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Posts na categoria "Gramado"

Linhas de telefone fixo da Oi deixam de funcionar há mais de uma semana no Bairro Bavária, em Gramado

26 de maio de 2013 0

Está acontecendo em Gramado uma situação bizarra. Desde o dia 17 de maio, pelo menos, telefones fixos da operadora Oi deixaram de funcionar no Bairro Bavária, conhecido ponto turístico da cidade e que abriga inúmeras pousadas e hotéis, inclusive. A operadora tem sistematicamente ampliado o prazo estimado para a solução do problema. O que deveria ter sido, segundo a sua própria área técnica, solucionado até o dia 20, no máximo, agora não tem previsão de conserto antes do dia 28. Uma boa parte do bairro está sem telefone. Veremos qual a justificativa para esta falha monumental, como a companhia indenizará os usuários do serviço e qual a multa que a Anatel aplicará.

Hotel Bavária é agente de poluição sonora em Gramado

30 de junho de 2012 1

O Hotel Bavária, um dos mais tradicionais da cidade de Gramado, tornou-se um problema para hóspedes e vizinhos. As pessoas vêm para o adorável destino turístico gaúcho em busca dos ares, da natureza e do descanso que o ambiente serrano proporciona. Mas quem se hospeda no Hotel Bavária ou tem o azar de habitar no seu entorno é diariamente importunado por uma desagradável poluição sonora que poderia ser facilmente evitada. Sobretudo aos sábados pela manhã, por volta das 8hs, justamente quando as pessoas que se deslocam para Gramado mais pretendem aproveitar a paz do fim de semana, jardineiros impertinentes ligam suas assopradeiras do inferno!

Trata-se de barulhentas maquininhas que prometem ajudar no serviço de varrição. Talvez sejam efetivamente uma mão na roda para os jardineiros – bem, isto é, até que eles, depois de anos expostos a esta agressão, desenvolvam algum provável problema de surdez –, mas para hóspedes e vizinhos que desejam acordar no sábado calmamente, ouvindo o canto dos passarinhos, é um tormento inominável. Se fosse uns quinze minutos de barulho, tudo bem, seria até suportável. Mas os tais jardineiros mantém suas maquininhas ligadas durante a manhã inteira!

Já se apelou diversas vezes para a gerência do Hotel Bavária por compreensão. Gentilmente, prometem solucionar o problema. De fato, depois de cada reclamação, determina-se a suspensão do barulho. Mas a cada fim de semana, o drama se repete. Depois que alguém é acordado pelo berreiro das assopradeiras, o prejuízo já está feito. É inacreditável que um hotel que vende tranquilidade para seus hóspedes produza tamanho incômodo para clientes e vizinhos. É evidente que a Prefeitura precisa coibir esta ação que ofende o perfil identitário da cidade e agride moradores.

Gramado, São Paulo, Paris, Nova Iorque

05 de janeiro de 2012 0

Tem estado particularmente fresco em Gramado, para esta época do ano. À noite, puxa-se um edredom e pela manhã liga-se até uma estufinha no banheiro. Favorece a preguiça e o acordar um pouco mais tarde. Durante o dia, um sol ameno convida ao jardim. Estou conseguindo assistir filmes, ler um pouco e escrever. Se permanecesse aqui por alguns meses, colocaria em dia muito do que me proponho a escrever. A escrita rende um monte em Gramado. Talvez seja o clima, o ar da serra, a vegetação no entorno, sei lá. Acho, aliás, uma pena que, em se tratando de uma cidade turística, esta vocação não seja melhor trabalhada. Há dúzias de escritores e intelectuais produzindo discretamente em Gramado. Mas na livraria da cidade, a Sucellus, nem uma estante dedicada a eles. A bem ajeitada biblioteca municipal parece que também não se acordou para isso.

