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Posts na categoria "Artes Plásticas e design"

Cultura de alto a baixo - entrevista com Camille Paglia em O Globo

12 de fevereiro de 2013 0

Caros, continuo desaparecido daqui do blog e acho que isso ainda vai um bom tempo, tendo em vista a montanha de coisas que estou escrevendo no momento. Mas faço uma pausinha na minha concentração aqui para postar essa breve mensagem, até porque vários amigos têm me escrito, perguntando a respeito.

Saiu uma ótima entrevista com a Camille Paglia no jornal O Globo, do Rio de Janeiro, nesse sábado. Confere aí! Eu estou de acordo com a percepção dela de que a arte contemporânea,  embora possa apresentar bons testemunhos, está cada vez mais difícil de apresentar algo com uma carga dramática e densidade semiológica de amplo impacto. O exemplo oferecido de David Bowie é muito feliz. Ele passou por pelo menos duas décadas revolucionando o rock, articulando poesia e música de qualidade, com mímica, teatro, figurinos extraordinários, cinema, fotografia, iluminação. Antecipou tendências estéticas e revolucionou costumes. E o que há hoje? Lady Gaga, uma figura medíocre em todos os sentidos, adorada por uma combinação melancólica de falta de educação com excesso de mercado. Ahh..Camille faz referência a um livro que ajudarei ela a produzir, sobre o carnaval de Salvador. Verdade! Nós conversamos sobre e isso desde 2009. Mas a Camille nunca disse que sou baiano. Isso foi enxertado na fala dela pelo pessoal do jornal, na hora de produzir a versão. Mas tudo bem, tomei como um baita elogio.

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Duas entrevistas recentes de Camille Paglia

15 de setembro de 2012 0

Duas ótimas entrevistas saíram com a historiadora e crítica da cultura norte-americana Camille Paglia, no The Independent e no The Times Higher Education. Camille está lançando um livro novo nos Estados Unidos: Glittering Images: A Journey through Art from Egypt to Star Wars. Confere aí.

Setembro em Porto Alegre

11 de setembro de 2012 0

Porto Alegre em setembro é uma festa! Na esteira dos lilases dos Ipês roxos, que salpicam calçadas e tingem horizontes, brota em catadupas uma explosão de cores, anunciando a potência da primavera. Refulge a programação cultural, numa efervescência que acompanha o colorido das floradas. Dois grandes artistas expõem atualmente na cidade: Miguel Rio Branco e Waltercio Caldas. A temporada de teatro está estupenda. No sábado, assisti no São Pedro à montagem de Mãe Coragem e seus Filhos, de Bertold Brecht, pelo mítico Berliner Ensemble. É um privilégio poder assistir no Brasil a teatro dessa qualidade. É emocionante quando, ao final da apresentação, o Theatro São Pedro vem abaixo, saudando o magnífico desempenho dos atores. Foram vários minutos de aplausos ininterruptos, numa despedida entusiástica do público.

Ademais, não tenho tido muito tempo para acompanhar as eleições. Soube que a Manuela d’Ávila estaria se aproximando do Prefeito Fortunati, de acordo com as pesquisas, ou até o ultrapassando. A Deputada tem mesmo muito carisma. É simpática e sem dúvida alguma muito bem intencionada. E sinaliza para o novo, pelo qual os porto-alegrenses cada vez mais parecem ansiar, depois de anos de estagnação da cidade. Falta-lhe, contudo, experiência de gestora no currículo. Jovem Deputada, Manoela alcançou votações expressivas, mas ainda não passou por uma secretaria ou um ministério importantes.

Fortunati, por sua vez, vem galopando forte aprovação dos eleitores à sua gestão como Prefeito. De fato, há muito Porto Alegre não conhecia tanto dinamismo. Com certeza, restam inúmeros problemas a serem enfrentados e nem todas as iniciativas de Fortunati podem ser aplaudidas, mas ele tem sido o melhor Prefeito da cidade em décadas.

Pessoalmente, gosto muito do Deputado Adão Villaverde. Sua posição de pouco destaque nas pesquisas não deixa de surpreender na outrora inexpugnável cidadela do PT. De qualquer forma, acho válido que o partido esteja investindo na projeção de novas lideranças na Capital. Vale algo parecido para a candidatura do Wambert di Lorenzo, do PSDB – acho importante que existam vozes na campanha demarcando territórios ideológicos.

