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Posts de outubro 2012

Carta do Irani

23 de outubro de 2012 0

Nós, professores, estudantes e pesquisadores da área de História e demais Ciências Humanas, participando de três sessões (na UFSC, entre 29 de maio e 1 de junho; na UFPEL, entre 29 e 31 de agosto e na UFFS, entre 18 e 22 de outubro) do Simpósio sobre o Centenário do Movimento do Contestado, reunidos ao longo deste ano de 2012, preocupados com o estado e situação de acervos documentais, locais de memória, patrimônio histórico e da população remanescente do conflito do Contestado, alertamos a sociedade civil e conclamamos as autoridades públicas (órgãos de Patrimônio e Memória, Poder Executivo, Ministério Público e Poder Judiciário, das esferas municipais, Estaduais e Federal) para:

a). A premência da implementação de políticas públicas de saúde, educação e terras para a população remanescente do conflito, como forma de atendimento a cidadãos que, por gerações, estiveram marginalizados dos benefícios da sociedade brasileira. Considerando que os núcleos de remanescentes do conflito – e de população tradicional do planalto meridional em geral – apresentam atualmente os mais baixos índices de desenvolvimento humano do sul do Brasil (IDH, conforme avaliação oficial);

b). A urgência da defesa dos locais de memória e convivência das populações tradicionais remanescentes do conflito em Santa Catarina, e em maior âmbito, dos locais frequentados pelos devotos da tradição de São João Maria em todo o sul do Brasil. Atualmente muitas fontes de “águas santas”, grutas, ermidas, cruzeiros, antigos redutos, guardas e cemitérios precisam de defesa institucional e recuperação e conservação, como locais de visitação, culto, convivência e pesquisa científica;

c). A necessidade da localização, preservação, guarda e colocação à disposição de pesquisa de acervos documentais, de origem pública ou privada, compreendendo todo um repertório (de documentos, imagens, prosa, poesia, orações, pinturas, esculturas, objetos museológicos, depoimentos orais e peças audiovisuais) que tenham relação com a Guerra do Contestado e, num âmbito mais amplo, sobre a vida a sociedade e a cultura do planalto meridional brasileiro;

Acreditamos que é nossa obrigação, como professores, pesquisadores e estudantes, apontar as questões acima para que nos próximos 100 anos não tenhamos que lamentar a continuidade de situações de subalterização e marginalização de nossa pobre população que tanto trabalhou e trabalha para a edificação da nação.

Irani, 22 de outubro de 2012.

Assinam: Os participantes do Simpósio do Centenário do Movimento do Contestado: História, Memória, Sociedade e Cultura no Brasil Meridional, 1912 – 2012. Carta aprovada por aclamação na mesa final da sessão de Chapecó – UFFS.

Nota sobre o patrimônio histórico industrial

20 de outubro de 2012 0

Como registra Dominique Poulot, a história da transmissão e da proteção do patrimônio social atravessou várias fases. No Direito Romano, o patrimônio era o conjunto de bens familiares, associado à ideia de herança privada, não evocando qualquer noção de tesouro social ou de obra prima. Na época moderna, a sua identificação e a publicidade de acervos estavam ao serviço do fausto dos príncipes. Com as revoluções liberais do século XVIII e XIX, o triunfo do projeto de formar novos cidadãos pela instrução e pelo culto do Estado-Nação ampliou a evocação do patrimônio para o elogio dos grandes vultos, arautos dos valores embalados pela Nação, e para a celebração dos grandes feitos, atrelando-o a uma história balizada pelos eventos e guiada pelos marcos da Administração Pública.

Porém, na virada do século XX para o século XXI, difundiu-se uma nova concepção de patrimônio, pela qual se espera que, deixando de funcionar como ferramenta pedagógica e doutrinária, contribua para revelar a identidade de cada indivíduo ou de cada segmento diverso da sociedade. No lugar da história edificante, afirmou-se a identidade cultural.

