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Posts do dia 27 novembro 2010

TAM se nega a acolher reclamações sobre a fraude Multiplus

27 de novembro de 2010 3

Tentei por várias vezes enviar um e-mail para o “Presidente” da TAM, pelo portal da companhia, no link “fale com o Presidente”. Depois de enfrentar o preenchimento de um desgastante questionário, o site trava, e o envio do e-mail não é concluído. Em resumo, a TAM nega-se a receber reclamações sobre o problema das milhas, seja em suas lojas, seja pelo atendimento ao cliente pela central de relacionamento telefônico, seja pelo site. Pode haver demonstração mais cabal de culpa no cartório? É óbvio que a companhia está perfeitamente informada da fraude com as milhas e do dano que está sendo imposto aos seus clientes. Sabe, e não dá a menor pelota. O que será que está por traz disso? Vontade explícita de passar um atestado de desrespeito? Será que a TAM está sem condições de honrar o compromisso com os clientes e resolveu sacanear geral?

Rio em guerra

27 de novembro de 2010 2

Sinto-me muito confortável neste momento para sair em defesa do Rio de Janeiro e da política de segurança lá implantada, pois, no ano passado, quando todos se embriagavam de enlevo ufanista, diante da escolha da cidade para sede das Olimpíadas, dei uma de chato, de advogado do diabo, chamando a atenção para os problemas da cidade. E fui bastante atacado por isso.


Em adição ao que registrei em meu post anterior, acho que vale refletir um pouco sobre como parte da imprensa, do mundo e do próprio Brasil, tem tratado do drama que lá se desenrola. Alguém aí se lembra de quantos automóveis foram incendiados nos tumultos que eclodiram nos subúrbios de Paris em dezembro de 2004 e que se desdobraram pelo interior da França nos meses seguintes? E quantos foram os veículos e estabelecimentos comerciais danificados no levante do inverno europeu de 2008/9 na Grécia? Alguém lembra? Ou quantas foram as baixas havidas no Levante do Dia das Mães em São Paulo? Ou nos atentados terroristas havidos em Madrid, Londres e Nova Iorque? Pois bem, nada autoriza dizer que a situação no Rio não é grave, mas vamos devagar com o andor, vamos contextualizar os fatos, ok?


A propósito, a população do Rio de Janeiro está dando ao mundo uma demonstração de maturidade, diante de situação tão absolutamente angustiosa. Todos estão procurando levar as suas vidas normalmente. As crianças não deixaram de ir às escolas, as pessoas seguem tentando chegar ao trabalho... Alguém aí poderia até dizer que faz parte da esquizofrenia alienante da cidade, mas, sinceramente, acho difícil acreditar nisso quando o conflito se reveste de tamanhas proporções e se revela tão disseminado. Imaginem se algo assim acontecesse nos Estados Unidos, país por excelência da histeria coletiva? Seria um pânico generalizado! Não, os cariocas estão se comportando com a mesma altivez revelada pelos londrinos no último ataque terrorista que tisnou de rubro aquela adorável cidade.


E também acho positiva a aliança entre as polícias do Rio de Janeiro e os fuzileiros navais. É uma tropa de elite, bem treinada e ágil. É notícia alvissareira a colaboração deles em sintonia com as forças de segurança pública do Rio de Janeiro. O que ninguém diz é que uma aliança assim somente poderia ser construída por um comandante de forças públicas respeitado por sua coragem, descortino e equilíbrio, como o Sr. Beltrame. Talvez, uma colaboração mais efetiva nesse sentido não tenha se imantado antes justamente pela falta desse comando confiável. Ou alguém aí acha que os militares iriam se meter numa furada, partilhando comando com uma polícia inepta e totalmente corrupta?

Rio de fogo!

27 de novembro de 2010 8

Quem acompanha o meu blog, vai lembrar que eu o iniciei, em outubro de 2009, com alguns posts sobre a violência no Rio de Janeiro. Então, é esse aqui um assunto recorrente.


Sobre os episódios que estão em curso na Cidade Maravilhosa digo hoje que, muito embora não morra de amores por esse Governador Sérgio Cabral, é a primeira vez em décadas que o Rio de Janeiro tem uma política de segurança séria. Quem já morou no Rio sabe perfeitamente que os bandidos não têm motivo para atacar no asfalto – o que querem é tranquilidade para traficar livremente no seu território. Arrastões acontecem quando o comando em alguma favela se dilui, seja em virtude de uma guerra de facções ou da morte de um chefe, pois, em geral, os próprios traficantes os reprimem. Ataques coordenados como os que assistimos nos últimos dias são ainda mais raros, até porque os bandidos dividem-se em facções rivais.


Então, a explicação para o recente fenômeno reside na reação dos bandidos ao sucesso da política de segurança. É verdade que a polícia do Rio de Janeiro deveria ser reformada, de alto a baixo. Também é verdade que a Justiça por lá não é grande coisa. Mas as Unidades de Polícia Pacificadora, as UPPs, embora não sejam nenhuma panaceia, são a melhor coisa que surgiram em décadas. Sim, este é o caminho para enfrentar a violência no Rio de Janeiro: a ocupação do território dos bandidos pelas forças do estado e da lei.


O poder de fogo dos bandidos que estamos vendo pela televisão foi acumulado em décadas de descaso e incompetência dos governantes do Rio de Janeiro. E, não é folclore não, este absurdo se potencializou durante o Governo de Leonel Brizola, quando se generalizou a aberrante política de composição com os bandidos. Essa mancha deletéria Brizola arrastou consigo para o túmulo.


Assim, em que pesem os horrores que estamos assistindo desde o último dia 24, a ação dos bandidos pode ser lida, em princípio, como um sinal positivo para a sociedade. Noto, ainda, que a polícia do Rio de Janeiro precisou responder aos ataques com uma estratégia de emergência. Isto é, a ação policial não pôde dessa vez ser programada com cuidadosa antecipação. E a resposta está sendo eficaz. Para confrontos das proporções a que estamos assistindo, o número de baixas está se mostrando relativamente contido, por enquanto. Ponto para a polícia, que passa um atestado de prudência e civilidade! E, a propósito, estou gostando de ver a tranquilidade com que o secretário de segurança do Rio, o Sr. Beltrame, tem se apresentado em público em meio a uma situação tão angustiosa. Na guerra, é assim que um comandante tem de se mostrar, transmitindo segurança para a sociedade e para os seus comandados.


É claro, não pode haver vacilo daqui para frente.  Se as UPP se corromperem, será um desastre de proporções inimagináveis. E, junto com as UPPs, é preciso continuar urbanizando as favelas do Rio de Janeiro.


É possível, é viável, é necessário.


De fato, o que se vê no Rio de Janeiro são cenas que sugerem estar e curso um tipo de ação guerrilheira urbana. É grave, certamente. Mas não é possível comparar com a situação do México, por exemplo, onde o quadro é muitíssimo mais agudo, dominando quase todo o território nacional, ou tampouco com a Colômbia, onde a guerrilha segue motivações ideológicas e enverga um projeto de poder. Então, com persistência e ciência, é possível resolver o problema da guerra no Rio.