Mike Wallace e Salvador Dali patrocinados pelo cigarro Parliament

14 de abril de 2012 0

No blog do Edward Pimenta, achei esta divertida homenagem ao jornalista Mike Wallace, morto aos 93 anos de idade no último dia 7 de abril. Wallace foi uma das mais importantes e influentes personalidades da mídia norte-americana, celebrizado a frente do programa de entrevistas 60 Minutos. Christopher Plummer representa-o em O Informante, excelente filme de Michael Mann, 1999, que tem também Al Pacino no elenco. A trama é baseada numa história real: Wallace, juntamente com seu produtor, teria convencido um ex-executivo da indústria do tabaco a conceder uma entrevista, em 1994, denunciando as estratégias das empresas do ramo para ampliar o potencial viciante do cigarro. No vídeo aqui postado, os cigarros Parliament, com seu famoso filtro recessivo, patrocinam Wallace e Salvador Dali. Do tempo em que as pessoas fumavam na televisão e o cigarro aliava sua imagem a de celebridades. Trata-se de uma visão impossível de se repetir no mundo atual, dominado pelo politicamente correto e pela progressiva sanitarização.


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Infoto 2012

14 de março de 2012 0

Dia 15 de março de 2012, inaugura a Exposição “INFOTO”

Às 19h – Casa de Cultura Mário Quintana, 3º andar – Espaço Maurício Rosenblatt

Marcel Duchamp e o Modernismo

11 de março de 2012 0

Já está on line o meu artigo do mês na revista Voto. Reproduzo-o abaixo.


L.H.O.O.Q. Estas cinco letras, lidas em francês, colocaram a arte ocidental de pernas para o ar – literalmente: soam como “Elle a chaud au cul”, ou, em português, algo como, “ela tem fogo no rabo”. Marcel Duchamp – iconoclasta supremo, “le grand  saboteur” – as dispôs embaixo de um quadro seu, de 1919, que consistia numa reprodução da Mona Lisa, de Leonardo Da Vinci, com um bigodinho militar e um cavanhaque!

Era uma brincadeira! Com certa inspiração nos cartunistas de jornais. Era como se Duchamp trouxesse para as artes visuais a carnavalização que Rabelais aplicara à literatura em pleno Renascimento e que chegara ao século XX pelas charges, com forte apego ao cotidiano e à cultura popular. Era preciso rir de si mesmo, não se sentir tão importante assim. O patrimônio cultural celebrado, mas não cultuado. Como se dissesse: discutam-se as tradições inventadas, pois o novo pode, ou não, ser mais interessante.

E foi além: se, a partir daí, qualquer coisa poderia ser considerada arte se acompanhada de uma assinatura, então a arte já não mais desfrutava de um altar sagrado. Ela podia estar num objeto do cotidiano, numa instalação efêmera, numa atitude. Abria-se a porta para a liberdade total da criação, para a permanente reinvenção das fronteiras mais longínquas e borradas do pensamento, para a exploração não apenas de uma nova estética, mas de uma nova linguagem, em permanente construção, associada a uma nova racionalidade, desconhecida, muito além da convencional razão iluminista.

Foi um escândalo, encarado por muitos como vandalismo. Em 1912, o Salão dos Independentes na França recusou a inscrição de seu genial quadro cubista Nu Descendo a Escada. Em 1913, a sua Roda de Bicicleta, montada em cima de um banquinho branco, já tinha suscitado consternação mesmo entre a vanguarda modernista norte-americana. Em 1917, a sua célebre Fonte, um mictório de louça invertido, foi recusado pelo conselho de uma exposição de arte de vanguarda em Nova Iorque, considerado obsceno e não artístico.

O novo paradoxo cinzelado por Duchamp era imenso: do simples esforço para destruir a arte, brotava mais arte! Qual o limite disso? Impossível dizer. Qual a chance de sucesso? Domínio insondável. Estava posta a pedra fundamental da arte contemporânea. Nada além da liberdade total de uma idéia disposta no espaço multidimensional, multi-sensorial. Mas, também, como mostra Affonso Romano de Sant’Anna, uma terrível armadilha tecida por uma lógica cínica, desdobrada da argúcia de jogador, e nem sempre compreendida.

Embora Duchamp seja às vezes associado ao grupo dadaísta – cujo caos organizado, tributo à liberdade, à fantasia e à irracionalidade, terminou configurando-se em crítica consistente ao caos letal da carnificina em massa trazida pela Guerra de 1914 -, seriam necessários ainda alguns anos para que seus conceitos impregnassem uma geração inteira de artistas. Quando a arte pop surgiu, no raiar dos anos 1960, muitos críticos divertiram-se com suas paródias e sátiras e sua linguagem quase jornalística, mas concordavam que ela carecia de consistência para permanecer. Não passaria de uma moda engraçada!

