Quem acompanha o meu blog, vai lembrar que eu o iniciei, em outubro de 2009, com alguns posts sobre a violência no Rio de Janeiro. Então, é esse aqui um assunto recorrente.
Sobre os episódios que estão em curso na Cidade Maravilhosa digo hoje que, muito embora não morra de amores por esse Governador Sérgio Cabral, é a primeira vez em décadas que o Rio de Janeiro tem uma política de segurança séria. Quem já morou no Rio sabe perfeitamente que os bandidos não têm motivo para atacar no asfalto – o que querem é tranquilidade para traficar livremente no seu território. Arrastões acontecem quando o comando em alguma favela se dilui, seja em virtude de uma guerra de facções ou da morte de um chefe, pois, em geral, os próprios traficantes os reprimem. Ataques coordenados como os que assistimos nos últimos dias são ainda mais raros, até porque os bandidos dividem-se em facções rivais.
Então, a explicação para o recente fenômeno reside na reação dos bandidos ao sucesso da política de segurança. É verdade que a polícia do Rio de Janeiro deveria ser reformada, de alto a baixo. Também é verdade que a Justiça por lá não é grande coisa. Mas as Unidades de Polícia Pacificadora, as UPPs, embora não sejam nenhuma panaceia, são a melhor coisa que surgiram em décadas. Sim, este é o caminho para enfrentar a violência no Rio de Janeiro: a ocupação do território dos bandidos pelas forças do estado e da lei.
O poder de fogo dos bandidos que estamos vendo pela televisão foi acumulado em décadas de descaso e incompetência dos governantes do Rio de Janeiro. E, não é folclore não, este absurdo se potencializou durante o Governo de Leonel Brizola, quando se generalizou a aberrante política de composição com os bandidos. Essa mancha deletéria Brizola arrastou consigo para o túmulo.
Assim, em que pesem os horrores que estamos assistindo desde o último dia 24, a ação dos bandidos pode ser lida, em princípio, como um sinal positivo para a sociedade. Noto, ainda, que a polícia do Rio de Janeiro precisou responder aos ataques com uma estratégia de emergência. Isto é, a ação policial não pôde dessa vez ser programada com cuidadosa antecipação. E a resposta está sendo eficaz. Para confrontos das proporções a que estamos assistindo, o número de baixas está se mostrando relativamente contido, por enquanto. Ponto para a polícia, que passa um atestado de prudência e civilidade! E, a propósito, estou gostando de ver a tranquilidade com que o secretário de segurança do Rio, o Sr. Beltrame, tem se apresentado em público em meio a uma situação tão angustiosa. Na guerra, é assim que um comandante tem de se mostrar, transmitindo segurança para a sociedade e para os seus comandados.
É claro, não pode haver vacilo daqui para frente. Se as UPP se corromperem, será um desastre de proporções inimagináveis. E, junto com as UPPs, é preciso continuar urbanizando as favelas do Rio de Janeiro.
É possível, é viável, é necessário.
De fato, o que se vê no Rio de Janeiro são cenas que sugerem estar e curso um tipo de ação guerrilheira urbana. É grave, certamente. Mas não é possível comparar com a situação do México, por exemplo, onde o quadro é muitíssimo mais agudo, dominando quase todo o território nacional, ou tampouco com a Colômbia, onde a guerrilha segue motivações ideológicas e enverga um projeto de poder. Então, com persistência e ciência, é possível resolver o problema da guerra no Rio.