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A protetora das galinhas

20 de outubro de 2010 0

Lamentável. É o que se pode dizer do caso promovido pela Promotora protetora das galinhas que avacalhou, diante do Brasil inteiro, o Ministério Público do Rio Grande do Sul, instituição séria e amplamente prestigiada. Ela ajuizou uma ação penal contra um motorista de caminhão pelo atropelamento de – pasmem! – duas galinhas!!! Sim, galinhas, aquelas aves que estão todos os dias nos pratos de todo o mundo. Ok, coitadas das galinhas que sofreram trágico sinistro. Também estou compungido com o acidente! Mas daí a movimentar a máquina da Justiça?!

Seria até uma coisa engraçada, não fosse pelo fato de que o rapaz precisará perder tempo e gastar suas economias com advogados. E o prejuízo da transportadora, que não conseguiu entregar sua carga em tempo, quem paga? Seria até engraçado, se a ação penal não tivesse um custo para transitar na Justiça, que, em última análise, é pago por todos nós, cidadãos.

Se uma Promotora de Justiça resolve ajuizar uma ação dessas, a primeira coisa que nós, cidadãos, devemos nos perguntar é o que ela faz com o seu tempo. Não seria estranho imaginar-se que ela não tenha muito com o que se ocupar, já que se dedica a tais inquietações. Donde pode se concluir haver promotores demais por aí. Não? Bom, então é preciso perguntar sobre a eficácia do trabalho da Corregedoria-Geral do Ministério Público. Todos sabemos que os Promotores são independentes, mas se uma coisa esdrúxula dessas acontece, é claro que está faltando orientação e, também, por que não, fiscalização.

Mas há algo ainda mais inquietante por trás de tudo isso. A julgar pelas justificativas da Promotora na matéria da Zero Hora de hoje, a lógica que parece ter justificado a ação penal pode estar perigosamente relacionada ao que chamei alguns dias aqui no blog de histeria eco-urbanóide, isto é, o descolamento da realidade de pessoas que passaram a sua vida inteira encerradas em apartamentos e vagando pelo asfalto. Digo perigosamente, porque se trata de uma Promotora da área ambiental. Uma autoridade investida de grande poder para proteger a cidadania e os direitos indisponíveis e que, em meio ao constrangimento geral, dá indicações de ter perdido o contato com a realidade, bem como o senso de prioridade. Pois um agente da Justiça que move céus e montanhas pelo direito das galinhas, nem que para isso tenha de gastar fortunas e colocar em risco os seres-humanos, não pode estar com o seu medidor de prioridades bem calibrado. Sim, porque imagine o risco de uma freada brusca representado por um caminhão com quase 11 metros de comprimento e carregado com 12 mil quilos. Não é o mesmo que frear um Uno Mille. Não sei não, mas talvez estejamos diante de uma ameaça à sociedade. É preciso que alguma providência seja tomada. E este rapaz, desde já, deve sentir-se no direito de pleitear uma indenização ao estado. Afinal, ninguém pode submeter os outros a tamanho absurdo impunemente.

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