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Posts de abril 2013

Kikogate - Kiko e a política da celebridade

20 de abril de 2013 0

Oi gente, saiu uma entrevista comigo no Caderno de Cultura da ZH de hoje sobre essa polêmica do Kiko indicado como “embaixador” de Porto Alegre para a Copa do Mundo e a relação entre política e cultura de celebridades.

A Revolução de 1848 na Prússia e na Áustria

20 de abril de 2013 2

O Congresso de Viena, entre 1814 e 1815, fixara a divisão das Alemanhas em 39 reinos, ducados e cidades livres, que tinham em comum apenas o idioma alemão. As fronteiras dessa Confederação Germânica mais ou menos correspondiam às do antigo Sacro-Império Romano-Germânico, mas a quantidade de membros diminuiu. Todos mantinham a autonomia, mas se comprometiam com mútua defesa.

A Prússia e a Áustria, que dominava a Dieta, espécie de congresso, localizada em Frankfurt, eram as principais potências da região. A estrutura econômica era basicamente feudal, a exceção da Prússia, mais industrializada, que desde 1834 capitaneava a Zollverein, uma união aduaneira paralela à Confederação, mas que não incluía a Áustria, Hamburgo, Bremen e Holstein. Grande parte do território da Áustria e também parte da Prússia não integrava esta liga, o que lhes permitia atuar como países autônomos.

A dinâmica dos votos na Dieta era complexa. Os votos não representavam cidadãos, ou eleitores, mas monarcas e países: 23 membros menores compartilhavam cinco votos; seis outros Estados contavam um voto cada – os reis da Baviera, Saxônia, Vürttemberg, o príncipe-eleitor de Hesse e os grão-duques de Baden e do Hesse; as cinco cidades livres de Lübeck, Frankfurt, Bremen e Hamburgo compartilhavam um voto; três estados eram governados por soberanos estrangeiros – os reis da Dinamarca, dos  Países-Baixos e do Reino-Unido (até 1837) eram membros da Confederação Germânica como, respectivamente, duque de Holstein, grão-duque de Luxemburgo (sem raízes germânicas) e rei de Hanôver, com um voto cada. A Confederação seria extinta apenas em 1866.

A partir da revolução de 1848 na França, marcada pela abdicação de Luís Felipe I, sublevações eclodiram em Viena, Berlim e em outras cidades, cerzindo uma aliança entre operários e burgueses em torno de almejadas reformas liberais e autonomistas, no movimento conhecido como a Primavera dos Povos. A Hungria, a Boêmia, a Polônia e a Lombardia exigiram independência da Áustria.

Em março, o todo-poderoso ministro das relações exteriores austríaco Metternich fugiu para a Inglaterra e o Imperador Francisco I precisou outorgar uma Constituição. Um novo levante, em maio, obrigou-o a convocar uma Assembleia Nacional, eleita pelo sufrágio universal masculino – a primeira da história da autocrática Áustria.

Mas burguesia, temerosa diante do que identificava por radicalismos, voltou atrás, optando por sujeitar-se a um governo centralizado. O exército sufocou a revolta e em outubro o novo primeiro-ministro Schwarzenberg dissolveu a Constituinte. Fernando I abdicou em favor de seu sobrinho Francisco José, que restaurou o absolutismo da tradicional casa dos Habsburgo.

Enquanto isso, em Berlim barricadas e confrontos com tropas obrigaram o Rei Frederico Guilherme IV a convocar uma Assembleia, em maio. O nacionalismo alemão era uma força de coesão, ao passo que no multiétnico Império Austríaco funcionava como fator desagregador. Mas os debates se arrastaram. Até que uma revolta da população de Schleswig e Holstein contra Frederico VII da Dinamarca precipitou decisão da Assembleia, pois a Prússia foi comissionada para intervir militarmente em defesa dos alemães daqueles reinos, numa fórmula mais patriótica do que parlamentar.

A solução para o impasse foi assim um Reich Federal, com parlamento nacional presidido pelos Hohenzollern, reis da Prússia. O projeto de Constituição acolheu no capítulo dos direitos fundamentais o que havia então de melhor nas liberdades gerais, inclusive o voto universal. Mas Guilherme IV recusou a coroa da nova Alemanha, porque oferecida por uma Assembleia popular, e não pelo direito divino e dinástico, repelindo a Constituição.

Foi grande a frustração dos liberais. O processo de unificação estagnou e a revolução foi enfraquecida. Em protesto, uma minoria radical se reuniu em Stuttgart, mas as sessões eriçadas foram interrompidas pelos soldados de Würtemberg, em junho de 1849.

Assim, fracassou a via parlamentar para a unificação alemã e o arrogante Guilherme IV, sabotando a Constituição, perdeu a chance de conduzir o processo. Diante do vácuo de poder, Schwarzenberg, em Viena, decidiu reconstituir a débil Dieta. Precipitando-se choques entre as chancelarias Berlinense e Vienense, o czar Nicolas I da Rússia apoiou Áustria. Para não se expor a uma guerra, Guilherme IV recuou. Assim, a projetada União Prussiana foi dissolvida e a Dieta da Confederação Alemã se reestabeleceu. Foi um revés humilhante para a diplomacia Hohenzollern.

A Europa central terminou o ano de 1849 com a restauração dos princípios arbitrários. O único avanço foi o Landtag prussiano, um parlamento controlado pela burguesia que podia aprovar novas leis, mas não elegia ministros. Seria preciso a Prússia de Otto von Bismarck nos anos 1860 para a unificação alemã avançar, mas dessa vez sobre bases militaristas e autoritárias. Já o velho império do Danúbio permaneceria como um anacronismo, até ser abatido pela força dos novos acontecimentos.