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Posts na categoria "Esportes"

Gilberto Perin lança "Camisa Brasileira"

18 de junho de 2011 0

O livro de fotos do Gilberto Perin, “Camisa Brasileira”, sobre bastidores do um time de futebol, terá lançamento em julho em São Paulo e Porto Alegre.

São Paulo – Museu do Futebol, no Estádio do Pacaembu, 1º de julho.

Porto Alegre – Livraria Cultura, no Bourbon, 4 de julho.

O livro tem texto de Aldyr Garcia Schlee e de João Gilberto Noll. Conta com 110 fotos. Perin acompanhou durante 4 meses os vestiários do Brasil de Pelotas-RS, na disputa da 2ª divisão do campeonato gaúcho do ano passado. As fotos falam com eloquência da alma brasileira. Imperdível!


Ok, parabéns!

19 de agosto de 2010 0

Eu vim a Porto Alegre para uma conferência, consultas e tal. Calhou que coincidiu com a final da Libertadores. Até parece praga de algum colorado. Bom, como gremista – embora sem grandes fanatismos – confesso que até tentei torcer contra. Mas não deu. O fato é que o Inter fez uma festa linda!


Começou pela organização da cidade. É verdade que eu me neguei a circular pelas ruas ontem à noite. Mas passei pelo Beira Rio no sentido centro bairro por volta das 18hs. Estava me preparando para encontrar um tumulto absurdo e um engarrafamento monstro. Mas o trânsito estava fluindo super bem nesse horário. Uma maré de gente vermelha se deslocava ao longo de toda a Borges de Medeiros em direção ao estádio. Mas o fazia de forma muito civilizada. Dessa vez, não vi uma gente que saiu sabe-se lá de onde, sem respeitar faixas de segurança, trancando cruzamentos e andando na contramão. Não sei se tive sorte, mas o que vi foi digno das nações mais civilizadas. Até a EPTC se aprumou e deitou fora aqueles cavaletes medíocres, magrelos, esquálidos, que ninguém vê direito. Não, ao invés disso, usou uns modernos cones de sinalização, compatíveis com uma cidade que almeja ser sede da Copa do Mundo.


O estádio estava bem bonito e até a narração do Galvão Bueno funcionou. E que maravilha poder assistir novamente a um jogo de futebol sem aquele bando de retardados assopradeiros com o beiço grudado nas vuvuzelas, zumbizando feito vespas dementes e incapazes de interagirem com o jogo, cenário árido que esteve entre as várias mixórdias que conspiraram para fazer desta Copa do Mundo que passou a mais chata de toda a história. A torcida foi um espetáculo à parte – cantou o tempo todo. É bom poder ouvir novamente a torcida num jogo de futebol, ainda que seja a do Inter…


E de onde foi que saiu aquela gentarada do Chevas? Um descolorido sem noção duma bossalidade só, desrespeitando o hino brasileiro; outro arataca se esticando na hora do hino; umas bestas batendo por bater, já que não sabiam jogar; uns jecas sem espírito esportivo, armando barraco no final. Que péssima imagem vieram aqui passar do seu país de origem! Olha, o Inter mereceu ganhar sim. E ganhou bonito! Parabéns!


Quanto ao Grêmio, quem foi que mandou tirar o Paulo Odone da presidência? Do jeito que vai, vão ter de implorar para o PO voltar e colocar tudo nos eixos mais uma vez.

Hans Gumbrecht - O elogio da beleza atlética, dia 23 de agosto, na UFRGS em Porto Alegre

19 de agosto de 2010 0

No âmbito projeto coordenado pela Professora Kathrin Rosenfield da UFRGS acontecerá uma conferência de alto nível na semana que vem, com o Professor Hans Gumbrecht, da Universidade de Stanford. O tema, muito pertinente, será o papel dos esportes, numa perspectiva cultural, nas sociedades de massa contemporâneas. Confira aí o folder!

A maldição de Mick Jagger na Copa do Mundo

07 de julho de 2010 0

Mobilizações dos brasileiros no Twitter continuam repercutindo internacionalmente. Posto aí link para artigo reproduzido no prestigioso Drugde Report’s, a propósito de Mick Jagger estar sendo considerado pelos torcedores na Copa do Mundo como o arauto do azar! Hilário! Mick Jagger world coup angel of death?

Vuvuzela combo

15 de junho de 2010 2

Há certos fenômenos de massa que oscilam do engraçadinho para a saturação. Essa apurrinhação com as vuvuzelas na Copa do Mundo é, muito provavelmente, um deles.