Se as primeiras medidas conservadoras, iniciadas pelo papado e por outros estados na Itália renascentista, culminaram no reconhecimento de cânones e mestres e no princípio de um corpus a proteger, atualmente registra-se uma verdadeira explosão de iniciativas patrimoniais, emulando a participação ativa de indivíduos e coletividades distintas no espaço público. Há, presentemente, uma generalização da sensibilidade com relação à herança cultural, e, também, uma crescente ampliação desse conceito, de maneira a converter o patrimônio num grande desafio para o desenvolvimento cultural hodierno. A partir dos anos 1980, firmou-se o entendimento de que qualquer vestígio ou prática podem ser considerados patrimônio. Esta tomada de posição descartou o patrimônio como corpus classicamente definido de maneira normativa e instituiu um caleidoscópio de identidades.

Nesse contexto, a análise dos vestígios do processo industrial passou também a integrar o horizonte das populações urbanas, por conectar-se a história do trabalho, da técnica e da urbanização. Na Inglaterra, berço da Revolução Industrial, na década de 1950, bens industriais começaram a ser listados e reconhecidos pelo Conselho Nacional de Arqueologia. Em 1963, surgiu o primeiro periódico especializado na área, o Journal of Industrial Archaeology. Vários acadêmicos promoveram levantamentos patrimoniais, sensibilizando a opinião pública para a importância desses vestígios. Em 1973, em Ironbridge, promoveu-se o I Congresso para a Conservação dos Monumentos Industriais. Em 1978, por ocasião da terceira edição do evento, em Estocolmo, fundou-se o The International Committee for the Conservation of Industrial Heritage (TICCIH), organismo cuja finalidade é promover a cooperação internacional no campo da valorização do patrimônio industrial.

No Brasil, funciona desde 2004 um ativo Comitê ligado ao TICCIH. O tombamento, realizado em 1964, da Real Fábrica de Ferro de Ipanema, fundada em 1810, é considerado por muitos a ação pioneira do IPHAN no campo do patrimônio industrial. De lá para cá, muitos foram os tombamentos e aproveitamentos de prédios relacionados ao patrimônio industrial, com ênfase para Estados como São Paulo e o Rio Grande do Sul. Em Porto Alegre, por exemplo, a antiga Usina Termelétrica da Volta do Gasômetro, popularmente conhecida como Usina do Gasômetro, importante exemplar da arquitetura industrial em concreto armado, inaugurada em 1928 e desativada na década de 1970, foi tombada e hoje abriga um centro cultural. Há outros exemplos impactantes na Capital gaúcha, tais como o prédio da antiga fábrica de cervejas Brahma, que atualmente abriga um shopping Center, assim como acontece com as instalações da antiga tecelagem A. J. Renner. Todavia, apesar de muitos exemplos importantes, ainda é pouco sedimentada a reflexão teórica e metodológica sobre as especificidades da preservação do patrimônio industrial.

Ensaiando-se um balanço do quadro atual, como propõe Marly Rodrigues, percebe-se que vem crescendo a compreensão do Poder Público sobre a matéria. Porém, como os órgãos de proteção ao patrimônio raramente se antecipam à obsolescência das estruturas fabris, cuja natureza, por conta de sua funcionalidade, encerra um caráter mais transitório, quando começam a ser estudadas, já se encontram descaracterizadas, esvaziadas, por exemplo, do maquinário original. Tal situação tende valorizar as características externas das edificações, em prejuízo dos espaços internos, onde se organizava a produção. As fábricas tombadas dificilmente guardam informações necessárias à recuperação de saberes técnicos e da organização dos trabalhos. Além disso, baseados na qualidade arquitetônica das construções, os tombamentos de bens industriais raramente levam em conta o seu impacto no entorno sócio urbano. O esforço para captar os significados que o patrimônio industrial suscita é, portanto, necessariamente multidisciplinar.

