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Posts na categoria "Clima e Ecologia"

Barco japonês domina pesca de atum em águas do Brasil e acelera devastação da espécie

24 de agosto de 2012 0

Posto link para reportagem da TV Folha de São Paulo sobre a devastação que a pesca predatória realizada por navios japoneses, a partir de brechas na nossa legislação, tem causado no nosso litoral. O atum está em extinção nos oceanos, no mundo todo. Ainda não se conseguiu viabilizar comercialmente a sua reprodução em cativeiro. É preciso reagir! Os oceanos precisam ser protegidos!

O Rio Grande e Santa Catarina ardem

10 de agosto de 2012 0

Na segunda-feira passada, um belo dia de sol, tomei um avião de Florianópolis a Porto Alegre. Sentado na janela, do lado direito da aeronave, esperava desfrutar da bela paisagem dos campos do sul de Santa Catarina e do planalto do Rio Grande do Sul. Mas poucos minutos depois de nos afastarmos de Florianópolis, comecei a visualizar focos de queimadas. De início, achei que fosse um fenômeno localizado, mas elas só pararam quando começaram os vales da serra, já quando o avião inicia os procedimentos de pouso em Porto Alegre. É uma visão chocante. Centenas de focos de queimadas lançando aos céus uma fumaça branca que se funde em uma grande e densa nuvem a engolir o horizonte como se fosse um dia nublado. Queimadas são criminalizadas, porque só trazem prejuízos. Essa fumaceira afeta a saúde das pessoas, o solo gretado pelo fogo perde nutrientes e a cada ano animais silvestres perecem inocentemente. Isto sem mencionar a ameaça do fogo se espalhar para áreas de preservação ou mesmo para áreas urbanas. É o cúmulo que não se faça nada de consistente a respeito. Espalhar placas às margens das rodovias anunciando a criminalização das queimadas é uma ação inócua. Está na hora de se punir seriamente esse pessoal incendiário. Dizem que os municípios da região possuem áreas extensas e vias de acesso nem sempre franco. Mas, se conseguimos ver o horror de uma aeronave, porque os governos não se unem para mapear a ação dos criminosos? Será que fotografias de satélite não podem ajudar? Entra ano e sai ano e não ouço falar de ninguém sendo sequer multado.

Gramado, São Paulo, Paris, Nova Iorque

05 de janeiro de 2012 0

Tem estado particularmente fresco em Gramado, para esta época do ano. À noite, puxa-se um edredom e pela manhã liga-se até uma estufinha no banheiro. Favorece a preguiça e o acordar um pouco mais tarde. Durante o dia, um sol ameno convida ao jardim. Estou conseguindo assistir filmes, ler um pouco e escrever. Se permanecesse aqui por alguns meses, colocaria em dia muito do que me proponho a escrever. A escrita rende um monte em Gramado. Talvez seja o clima, o ar da serra, a vegetação no entorno, sei lá. Acho, aliás, uma pena que, em se tratando de uma cidade turística, esta vocação não seja melhor trabalhada. Há dúzias de escritores e intelectuais produzindo discretamente em Gramado. Mas na livraria da cidade, a Sucellus, nem uma estante dedicada a eles. A bem ajeitada biblioteca municipal parece que também não se acordou para isso.

