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O STF não sabe o que é História

28 de janeiro de 2012 4

Reproduzo abaixo nota que está no site da Associação Nacional de História, com a qual comungo. Está se generalizando esta pretensão insustentável de parte de burocratas e juízes no Brasil, de definir o que é e o que não é documento histórico. Entendo a dificuldade de gestão dos imensos acervos documentais no Judiciário e não sou infenso a estratégias de enxugamento dos mesmos, quando amparadas em preceitos metodológicos sérios. Mas não dá para aceitar este papo de valoração dos documentos.

“O Ministro Cezar Peluso, presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), promulgou, em 29 de novembro de 2011, a Resolução No 474 que “estabelece critérios para atribuição de relevância e de valor histórico aos processos e demais documentos do Supremo Tribunal Federal”. O documento causa perplexidade aos historiadores e a todos aqueles que, minimamente, tem acompanhado o desenvolvimento da historiografia contemporânea, em especial por duas razões: por procurar estabelecer “por decreto” o que é ou não histórico e por apontar como subsídio para essa classificação critérios considerados ultrapassados há, pelo menos, um século. Por esse motivo, a Associação Nacional de História (ANPUH), entidade que congrega os profissionais de história atuantes no ensino, na pesquisa e nas entidades ligadas ao patrimônio histórico-cultural, não poderia deixar de trazer a público a sua inconformidade com a referida Resolução….” O documento na íntegra está no site da ANPUH

Comentários (4)

  • Júlio Amaral diz: 28 de janeiro de 2012

    Mais uma desses “DONOS DA VERDADE, ÚNICA E ABSOLUTA” (claro que só eles pensam essa barbaridade)……é brabo tchê!!!

  • Francisco Bendl diz: 30 de janeiro de 2012

    História… como tu vens sendo pisoteada e desrespeitada ao longo dos tempos!
    Como se criam versões fantasiosas sobre a verdade e como tu vens sendo adulterada, deturpada, desconsiderada!
    Documentos que tu te baseias e que comprovam episódios ou fatos da criação desse país ou de nossos poderes, agora estão dependendo de decisões sobre suas veracidades ou utilidades que deveriam única e exclusivamente ficar sob a tua guarda, de modo que pesquisas ou historiadores pudessem te consultar!
    Que pena.
    Mais uma vez estás sendo violentada e não tens a quem recorrer.
    Não há um Superior Tribunal que possa aceitar as tuas queixas contra as ofensas que te fazem, com as agressões contra a tua estrutura, com as deformações que te ocasionam no teu belo semblante.
    Existem pessoas que querem fazer a sua história, como se fosse possível que elas existam sem que tu primeiro as registre!
    És tu, História, quem origina as histórias dos outros e não o contrário.
    Esse ato de ser decidido o que vale e o que não vale já está registrado por ti, História, como nefasto, danoso, uma decisão equivocada.
    Mas, nós, seres humanos, somos assim mesmo, esquecidos, distraídos, queremos ser história e, meramente, somos participantes de um enredo complexo, contraditório, cujas consequências somente o futuro poderá esclarecer e, justamente, através de ti, História, que contará aos nossos descendentes os nossos erros, interpretações e avaliações mal feitas.
    E tu não precisas te utilizar de estudos da hermenêutica, pois os fatos falam por si só, não precisam de maiores investigações sobre o que tu realmente registraste em tuas páginas.
    E quanto mais te dificultam a trajetória, quanto mais querem que tu fiques sem alimento, quanto mais querem que tu sejas omissa na tua função, é exatamente neste momento que tu cresces, te fortaleces, que tu gritas, que tu fazes História!
    Sim, minha querida, esta decisão está no teu colo para que tu apliques o castigo merecido, de mandares para a cadeira do pensamento aqueles que não pensaram em ti, que quiseram te menosprezar.

  • adjefferson diz: 31 de janeiro de 2012

    Teceria qui um volumoso comentário sobre esta ofensa a História e aos Historiadores por parte do nosso Ministro Cezar Peluso, CONTUDO, fica aqui meus parabéns as belíssimas palavras do colega Francisco Bendl.

    A toga mais uma vez quer falar mais alto em nosso País.

  • Francisco Bendl diz: 2 de fevereiro de 2012

    Meu caro adjefferson, muito obrigado pelo que disseste sobre o meu simples comentário.
    Na verdade temos como obrigação impedir que a verdade seja ocultada ou adulterada.
    A História registra essas tentativas, claro, mas precisa de gente que a auxilie, de pessoas que estejam dispostas a alertá-la, a deixá-la atenta.
    Felicidades.
    Um forte abraço.

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