Olha, nem mesmo numa festa como a Copa, ninguém merece um bando de gente assoprando numas cornetinhas irritantes o tempo todo. O ruído é tão ensurdecedor que já não se ouvem mais os divertidos refrões das torcidas, pois tudo é abafado por um zunido aplastante. Até a narração dos jogos fica em parte comprometida. Fico imaginando o que não passam os repórteres e narradores para tentar se comunicar com o público, a sua dificuldade de concentração, etc… Aí fica todo mundo dizendo que é engraçadinho. Mas, na verdade, é retardado. Podia ser música, batucada, piadinhas de massa. Mas é só um zunido interminável e tonitroante, que a tudo o mais abafa.

Não estou lá na África, mas, para mim, a única mensagem que isso passa é a de uma massa cuja voz foi sufocada por tanto tempo que agora não sabe mais como se comunicar coletivamente, a não ser pela imposição a todos os outros desse zumbido sem noção. É uma pena que isto esteja sendo identificado como a marca da Copa. Tomara que esse espasmo possa servir como um grito coletivo de libertação da voz e, depois disso, algo mais elaborado emirja.

Igualmente chatas são as piadinhas infelizes sobre vuvuzelas, que não param. Todo mundo só fala nisso (até eu!). Ontem até o divertido Marcelo Tas, no CQC, para anunciar uma entrevistinha rápida com a Shakira, disse algo assim: “Vamos ver a vuvuzela da Shakira!” E, depois, perguntou a um de seus auxiliares que estão na África, algo assim: “Você já assoprou/ beijou a vuvuzela de um negão?” Ai, ninguém merece! Foi tão idiota que até ele disse que ninguém mais agüenta piadinha de vuvuzela.

Outra palavra que eu não agüento mais ouvir é COMBO. De tempos em tempos, o povo adota algum estrangeirismo novidadeiro e fica por aí repetindo o troço à exaustão. O tal COMBO foi encampado maciçamente pela publicidade e pelo comércio. É enervante. Tudo é COMBO: a internet, o celular, a pizza… Outro dia, perdi a conta de quantas vezes ouvi a palavra COMBO num vôo da Gol na hora em que os comissários de bordo se puseram, desajeitadamente, a vender sanduichinhos. Parecia um disco trancado. Uma simplificação gutural da língua, como se todas as palavras fossem reduzidas a uma única porcaria. O cúmulo foi quando entrei num sushi e os tradicionais “combinados” foram substituídos por COMBOS – será que os proprietários achavam que estavam sendo moderninhos? Aquilo me convenceu de que o sushi não deveria ser bem feito. Me levantei e fui embora.

Pois, então (mais uma tirada infeliz, mas nunca fui bom de humor mesmo…), nessa Copa estamos passando por um vuvuzela combo. É, mas vai passar.

Futebol e identidade líquida

05 de dezembro de 2009 4

Fui abduzido por este debate da semana, sobre futebol, Grêmio, Flamengo e o Inter, e talecoisa. Na segunda-feira até participei do Conversas Cruzadas do Lasier Martins, com o Bagre e o Cacalo (!) Digo abduzido porque, quem me conhece, sabe estar o caderno de esportes do jornal no fim da lista de leitura e, como eu sempre tenho algum livro para ler ou um outro jornal, nunca consigo chegar lá… Então, sou uma espécie de torcedor difuso. Sou gremista porque toda minha família o é. E acho que herdei esse negócio… E é praticamente tudo o que eu sei.


Então vem esta história de ser ou não ético o Grêmio perder para o Flamengo. Olha, eu acho que, de saída, se trata de um debate desprovido de prática, porque é evidente que o Grêmio, mesmo que jogasse com todos os titulares e com toda a sua garra, não teria condições de ganhar do Flamengo. Até eu, que não entendo patavinas de futebol, sei que o time do Flamengo é infinitamente superior e que o Grêmio só conseguiu ganhar fora de casa do Náutico, um time que, segundo consta, cai para a segunda divisão. Mesmo que assim não fosse – e com certeza o é – qualquer ensebação gremista estaria legitimada pelo fato de o Inter, no ano passado, ter escalado quatro jogadores reservas no jogo contra o São Paulo, que era então fundamental para o Grêmio. Se na época todo o mundo entendeu pertencer aquilo à esfera de decisão do próprio time, e nada se comentou, por que então agora se eleva um debate tão aceso?