O lado B da cidade também existe. O trânsito, por exemplo, tem estado bem chatinho. Quando não são turistas abobalhados, que não sabem circular em rótulas, são alguns gramadenses e canelenses. Muitos perderam a paciência com o trânsito lento e se tornaram agressivos. Na RS entre as duas cidades, excedem a velocidade, grudam nos veículos da frente de forma impertinente, tentando passar por cima, com sinais de luz e buzinas. Nas rótulas, ignoram a preferência de quem chega primeiro e, ao contrário dos turistas, que sempre acham pertencer a preferencial aos outros, se atravessam na frente de todos. Na Avenida São Pedro, é quase impossível conseguir que alguém dê passagem com gentileza, quando se quer sair de uma vaga de estacionamento. Mesmo com fluxo a 20 Km/h, uma paradinha gentil, nem pensar! Alguns taxistas, em especial, dão medo, de tal maneira cortam, costuram e tentam administrar cada espaçinho. Essa agressividade toda deveria ser tratada. A Prefeitura, infelizmente, não tem programas educativos e é deficiente na fiscalização. Deveriam distribuir folhetos, postar fiscais para orientação e, quiçá, aplicar multas. Na RS, urge a instalação de câmeras de vigilância para coibir manobras violentas. Gramado está ficando com problemas de trânsito de cidade grande, dado a atividade econômica frenética e o fluxo intenso de turistas. É o cúmulo que a Prefeitura se abstenha de agir. Obras viárias são necesárias, mas não são tudo. E, a propósito, acho que a cidade já reclama um melhor serviço de transporte público, como lotações, pequenos micro-ônibus, como forma de desafogar a área central. Faltam, também, bicicletários e ciclovias!

Voltando aos filmes, ontem revi pela televisão o excelente Salve Geral. Ainda há gente conservadora e mal informada que ignora a excelente safra do cinema nacional. O filme de Sérgio Rezende é, sem dúvida, ótimo! Melhor do que a maioria absoluta das porcarias policiais americanas que se atulham nas locadoras. Além de tecnicamente bem resolvido, é uma percepção inteligente do trágico Levante do Dias das Mães, em São Paulo. É um policial impactante como eram aqueles filmados na Nova Iorque dos anos 1970. Quem ainda não assistiu, não deve perdê-lo.

Eu ainda não tinha assistido ao Meia-noite em Paris, do Woody Allen. Ouvi dizer que muita gente achou se tratar de um filme sobre Paris. É um filme delicado sobre o diálogo entre culturas, pois aborda os estereótipos dos americanos com relação a Paris. Cada personagem representa um desses estereótipos turistas, típicos da era da sociedade de consumo de massas. O filme capta, sobretudo, como cidades icônicas estão morrendo por terem se tornado reféns de sua própria fama, o que atrai levas de moradores transitórios que anseiam por viver o seu passado e sua “atitude”. Dado o volume desses fluxos, acabam cidades com um presente cada vez menos profícuo e menos criativo. Woody enfrentou esta questão ultra-contemporânea pela ambiência de Paris, mas, creio, era de Nova Iorque que ele estava mesmo falando, ao fim e ao cabo, cidade onde vive e que ama. Metrópole que, junto com Paris, mais vem sofrendo desse mal. São hoje cidades que consomem tudo o que se faz e o que há no mundo, mas que cada vez mais vivem das imagens que se fazem do seu passado e cada vez menos produzem conceitos e novas atitudes para a contemporaneidade. São cidades cansadas.

Consegui, finalmente, terminar a leitura do Homem no Escuro, de Paul Auster. O livro começa bem, com um ótimo argumento. Um thriller cativante de um sujeito que se vê tragado para uma oura dimensão, paralela, na qual os Estados Unidos entraram em guerra civil, depois das eleições fraudelentas do Bush e do 11 de Setembro. O enredo fica ainda mais palpitante quando esse sujeito é comissionado para matar um velho jornalista na dimensão “real”, pois os líderes políticos do mundo paralelo descobriram que esta guerra acontece por estar sendo imaginada na cabeça desse alvo. Mas tudo não passa de uma conspiração do próprio, que se encontra imerso numa terrível depressão, deseja se suicidar e, para tanto, criou um personagem imaginário para matá-lo, dando-lhe carne e osso graças a esse trânsito entre dimensões. Há boas ironias sobre a ideologia norte-americana, sobram críticas à mercantilização de nossa sociedade e explora-se o conceito de múltiplas realidades paralelas, típico do pós-modernismo: “a gente entende que as piores possibilidades da imaginação são o país onde a gente vive”. Um bom testemunho da sombria era Bush. Outra peculiaridade do livro, bem característica da literatura da virada do milênio, é protagonismo atribuído a um personagem encanecido. Os velhos raramente eram protagonistas de romances pré-modernistas, como registra Simone de Beauvoir. Mas com o envelhecimento da sociedade contemporânea, isso mudou. Estão ali todos os dramas da velhice, mas o recado final é otimista. Ao fim e ao cabo, o “suicídio” não se confirma, graças a chance de interlocução do velho com a sua neta, uma adolescente que também está depressiva. Solução muito próxima àquela que Coetzee vem dando à velhice em sua obra. Foi pena que a narrativa acabou de forma meio amadora. Os personagens imaginários simplesmente desaparecem e tudo o que fica é uma conversa sobre o fim de um casamento. Dá a impressão que Auster comportou-se como os gregos antigos, que, nas tragédias mal estruturadas, chamavam um deus ex machina para terminar com o drama e encerrar o que não sabiam concluir. Mas esta é a vantagem de ser um escritor famoso – pode-se acabar um bom livro de qualquer jeito, que todos vão continuar adorando.