Não foi assim! Dez anos depois, todos concordavam que o pop alcançara um tremendo sucesso, conformando-se, mesmo, num fenômeno de massas. Era a arte falando com extraordinária amplitude a linguagem de seu tempo. O modernismo, como sublinha Peter Gay, no auge de seu alcance. E, talvez, seu irremediável eclipse.

O pop investiu sistematicamente contra as convenções. Apagou maciçamente a fronteira entre obra de arte e criações de outra natureza, a divisa entre original e cópia, aproximou alta cultura e cultura popular, chegando a emular o kitsh e o vulgar. Inseriu a arte no cotidiano e na lógica do mercado consumidor de massas, implodindo os significados ocultos e herméticos do abstracionismo e do expressionismo, engendrando uma arte auto-explicável.

Andy Warhol, o mais célebre dos artistas pop, muito embora não talvez o mais consistente, fez de sua própria trajetória de vida uma obra de arte. Trabalhava constantemente a sua imagem, erigindo poderosos alicerces da fama. Mostrava, com isto, mais uma vez, que o admirável mundo novo que chegava era todo ele linguagem. E escancarava sua indiferença total para com a obra de arte: “Tudo é arte e nada é arte (…) tudo é belo, se for certo”, disse.

Como registra Peter Gay, foi um ataque “à missão reformadora do modernismo”, o seu “toque de finados”. O crítico de arte e articulista da revista The Nation, Arthur Danto, foi além: identificou nas caixas de Brillo de Warhol, de 1964, o fim da própria arte.

Ponto máximo de expansão e réquiem para o modernismo, base de lançamento para a arte contemporânea, o experimentalismo contracultural e a pop art dos anos 1960, parafraseando e expandindo a semente dadaísta, projetaram o gênero performático. Em 2005, o crítico do New York Times, Barry Gewen, inventariava a fórmula, desenhando o paradoxo do vale-tudo: em 1975, Chris Burden crucificara-se na capota de um fusca. Günther Brus, urinou e defecou num palco, bebeu a própria urina, envolveu-se com o próprio excremento e masturbou-se cantando o hino austríaco: foi preso. Em 1989, Bob Flanagan pregou seu pênis numa tábua de madeira. Todos estavam fazendo arte…

Em 2001, o incensado artista britânico Damien Hirst, montou em uma galeria de Londres uma instalação composta de detritos de um atelier: xícaras sujas e partidas, garrafas vazias, baganas de cigarro, papéis de bala, pincéis gastos, uma paleta manchada de tinta, folhas de jornais velhos… No dia seguinte à abertura da exposição, encontrando “aquela bagunça”, o faxineiro da galeria varreu tudo, pôs em sacos de lixo e jogou fora! Hirst achou o destino de sua instalação “histericamente engraçado”!

Por mais que a arte tenha diluído as fronteiras entre cotidiano e erudição, entre alta cultura e cultura popular, quanto mais caminhou no sentido da morte da própria arte, mais afirmou a permanência de uma hierarquia de gostos. Para o faxineiro, converter lixo em obra de arte não passava de uma perplexidade. Hirst estava certo ao divertir-se, pois com o gesto de destinar a instalação ao lixo, o faxineiro – representando aqui uma massa que não acompanhara a trajetória de destruições do modernismo, no sentido da construção de uma nova e insondável linguagem, como propusera Pablo Picasso – emergia de sua apatia. O episódio ganhou manchetes pelos cadernos de cultura ao redor do mundo!

Para muitos, o triunfo da bobagem, do non-sense, expressões de um mundo com narrativas fragmentadas, consumismo desenfreado, materialismo exacerbado, hedonismo e individualismo narcísico. Quadro diante do qual o pessimismo é um diapasão recorrente em parte da intelectualidade.

Lançado livro "Pátria Gaúcha: o RS nas lentes de grandes fotógrafos"

06 de março de 2012 0

Na quarta-feira passada eu fui à cerimônia de lançamento na Fundação Iberê Camargo, em Porto Alegre, do livro Pátria Gaúcha. O trabalho está belíssimo. Com design de Marilia Ryff-Moreira Vianna e curadoria de Rogério Reis, a obra reúne fotografias sobre o Rio Grande do Sul de André Abdo, Celso Chittolina, Clovis Dariano, Cris Berger, Eneida Serrano, Eurio Sallis, Fernando Bueno, Flávio Dutra, Guto de Castro, Leonid Streliaev, Leopoldo Plentz, Luiz Carlos Felizardo, Luiz Eduardo Achutti, Marcos Luconi, Nede Losina e Raul Krebs. Abaixo, posto algumas das belas imagens para vocês.






