Acho que foi porque a torcida do Grêmio chamou atenção para um fenômeno de massa ao entoar por refrão, no último do jogo no Olímpico, “entrega, entrega”. Por óbvias razões, a imprensa se ouriçou, e intelectuais sentiram-se estimulados a dar pitacos.


Embora ainda vagueiem por aí reacionários com desprezo pelos fenômenos de massa, bebendo acriticamente em fontes como as de Taine, Burke, Le Bon e Ortega y Gasset, há muito eles são alvo de interesse de gente antenada e capaz de falar a linguagem do seu tempo, como a Camille Paglia, por exemplo. Sobre o futebol no Brasil, além do eterno Gilberto Freyre, vale uma conferida no livro do José Miguel Wisnik, “Veneno remédio”, do qual ele fez uma prévia numa obra coletiva que organizei, “Brasil contemporâneo, crônicas de um país incógnito”.


Enfim, há muitos intelectuais em Porto Alegre infinitamente mais capacitados do que eu para falar de futebol, mas, abduzido, vou também deixar aqui o meu pitaco. E é o tema da identidade cultural que me atrai.


Dizem por aí que os gaúchos nutrem uma identidade regional exacerbada. E que ela aflora, potente, justamente em situações como partidas de futebol com times de outros estados. O interessante é que no caso em tela a torcida tricolor prefere entregar a taça para um time carioca do que ver o rival gaúcho sagrar-se campeão. Contradição? Só quando não entendemos os mecanismos das identidades contemporâneas.


Há décadas as identidades rígidas e verticais estão em crise. Foi assim, ó: o Estado moderno, ao nascer no século XVIII, enfrentou a necessidade de criar novos vínculos de solidariedade, construindo uma ordem capaz de romper com o automatismo identitário das velhas sociedades de familiaridade mútua. A forma de estar no mundo dessas comunidades mais tradicionais eliminava a questão da identidade, simplesmente porque a sua vinculação com o meio geográfico e cultural era essencial: elas sentiam-se pertencendo à cidade, à região, à tribo, à família, ao clã. E fim de papo. O Estado moderno precisou romper com estes laços para legitimar-se. Foi então que a idéia de identidade nacional foi imposta à vida das pessoas, como uma ficção, desdobrando-se de um desenraizamento. É claro, esta ficção não se construiu sem invenções de tradições e sem coerção. Por isso mesmo, sua lógica era de inclusão/exclusão. Todo círculo identitário para incluir participantes, precisa excluir aqueles que negam esta identidade. Normalmente, o mais parecido é o que tem mais chances de ser identificado como o Outro perfeito. É assim, por exemplo, com as religiões monoteístas: cristãos, muçulmanos e judeus se engalfinharam historicamente não por serem tão diferentes assim, mas precisamente por serem muito parecidos, ou, pelo menos, muito mais distantes dos pagãos, panteístas, animistas…


Os séculos XIX e XX viram o apogeu de muitas dessas identidades rígidas e verticais, ao mesmo tempo em que afirmavam progressivamente a libertação do indivíduo: dois fenômenos ao mesmo tempo paralelos e contraditórios. No mundo contemporâneo, de identidades líquidas, o indivíduo nunca esteve tão livre para escolher como deseja se construir (é claro, isto só vale para quem tem razoável poder de consumo para participar do mercado global de identidades): qual será sua profissão, onde deseja morar, qual será seu sexo, a cor do cabelo, o estilo de roupa do dia, se os seios e o nariz serão maiores ou menores, qual religião seguir, ou ser ateu, fazer ou não sexo antes do casamento, ter ou não filhos, para onde viajar nas férias, qual o modelo de carro comprar, qual a potência do motor…


Tanta autonomia e liberdade de opções só podem deixar o indivíduo estressado. Decidir o próprio caminho a todo instante cansa. E muito. Podia não ser tão democrático, mas era certamente mais tranqüilo e confortável antes, quando os indivíduos nasciam sabendo como iriam morrer e viviam a vida toda na mesma aldeia, fazendo exatamente as mesmas coisas que todos os outros membros da sua comunidade faziam e haviam feito décadas antes.


É por isso que o psicanalista Contardo Calligaris diz que, para não sucumbirmos ao estresse da liberdade, precisamos hoje de férias da subjetividade. Isto é, momentos nos quais o individuo super poderoso se deixa abandonar ao fluxo de sentidos de massa, em meio aos quais as particularidades são diluídas por paixões coletivas e sensações de pertencenimentos.


O indivíduo contemporâneo, livre como nunca esteve das âncoras culturais do passado, no fundo, não quer retornar ao esquema anterior, das rígidas identidades de nação, raça, sexo, gênero, profissão, etc… A mobilidade satisfaz. Mas, ao mesmo tempo, traz nostalgia dos tempos em que tudo estava definido de antemão.


