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Posts de dezembro 2010

Ana Buarque de Hollanda e Vitor Ortiz no MinC

29 de dezembro de 2010 0

Há alguns dias estou já para comentar a confirmação de Ana Buarque de Hollanda para o Ministério da Cultura.  Ana é reconhecida pelo excelente trabalho realizado na Funarte e vem de um ambiente familiar devotado à cultura brasileira como poucos: irmã de Chico e Miucha e filha do magnífico Sérgio Buarque de Hollanda, uma verdadeira instituição da historiografia brasileira. Não a conheço pessoalmente, mas já ouvi elogiosas referências ao seu respeito.


Coroa a boa notícia a confirmação hoje de Vitor Ortiz para a secretaria executiva do Ministério da Cultura. Conheci Vitor há alguns anos, quando ele conduzia a Secretaria de Cultura de Porto Alegre. Depois, acompanhei a competência de seu trabalho na Funarte e à frente da Secretaria de Cultura de São Leopoldo. Entrementes, fomos parceiros no Instituto Hominus de Desenvolvimento Sociocultural, por um período, quando pude comprovar sua seriedade. Aqui no blog, há uma entrevista com ele, realizada em 16 de outubro do ano passado. Confira!


Nessa virada de ano, são boas as notícias que chegam para a Cultura no Brasil e no Rio Grande do Sul.

Resenha sobre "Só Garotos", de Patti Smith, em blog novo - Ideas are bullet-proof

29 de dezembro de 2010 0

Meu irmão, Dieter, 20 anos, acaba de criar um blog e saiu-se recentemente com este post bem bom sobre o “Só Garotos”, da insuperável Patty Smith: minha dica de leitura de hoje.


http://ideasarebullet-proof.tumblr.com/post/2491924612/transcend-transcend

O Governo João Goulart

27 de dezembro de 2010 1

Reproduzo abaixo para vocês o meu artigo de novembro, publicado na revista Voto.



Nos dez dias que se seguiram à renúncia do Presidente Jânio Quadros, o Governador do Rio Grande do Sul, Leonel de Moura Brizola, e o  Comandante do Terceiro Exército, General Machado Lopes, defenderam a posse do Vice, João Goulart, que viajava pela China, no Movimento conhecido como Legalidade. O risco de conflito foi contornado por uma emenda constitucional estabelecendo o parlamentarismo.


Por 14 meses, Jango apoiou-se nos sindicatos e no PTB, bem como em setores do PSD, para arrancar a convocação de um plebiscito para confirmar o sistema. Desde maio de 1962, cortejava a esquerda com a promessa das “reformas de base”, que começariam pela reforma agrária. A volta ao sistema presidencial foi facilitada pela renúncia do Primeiro-Ministro, Tancredo Neves, do PSD, em junho. Depois da rejeição de dois nomes, o Congresso aceitou a indicação do gaúcho petebista Brochado da Rocha para o posto – defensor do plebiscito, renunciou em setembro, sendo substituído pelo socialista Hermes Lima. Em 6 de janeiro de 1963, o povo votou na proporção de cinco para um pelo presidencialismo.


A inflação seguia elevada e Jango era acusado de negligência. Uma lei de novembro de 1961 restringiu a remessa de lucros de empresas estrangeiras ao exterior, tema que provocava apaixonadas polêmicas desde Vargas. Mas Jango conseguiu do Presidente Kennedy, dos EUA, apoio a um empréstimo. O FMI, contudo, exigia garantias de retomada da estabilização e os americanos cobravam indenização às empresas confiscadas por Brizola no RS em 1959 e em fevereiro de 1962. No campo, a crescente mobilização dos camponeses, liderados por Francisco Julião, levava apreensão aos latifundiários.