Chuvinha gostosa

24 de dezembro de 2011 3

O dia hoje amanheceu chuvoso e enevoado em Gramado. Foi providencial, pois os jardins já estavam ficando esturricados em virtude da seca. A guabirobeira produziu pouquíssimo neste princípio de verão e as amoreiras estão secando perigosamente, perdendo as folhas. As roseiras recolheram seus botões, estão nuas. Onde a grama cresce em solo raso sobre pedras, já secou. Ontem, o sol e o calor estavam fortes, mesmo para a cidade serrana. Hoje, se continuar assim, vai ter gente acendendo a lareira na noite de Natal. Aqui em casa a ceia será simples e tradicional: um peru assado e muitas frutas da estação, com destaque para as cerejas, os mirtilos, os morangos e as uvas. Ontem colhi pêssegos, limões e framboesas no jardim.

A iluminação de Natal em Gramado este ano está bem melhor. Mais clean e cenográfica. Adorei os azuis e a árvore de Natal na Borges de Medeiros está linda!

Desejo a todos um Feliz Natal!!!!

O fim do minizoo na Redenção

20 de dezembro de 2011 6

Li hoje na Zero Hora, com pesar, a notícia sobre a remoção dos bichinhos do minizoo da Redenção. Acho que devemos sim discutir os direitos dos animais e não podemos abrir mão de garantias ao bem estar deles. Mas só vai aprender a respeitá-los e amá-los quem tiver sido exposto ao contato com eles e a uma boa dose de educação. Nesse sentido, o minizoo da Redenção desempenhava um papel estratégico. Eu estou entre as crianças que cresceram magnetizadas por aqueles bichinhos. Durante anos, a grande atração para mim e para minha irmã nos passeios pela Redenção eram os macaquinhos, os pássaros, as tartarugas… A presença deles está absolutamente impressa no meu imaginário e nas minhas lembranças mais carinhosas da cidade de Porto Alegre. Achávamos encantador poder contemplar tão de perto aqueles serezinhos fantásticos que víamos apenas nos livros infantis e na televisão. Sim, o passeio ao Jardim Zoológico de Sapucaia era adorado também. Mas esse era um acontecimento extraordinário, porque demandava um deslocamento importante. Os bichinhos da Redenção, ao contrário, estavam ali, pertinho, povoando o nosso cotidiano, com um apelo, ao mesmo tempo, ao fantástico e ao natural. Se estavam mal acomodados, a Prefeitura não poderia ter investido em instalações melhores? Dizem que estavam expostos ao barulho e à poluição urbanos. Bom, como de resto todos nós estamos, assim como todos os passarinhos silvestres que habitam e voam pelos ares da Capital. Qual será o próximo passo? Remover todos os pardais, sabiás, tico-ticos e bem-te-vis? Ora, façam-nos o favor! Estamos flertando com uma espécie de histeria ecológica cuja principal conseqüência está sendo nos desconectar ainda mais da natureza. Duvida? Assista ao filme “O Homem Urso” do Werner Herzog! É um tapa na cara de quem partilha dessa visão new age da natureza, um choque de realidade, um grito de alerta. Tipo assim, acordem! Achei a remoção do minizoo um golpe contra uma importante tradição da cidade e dos freqüentadores do Parque. Foi um erro da Prefeitura! Uma ação impopular e contraproducente.

