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Um Mc Donald's decadente

22 de abril de 2011 3

Nesta quarta-feira, véspera de feriado, eu me deslocava pela Avenida Ipiranga, em Porto Alegre, por volta das 19 hs, tentando chegar a um compromisso na Chácara das Pedras. Era tanto o congestionamento que resolvi dar uma parada no Mc Donald’s da Silva Só. A ideia me pareceu boa, pois, assim, eu lancharia alguma coisa, enquanto o trânsito desembuchava um pouco. Já que me atrasaria de qualquer jeito para o compromisso em tela, era preferível fazer uma refeição mais cedo, mesmo sendo um troço fast, do que lá pelas 22 horas, quando eu conseguiria me liberar. Não gosto de jantar tarde.

A razão de existir do Mc Donald’s é a combinação de preço acessível com agilidade no atendimento. Não fosse isso, o Mc Donald’s poderia fechar as suas portas, sobretudo numa cidade como Porto Alegre, onde as opções de sanduíches são diversas e muitíssimo melhores do que qualquer coisa que o Mc Donald’s possa oferecer. Todos sabem, afinal, da tradição que Porto Alegre tem na confecção de ótimos lanches. Ao lado do churrasco, é um dos tradicionais destaques da gastronomia local… Embora muitos prefiram não reconhecer sanduíches como gastronomia, eu o faço.

Claro, o Mc Donald’s também agrega valor pelo ambiente, padronizado (!) e asséptico, funcional. E empolga o coraoçãzinho das crianças com aquela overdose de bolinhas coloridas, palhaços e uma forte propaganda. Admitamos, assim, que há muito de entusiasmo infantil, influenciado pela publicidade, no desejo de consumir Mc Donald’s.

Mas fiquei passado logo na chegada. O sanitário parecia um banheiro de rodoviária de beira de estrada. Detonado! Torneira estragada, azulejo quebrado, toalheiro destroçado….uma porquice. Resolvi insistir, depois de lavar as mãos com certo constrangimento, e fui fazer meu pedido. Aí fiquei chocado! No horário de pico, das quatro caixas, funcionavam apenas duas! As atendentes eram lerdas, digitavam no computador como se estivessem catando milho. As pessoas lesadas que transformavam o seu pedido numa novela mexicana, em total desconsideração com quem estava atrás na fila, pioravam a situação. Eu falei em fila? Sim, gente, imensa! Umas oito pessoas por caixa. O negócio não andava. Depois de dez minutos coalhando ali como um otário, resolvi cair fora, até porque tudo indicava pelo menos mais um cinco minutos daquele suplício inaceitável. Eu estava diante de uma conspiração. A negação de tudo o que o Mc Donald’s sempre fora!

Lembro quando o Mc Donalds surgiu num Brasil de economia ainda fechada e periférica, na passagem de 1979 para 1980. Virou ponto turístico no Rio de Janeiro e em São Paulo. A gente, que morava numa cidade tão “pequena e tão distante das capitais” morria de inveja e sonhava com um improvável dia em que Porto Alegre teria também um Mc Donald’s. Tratava-se de um ícone. Tanto que tinha uma gente sem noção que fazia protestos, também infantis, em frente ao Mc Donald’s, tipo, para “combater o imperialismo norte-americano”. Nem faz muito tempo que esta palhaçada aconteceu: ou vocês já esqueceram daquela figura bigoduda de um tal Bové no primeiro Fórum Social Mundial em Porto Alegre? Na oportunidade, o Mc Donald’s foi alvo de protestos anti-imperialistas. Pode?!!? Sim, mas era assim! Uns amavam a lanchonete, os outros a combatiam furiosamente. Não pela eventual qualidade da comida ou do serviço, mas pela suposta condição de símbolo do capitalismo americano.

Quando a rede começou a se expandir pelo Brasil, alguns anos depois, tinha-se a garantia de um serviço perfeito e padrão, sempre!! Eu creio que a matriz deveria dar umas incertas para fiscalizar o funcionamento das franquias. Era uma receita de sucesso e de eficiência! O mesmo serviço, o mesmo sanduíche, no Brasil e em qualquer parte do mundo.

É por isso que encontrar o Mc Donald’s da Silva Só detonado e com um serviço inacreditavelmente lento é chocante. Faz-me imaginar que a fiscalização da matriz sobre as franquias arrefeceu. Será que isto é um indicativo de que a crise do capitalismo americano é ainda mais profunda do que parece e até o Mc Donald’s está decadente? O que teremos agora? Cadeias de lancherias fast com rolinhos primavera e pedacinhos de patos laqueados, ao estilo chinês?

Na saída, contrariado, perguntei a uma das atendentes o porque daquela fila absurda, o porque das caixas não estarem funcionando: “esse é o nosso movimento”, disse-me ela entre surpresa e incomodada  com minha pergunta, indicando que as coisas por ali eram sempre daquele jeito.

Fui, então, ao Trianon da Protásio Alves. Precisei contornar a dificuldade de estacionar perto do local, mas ao entrar na lancheria fui prontamente e gentilmente atendido. O tradicional bauru foi servido rapidíssimo, mal deu tempo de lavar as mãos. E estava perfeito! O bife macio e suculento. Um sanduíche de verdade e certamente mais saudável e saboroso do que os servidos pelo Mc Donald’s, que agora, nem mais fast é.

Comentários (3)

  • Ronaldo diz: 22 de abril de 2011

    Perfeito o seu texto, é a síntese do que se tem visto na tão badalada rede. Isso sem contar da filial do Mc do shopping Rua da Praia, que já foi interditada por suas vezes nesse ano, por conta de infestação de baratas. Mas te digo que a situação do Mc Donald’s é ainda pior na cidade de São Leopoldo. Os atentendes com seus uniformes imundos(devem ter apenas uma muda de roupa para vestir durante a semana toda), atendimento lerdo e confuso. Parabéns pela coragem em expor o ridículo que é o atual atendimento da lancheria dos gringos.

  • toninho diz: 22 de abril de 2011

    fiquei surpreso os Mcdonald’s de SP não são esta bagunça ai não, não os que frequento shopping morunbi e Av. João Dias

  • antonio carlos schmiedel diz: 23 de abril de 2011

    Fui na semana passada comprar um lanche no Mc da Nilo e enqto aguardava a fila de carros andar fiquei estarrecido com a quantidade de baratas que havia na parede do prédio. falei p/ o atendente, mas este não disse nada, além de não esboçar qquer reação ao fato. Ficou me olhando como se fosse um débil mental. Quando será q a secretaria da Saúde vai tomar alguma providência?

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