Pular a barra do clicRBS e ir direto para o cabeçalho.
clicRBS
Nova busca - outros
Capa ZH ZH Blogs Assine agora

Posts de setembro 2012

PANORAMA DA PARTICIPAÇÃO DA INICIATIVA PRIVADA NACIONAL NO SETOR ELÉTRICO DO INTERIOR GAÚCHO (1889-1947): CONTRIBUIÇÕES PARA O ESTUDO DO PATRIMÔNIO INDUSTRIAL URBANO.

22 de setembro de 2012 0

Saiu artigo novo meu, na revista Memória em Rede, número 7, da Universidade Federal de Pelotas, intitulado PANORAMA DA PARTICIPAÇÃO DA INICIATIVA PRIVADA NACIONAL NO SETOR ELÉTRICO DO INTERIOR GAÚCHO (1889-1947): CONTRIBUIÇÕES PARA O ESTUDO DO PATRIMÔNIO INDUSTRIAL URBANO. Trata-se de um trecho de minha dissertação de mestrado, defendida em 1995 na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, que agora revisitei.

SEMINÁRIO CONTESTADO, LEITURAS E SIGNIFICADOS

15 de setembro de 2012 0

O Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro está promovendo um seminário sobre o Conflito do Contestado, no qual terei também a honra de falar. Posto abaixo a programação para vocês, notando apenas que não sou vinculado à Universidade Federal de Santa Catarina, como indicado no folder, mas ao Unilasalle/Canoas, no Rio Grande do Sul.

Folder contestado IHGB

Duas entrevistas recentes de Camille Paglia

15 de setembro de 2012 0

Duas ótimas entrevistas saíram com a historiadora e crítica da cultura norte-americana Camille Paglia, no The Independent e no The Times Higher Education. Camille está lançando um livro novo nos Estados Unidos: Glittering Images: A Journey through Art from Egypt to Star Wars. Confere aí.

Em torno da gênese da Europa

13 de setembro de 2012 0

Não fosse pela crise da Grécia, para quem vê a Europa hoje sua unidade política pode parecer algo dado. Mas não é assim. Em novembro de 1989, ninguém imaginava que o muro de Berlim cairia ou que as Alemanhas se reunificariam.

Em 1945, o tema era tabu na França recém liberta, pois a ocupação nazista impusera a tese de uma Europa unificada sob tacão totalitário. O historiador Lucien Febvre, enfrentando-o, contudo, invocou Marc Bloch: a Europa surgiu como civilização quando o Império romano desmoronou. Não há Europa por natureza, não apenas por causa de sua diversidade geográfica e cultural, mas porque suas fronteiras foram móveis.

Para os gregos antigos, o mundo era uma esfera plana. Como esta abstração lógica previa necessidade de repartição simétrica das terras, a massa oriental foi denominada Ásia (terra do sol nascente) e a ocidental Europa (terra em que a noite cai). A ideia de continente é tardia – aparece em 520 a.C.: Hecateu de Mileto acreditava serem a Ásia e a Líbia (África) juntas do mesmo tamanho da Europa. Heródoto, nascido em 484 a.C, mais crítico, disse ignorar de onde esses nomes vinham, quais os limites dos continentes e se eram mesmo cercados por água. Estrabão, geógrafo, por volta de 20 d.C.  em Roma, já dizia que a Europa e a Líbia juntas não se igualariam à Ásia – sente-se a presença de Alexandre o Grande entre eles. Os continentes são concepções ocidentais, que satisfazem necessidades de generalização e classificação.

O filósofo espanhol José Ortega y Gasset, no início do século XX, considerou a Europa mestiça, mas não incluiu muçulmanos, judeus, africanos, americanos… Mais recentemente, o Ministro da Educação da França, Luc Ferry, disse acreditar numa identidade europeia, baseada no helenismo, no cristianismo e no judaísmo, que, ainda, dialogaria com os EUA. São ainda fórmulas questionáveis.

A Grécia inventou a Europa, mas o mundo grego era mediterrânico. No século XVIII, franceses e prussianos quiseram-se herdeiros de uma Grécia idealizada – diante do perigo persa, a Grécia de fato descobrira a sua identidade, até então fragmentária: se Homero ainda não usava um coletivo para os gregos, Heródoto confrontara a liberdade ao despotismo asiático. O conceito de grego se construiu em oposição ao de bárbaro.