O lado B da cidade também existe. O trânsito, por exemplo, tem estado bem chatinho. Quando não são turistas abobalhados, que não sabem circular em rótulas, são alguns gramadenses e canelenses. Muitos perderam a paciência com o trânsito lento e se tornaram agressivos. Na RS entre as duas cidades, excedem a velocidade, grudam nos veículos da frente de forma impertinente, tentando passar por cima, com sinais de luz e buzinas. Nas rótulas, ignoram a preferência de quem chega primeiro e, ao contrário dos turistas, que sempre acham pertencer a preferencial aos outros, se atravessam na frente de todos. Na Avenida São Pedro, é quase impossível conseguir que alguém dê passagem com gentileza, quando se quer sair de uma vaga de estacionamento. Mesmo com fluxo a 20 Km/h, uma paradinha gentil, nem pensar! Alguns taxistas, em especial, dão medo, de tal maneira cortam, costuram e tentam administrar cada espaçinho. Essa agressividade toda deveria ser tratada. A Prefeitura, infelizmente, não tem programas educativos e é deficiente na fiscalização. Deveriam distribuir folhetos, postar fiscais para orientação e, quiçá, aplicar multas. Na RS, urge a instalação de câmeras de vigilância para coibir manobras violentas. Gramado está ficando com problemas de trânsito de cidade grande, dado a atividade econômica frenética e o fluxo intenso de turistas. É o cúmulo que a Prefeitura se abstenha de agir. Obras viárias são necesárias, mas não são tudo. E, a propósito, acho que a cidade já reclama um melhor serviço de transporte público, como lotações, pequenos micro-ônibus, como forma de desafogar a área central. Faltam, também, bicicletários e ciclovias!

Voltando aos filmes, ontem revi pela televisão o excelente Salve Geral. Ainda há gente conservadora e mal informada que ignora a excelente safra do cinema nacional. O filme de Sérgio Rezende é, sem dúvida, ótimo! Melhor do que a maioria absoluta das porcarias policiais americanas que se atulham nas locadoras. Além de tecnicamente bem resolvido, é uma percepção inteligente do trágico Levante do Dias das Mães, em São Paulo. É um policial impactante como eram aqueles filmados na Nova Iorque dos anos 1970. Quem ainda não assistiu, não deve perdê-lo.

Eu ainda não tinha assistido ao Meia-noite em Paris, do Woody Allen. Ouvi dizer que muita gente achou se tratar de um filme sobre Paris. É um filme delicado sobre o diálogo entre culturas, pois aborda os estereótipos dos americanos com relação a Paris. Cada personagem representa um desses estereótipos turistas, típicos da era da sociedade de consumo de massas. O filme capta, sobretudo, como cidades icônicas estão morrendo por terem se tornado reféns de sua própria fama, o que atrai levas de moradores transitórios que anseiam por viver o seu passado e sua “atitude”. Dado o volume desses fluxos, acabam cidades com um presente cada vez menos profícuo e menos criativo. Woody enfrentou esta questão ultra-contemporânea pela ambiência de Paris, mas, creio, era de Nova Iorque que ele estava mesmo falando, ao fim e ao cabo, cidade onde vive e que ama. Metrópole que, junto com Paris, mais vem sofrendo desse mal. São hoje cidades que consomem tudo o que se faz e o que há no mundo, mas que cada vez mais vivem das imagens que se fazem do seu passado e cada vez menos produzem conceitos e novas atitudes para a contemporaneidade. São cidades cansadas.