Diazinho frio em Porto Alegre...hummmm

02 de julho de 2011 4

Na semana passada, de rápido trânsito por Porto Alegre, chegando de Natal, atrasado para uma reunião cedo pela manhã, dei uma topada numa porta e quebrei os dedos do pé. Argh! Um acidente doméstico idiota, mas que causa razoável desconforto. Fui inicialmente levado a uma clínica na Carlos Gomes, o Mãe de Deus. Havia fila, espera para um simples Raio X e pior, necessidade de vencer, claudicando, amplos saguões, subir e descer em elevadores estreitos. Não foi uma boa escolha. Depois de uns 40 minutos sentindo que a situação se arrastava e tendo de forçar para cá e para lá um caminhar dolorido, pedi que me levassem a uma clínica na Wenceslau Escobar, a Traumatologia Zona Sul. Fui lá prontamente, competente e carinhosamente atendido. Mas, a partir de então, precisei ficar de molho em casa. Até trabalhar no computador é um pouco difícil, pois como tenho de manter o pé para cima, para não inchar, nem sempre consigo uma boa posição para digitar. Mas, com paciência, tudo vai se encaminhando.

Há pequenos prazeres em Porto Alegre que fazem valer a pena estar aqui. Numa manhã de sábado dessas, é uma delícia acordar tarde, com o dia frio, úmido e chuvoso lá fora. A Oi FM é ótima nessa hora – uma programação excelente, que nos poupa de pensar na música que queremos ouvir, pouca propaganda, locutores agradáveis, sem vozes esganiçadas aos gritos repetindo insuportavelmente a palavra “galera”, respeitando a nossa querida língua portuguesa e, ainda mais surpreendente, sem forçar nenhum comentário trouxa sobre política, cotidiano, sei lá… Outra opção, que em nada perde, é a tradicional Ipanema, desde sempre, uma das melhores rádios do Brasil – como é bom o rádio em Porto Alegre! Há excelência em todos os nichos! Adoro, por exemplo, ouvir as notícias e entrevistas na Gaúcha, na Guaíba ou na Band News. É quase sempre um bate papo de qualidade, informativo.

Depois, ler a Zero Hora, com toda a calma do mundo, tomando mate quentinho, lareira acesa na sala. Aqui em Porto Alegre, a entrega da Zero Hora nunca falha, como em Florianópolis, onde a distribuição se tornou muito irregular. Acho ótimo poder começar o dia lendo a Zero Hora.

Hoje estou com desejos de um filé do Tirol – agora com tele-entrega facilitada na Zona Sul –, um bom livro e um filmezinho. Ontem à noite, finalmente assisti ao “Discurso do Rei”. Adorei! Há cenas hilárias, muito bem construídas! Mas achei melhor ainda o “Bravura Indômita”, dos irmãos Cohen (Incrivelmente, eu ainda não tinha tido tempo para assisti-los). Agradou-me o personagem de uma mulher forte e decidida, uma menina de 14 anos que, pela desenvoltura e coragem, acaba liderando um time de brutos. A fotografia é bela!

Se eu estivesse em condições de caminhar, não perderia por nada do mundo a apresentação do Grupo Galpão no Theatro São Pedro. Ahhh… que saudades do São Pedro! Ontem, foi Tchecov. Que vontade de assistir a uma boa peça de teatro, séria e produzida por uma das melhores companhias do Brasil! Depois, quem sabe, uma esticadinha no bom e velho Ocidente… Faz uns dois anos que não vou lá… Deve existir um monte de coisas novas na cidade, mas eu já me sinto como um daqueles burros teimosos, que insiste no caminho que aprendeu e tem de voltar logo para casa, para a cama quentinha…

Adorei o protesto dos remadores no Arroio Dilúvio!