Mas a liberdade dos gregos convivia com a escravidão, marginalização do camponês e subordinação das mulheres. A democracia ateniense era privilégio de 1/10 da Ática. Esse limitado programa democrático perdeu vigência no século IV a. C: a tirania macedônica realizou o sonho de derrota do Império Persa, mas as cidades gregas renunciaram à autonomia.

O milagre grego, segundo o historiador Joseph Fontana, precisa ser desmistificado – de povo criador, para cultura hibridizada. A cultura, contrariamente ao que se acredita, era lá sobretudo oral. Grandes bibliotecas (400 mil rolos em Alexandria) eram instrumentos de controle manipulados por minorias. A escrita apareceu em 3.200 a.C. na Mesopotâmia e foi aprimorada na Fenícia, onde o sistema sumério foi adaptado à fala semítica, com cada signo representando um som consonântico, formas lineares e desenho sobre papiro. Por volta de 800 a.C., os gregos adotaram o prático alfabeto fenício e o enriqueceram com as vogais.

Fala-se nos gregos, mas pouco se sabe dos Etruscos (1200 a 200 a.C), primeira  organização urbana em terras hoje europeias e que tanto legou aos romanos. Já em Cartago, a alfabetização era mais estendida do que entre os gregos, porém Roma apagou sua memória.

Roma não foi um império uniforme. Povos e culturas díspares, submetidos militarmente, se mantinham unidos graças à comunidade de interesses entre elites. Estado patrimonial e oligárquico, tinha ordem social mantida pelo evergetismo, o chamado pão e circo, possibilitando uma cidadania mais expandida. Mas cidades articulavam-se pouco com a área rural, onde funções públicas foram progressivamente privatizadas, com magnatas ampliando clientelas. Quando as cidades caíram diante das invasões bárbaras, sobrou a vida rural.

O cristianismo, por sua vez, sofreu mutações. No início, era essencialmente camponês, em oposição à cidade e à hierarquia do templo, tendo estabelecido relação direta do Homem com Deus. Depois se espalhou pelas cidades gregas orientais, com os grupos de Paulo, no interior do quais mulheres tinham inclusive algum destaque. Finalmente, o Imperador Constantino fundou uma Igreja com autoridade centralizada, verdades admitidas, doutrina unificada. Foi o fim do caráter plural e comunitário e o início da única religião sujeita ao controle de um clero hierarquizado. Não é à toa que Hobbes disse ser o “papado o fantasma do defunto Império romano, que se senta coroado em sua tumba”. O cristianismo oriental foi considerado herético, reavivando o preconceito grego contra os asiáticos. E cristianização foi lenta, com o paganismo subsistindo no campo por séculos e se misturando com a cultura germana e celta. A consciência simbólica do medievo não nasce do Cristianismo, mas é uma variedade da consciência arcaica primitiva.

Entre Roma e a Idade Média há mais adaptação do que ruptura. Os reinos bárbaros tentaram conservar o máximo possível de um Império no qual baseavam sua legitimidade política. Carlos Magno tentou reestabelecer o Império em 800, mas o projeto era regressivo e condenado ao fracasso diante da nova diversidade dos povos.

De qualquer forma, mais importante na Idade Média não é o que ela conserva, e sim o que cria. Não foi uma época de imobilidade: a população duplicou, cultivos se estenderam e cidades estabeleceram vínculos com zonas rurais. Os muçulmanos foram fundamentais, pois trouxeram novos cultivos, formas eficazes de irrigação, o papel (inventado na China), conhecimentos técnicos e científicos, como o sistema numérico indiano. Surgiu uma nova cultura – nem grega, nem romana, mas, agora, europeia.

As Cruzadas deformaram nossa visão dos muçulmanos e da cristandade oriental. A Igreja nestoriana se estendia no século XIII do Egito à China. O Império Bizantino nunca existiu, pois eram romanos e cristãos. A 4ª Cruzada saqueou Constantinopla em 1204, sob a justificativa de que bizantinos não acreditavam na infalibilidade do Papa. O preço foi viver com medo dos turcos por 250 anos.

A Inquisição fixou violenta repressão, sufocando a cultura popular. A Igreja interferiu na sociedade camponesa, combatendo sobrevivências do paganismo. A sexualidade foi demonizada e a cristandade culpabilizada. Os séculos XVI e XVII foram de reconquista interior, com homegeinização e afirmação da supremacia dos grupos dominantes. Minorias foram segregadas.

