu a tradição açoriana de estabelecer-se o mais próximo possível à margem do lago Guaíba. Querem mudar a tradição em nome de uma nova perspectiva de vida? Sem problemas, embora eu ache que a faixa de 30 metros já é mais do que razoável, em se tratando de uma área de densa ocupação demográfica. Mas, então, vamos respeitar as edificações já consolidadas e os projetos já aprovados.


Onde já se viu? Quem é que vai pagar a conta do surto dos vereadores? Todos nós, contribuintes! Alguém já imaginou o custo das desapropriação milionárias? Vamos agora arrasar os clubes náuticos que estão lá há anos e anos, implodir a Fundação Iberê Camargo, inviabilizar o futuro complexo do Beira Rio, metralhar as residências que há décadas, séculos até, se estendem até junto ao lago?


Eu sou absolutamente a favor de política de proteção ambiental. Mas está na hora de diferenciarmos com muita clareza o que é desenvolvimento sustentável das patuscadas dos eco-histéricos. A histeria coletiva que contamina os neo-ecologistas urbanóides é resultado de uma aliança esdrúxula entre, de um lado, uma alta burguesia que perdeu o contato com a realidade, não sabendo plantar um simples pé de feijão ou ignorando a diferença entre um ingá e uma acácia negra de corte, e que quer preservar os seus privilégios de vista para o lago, trânsito desafogado e que tais às custas do desenvolvimento da cidade e da geração de empregos, e, de outro, umas viúvas da queda do Muro de Berlim que, sem pauta e sem consistência, resolveram lançar-se à ecologia para, irresponsavelmente, empanar qualquer traço de sociedade de mercado que encontrarem pela frente.


A Câmara de Vereadores está fazendo um papelão sem tamanho! Fundamentalmente, está passando um atestado de falta de compromisso cívico e de descolamento da realidade. Isso nos faz perguntar mais uma vez sobre a pertinência de termos tantos vereadores nas cidades. Um debate como esse, é muita falta do que fazer!


Numa hora em que devíamos estar nos unindo para ajudar o Prefeito Fortunati a captar recursos para desenvolver a cidade, tirando-a da estagnação, resolvemos recolocar em pauta temáticas já equacionadas, para espezinhar, atrapalhar, embotar, engessar. Quando deveríamos estar nos mobilizando para amealhar os recursos necessários para erguer o Teatro da Ospa, para a instalação do metrô, e etc, e etc., passamos novo atestado de incompetência, dessa vez redigindo uma lei que dá azo à possibilidade de derrubar até a Fundação Iberê Camargo. É o fim da picada!