Revista Carátula

08 de fevereiro de 2012 0

Está on-line a revista Carátula, periódico cultural centro-americano dirigido pelo escritor nicaraguense Sérgio Ramirez. Ele proferiu uma excelente palestra em Porto Alegre, no Fronteiras do Pensamento, em 2007. Há bons artigos. Confiram aí.

Gilberto Perin lança "Camisa Brasileira"

18 de junho de 2011 0

O livro de fotos do Gilberto Perin, “Camisa Brasileira”, sobre bastidores do um time de futebol, terá lançamento em julho em São Paulo e Porto Alegre.

São Paulo – Museu do Futebol, no Estádio do Pacaembu, 1º de julho.

Porto Alegre – Livraria Cultura, no Bourbon, 4 de julho.

O livro tem texto de Aldyr Garcia Schlee e de João Gilberto Noll. Conta com 110 fotos. Perin acompanhou durante 4 meses os vestiários do Brasil de Pelotas-RS, na disputa da 2ª divisão do campeonato gaúcho do ano passado. As fotos falam com eloquência da alma brasileira. Imperdível!


E a luz se faz na Tristeza!

05 de junho de 2011 3

Fiat Lux, faça-se a luz! Do Gênesis para a Porto Alegre do século XIX, Fiat Lux foi como se chamou a primeira usina elétrica da Capital gaúcha, inaugurada em 1887 e responsável pelo primeiro serviço regular de distribuição de eletricidade a residências numa capital brasileira. Fiat Lux agora é o nome de um coletivo que surge assim, sob a sombra repousante das árvores em um pátio de uma casa na Rua Landel de Moura, na Tristeza. A iniciativa partiu de um grupo de jovens incomodados cm a fragmentação pós-moderna do cotidiano. Dispostos a tirar a cara do raio de alcance do brilho que emana das telas do I-pods, tablets e que tais, reuniram-se no último dia 29, até para lembrar que seres-humanos também falam olhando olho no olho, gesticulando, mexendo o corpo todo e…, fazendo arte.

É inspirador que nos textos de apresentação do evento eles falem de paz. Mas é ainda mais sintomático buscarem sua inspiração em ícones da Contracultura, coo Patti Smith e Jimi Hendrix. Motiva-os o sonho do encontro, o horizonte da criatividade colaborativa, da interlocução coletiva, da arte experimental, heranças generosas de uma Contracultura hoje em grande parte engolida pelo pastiche consumista e inviabilizada na exacerbação estéril de um indivíduo sem gravidade.

Mas não há nada de revival melancólico nisso, de escapismo romântico, démodé. Não, pelo contrário: conceitos e histórias dos anos 1960, a grande época da expansão dos horizontes, são relidos e retrabalhados na contemporaneidade pulsante. O cotidiano como tema central do evento diz tudo: são jovens olhando para o seu entorno, para aquilo que lhes parece mais óbvio e familiar, ou para aquilo que lhes causa estranhamento. Pois, afinal, um cotidiano é feito de múltiplas identidades, identificações, mas também de rupturas polifônicas.

Amadores, não lhes acicatam pretensões de sucesso mercadológico ou compromissos formais com a estética. Espontâneos, não procuraram nenhum espaço cultural constituído, mas ativaram o seu próprio entorno, chamando a atenção para que na Zona Sul de Porto Alegre, tão carente de equipamentos urbanos e comunitários, também pode haver efervescência.

São garotos e garotas reagindo, do seu jeito, ao seu modo, à aridez do mainstream hodierno. Exaustos diante de um mundo que pretende reduzir a fruição juvenil a baladas hedonistas sem fim, construíram, mais do que um palco de expressão, um ponto de encontro.

Fotografias, instalações e duas bandas de rock se apresentaram na oportunidade, a Purifique e a Cadiombleros. No final do dia, a turma se reuniu numa roda de violão, em torno de uma fogueira. Tudo na paz, sem bate estaca, sem recurso algum a estimulantes exógenos, sem telas brilhantes, apenas o coletivo, o diálogo, a arte. Bem vindos!