Assim, as férias de subjetividade seriam uma folga para o indivíduo, não uma regressão definitiva ao passado. Por isso, convém ao indivíduo achar identidades potentes, transversais e flexíveis, maleáveis.


Nada melhor do que a torcida de um time de futebol. Ali, por algumas horas, os indivíduos anulam-se, esquecem-se de sua liberdade. Cantam, vibram, torcem em conjunto, como se todos fossem um. E os mais apaixonados são precisamente os adolescentes, indivíduos que estão num período da vida no qual, como se sabe, o espírito de grupo é fundamental para mediar o processo de construção da personalidade com a sociabilização.


No início do século XX, este tipo de força cultural invisível de inclusão/exclusão levou ao banho de sangue da Primeira Guerra Mundial. A mais estúpida de todas as guerras. Ali não estava em jogo nenhuma ideologia, nenhuma luta do mundo livre contra a besta-fera, como na Segunda Guerra Mundial. Era só a emulação enlouquecida de nacionalidades rivais, justificando o envio de milhares e milhares de jovens para a morte certa. Irracionalismo puro captado em sua essência com acuidade pelo movimento artístico dadaísta. No final do século XX, este horror tribal transbordou novamente nos Bálcãs, mostrando que os velhos nacionalismos, que se confundem a noções de raça, tradições e território, ainda faziam a sua ceifa macabra.


Bem, as identidades fluídas da contemporaneidade precisam ser capazes de produzir a mesma paixão avassaladora dos nacionalismos primitivos. Mas devem se expressar com um mecanismo de contenção dessa paixão. Assim, elas emergem e fenecem durante o tempo de uma partida de futebol. E estão sublimadas pelas regras do lúdico, pois não nos levam a uma carnificina – muito embora de vez em quando aconteçam tumultos, como, por exemplo, no estádio de Heysel, em 29 de maio de 1983, na Bélgica, com saldo de 39 mortos.


Além disso, estas identidades novas são transversais. Elas funcionam de forma a incluir o máximo possível de indivíduos. Pense bem: que outro tema consegue fazer com que pessoas estranhas conversem animadamente por horas a fio como se fossem velhos amigos? Que outro assunto aproxima crianças, jovens, adultos e idosos? Qual é o objeto que não faz distinção de raça, idade, gênero, classe social… Que outro papo longo e camarada o morador de um condomínio de luxo teria com o porteiro do prédio onde mora? A resposta é sempre… o futebol.


Fala-se, fala-se, fala-se e não há nunca nada de conclusivo, de definitivo. Porque sempre haverá o próximo campeonato, novos jogadores, novos gols, uma jogada a ser comentada. Em essência, é tudo a mesma coisa e sempre a mesma história. A estrutura, o sistema, são sempre os mesmos. Apenas pequenos detalhes mudam. E são justamente estes detalhes a fonte de um assunto inesgotável e que jamais será concluído.


Então, a função dessas identidades líquidas é dar uma folga para o indivíduo estressado com sua liberdade, diluir momentaneamente barreiras sócio-culturais e canalizar para o lúdico agressividades primitivas que antes produziam vítimas fatais aos montes.


Sim, há aqui um componente desmobilizador da luta de classes. Era por isso que os revolucionários de esquerda da década de 1970 diziam que o futebol era o ópio do povo e determinavam aos militantes torcer contra a seleção brasileira nas Copas. Esta receita parece hoje ridícula, pois todos admitem que a sociedade e o indivíduo precisam sim de válvulas de escape.


Nessa perspectiva, é perfeitamente compreensível que ser Grêmio é ser também anti-Inter, e vice-versa. Pois, para incluir, é necessário excluir. E como o critério para definir o diferente não pode ser o de raça, religião, gênero, etc… é o da cor do outro time. E, neste jogo de identidades, o melhor Outro-rival que existe é o mais parecido e o que está mais próximo.


Enfim, tudo perfeitamente normal e nada a ver com a tese de que os gaúchos nutrem rivalidades polares absolutas. É simplesmente uma identidade líquida, contemporânea, jogando o seu papel da melhor maneira. E, como no mundo contemporâneo nós todos temos identidades múltiplas e cumulativas, como diz Amartia Sen, somos colorados e gremistas, ao mesmo tempo em que somos gaúchos, brasileiros, etc… E não há nenhuma contradição nisto. Muito antes pelo contrário.