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Luis Antônio de Assis Brasil anunciado para a Secretaria de Cultura do RS

30 de outubro de 2010 0

Então tá! Luiz Antônio Assis Brasil foi anunciado para a Secretaria da Cultura do futuro Governo Tarso Genro! Ponto para a Cultura! Músico, escritor e professor respeitado, um titular desse calibre representa um avanço diante de um cenário de apedeutas e piriguetis.


Confesso que ainda não li nenhum dos livros de Assis Brasil e que precisarei preencher esta lacuna com urgência. Cheguei a comprar uma obra dele há alguns anos atrás, mas a agenda sempre hipertrofiada foi roubando tempo de leitura. Em 2006, assisti-o na Fflip, em Paraty, declarando já saber tudo o que necessitava sobre a História para poder escrever seus romances. Como historiador, fiquei um pouco decepcionado, pois a História é infinita e está sempre mudando diante de novas interpretações, novos trabalhos. Aí, o livro foi ficando na base da pilha das coisas a ler… Mas agora, voltará ao topo.


Não conheço as idéias de Assis Brasil como gestor cultural. Sei vagamente que ele ocupou algumas funções como dirigente cultural, sob a liderança de Paulo Amorin, durante o regime militar: nos anos 1970 na Prefeitura de Porto Alegre e em princípios dos anos 1980 conduziu o IEL. Atualmente, dirige o importante espaço de memória da PUC-RS.


Notei que a sua indicação foi recebida com certa cautela por colunistas e blogueiros. Ninguém fez muita festa. O pessoal parece estar esperando a indicação do restante do quadro auxiliar para se manifestar. O excelente artigo de Cláudia Laitano na Zero Hora de hoje é um bom exemplo disso. Mas, como não moro mais em Porto Alegre, pode ter sido apenas uma impressão…


E falando em gestores, o PT tem uma tradição contraditória nessa área. Possui em seus quadros agentes muito respeitados, dentro e fora do partido, como Vitor Ortiz, que foi Secretário Municipal da Cultura em Porto Alegre e de São Leopoldo e coordenador na Funarte, no Rio de Janeiro, onde reside atualmente. Também é o caso da produtora Adriana Donato, reconhecida no Rio Grande do Sul por sua competência. Eu provavelmente estou cometendo injustiças ao esquecer outros nomes… Mas há também figuras de burocratas profissionais, cujo desempenho, tanto aqui quanto em Brasília, é com freqüência considerado limitado. Oxalá as forças internas do partido convirjam para mobilizar os melhores.


Luiz Antônio prepara-se para assumir a Pasta no momento em que a novela da OSPA ganha mais um lance. A renúncia do Maestro Isaac Karabichewsky expõe o desprestígio com que a nossa querida orquestra vem sendo tratada pelos sucessivos governantes. Isaac preferiu ficar pelo Rio de Janeiro, onde os músicos não fazem greve, onde a Escola de Música não foi fechada, onde há programas sociais e onde há um teatro. Está certo ele. Ninguém merece!


E tudo, aliás, tem um lado positivo. A saída de Karabichewsky pode abrir novas possibilidades e representar uma oportunidade para um bom gestor. Quem sabe se a OSPA, no seu estágio atual, não ficaria bem posta trocando um grande maestro de nomeada por uma solução mais caseira e convênios propositivos com orquestras de porte médio da Europa e dos Estados Unidos – facilitando o intercâmbio entre os músicos, por exemplo? É claro, essa estratégia seria de pouca serventia para uma orquestra sem teto, sem casa, sem apoio do Governo e da sociedade.


Dramática é a perspectiva de levar a TVE para uma eventual nova Pasta da Comunicação. Tratar a TVE como comunicação de governo e não como agente irradiador de cultura seria um retrocesso e uma desconsideração para a emissora, que está a merecer, isso sim, ser elevada à categoria de fundação independente de fato, ao invés de ser sistematicamente tratada como filho enjeitado. Tamanho golpe figuraria como desprestígio ainda maior para o novo Secretário, pois ele já assumiria com sua pasta sendo esvaziada… ! Enfim, tomara que essa idéia não prospere.


Diante do cenário de terra arrasada na cultura do governo que finda, uma gestão mediana no Governo Tarso já seria celebrada por muitos. Mas é verdade que o Rio Grande do Sul tem as pré-condições pertinentes para acolher uma gestão na Cultura que seja capaz de projetar-se nacionalmente por meio de idéias e iniciativas dinâmicas e criativas. Basta atentar para a efervescência cultural que existe no Estado no campo privado, à margem da Secretaria, para evidenciar o descompasso cognitivo, algo esquizofrênico, entre o cenário cultural e a administração pública. Se essas instâncias conseguissem colaborar, se tivéssemos um governo comprometido com a cultura, maravilhas poderiam ser feitas! É esperar para ver.

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