Consegui, finalmente, terminar a leitura do Homem no Escuro, de Paul Auster. O livro começa bem, com um ótimo argumento. Um thriller cativante de um sujeito que se vê tragado para uma oura dimensão, paralela, na qual os Estados Unidos entraram em guerra civil, depois das eleições fraudelentas do Bush e do 11 de Setembro. O enredo fica ainda mais palpitante quando esse sujeito é comissionado para matar um velho jornalista na dimensão “real”, pois os líderes políticos do mundo paralelo descobriram que esta guerra acontece por estar sendo imaginada na cabeça desse alvo. Mas tudo não passa de uma conspiração do próprio, que se encontra imerso numa terrível depressão, deseja se suicidar e, para tanto, criou um personagem imaginário para matá-lo, dando-lhe carne e osso graças a esse trânsito entre dimensões. Há boas ironias sobre a ideologia norte-americana, sobram críticas à mercantilização de nossa sociedade e explora-se o conceito de múltiplas realidades paralelas, típico do pós-modernismo: “a gente entende que as piores possibilidades da imaginação são o país onde a gente vive”. Um bom testemunho da sombria era Bush. Outra peculiaridade do livro, bem característica da literatura da virada do milênio, é protagonismo atribuído a um personagem encanecido. Os velhos raramente eram protagonistas de romances pré-modernistas, como registra Simone de Beauvoir. Mas com o envelhecimento da sociedade contemporânea, isso mudou. Estão ali todos os dramas da velhice, mas o recado final é otimista. Ao fim e ao cabo, o “suicídio” não se confirma, graças a chance de interlocução do velho com a sua neta, uma adolescente que também está depressiva. Solução muito próxima àquela que Coetzee vem dando à velhice em sua obra. Foi pena que a narrativa acabou de forma meio amadora. Os personagens imaginários simplesmente desaparecem e tudo o que fica é uma conversa sobre o fim de um casamento. Dá a impressão que Auster comportou-se como os gregos antigos, que, nas tragédias mal estruturadas, chamavam um deus ex machina para terminar com o drama e encerrar o que não sabiam concluir. Mas esta é a vantagem de ser um escritor famoso – pode-se acabar um bom livro de qualquer jeito, que todos vão continuar adorando.

Chuvinha gostosa

24 de dezembro de 2011 3

O dia hoje amanheceu chuvoso e enevoado em Gramado. Foi providencial, pois os jardins já estavam ficando esturricados em virtude da seca. A guabirobeira produziu pouquíssimo neste princípio de verão e as amoreiras estão secando perigosamente, perdendo as folhas. As roseiras recolheram seus botões, estão nuas. Onde a grama cresce em solo raso sobre pedras, já secou. Ontem, o sol e o calor estavam fortes, mesmo para a cidade serrana. Hoje, se continuar assim, vai ter gente acendendo a lareira na noite de Natal. Aqui em casa a ceia será simples e tradicional: um peru assado e muitas frutas da estação, com destaque para as cerejas, os mirtilos, os morangos e as uvas. Ontem colhi pêssegos, limões e framboesas no jardim.

A iluminação de Natal em Gramado este ano está bem melhor. Mais clean e cenográfica. Adorei os azuis e a árvore de Natal na Borges de Medeiros está linda!

Desejo a todos um Feliz Natal!!!!

Trânsito e mercado

24 de dezembro de 2011 0

Na quinta-feira, saindo para Gramado, demorei duas horas apenas entre Porto Alegre e São Leopoldo, em virtude de um trânsito infernal e estafante. O motivo? Acontecera um acidente envolvendo caminhões na pista contrária, sentido Novo-Hamburgo para Capital, e a turma caipora diminuía a velocidade para olhar. A Polícia não deu mostras de fazer nada, isto é, não se coçou para punir o pessoal que diminuiu a velocidade sem necessidade, produzindo uma tranqueira monstruosa, muito embora esta seja uma infração da lei de trânsito. Numa cidade que cresce, pequenos gestos de incivlidade podem acarretar desdobramentos bem desagradáveis.

