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Posts de setembro 2011

Café da Corte: um lugar muiiiiito legal, em São José

23 de setembro de 2011 1

Costumo sair pouco à noite, aqui em Florianópolis. Trabalho muito, as distâncias são grandes, tenho estado bem mais caseiro. Mas estive num excelente lugar, daqueles que vale a pena recomendar. Quem é daqui, certamente já o conhece: trata-se do Café da Corte, no centrinho histórico de São José, cidade vizinha da Capital catarinense. Localizado num belo casarão açoriano de princípios do século XIX, tem restauração bem cuidada, decoração esmerada e atraente, ótimo serviço, boa comida e música brasileira da melhor qualidade. O lugar é bastante agradável, com vários ambientes, poltronas, cadeiras, mesinhas… Umas no espaço interno, outras numa varanda, junto ao mar – uma praia de águas mansas. O público é educado e interessante. É tudo bem astral. Vou, certamente, voltar.

Entrega da Zero Hora em Florianópolis funcionando bem novamente

23 de setembro de 2011 0

Depois de vários meses enfrentando a dificuldade na entrega da Zero Hora aqui em Florianópolis, o problema parece finalmente ter sido resolvido. Quando decidi cancelar minha assinatura, o competente pessoal da ouvidoria entrou em cena e fez marcação cerrada sobre os distribuidores daqui. Eu, sinceramente, já tinha perdido as esperanças. Mas, afinal, deu certo! Desde agosto estou recebendo minha Zero Hora regularmente, sem falhas. Diante dessa demonstração de boa vontade e disposição para resolver um problema que se arrastava sem solução, fico agora muito a vontade para restabelecer plenamente minha assinatura. Estou contente com o final feliz.

Dois vídeos bacanas com a Daniela Mercury

23 de setembro de 2011 0

Ainda estou me aprumando depois do retorno da última viagem, pois é grande o volume de trabalho a ser enfrentado. Tempo para o blog, cada vez mais escasso. Lamento.

Mas, por enquanto, quero partilhar com vocês uns vídeos bem legais de uma cantora baiana que eu adoro, a Daniela Mercury. Muitos, sobretudo no sul do País, a conhecem mais como diva pop, do axé music e do carnaval de Salvador, o que certamente é verdade. Mas Daniela é ótima cantando também músicas tranquilas, lentas. Adorei esta versão que ela faz do clássico de Ary Barroso, “Risque”.

Neste outro vídeo, emerge a Daniela urbana, morando em São Paulo, adorável, misturado em tudo o que faz o regional e o global. Curto o jeito como Daniela é baiana, moderna, contemporânea, paulistana, tudo ao mesmo tempo. Um aspecto interessante desse vídeo é a intimidade que ela revela com a literatura e com as artes plásticas, a percepção de que a moda tem uma conceituação elaborada, traços, enfim, que chamam a atenção numa estrela do pop contemporâneo, seja onde for. Encanta, também, a grandeza da Daniela. Ela sempre deixa claro que o mundo da arte é um coletivo e que o diálogo é fundamental. E todo espaço dela é sempre um território a ser partilhado com outros artistas.

Bom o set

21 de setembro de 2011 0

Adorei o set novo do DJ Nando Barth! Baixa aí!

Quando o povo se revoltou contra a vacina e em defesa da privacidade

15 de setembro de 2011 2

Está on-line meu artigo do mês na revista Voto. Reproduzo-o abaixo para vocês

Os anos iniciais da República no Brasil foram especialmente turbulentos, registrando insurreições populares, golpes e guerra civil. O ápice dos conflitos se deu durante a Revolução Federalista, entre 1893 e 1895. Mas a instabilidade institucional e as revoltas populares seguiram se processando ao longo das primeiras décadas do século XX.

Em 10 de novembro de 1904, explodiram no Rio de Janeiro agitações tormentosas. O Presidente Rodrigues Alves e o Prefeito Pereira Passos estavam empenhados em uma série de iniciativas de urbanização. Desejava-se desenhar uma nova sala de visitas para a República, que transpirasse as aspirações de progresso do País. Com recursos obtidos graças à política de estabilização financeira dos governos anteriores abriam-se avenidas, construíam-se bulevares e novos prédios. Datam desta época o Teatro Municipal, o Palácio Monroe e a Biblioteca Municipal.

Mas não eram apenas os edifícios que operavam esta desejada transformação. Era necessário mudar hábitos, sanear a cidade, erradicar epidemias. Velhas construções queria-se derrubadas, cortiços demolidos, ruas alargadas, morros arrasados. Inspeções sanitárias, melhoria da limpeza pública e vacina surgiram como ações complementares. O governo baixou um decreto proibindo cães vadios e vacas nas ruas, mandando recolher mendigos aos asilos, interditando a cultura de hortaliças e a criação de porcos na zona urbana. Todas estas medidas alteravam substancialmente o modo de vida das classes populares.

