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Gênese do Estado Moderno no Rio Grande do Sul (1889-1929)

17 de julho de 2011 5

Caros amigos. Minha tese de doutorado, defendida em 2001, sob orientação da Profa. Maria de Lourdes Monaco Janotti, na Universidade de São Paulo, finalmente está sendo publicada. A edição está sob responsabilidade da Editora Paiol, de Porto Alegre, e tem apoio dos Supermercados Zaffari, que a viabilizaram. O livro sai com o titulo “Gênese do Estado Moderno no Rio Grande do Sul (1889-1929)”.

A pergunta central a que o livro procura responder é qual foi o sentido histórico dos governos do PRR no RS e a que interesses sociais eles atenderam? Neste sentido, articula uma análise das relações de poder no âmbito do sistema coronelista de mando – fundamentalmente amparada no Arquivo Borges de Medeiros, sob guarda do Instituto Histórico e Geográfico do RS, pouco estudado ainda de forma sistemática – com as principais políticas públicas desenvolvidas pelos governos da época, com ênfase na política portuária e de navegação, na política fiscal, na política ferroviária e na gestão orçamentária do Estado. Este é o período do início da dívida estadual, da encampação do porto e da viação férrea e da criação do Banrisul, temas abordados no trabalho. Outro aspecto analisado é a economia do contrabando de fronteira.

O livro estuda, assim, numa perspectiva de longa duração, os diversos discursos que se constituíram em torno dos processos intervencionistas do estado na economia, levando em conta os diferentes momentos vividos pelos governos do PRR, como, também, as opiniões da oposição federalista/libertadora, tanto em nível regional, quanto em nível nacional. Os anais da Assembleia e do Congresso Nacional, a imprensa, relatórios das secretarias de estado, relatórios de empresas e publicações da época são as principais fontes utilizadas no esforço de compreensão dessa dinâmica.

O alcance das ações do estado e do governo no campo da economia é melhor compreendido quando se cotejam as políticas públicas e os discursos em torno das mesmas com o sistema de relações de poder e com uma análise da conformação das instituições políticas. Neste sentido, o livro pretende avaliar o sentido do funcionamento do Judiciário, da Assembleia e do aparato policial, sempre em relação com a dinâmica coronelista de poder. Compulsando o acervo reunido no Arquivo Borges de Medeiros, o estudo percebe como as relações de poder se processaram, tendo sempre em conta a conexão entre poder local e poder regional central, em alguns municípios, a saber, Santana do Livramento, Bagé, Jaguarão, Rio Grande, Canguçu, Santa Maria, Palmeira das Missões e Lagoa Vermelha.

Trata-se de uma análise da conexão entre economia, discurso político e práticas de poder, cujas conclusões, em muitos aspectos, diferem do que se propunha pela historiografia sobre o RS republicano. O PRR, por exemplo, deixa de ser entendido como um partido político hierarquicamente organizado, monolítico, de conteúdo programático rígido e modernizador. A tese, pelo contrário, capta as tensões e descontinuidades internas do partido no poder, as mudanças de discurso e tende a concluir pelo perfil conservador que conformou a aliança de frações de classe dominante de sustentação ao regime castilhista-borgista. A complementaridade de interesses entre a zona de colonização e os governos do PRR também é relativizada: de curral eleitor do PRR, a zona de colonização europeia passa a ser vista como área de instabilidade. Outro aspecto é a relativização do peso da influência dos positivistas no governo: deixa de apoiar a tese de um governo positivista no Rio Grande do Sul para perceber a presença real da política positivista em períodos e em setores específicos do governo, como a Secretaria de Obras Públicas. Desenha-se, outrossim, a descontinuidade no plano político e ideológico entre Júlio de Castilhos e Borges de Medeiros, tendo ainda o Governo Carlos Barbosa Gonçalves merecido atenção.



Comentários (5)

  • Francisco Bendl diz: 20 de julho de 2011

    Parabéns, professor, pelo seu livro, Gênese do Estado Moderno no Rio Grande do Sul, 1889/1929.
    Certamente uma obra de fôlego, além de se ter poucos registros deste período da história do estado gaúcho, além de ser também não muito conhecido.
    Lembro-me de que na minha época de estudante, décadas de cinquenta e sessenta, os livros de história não mencionavam esses episódios da nossa terra.
    Eu gostaria muito de ter esta obra, e assim que que eu for a Porto Alegre tratarei de adquiri-la.
    Igualmente eu ficaria muito honrado se um dia o senhor puder me autografar o seu livro.

  • Lira Neto diz: 25 de julho de 2011

    Caro Gunter;
    Li sua tese antes da publicação e sei que é um trabalho excepcional. Une o rigor da pesquisa histórica a um estilo elegante e límpido.
    Sem dúvida, a biografia de Getúlio na qual ora trabalho — uma trilogia, cujo primeiro volume sairá em 2012 pela Companhia das Letras — deverá muito aos percursos que você abriu e apontou.
    Parabéns! E também merecem elogios a Paiol — pela edição — e o Zaffari, pelo apoio.
    Mais uma vez, deixo registrado aqui meu entusiasmo e, em especial, minha admiração.
    Grande abraço.

  • Lídia Fabricio diz: 28 de julho de 2011

    Querido Gunter, parabéns pelo livro. Mais uma importante contribuição tua, entre tantas, para entender o Rio Grande. Meu abraço, meu carinho e minha admiração. Lídia

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