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Impressões da primeira semana do Governo Dilma

09 de janeiro de 2011 0

Colhi impressões positivas desses primeiros dias do Governo Dilma Rousseff. A presidente revelou um estilo discreto e avesso às badalações. Depois da exposição ubíqua do presidente mais popular da história numa república democrática, talvez um pouco de contenção possa agregar valores interessantes à nossa jovem democracia. No presidencialismo brasileiro, o chefe do Poder Executivo exerce uma catalizadora influência ética sobre o conjunto da população.


Nas medidas até agora tomadas, revelam-se sinais de choques de realidade e democracia. O estabelecimento de metas, como o sinalizado por Dilma, é condição essencial e estratégica para qualquer gestão eficaz. O anúncio do novo PAC da erradicação da pobreza não apenas enfrenta uma das chagas da nossa sociedade, dando continuidade ao trabalho do governo Lula, como oferece indicações do que os assuntos sérios serão tratados sem pirotecnia e com objetividade.


O Banco Central está intervindo para represar a alta do dólar e a inflação – se houver respaldo do Executivo na contenção do déficit público daqui para frente, talvez a ameaçadora desindustrialização que avança no Brasil no momento possa ser estancada e revertida, antes que nos tornemos um país praticamente concentrado na exportação de commodities para a China e a Índia.


Na Educação, o foco na realidade parece evidente: basculou-se da panacéia demiurga do ENEM para encarar-se de frente a falência do ensino secundário. No Ministério das Comunicações, o autoritário projeto de regulação da mídia parece ter sido enterrado e a ênfase substituída pelo compromisso mais do que democrático e desenvolvimentista de levar a banda larga da Internet a preços acessíveis para o conjunto da população. Na Cultura, a Ministra Ana Buarque de Hollanda já falou em rever o rígido e centralizador projeto de reforma da lei de direitos autorais proposto pela gestão anterior, em mais um indicativo de diálogo qualificado com a sociedade.


Já na área política, as dificuldades enfrentadas pelo novo Governo parecem maiores. Porém, ninguém imaginava que seria moleza para uma presidente em primeiro mandato eletivo administrar a guerra fisiológica do PT e do PMDB na sua base de sustentação. Vem daí, muito a propósito, a esdrúxula necessidade de 37 Ministérios no Brasil – é Ministério para ninguém botar defeito e mesmo assim não se aplaca o apetite dos políticos.


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