A indisposição já era grande quando o Governo baixou um decreto estabelecendo a obrigatoriedade para a vacina contra a varíola. O Dr. Oswaldo Cruz, à frente da Direção Geral da Saúde Pública, criou as célebres Brigadas Mata Mosquitos. Exigia-se o atestado da vacina para tudo, desde matrícula escolar até emprego, casamento e voto. As autoridades sanitárias podiam entrar na casa das pessoas e cobravam-se multas aos faltosos. Em tempos autoritários como aqueles, a inviolabilidade do lar era das poucas garantias estabelecidas pelo costume. O projeto esbarrou logo na resistência dos positivistas no Congresso, que defendiam a liberdade de opção e eram contrários à intervenção do estado na vida social. No Senado, o tenente-coronel Lauro Sodré liderou a oposição e, na Câmara, ela ficou ao cargo do major Barbosa Lima. Ambos eram conhecidos agitadores jacobinos, isto é, republicanos exaltados identificados ao ex-presidente Marechal Floriano Peixoto. Suas críticas encontravam eco na imprensa e nos sindicatos, que então já começavam a se organizar. Juntaram-se ao grupo alunos da Escola Militar, então sempre dispostos a participar de um levante.

Logo, as manifestações de rua paralisaram a cidade. Espalharam-se novamente boatos de uma conspiração monarquista em curso – o grande bicho-papão dos primeiros anos republicanos. O Exército assumiu o controle e decretou-se mais uma vez o estado de sítio. A rebelião foi contida no dia 16 de novembro. Estimou-se cerca de 50 mortos e mais de 100 feridos. O Presidente da República evitou um golpe, recusou-se a demitir Oswaldo Cruz, mas suspendeu temporariamente a aplicação da vacina. Quase mil pessoas foram presas e 461 foram desterradas, a maior parte para o Acre. Apesar da imunidade parlamentar, os líderes do protesto foram detidos.

Chamado a se pronunciar, o Supremo Tribunal Federal negou habeas corpus a Lauro Sodré. Também o denegou em favor dos desterrados. Em sua maioria, os ministros consideraram legítima a ação interventora e reguladora do estado em matéria sanitária e de saúde pública, firmando jurisprudência neste sentido. No ano seguinte, o STF reforçava o princípio afirmando competência da autoridade sanitária para interditar prédios. Em 2 de setembro de 1905, o Congresso anistiou todos os envolvidos nos acontecimentos de 1904. Ainda em 1908, um novo surto de varíola acometeria milhares de pessoas na cidade.

Adriana Calcanhoto, em Florianópolis

11 de setembro de 2011 0

Um vento besta veio empecer a gloriosa herança do dia de ontem aqui Florianópolis, quando o céu de azul envolvente serviu de moldura para o sol que banhou a tudo, brilhante e tépido. Ao cair da noite, uma lua generosa prateou o mar, coroando o afastamento do espectro da chuva torrencial que nos castigou aqui toda a semana.

Melhor ambiente para o show que Adriana Calcanhoto fazia na cidade não poderia haver. O show de seu novo CD, micróbio do samba, não poderia estar mais lindo. Belas canções, bem arranjadas e entoadas com sutileza, com delicada técnica e pungente emoção. Adriana é tão suave, que cada pequeno gesto torna-se grandiloquente, cada vibração de sua voz encerra um mundo. Em meio a essa paz, temperada por técnica apurada, doçura e repertório de grande qualidade, insinua-se, num crescendo muito bem posto, um humor cativante, cotidiano. Com jeitinho dos anos 1980, Adriana traz para o palco objetos do dia-a-dia – xicrinhas, um prato, uma faca, uma caixinha de fósforos, um secador de cabelos… De cada um, tira um som inusitado, que ilustra a história que permeia a canção. Um espetáculo elaborado, de uma grande intérprete e compositora.

Por essas coisas da vida, há muitos anos não conseguia assistir a um show da Adriana. E ainda guardo na memória, com carinho, a lembrança das noites que eu e alguns amigos passávamos ouvindo-a cantar, com um banquinho e um violão, no pequeno palco do Bar Fazendo Arte, na Cidade Baixa, em Porto Alegre. Lá se vão uns bons 26 anos…

Bem, estou de volta ao Brasil e retomando o blog. Passei uns dias fora. Estava super precisado de férias. Então, até da Internet me desliguei. Foi ótimo! Assim, a medida em que for colocando meus compromissos e minha agenda em dia, vou publicando um ou outro post por aqui.