05 de junho de 2011 0

Achei bem legal o protesto dos remadores do Clube Almirante Barroso, um dos mais tradicionais clubes de remo de Porto Alegre, que subiram o Arroio Dilúvio em caiaques, portando cartazes, assinalando a necessidade de despoluição desse curso d´água que faz parte da paisagem da cidade desde o princípio dos tempos. Sobretudo, pelas imagens que vi, achei o protesto pacífico e inteligente.

Neste sentido, aliás, a iniciativa pode servir de inspiração aos ciclistas do coletivo Massa Crítica, que, em suas manifestações, têm ocupado as ruas da cidade com um tom notadamente agressivo, que já vem despertando reclamações de muitos. E, a propósito, por favor, não distorçam o que eu digo: registrar a agressividade desses ciclistas não significa de modo algum isentar de responsabilidade o maluco que os atropelou noutro dia. Agora, venhamos e convenhamos, é possível fazer um protesto a favor da sustentabilidade do planeta sem hostilizar seus concidadãos, com gritos e gestos de animosidade. Além disso, eu também não acho certo que manifestantes quaisquer que sejam, bloqueiem completamente vias da cidade, impedindo o direito dos outros de ir e vir.

Acho fundamental que saiamos da passividade bovina e nos mobilizemos como sociedade civil organizada. Mas mesmo as causas mais generosas perdem credibilidade quando os manifestantes que as suportam comportam-se de forma incivilizada.

Florianópolis, espetacular!

03 de abril de 2011 0

Dia glorioso em Florianópolis. Depois de semanas de tempo nublado e chuvoso, hoje apareceu um sol magnífico! Temperatura perfeita, pouco vento, horizonte cristalino, céu azul, praia adorável! A cidade é um encanto!

Terremoto, tempo, cultura...

19 de março de 2011 2

Diante de tragédias como a que se abateu sobre o Japão ficamos emudecidos. É difícil encontrar algo para dizer quando a alma se comprime e o coração se aperta… Tanto trabalho honesto e árduo arrasado num piscar de olhos. Tantas vidas inocentes perdidas, tanto sofrimento…

De uns tempos para cá, parece que a cada ano um país diferente é sacudido por um terrível terremoto ou açoitado por tsunamis. Talvez estejamos atravessando uma insondável conjuntura específica, mas o fato é que esses eventos extremos, na verdade, sempre se manifestaram, de tempos em tempos. No passado, civilizações inteiras foram varridas por fortes terremotos, provavelmente seguidos de tsunamis. Quem nunca ouviu falar do mito de Atlântida? Especula-se, por exemplo, que a civilização minoica, em Creta, foi arrasada por um cataclismo, assim como a Pompéia romana foi engolida por uma erupção vulcânica.

No mundo em que vivemos, as pessoas cada vez mais se desconectam da natureza. Vivem tão encerradas em rotinas asfálticas, tão habituadas à aridez do concreto e ao conforto tecnológico que esquecem o quanto a natureza pode ser, também, imprevisível e implacável. Nossa cultura e civilização pouco representam diante de fortes explosões de humores da natureza, quando, então, somos lembrados de como é frágil a vida aqui na Terra.

O belo livro do historiador francês Ferdinand Braudel, “O Mediterrâneo”, hoje um clássico da literatura, chama justamente a atenção para este aspecto. Vivemos múltiplas temporalidades. O tempo da política e dos acontecimentos relacionados ao poder é muito mais dinâmico do que o das transformações culturais, recheadas de permanências seculares. Já o tempo da cultura, pois mais lento que nos pareça, é rapidíssimo se comparado aos ciclos geológicos e à temporalidade geográfica.

