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Restauração da Ponte Hercílio Luz

18 de março de 2012 3

Em Santa Catarina está em curso um debate interessante, sobretudo da perspectiva de quem atua no campo da gestão da cultura com foco no patrimônio histórico. A obra de restauração da histórica ponte Hercílio Luz, na Capital, que liga a Ilha de Santa Catarina ao continente, está orçada em pelo menos 170 milhões de reais, dos quais 64,5 milhões viriam de patrocinadores, sob os auspícios da Lei Federal de Incentivo à Cultura, na forma de renúncia fiscal. O projeto de captação foi aprovado esta semana pelo Ministério da Cultura, em tempo recorde, vez que foi protocolado em novembro passado. Trata-se do projeto de maior vulto nos 21 anos de história da Lei Rouanet (a proposta original era de 76,8 milhões de reais, mas a CNIC cortou 12,3 milhões do projeto). Até então, os orçamentos mais vultosos aprovados no âmbito da Lei Rouanet foram a restauração do Theatro Municipal do Rio de Janeiro (R$ 50 milhões) e a restauração da Catedral de Brasília (R$ 25 milhões).

A ponte, inaugurada em 1926, está fechada para o tráfego de veículos desde 1981. Nesse meio tempo, já se investiu um bom recurso na sua manutenção: estimam-se cifras da ordem de 350 milhões… O asfalto, que revestia o piso de rodagem da ponte, por exemplo, foi retirado, para aliviar a carga de uma estrutura que ameaça ruir. Segundo os engenheiros que cuidam da restauração, além dos velhos problemas, como o avanço inclemente da ferrugem nas barras de sustentação, descobriu-se que dos quatro pilares, três estão bastante corroídos.

Do ponto de vista do patrimônio histórico vale o investimento? Sem dúvida! A estrutura é um bem cultural e artístico do Brasil, tombado e reconhecido pelo Iphan. É a maior ponte pênsil do Brasil e talvez a única neste estilo ainda em pé no mundo. A ponte é linda, é um dos cartões postais mais conhecidos do Brasil, foi adotada pela gente de Florianópolis como símbolo da cidade – foi, aliás, a sua inauguração que consolidou a cidade na condição de Capital do Estado, até então questionada por cidadãos do interior que achavam o deslocamento até a Ilha incômodo.

Mas é razoável investir-se tanto dinheiro na restauração de um bem histórico quando existem tantas outras urgências em Santa Catarina? Pensa-se, por exemplo, no pessoal que sofre com as cheias no Vale do Rio Itajaí, ou na necessidade de ampliação das estranguladas rodovias do Estado. É verdade que a ponte, uma vez restaurada, poderá até ser reaberta ao tráfego de veículos. Porém, quanto custaria uma ponte pênsil moderna, que substituísse a Hercílio Luz?

Ironicamente, a ponte que consolidou Florianópolis como Capital e que foi adotada como símbolo da cidade, provoca ranger de dentes em muitos catarinenses do interior, que olham para a insistência em mantê-la de pé como um despropósito do ponto de vista da lógica econômica e da ordem de prioridades da população. Para os críticos, a custosa restauração seria um sumidouro de dinheiro público. O que se explica em grande parte pelo fato de ser obra de engenharia obsoleta, além de a estrutura estar deteriorada.

A propósito, no último dia 21 de fevereiro, o departamento de transportes do estado norte-americano de Ohio implodiu a Fort Steuben Bridge, ao custo de 2,3 milhões de dólares. A ponte, que servia a cidade de Steubenville, no centro-oeste dos Estados Unidos, era muito semelhante à Hercílio Luz. Inauguradas nos anos 1920, ambas foram erguidas por estruturas de aço em bases de concreto. A Steuben foi bloqueada para uso apenas em 2009. Depois de três anos de estudos, os técnicos norte-americanos concluíram que não valia a pena tentar restaurar a ponte, pois o custo superaria em muito a construção de uma nova, com tecnologia mais moderna.

Assim, enquanto o mais recente projeto de restauro é festejado por muitos como uma conquista de Santa Catarina e um indicador de prestígio para Florianópolis, há quem veja nele uma inversão de prioridades e um desperdício de recursos. De qualquer forma, a manutenção da ponte mostra que o valor simbólico de determinados bens pode em muito superar o interesse objetivo. A ponte Hercílio Luz parece ter transcendido a sua utilidade fim, adquirindo uma importância afetiva ímpar.

Afinal, e vocês, o que acham?

Comentários (3)

  • Elizeu Bauer diz: 18 de março de 2012

    Eu sou a favor da restauração da ponte Hercílio Luz,o valor realmente é alto até assustador,
    mas não vai ser gastando esse dinheiro ou não gastando que os problemas,como o vale do Itajaí ou as estradas catarinense vão ser resolvidos,isso é problema politico,cada um promete,ganha eleição e esquece,isso é Brasil,aqui no RGS é a mesma coisa,dinheiro se tem é só pararem de desviar e aplicar melhor,que da.
    Um abraço a todo esse povo catarinense e parabéns pela conquista,to na torcida.

  • Mateus diz: 18 de março de 2012

    Dinamita e faz uma superponte de alto valor arquitetônico!!! Um projeto de repercussão mundial!!!

    O povo catarinense merece um novo símbolo que aponte para o futuro!!!

    Chega de sentimentalismo!!! Onde está o desapego material?

    É muito dinheiro!!! Vai enferrujar logo!!!

    Façam um museu, tirem fotos, guardem pedaços!!!

    Tá muito difícil dirigir na 101, na 116, nas estradas de acesso, estas são as prioridades de Santa Catarina!!!

  • Christian diz: 19 de março de 2012

    Esta ponte é bonita, mas foi mal projetada e mal executada. Já custou uma fortuna. O empréstimo tomado nos anos 20 terminou de ser pago apenas, se não me engano, nos anos 70! E, só na conservação e restauro, desde 1982, serão gastos com ela mais de meio bilhão de reais. Vale a pena? Por todo o estado faltam pontes, estradas, muitos museus estão caindo aos pedaços. Gasta-se meio bilhão com uma ponte sem utilidade prática enquanto deixam-se os museus desabarem. Põe inversão de prioridades nisso! Causa ainda supresa que o Ministério da Cultura tenha aprovado projeto tão vulotoso em tempo tão curto, quando a prática tem sido atrapalhar a execução de inúmeros projetos viáveis e de custo infinitamente inferior. Parece evidente haver aí uma atração pela ação espetaculosa, marcada pela falta de critérios claros. O Ministério da Cultura tem dois pesos e duas medidas na hora de avaliar projetos.

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