Apesar de o PTB ter saltado de 66 para 104 cadeiras na Câmara nas eleições de 1962, a base de Jango não era coesa. O PTB estava dividido em uma ala mais radical, capitaneada por Brizola, agora eleito Deputado Federal pela Guanabara, e outra mais moderada, integrada por San Tiago Dantas, Celso Furtado e Miguel Arraes, eleito Governador de Pernambuco. O PSD e a UDN, de Carlos Lacerda, lideravam a oposição, junto com setores do Exército, da Igreja, da classe média urbana e do empresariado.


Em 1963, Jango colocou em prática o Plano Trienal, pensado por San Tiago Dantas e Celso Furtado, Ministros da Fazenda e do Planejamento. O déficit do Tesouro (cerca de 3% do PIB) pressionava a inflação. Com uma desvalorização cambial, incentivar-se-iam as exportações e inibir-se-iam as importações. A expansão monetária precisa ser contida. Em fins de 1962, o Congresso votou uma reforma fiscal que onerou setores mais enriquecidos. Em seguida, sobreveio nova tentativa de uniformização das taxas cambiais e de eliminação dos subsídios à importação do trigo e da gasolina. Em abril de 1963, Jango chegou a desvalorizar o câmbio em 30%, o que contribuía para equilibrar a balança de pagamentos. Essas medidas, entretanto, detonaram o aumento do custo de vida, pois o efeito inflacionário produzido pelo déficit público, em grande parte gerado pelos subsídios, foi substituído pelo decorrente do aumento dos derivados de trigo e petróleo. A rápida subida dos preços, aliada à paralisação de parte da economia provocada pelo enxugamento das emissões de papel e do crédito à indústria, gerou onda de protestos que enfraqueceu a disposição por uma política salarial austera. Um malfadado acordo, em abril, de San Tiago Dantas com o grupo norte-americano AMFORP, concessionário de serviços de energia elétrica no Brasil, para a indenização do seu acervo mediante desapropriação, serviu de pretexto para ataques da extrema esquerda brizolista e da direita lacerdista, combalindo a disposição do Governo em sustentar uma política ortodoxa. A flexibilização salarial afastou o apoio do FMI ao programa de estabilização. Sem um empréstimo de consolidação, a dívida externa de curto prazo e a juros altos disparou novamente. Paralelamente, o projeto de reforma agrária era derrotado no Congresso.


O Ministério caiu entre maio e junho. A Fazenda foi, então, ocupada por Carvalho Pinto (PDC), Ex-governador de São Paulo e centrista. Todavia, a autoridade presidencial saíra desgastada. Em meados de 1963, o Governo Kennedy suspendeu o repasse de recursos da Aliança para o Progresso nas Américas que aliviariam a pressão sobre o déficit, negociando apenas com Governadores e Prefeitos hostis a Goulart. O Itamaraty denunciou o ataque ao monopólio das relações exteriores da União.


