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E a luz se faz na Tristeza!

05 de junho de 2011 3

Fiat Lux, faça-se a luz! Do Gênesis para a Porto Alegre do século XIX, Fiat Lux foi como se chamou a primeira usina elétrica da Capital gaúcha, inaugurada em 1887 e responsável pelo primeiro serviço regular de distribuição de eletricidade a residências numa capital brasileira. Fiat Lux agora é o nome de um coletivo que surge assim, sob a sombra repousante das árvores em um pátio de uma casa na Rua Landel de Moura, na Tristeza. A iniciativa partiu de um grupo de jovens incomodados cm a fragmentação pós-moderna do cotidiano. Dispostos a tirar a cara do raio de alcance do brilho que emana das telas do I-pods, tablets e que tais, reuniram-se no último dia 29, até para lembrar que seres-humanos também falam olhando olho no olho, gesticulando, mexendo o corpo todo e…, fazendo arte.

É inspirador que nos textos de apresentação do evento eles falem de paz. Mas é ainda mais sintomático buscarem sua inspiração em ícones da Contracultura, coo Patti Smith e Jimi Hendrix. Motiva-os o sonho do encontro, o horizonte da criatividade colaborativa, da interlocução coletiva, da arte experimental, heranças generosas de uma Contracultura hoje em grande parte engolida pelo pastiche consumista e inviabilizada na exacerbação estéril de um indivíduo sem gravidade.

Mas não há nada de revival melancólico nisso, de escapismo romântico, démodé. Não, pelo contrário: conceitos e histórias dos anos 1960, a grande época da expansão dos horizontes, são relidos e retrabalhados na contemporaneidade pulsante. O cotidiano como tema central do evento diz tudo: são jovens olhando para o seu entorno, para aquilo que lhes parece mais óbvio e familiar, ou para aquilo que lhes causa estranhamento. Pois, afinal, um cotidiano é feito de múltiplas identidades, identificações, mas também de rupturas polifônicas.

Amadores, não lhes acicatam pretensões de sucesso mercadológico ou compromissos formais com a estética. Espontâneos, não procuraram nenhum espaço cultural constituído, mas ativaram o seu próprio entorno, chamando a atenção para que na Zona Sul de Porto Alegre, tão carente de equipamentos urbanos e comunitários, também pode haver efervescência.

São garotos e garotas reagindo, do seu jeito, ao seu modo, à aridez do mainstream hodierno. Exaustos diante de um mundo que pretende reduzir a fruição juvenil a baladas hedonistas sem fim, construíram, mais do que um palco de expressão, um ponto de encontro.

Fotografias, instalações e duas bandas de rock se apresentaram na oportunidade, a Purifique e a Cadiombleros. No final do dia, a turma se reuniu numa roda de violão, em torno de uma fogueira. Tudo na paz, sem bate estaca, sem recurso algum a estimulantes exógenos, sem telas brilhantes, apenas o coletivo, o diálogo, a arte. Bem vindos!













Comentários (3)

  • Dieter diz: 5 de junho de 2011

    Incrível, excelente o texto! Difícil encontrar palavras melhores para representar o movimento coletivo que surge na Zona Sul da cidade. Muito Obrigado!! E parabéns a todos que contribuiram para que o projeto acontecesse!

  • Denise diz: 6 de junho de 2011

    Com muito orgulho que pude ver crescer esta idéia através do espirito criativo de um filho meu e de seus amigos, num mundo hoje, em que a maioria se concentra apenas no seu cotidiano particular.
    Empreender um evento, com recursos escassos, passando dias e noites fazendo a “arte” acontecer é realmente um ato de muito orgulho. Que floresça esta idéia e se espalhe no coração de todos.

  • Lucas diz: 7 de junho de 2011

    O termo bandas de rock é duvidoso e incerto na medida que as 2 bandas tem uma variedade musical considerável e a purifique apesar de alguns intrumentos leva o som ao lado mais mantra..parabéns a todos abraço

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