Dentre os contratemos advindos desse atraso, cheguei a Gramado bem mais tarde do que o previsto, o que me obrigou a fazer as compras no Supermercado Nacional. Não gosto deste estabelecimento. Sempre falta alguma coisa óbvia lá – dessa vez, não tinha mozarela de búfala! As verduras não são fresquinhas como poderiam ser. Mas o pior é a fila nos caixas. É tanta engronha na hora de pagar a conta, que os administradores resolveram montar um brete com cestos entupidos de bugigangas. Fica, assim, evidente ser mesmo o objetivo que as pessoas fiquem quarando nas filas, pois, assim, espera-se, os trouxas dos clientes tenderão a ainda levar umas das porcarias dispostas nestes cestos. Estes, a propósito, são tantos e tão grandes que ninguém mais nem mesmo consegue circular direito com os carrinhos junto aos caixas. Então, além de lento o desconforto é muito grande. Não fossem em Gramado alguns pequenos mercadinhos, estaríamos perdidos! O De Barba, por exemplo, é ótimo: frutas e verduras fresquíssimas, sempre! Mas falta em Gramado em grande mercado, bem organizado e com bom serviço, como os que existem em Porto Alegre e em Caxias do Sul.

Gramado entupida

22 de abril de 2011 2

Se você aí ainda pensa em vir no feriadão para Gramado, pense duas vezes, pelo menos. A cidade está lotada! Entupida! O trânsito está uma droga. Paralisado. Os restaurantes estão impenetráveis, de tanta gente. Para chegar aqui, ontem, já enfrentei engarrafamentos desagradáveis na BR 116. Bem, são os efeitos do crescimento do PIB em 2010. Mas Gramado precisará fazer algo, caso deseje preservar algum estilo. Se a cidade for convertida em destino para o turismo de massas, antigos veranistas ou turistas mais exigentes vão debandar. Dizem que o rodoanel, cuja construção nunca termina, irá solucionar o problema. Talvez. Mas creio que tenha chegado a hora de se revisar algumas estratégias da cidade. A Páscoa tradicionalmente atraiu turistas para Gramado. É assim há décadas. Precisa agora colocar um ridículo desfile de coelhos no centro? Por que esta emulação sem fim do kitsh? Para seduzir a classe média emergente que pensa que cultura é Disneylândia? Ora bolas, já que Gramado atrai tanta gente, deveria estar preocupada em promover atrações mais elaboradas, como concertos de orquestras de câmara nas praças e igrejas, ou uma opereta no palácio dos festivais, quem sabe… Além disso, em feriados como este, poder-se-ia limitar o acesso de veículos na área central. Claro, seria necessário instalar um melhor sistema de transporte público. Quem está nos Bairros Bavária, Planalto, Lago Negro, por exemplo… e deseja ir ao centro, só o pode fazer a pé, de bicicleta ou de carro. Não dá para pensar numa linha de taxi-lotação?

Detalhes de Natal e Ano Novo

06 de janeiro de 2011 0

Então, fiquei alguns dias longe do blog. Culpa das festas de fim de ano, lógico.


O Natal, passei em Gramado. O clima estava perfeito. Gramado não poderia ser melhor nesta época do ano: calorzinho sem necessidade de ar-condicionado e cobertorzinho à noite. Cheguei a tempo de colher os pêssegos no pomar do jardim, mas o destaque todo especial foi para as framboesas silvestres – vermelhíssimas e suculentas!


A chatice ficou por conta do atrolho de gente. Gramado está começando a ficar inviável. É tamanho o afluxo de pessoas por conta do tal Natal Luz que as vias ficam entupidas e as calçadas apinhadas. Não se consegue caminhar, nem chegar às lojas, muitas das quais ficam vazias, já que os consumidores são afugentados por uma horda de festivos expectadores do show. Nos restaurantes lotados, esbarra-se o tempo todo numa massa de gente tansa, que empaca no Buffet, cata grãzinho de arroz na hora de se servir, e dificulta ainda mais o fluxo. Se você quiser fugir para um restaurante à la carte, prepara-se para os preços escorchantes. Dizem que o tal Natal Luz rende horrores para a cidade. Não sei: cada vez ouço mais falar de gente que evita a cidade nesta época do ano. Refiro-me aos chamados “veranistas”. Acho que está mais do que na hora de nascer um outro refúgio na serra.