Há autores que respeitam esta lição da velha Escola dos Annales francesa, como Camille Paglia, por exemplo, que dedica o primeiro capítulo de sua tese de doutorado, “Personas sexuais”, ao impacto da natureza sobre a cultura. Mas é comum identificarmos na teoria contemporânea tomadas de posições que sustentam estarmos integralmente imersos em jogos de linguagem, em emaranhados simbólicos. Assim, por exemplo, o gênero passa a ser uma construção cultural, uma formatação sociológica, sendo os hormônios esquecidos. Isto é, a sociedade definiria o que é ser masculino ou feminino. E por aí vai… Enfim, um conjunto de análises que não resiste à força arrasadora de um terremoto.

Ao mesmo tempo em que os episódios apocalípticos no Japão nos remetem à fragilidade e transitoriedade da vida humana na Terra, condição com a qual somos obrigados a conviver, a despeito de todos os nossos anseios de permanência cultural e civilizacional, o pequeno e operoso país asiático nos proporciona extraordinárias lições de desprendimento individual e amor coletivo. Apesar do sofrimento, a população mantém-se calma e ordeira, indicando que o desespero e o descontrole obram no sentido da diminuição das chances de salvamento, vez que desperdiçam preciosas energias. Para além disso, é comovente acompanhar o heroísmo dos 50 de Fukushima, que se expõem às ameaças de contaminação pela radiação, numa usina nuclear avariada, para garantir o bem estar do conjunto da população. São indivíduos convictos de que sua existência subjetiva não tem chances de desabrochar fora de uma coletividade equilibrada e que é apenas por meio dessa força coletiva que se pode enfrentar os grandes desafios estabelecidos por temporalidades geológicas.

Os jacarandás da Oswaldo Aranha surtaram

23 de janeiro de 2011 2

O verão este ano em Porto Alegre parece estar um pouco diferente. Pelo que me lembro, costumava ser bem mais quente e chover bem menos – uma canícula senegalesca, sufocante. Lembro de gente fritando ovos no asfalto ou na calçada.


A água do Guaíba ainda não está verde. Acho que tem a ver com o bom volume de chuvas na região. Pois diz que as tais alguinhas que colorem o Guaíba se proliferam em períodos de seca e calor. Elas deixam o Guaíba lindo! A vista do lago na zona sul fica um escândalo! Porém, deixam aquele cheiro de terra azeda na água, que ninguém merece!


Aliás, um detalhe interessante, que me intrigou um pouco (sempre acabo falando alguma coisa sobre política – Aff!!): o enorme investimento que a Prefeitura está fazendo na despoluição do Guaíba e no tratamento de efluentes urbanos pareceu-me pouquíssimo divulgado, até mesmo na última campanha política, quando o ex-Prefeito Fogaça era candidato ao Governo. É difícil de entender, porque se trata de uma obra importantíssima e portentosa. Não sei não: parte do abastecimento de água de Porto Alegre talvez já estivesse no limite do comprometimento, em razão das tais alguinhas verdes. Procedimentos como a hemodiálise nos hospitais, por exemplo, necessitam utilizar muita água, ultra-filtrada e pura – e a coleta, ao que me consta, é no Guaíba, não é não? A gente sabe que o Fogaça não é bom de autopromoção, mas há coisas que precisariam ser sublinhadas, sobretudo durante uma campanha.


Mas, voltando à vaca fria, a cidade, creio, costumava ficar bem mais vazia. De onde vem tanta gente? Por que esse povo todo não está na praia? Não me lembro de pegar engarrafamentos em pleno janeiro, como está acontecendo agora. Será que a cidade está vazia e sou eu quem não sabe? Tipo, imagina o tumulto que nos aguarda em março/abril! Argh – que medo!


Liquidações? Ah, sim, há algumas bem boas. As de móveis estão ótimas! Vale à pena bater uma perna por aí.


Mas o grande estranhamento ficou por conta dos jacarandás da Avenida Oswaldo Aranha: eles estão florescendo!!! Em pleno janeiro!!! Endoideceram? E por que só os jacarandás da Oswaldo estão com esta faísca atrasada? Todos os outros estão comportadamente verdes.