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Despede-se um Centauro

28 de fevereiro de 2011 0

A notícia do falecimento do escritor Moacyr Scliar enlutou as letras no Brasil e o Rio Grande do Sul como um todo. Scliar foi um autor prolífero e maduro. Sua presença era constante na vida cotidiana e cultural da cidade onde viveu, Porto Alegre, cenário de vários de seus romances. Scliar gozou amplo reconhecimento ao seu trabalho em vida, alcançando um posto na respeitável Academia Brasileira de Letras. São muitas as marcas de sua obra. Ele consolidou a temática judaica na literatura brasileira. Foi, entretanto, muito além da questão étnica, revestindo seu trabalho de inelutável universalismo. O diálogo entre as culturas, pode-se dizer, tornou-se sua vigorosa idéia força. Idéia de grande generosidade. Tudo em Scliar exalava generosidade. Devotava cuidadosa atenção aos outros, aos que lhe estavam próximos, aos que conhecia de vista, aos que conviviam com ele no ambiente de trabalho, no mundo cultural, como se o bem estar de todos lhe dissesse permanentemente respeito. Scliar não dizia não. Ainda que estivesse assoberbado pelos mais prestigiosos convites. Estava sempre pronto a apoiar jovens escritores, a aceder a um convite para prefaciar um livro de estréia de alguém, a colaborar em um projeto cultural qualquer. Fazia-o graciosamente, se necessário fosse. Nunca o vi regatear honorários, preocupar-se com cachês. Havia nele uma transcendência superior em favor da literatura, da cultura e do Humanismo. E um enorme carinho para com a sua cidade e a comunidade a qual pertencia. Em contato com ele, nós, gaúchos, acostumamo-nos mal, pois pensaremos doravante ser todo imortal da Academia Brasileira de Letras um anjo, acessível, atencioso e carinhoso.


Seu passamento deixa um vazio. Um vazio de talento e de boa vontade para com os outros.


Penso, agora, que devamos estar a altura de seu imenso legado. Sua obra deve permanecer viva, estudada, celebrada. Sua generosa dedicação à comunidade que tanto amava torna-se agora uma semente, plantada no solo que nos sustenta. Fazê-la germinar, para que seu espírito não se dilua, jamais, talvez seja a forma mais nobre de nos mostrarmos dignos do legado de Moacyr Scliar. Revela-se, assim, oportuna a disposição, anunciada ontem, durante o velório, na Assembléia Legislativa, do Governo do Estado de instituir um prêmio literário em homenagem a Scliar. Tanto mais a vontade de se instituir uma fundação, com seu nome, dedicada a apoiar jovens escritores, o que Scliar fez durante toda a sua vida.

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