Entre setembro e outubro de 1963, uma revolta de sargentos em Brasília, greves de trabalhadores, um atrapalhado pedido de estado de sítio e uma tentativa frustrada de deposição de Carlos Lacerda, na Guanabara, sugeriram quebra de hierarquia militar, fragilidade do Presidente e a ameaça de solução golpista, levando moderados a se aproximarem de conspiradores de direita. Centristas do PTB começavam também a desconfiar das intenções do Presidente depois de fevereiro de 1964, quando Jango aparentemente endossou uma paralisação das classes conservadoras de Pernambuco que pretendiam desestabilizar o Governador Miguel Arraes, candidato mais cotado do partido à sucessão presidencial. Em meio ao caos econômico e à crescente intransigência, Jango abraçou a estratégia brizolista de pressionar o Congresso a aprovar medidas polêmicas com base em mobilizações populares de grande escala. No dia 13 de março, participou de um comício no Rio de Janeiro, onde assinou decretos nacionalizando as refinarias de petróleo particulares e declarando sujeitas à desapropriação terras com mais de 100 hectares à margem das rodovias e estradas de ferro. Enquanto o comício fortalecia o excesso de confiança da esquerda jacobina, na prática bastante dividida, a oposição a Jango foi solidificada na crença de que o Presidente afastava-se do jogo democrático. No dia 19 de março, uma multidão de 500 mil pessoas, convocada por movimentos ligados à Igreja e sustentados pela classe média, tomou as ruas de São Paulo para protestar contra o comício no Rio. No dia 26 de março, marinheiros revoltaram-se contra a prisão, pelo Ministro da Marinha Almirante Mota, de José Anselmo, que se empenhava na organização de uma associação de classe. Jango demitiu Mota, substituindo-o por Paulo Rodrigues, Almirante reformado, o que deu mais coesão à conspiração em curso. Dando aos seus opositores um argumento final, pronunciou um inflamado discurso transmitido pela televisão, no Automóvel Clube, em 30 de março. Em Minas Gerais, o General Mourão Filho colocou tropas a caminho do Rio de Janeiro. Contava com o apoio da Polícia-Militar mineira e do Governador Magalhães Pinto. No Rio de Janeiro, o dispositivo sindical de apoio ao Governo foi dissolvido com a prisão de alguns líderes pelo Governador Lacerda. O dispositivo militar constituído pelo Chefe da Casa Civil General Assis Brasil mostrou-se paralisado. No dia 1º de abril, enquanto Jango ainda permanecia no Brasil, em Porto Alegre, e Brizola tencionava desencadear resistência armada, o Presidente do Senado, Auro de Moura Andrade, declarou vaga a Presidência, empossando o Presidente da Câmara, Ranieri Mazzilli. Consumava-se o golpe.

Entrevista de Assis Brasil à Zero Hora

26 de dezembro de 2010 0

Achei boa a entrevista do futuro Secretário de Cultura do RS, Luis Antonio de Assis Brasil, na Zero Hora de sexta-feira: ponderada, realista e elegante. Sim, a “situação da SEDAC” é dramática. Mas há indícios que sugerem perspectivas alvissareiras para a Cultura. A nomeação de Assis Brasil é um deles. Na completa contramão do que aconteceu no Governo Yeda, Tarso nomeou alguém da área para a Cultura e, além disso, prestigiou-a anunciando o seu titular antes de todos os demais – no Governo Yeda, a Cultura foi tratada como moeda de troca política e para acomodar gente que fracassara nas urnas, tendo sido a última pasta a ter o titular nomeado.


Também acho positivo que a imprensa venha dando visibilidade e espaço para a situação da Cultura, indicando claramente que a área goza de repercussão mais expressiva junto à opinião pública do que autorizariam a supor os minguados recursos destinados pelos governantes à Pasta.


Achei auspiciosa a disposição de Assis Brasil em trabalhar com parcerias, para superar o isolamento e a fragilidade orçamentária da Pasta.

Dificuldades para postar comentários aqui no blog

24 de dezembro de 2010 4

Nas últimas semanas, caiu o número de comentários postados pelos leitores aqui no blog. Por e-mail, recebi relatos de dificuldades variadas. Houve quem tenha desistido de enviar um comentário face à exigência de cadastro. Houve quem tenha tentado fazer o cadastro, não tendo, contudo, chegado a receber o e-mail para a sua ativação. Houve ainda quem tenha tentado digitar as letras de segurança, mas o sistema travou. A todos, peço desculpas e compartilho já terem os relatos sido transmitidos aos gestores do site, de sorte que os problemas estão sendo resolvidos. Peço compreensão a todos. Aproveito para desejar-lhes um Feliz Natal!

Cais da Mauá

24 de dezembro de 2010 0

Gostei de saber da cerimônia que celebrou a assinatura do contrato entre o Governo do Estado e o consórcio vencedor da licitação para a reforma do Cais da Mauá, em Porto Alegre. O projeto é um anseio geral da população da cidade e a sua execução condição estratégica para uma Porto Alegre moderna e renovada, capaz de agasalhar forças do desenvolvimento e do progresso. Se por acaso ainda persistiam no futuro Governo dúvidas com relação à excelência da iniciativa, elas agora dificilmente prosperarão, pois o Governador Tarso não pretenderá fazer do Cais da Mauá a sua Ford. As resistências ao projeto são minoritárias e tenderão a ser devidamente sufocadas pelo bom senso. Mais uma vez, felicito todos os responsáveis pela iniciativa, a começar por Edemar Tutikian, incansável batalhador pelo sucesso do empreendimento.

