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Picaretagem boliviana

16 de junho de 2011 3

Essa lei boliviana que formaliza numa tacada milhares de veículos ilegais que circulam por aquele país é o fim da picada! E sejamos francos, não é só a kombizinha 1987 do pobre coitado, mas todo o tipo de veículo que está entrando nessa farra.

Quando o Evo Morales invadiu com tropas do seu exército instalações da Petrobrás e exigiu a repactuação de acordos bilaterais (que não eram meros contratos entre empresas, mas acordos diplomáticos firmados entre dois países soberanos), a diplomacia brasileira se encolheu, mixou. Tudo bem que o Itamaraty sempre tenha se pautado por ajudar os nossos vizinhos a serem felizes e a terem progresso. Ninguém precisa de vizinhos indóceis e invejosos nas fronteiras. Acho ótimo, necessário, e estratégico que o Brasil mantenha linhas de créditos subsidiados e programas de apoio e colaboração com os seus vizinhos sul-americanos. Mas há limites para a boa vontade dos povos, além dos quais, vale o ditado popular, algo chulo, quem muito se abaixa, deixa o bum bum aparecer… Não era o caso de declarar guerra à Bolívia, óbvio! Mas houve excesso de tolerância e o governo brasileiro perdoou apressadamente a agressão e ainda fez a Petrobrás pagar a conta.

Na oportunidade, escrevi que a capitulação do governo brasileiro à gritaria boliviana criava um precedente ruim. Bem, foi o que aconteceu. O Paraguai exigiu logo depois também repactuação de um acordo bilateral – o de Itaipu – e levou, sem oferecer nada em troca, nem mesmo a promessa de uma solução para o problema sabido dos carros roubados do Brasil e para lá puxados ilegalmente. Em seguida, a Argentina se achou no direito de solapar o Mercosul e proibir unilateralmente a entrada de produtos brasileiros. Enfim, todo mundo achou que podia tirar um naco desse gigante abobalhado no qual o Brasil quis se transformar.

Agora vem essa inacreditável lei do Morales, que premia a bandidagem e golpeia as companhias de seguros, no Brasil, mas também na Argentina. Esta é uma lei que prejudica, inclusive, o combate à violência por aqui, pois, afinal, é um estímulo aos ladrões de carros. Se a Bolívia precisa de instrumentos como este para se viabilizar política e economicamente, então o resto do continente precisa seriamente  começar a discutir se a Bolívia é um estado efetivamente viável. Simples assim. Pois no momento em que a Bolívia se acha no direito de tungar a propriedade das populações dos países vizinhos, deixa de ser uma questão de soberania interna.

É chegada a hora de o governo brasileiro reverter o prejuízo de uma política externa equivocada e estabelecer limites. Até porque quem é grande tem de ter responsabilidade com a sua grandeza. Há os momentos de ser tolerante, compreensivo e solidário; e há os momentos de mostrar pulso firme. Não há como a América do Sul aceitar a vigência dessa lei. E o Brasil tem sim um compromisso de liderança na América do Sul.

Comentários (3)

  • Peixe diz: 16 de junho de 2011

    A ética social, criminal, política e diplomática do Brasil há muito tempo ultrapassou a fronteira da tolerância e, hoje, baseia-se na mais pura leniência.

  • Alan Cristhian diz: 16 de junho de 2011

    Olá Gunter.
    Concordo que é arbitrária a atitude boliviana em regularizar carros furtados, nem questiono.
    Sobre a quetão da Petrobrás e de Itaipu.. Bom, os tais “acordos diplomáticos” foram feitos à base da Lei de Gérson: Levar Vantagem em tudo. Ou seja, não foram bem acordos, mas sim um “sim senhor” submisso de Bolívia e Paraguai, bem ao estilo estadunidense: “Eu exploro, uso e abuso e vocês agradeçam por estarmos aqui.” Bom, mas são opiniões.

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