Uma tarde de sábado com Allain Robbe-Grillet – muitos e muitos tons de cinza mais

07 de outubro de 2012 0

Na madrugada do dia 18 de fevereiro de 2008, a França, o cinema e as letras perderam Alain Robbe-Grillet. Aos 85 anos de idade, Grillet partiu deixando uma importante obra, com cerca de 20 livros e participação em 9 filmes. Conhecido como o pai do nouveau roman, movimento literário que marcou a França nos anos 1950 e 60, Grillet também escreveu roteiros, como o do célebre “O Ano Passado em Marienbad”, de 1961, dirigido por Alain Resnais, que antecipou a ousadia da nouvelle vague de Jean-Luc Godard e outros. Também dirigiu seus próprios filmes, como o “O jogo com o Fogo”, de 1975. Membro da Academia Francesa de Letras desde 2005, a sua morte repercutiu também no Brasil, onde os principais jornais de São Paulo, Rio de Janeiro e Porto Alegre lhe dedicaram artigos. Grillet viria ao Brasil em maio, para conferenciar no Fronteiras do Pensamento. Foi para formalizar este convite que fui visitá-lo em uma tarde de sábado, em dezembro de 2007, em Paris.

Proporcionou-me uma agradável acolhida, em seu amplo apartamento no Boulevard Maillot, em prédio de frente para o Bois de Boulogne, num dos endereços mais elegantes do 16éme. Confesso que não esperava encontrá-lo na Rive-Droit, talvez por seu vínculo ao grupo Rive-Gauche, composto de intelectuais, como Jean Cayrol, Margherite Duras e Agnes Varda – aficionados aos temas da memória e do esquecimento e que abraçavam elaborados processos mentais para suas narrativas.

Explicou-me pacientemente ao telefone como eu deveria fazer para saltar na estação Porte Maillot, atravessar a avenida Charles de Gaulle e seguir pelo Boulevard André Maurois, que se transformaria no Bd. Maillot, passar pelo portão do jardim, pela porta principal do prédio, digitando senhas de acesso. Ao telefone não me pareceu tão complicado, mas claro que me enrolei. Perdido no pátio, liguei do celular. Explicou-me o elaborado itinerário novamente e deve ter me achado um descordenado. Finalmente, recebeu-me a porta, sorridente. Conduziu-me a uma sala de estar, com pilhas de livros pelos cantos e sobre as mesas e aparadores.

Generoso, elogiou o meu francês pedestre. Bem disposto, estava muito mais interessado em bater um papo do que em revisar o extenso contrato que eu levara. Atento, achou logo um erro de francês. Mas tranqüilizou-me em seguida, dizendo que ninguém mais escrevia corretamente o francês e que ele vivia notando erros até nos tradicionais jornais de Paris. Curioso, quis saber sobre o Rio Grande do Sul. Perguntou-me se se tratava de uma zona de imigração. Sim, respondi. Disse ele compreender o alemão, embora não o falasse. Gostava de ler clássicos da filosofia e da literatura alemã no original. Contou-me ter estado algumas vezes na Alemanha, ministrando palestras. E lamentou, divertindo-se um pouco, a má acolhida que seu último livro “Un Roman Sentimental”, tivera naquele País. Lemos juntos uma crítica recente publicada no Frankfurter Algemeine. Arrasadora. Dizia que Grillet enterrava o nouveau roman.

Rimos. Ele contou-me um pouco sobre o início de sua carreira de escritor, quando seus primeiros livros foram recusados pelos editores. Aparentou não se importar muito com o que dizia a crítica. Aproveitei para sacar o livro da bolsa, pedindo-lhe um autógrafo. Claro, na dedicatória ele fez uma referência jocosa ao contrato que eu levara. Ficou surpreso de eu estar lendo o livro. Disse-me que embora gostasse dele, achava que não representava a sua obra. Era uma passagem rápida e não muito importante de seu último livro, “A Retomada”, segundo ele, que resolvera desenvolver e transformar em um novo projeto, quando alguém lhe pedira para escrever algo sobre uma casa no Canadá. Bem, acontece que esta passagem promovia uma bizarra combinação de pedofilia, incesto, prostituição infantil e sadomasoquismo. Era a história envolvendo o personagem de Gigi, que agora virava um livro!