Heresia era o que a hierarquia eclesiástica considerava inaceitável, conforme o contexto. Os Humiliatti da Lombardia, por exemplo, foram anatematizados pelo Papa Alexandre III, mas reabilitados por Inocêncio III. Revoltas populares, como a dos cátaros, propuseram cristianismo sem compromisso com senhores feudais, sendo duramente reprimidas. 200 mil pessoas (80% das quais mulheres) foram mortas por bruxaria. Na Espanha se aplicou uma solução final aos mouros, aniquilados. Estabeleceu-se perseguição aos judeus, que viveram integrados até o século XI, pois Igreja não queria mais admitir uma cultura escapando ao seu controle.

O racionalismo é outro mito europeu. Os gregos articulavam o exercício do logos com a fé. Não separavam filosofia de cultura e religião. Já renascentistas combinavam ciências exatas com o pensamento mágico: Isaac Newton esteve interessado em alquimia e em profecias.

Setembro em Porto Alegre

11 de setembro de 2012 0

Porto Alegre em setembro é uma festa! Na esteira dos lilases dos Ipês roxos, que salpicam calçadas e tingem horizontes, brota em catadupas uma explosão de cores, anunciando a potência da primavera. Refulge a programação cultural, numa efervescência que acompanha o colorido das floradas. Dois grandes artistas expõem atualmente na cidade: Miguel Rio Branco e Waltercio Caldas. A temporada de teatro está estupenda. No sábado, assisti no São Pedro à montagem de Mãe Coragem e seus Filhos, de Bertold Brecht, pelo mítico Berliner Ensemble. É um privilégio poder assistir no Brasil a teatro dessa qualidade. É emocionante quando, ao final da apresentação, o Theatro São Pedro vem abaixo, saudando o magnífico desempenho dos atores. Foram vários minutos de aplausos ininterruptos, numa despedida entusiástica do público.

Ademais, não tenho tido muito tempo para acompanhar as eleições. Soube que a Manuela d’Ávila estaria se aproximando do Prefeito Fortunati, de acordo com as pesquisas, ou até o ultrapassando. A Deputada tem mesmo muito carisma. É simpática e sem dúvida alguma muito bem intencionada. E sinaliza para o novo, pelo qual os porto-alegrenses cada vez mais parecem ansiar, depois de anos de estagnação da cidade. Falta-lhe, contudo, experiência de gestora no currículo. Jovem Deputada, Manoela alcançou votações expressivas, mas ainda não passou por uma secretaria ou um ministério importantes.

Fortunati, por sua vez, vem galopando forte aprovação dos eleitores à sua gestão como Prefeito. De fato, há muito Porto Alegre não conhecia tanto dinamismo. Com certeza, restam inúmeros problemas a serem enfrentados e nem todas as iniciativas de Fortunati podem ser aplaudidas, mas ele tem sido o melhor Prefeito da cidade em décadas.

Pessoalmente, gosto muito do Deputado Adão Villaverde. Sua posição de pouco destaque nas pesquisas não deixa de surpreender na outrora inexpugnável cidadela do PT. De qualquer forma, acho válido que o partido esteja investindo na projeção de novas lideranças na Capital. Vale algo parecido para a candidatura do Wambert di Lorenzo, do PSDB – acho importante que existam vozes na campanha demarcando territórios ideológicos.

Patrimônio artístico: caminhos, memória, preservação - por Nádia Weber e Zilá Bernd

02 de setembro de 2012 0

As Professoras Zilá Bernd e Nádia Weber estão lançando um novo livro: “Patrimônio artístico, caminhos, memória, preservação”, no dia 17 de setembro, às 21 horas, durante as Jornadas do Mercosul, no Unilasalle, em Canoas. Confere a capa aí.

De repente, assessores se transformaram em procuradores, em Porto Alegre

01 de setembro de 2012 1

Merece ser lido o artigo de André Karam Trindade sobre a polêmica conversão automática de 81 assessores em procuradores do município de Porto Alegre pela nova Lei Complementar 701/2012, que instituiu a Lei Orgânica da Procuradoria-Geral do Município de Porto Alegre. Nos anos 1970, quando estávamos em plena ditadura militar, tais promoções em massa, sem concurso público, eram chamadas pelo povo de trenzinhos d’alegria. A Prefeitura, a Câmara de Vereadores e a OAB do RS defendem a medida como forma de modernização e fortalecimento da Procuradoria. Mas há controvérsias. Acho que o debate está posto.

Revista Mouseion, nº 12

01 de setembro de 2012 0