Um jeito de fazer do limão uma limonada

24 de dezembro de 2010 0

O momento de indignação dos brasileiros para com os seus irresponsáveis parlamentares poderia render bons frutos, se canalizado para algo construtivo, como, por exemplo, uma grande mobilização nacional, a exemplo do que se fez com a Ficha Limpa, capitaneada por uma ou mais ONGs, propondo a redução do número de cadeiras no Congresso Nacional. Dois Senadores por Estado já seriam mais do que suficientes. E quanto aos Deputados, parece que éramos imensamente mais felizes quando havia apenas os 300 picaretas sobre os quais o Luís Inácio falou e o Herbert Vianna cantou, ao invés dos 513 atuais. É claro que os nobres parlamentares jamais aprovariam uma medida na contramão do corporativismo venal ao qual se agarram. Mas, seria no mínimo constrangedor terem de lidar com um projeto de lei de iniciativa popular propondo a redução do número de parlamentares.

Repercusões nefastas do aumento abusivo do salário dos parlamentares brasileiros

23 de dezembro de 2010 1

Já está aí uma das consequências mais diretas e concretas do aumento abusivo que os parlamentares brasileiros se auto-concederam, num gesto de escárnio para com o povo: os aeroviários sentem-se agora confortáveis para pleitear aumentos acima da inflação! Não discuto se o aumento é justo ou não para a categoria – talvez até o seja, sobretudo se considerarmos a maneira como muitos aeroviários são tratados, com flagrante desrespeito por essas companhias aéreas chinelas que estão por aí. A questão é, se esta bagaceirada parasita que tomou conta do Congresso Nacional se auto-concede um aumentão, bem acima da inflação, porque todos os outros brasileiros não podem acalentar igual enlevo? Trata-se de um efeito em cascata que vai muito além das Assembleias Legislativas e Câmaras de Vereadores. Poucas medidas na história recente do País foram tão absolutamente contrárias ao interesse nacional quanto esta violência parlamentar.

Entrevista de Camille Paglia ao Entrelinhas da TV Cultura

23 de dezembro de 2010 0

Está muito legal esta entrevista da Camille Paglia ao programa Entrelinhas da TV Cultura. O diferencial da entrevista, concedida ao jornalista Daniel Antonio, em Olinda, reside precisamente no tema: a crítica literária e o método da Camille para escolher os poemas na antologia comentada que ela organizou nos Estados Unidos em 2005. Confira aí o link:


http://www.youtube.com/watch?v=y5V3WGYmFc0

Visual atroz de Lady Gaga em Paris

22 de dezembro de 2010 1

Patética a forma como Lady Gaga se expôs em Paris – praticamente pelada, foi fazer compras, com temperaturas abaixo de zero. É doentio e non sense – no pior sentido. Não tem cabimento uma major star se expor gratuitamente dessa maneira. Mais chocante ainda é ela ser aclamada pelo público. Seu sucesso reforça os argumentos de caras como Andrew Keen, para quem a era digital está criando bases para uma tirania das massas. Gaga, a primeira diva da era digital, é um trash sem noção. Como se trata de uma major star da dance music, sequer consegue ser grotesca – o grotesco ainda lhe daria o poder de revelar pela confrontação verdades submersas. Mas nem isso. Ela mostra a bunda dessa maneira porque a tem feia como um raio e porque sem essa produção exagerada não lhe resta mais nada, física e culturalmente falando. É lamentável que algo assim mobilize tantos admiradores.

Veja o Link:


http://www.dailymail.co.uk/tvshowbiz/article-1340591/Lady-Gaga-bares-flesh-coloured-pants.html