Olhando em volta, na agradável sala onde estávamos, notei outro elemento presente em “A Retomada”. Um pôster com uma fotografia de um château Luis XIV, na Normandia, onde o escritor mantinha sua casa de campo, e cuja descrição mergulha desconcertantemente, em breve parêntesis, numa narrativa que se passa na Berlim pós-guerra. Este é o estilo de Grillet. Explosão de modernidade, desconstrução da narrativa, do espaço, desestruturação do sujeito. Em “A Retomada”, uma rocambolesca história de espiões na Berlim arrasada pela guerra e ocupada pelas forças aliadas, um espaço de caos entre a queda dramática do totalitarismo nazista e a tentativa de reconstrução da nova Europa social-democrata, onde as normas sociais achavam-se em suspenso ou em processo de redefinição e vigorava a justiça militar, Grillet nos apresenta um personagem narrador de múltiplas identidades: com três passaportes, que encontra o seu duplo em um trem, às vezes é o narrador da história, outras vezes é interpretado por um terceiro narrador, externo, às vezes torna-se o seu duplo, isto quando o próprio Grillet não invade a narrativa para descrever a visão de destruição que um tornado provocara, na passagem para o ano 2000, na vegetação vista da janela de seu gabinete, no château na Normandia.

O personagem central do livro, este sujeito múltiplo e desconstruído, emaranhado em incertezas, tenazmente contestado pelo Outro – o narrador duplo –, não deixa também de trazer elementos biográficos do próprio Grillet, como a origem bretã, a infância passada em Brest e o encanto pela Alemanha. Com sua linguagem sofisticada, seu estilo poético, úmido, poderosamente imagético, com longas e detalhadas descrições quebrando o ritmo convencional da narrativa, de maneira a potencializar angustiantemente o suspense do enredo, Grillet desestrutura também o tempo, misturando presente, passado e futuro.

Em “A Retomada”, abraça o tom enigmático, o estilo fotográfico, econômico em ação que já se afirmara com clareza em “O Ciúme”, de 1957. É ainda a recuperação de “Les Gommes”, de 1953, um de seus romances mais célebres. Vários também são os elementos recorrentes entre os filmes que dirigiu nos anos 60 e 70: o enigma cerebral de um homem que se encontra com uma mulher de identidade confusa em Istambul, um ator em crise de identidade, erotismo sadô – jovens amarradas, amordaçadas, flageladas, seqüestradas, aprisionadas; intriga policial, encontros misteriosos em trens, velhos palácios.

Mantendo o leitor num limite entre o real e o imaginário, afogando-o em magníficas descrições imagéticas, quase ausentes de ação, Grillet dilui certezas, verdades. E desenha a contradição como norma, como sistema. Numa única história, múltiplas perspectivas, diversos olhares sobre um mesmo fato, a mesma cena contada várias vezes, de diferentes maneiras. Aceitação intrínseca da fragmentação da uma modernidade exacerbada. E faz do leitor seu refém, conduzindo-o por este labirinto, onde as fronteiras do mundo inteligível se mostram tão esfumaçadas e embaralhadas. Provocativo retrato do mundo pós-guerra.

Não pude deixar de notar que, apesar da corrosão de sentido dessa narrativa desconstruída, o personagem central de “A Retomada” insinuava-se como uma alegoria da reaproximação entre França e Alemanha no pós-guerra. Impossível não lembrar aqui do polêmico “L’ideologie française”, de Bernard-Henri Lévy, com sua denúncia à vertente autoritária do pensamento francês, que encontrou terreno fértil durante a República de Vichy. Em “A Retomada”, o gêmeo secreto, o duplo desconhecido, pode estar sinalizando para a inexorabilidade da união entre os dois países, identitariamente afirmada, mas conscientemente negada. Convergências que se dão em diversas vibrações, do delírio autoritário ao esforço de retomada humanística. A morte do corrupto agente duplo alemão, quem sabe, sinaliza uma chance para a democracia. Otimismo tênue de um crítico figadal da sociedade burguesa moderna? De qualquer forma, a porta aberta para a ressurreição do duplo teima em não sumir de cena ao final e a sua morte, acontecida em meio a mirabolantes teorias de conspiração, nos remete para este perturbador traço da cultura de massas contemporânea: a desconfiança pós Watergate na autoridade do estado.

Mas de fato, o destaque dado às detalhadas cenas SM me pareceram um tanto gratuitos. Eu mal havia começado a ler o “Un roman sentimental”. A vendedora da Fnac da Rue de Rennes não fora simpática quando pedi o livro, que veio embrulhado em plástico, selado por uma tarja vermelha alertando para o conteúdo erótico e polêmico. O pior é que as páginas não estavam separadas. Precisei me valer de uma lixa de unhas de uma senhora que ocupara o meu lugar – estávamos em plena greve geral – num trem da SNEF para descolar as páginas.

E então estávamos ali, numa tarde de sábado, quando sua esposa, Catherine, entrou na sala. Ambos estavam animados com a perspectiva da viagem ao Brasil e Catherine contou-me sobre a viagem que fizeram ao País nos anos 1960, quando visitaram várias capitais, em virtude de uma agenda de conferências de Grillet em universidades. Há poucos dias, uma entrevista sua à televisão francesa provocara furor. Ela começava a admitir a autoria dos livros SM publicados com o pseudônimo Jean de Berg, em 1956 (L’image), e Jeanne de Berg (Cérémonies de Femmes, 1985), entre outros mais recentes. Falou-me com entusiasmo do Rio de Janeiro e, em particular, de uma visita aos bares da Praça Mauá. Lembrei-me de Caio Fernando Abreu.

A atração que a cultura SM exerce na França parece-me um enigma. Foucault provavelmente identificaria nestas práticas a chance de construção de uma nova subjetividade, revolucionária. Apesar de combater os estruturalistas franceses, é mais ou menos o que sugere Camille Paglia em “Vamps & Tramps”, especialmente no saboroso diálogo com a Drag Queen Glenda. Há aqui uma linha direta com crença na condição libertária da contracultura dos anos 1960 e sua revolução sexual e dos costumes. Neste particular, no lado oposto do debate, está Michel Houellebecq, para quem, em “A Plataforma”, a cultura SM é o resultado extremo e extravagante de uma mecanização do ser-humano, do esvaziamento do conteúdo humanístico da sociedade contemporânea, do excesso de individualismo e da ausência progressiva de contatos físicos carinhosos e de intercâmbios afetivos entre as pessoas. Para Houellebecq, o SM é o funeral do amor, uma espécie de degradação para onde nos levou a contracultura, a sociedade do consumo e o individualismo. O autor, com efeito, em “Partículas Elementares”, traça um retrato feroz das conseqüências negativas da contracultura na contemporaneidade. Mas em Robbe-Grillet, nem libertação sexual, nem falência do sentimento, mas, ao que tudo indica, uma falange de fantasmas sexuais a assombrarem sua obra e, talvez, sua vida.

Perdia-me nesses devaneios quando me lembrei de pedir a Robbe-Grillet algumas fotos e direitos de imagens sobre trechos de seus filmes, pois precisaríamos delas para um documentário que faríamos sobre sua participação no Fronteiras do Pensamento. Grillet, então, achou conveniente apresentar-me seu amigo, Olivier Corpet, diretor do IMEC. Apanhou uma agenda de telefones, com puída capa de couro marrom e começou a procurar o número de Olivier. Com alguma dificuldade para ler as letras pequeninas, pediu-me auxílio. Então vi o primeiro nome da lista: Jorge Luís Borges. Por um breve lapso de tempo, parecia possível telefonar para Borges… Por um tempo, pareceu possível recebermos Grillet no Brasil…