Festejei a virada em Santa Catarina, numa festa adorável em Governador Celso Ramos, pertinho de Florianópolis. Um lugar lindíssimo!


O problema foi a volta. Por motivos diversos, precisei retornar a Porto Alegre na segunda-feira, dia 3. Que inferno! Uma carreta tombada tornou ainda mais tormentosa a passagem por Laguna, um dos vários trechos onde a BR 101ainda não está duplicada. Consumi três horas para vencer o curto trajeto. Uma viagem que normalmente consome 6 horas de carro, dessa vez exigiu 10 horas. É o fim da picada que esta obra arraste-se com tamanha lentidão! Trata-se de um dos mais gritantes atestados de incompetência gestora de parte do Governo Federal.


O trecho da BR 101 no Rio Grande do Sul está muito melhor. Os túneis novos de fato são um show! Mas falta, ainda, sinalização adequada. Trafegar nesta autopista  à noite e com chuva, como acabou acontecendo comigo, é uma temeridade.

Histeria eco-urbanóide

11 de setembro de 2010 1

As pessoas perderam a conexão com a natureza, com o campo, com a floresta. Vivem encapsuladas em rotinihas urbanas alienadas, com controles remotos nas mãos, vagando sobre o concreto, e, de repente, pensam que vão salvar o planeta adotando a primeira macega na qual tropeçam. Empilham-se os exemplos dessa histeria eco-urbanóide que medra por aí.


Dia desses, eu quase fui trucidado por alguns vizinhos em Gramado, tudo porque resolvi derrubar 11 árvores. Queixaram-se à Prefeitura, fizeram um auê. Mas deram logo com os burros n’água, porque eu tomara o devido cuidado de solicitar à Prefeitura autorização para o abate, como prevê a lei. Ela me foi prontamente concedida, pois os exemplares visados eram acácias negras com mais de 14 anos, eucaliptos brancos e vermelhos e alguns ciprestes. Todos os exemplares eram exóticos e estavam em zonas lindeiras, oferecendo risco, inclusive, à segurança das pessoas e à integridade material das propriedades vizinhas.


Qualquer mentecapto deveria saber que uma acácia negra precisa ser derrubada depois de 10 anos, se não, pode cair de podre. Já os eucaliptos, ninguém precisa dizer que são árvores de corte, exóticas, que contribuem pouco para a qualidade do nosso ecossistema, a não ser quando plantadas especificamente para o corte. Não há porque os termos em zona urbana. Quanto aos ciprestes, tirei quatro, dos sete que havia no terreno, para, justamente, permitir a entrada de luz solar e substituí-los por espécimes nativas e frutíferas. O biólogo da Prefeitura elogiou minha ação. Mas os vizinhos aratacas surtaram. O mais exaltado era um senhor grisalho, comprovando que, diferentemente do que muitos supõem, a alienação com relação à natureza e à biologia vai muito além da juventude.


Noutro dia, passeava eu pela Vila Assunção, em Porto Alegre, quando vi a coitadinha de uma extremosa, numa praça, tomada de erva de passarinho. As extremosas não são nativas, mas são arvorezinhas encantadoras, que colorem o verão com a sua floração intensa e pintalgam o outono na sua condição caducifólia. Não incomodam ninguém, suas raízes são contidas e suas dimensões limitadas. Por outro lado, sabe-se o quão nociva pode ser a terrível erva de passarinho. Há meses aquela pobre arvorezinha estava assim, sem receber os cuidados necessários da SMAM. Então, resolvi tomar uma atitude e fui arrancar eu mesmo o parasita deletério. Eis que surge, retumbante, de uma casa de fronte uma moradora indignada por que eu estaria depredando a extremosa….! Nem adiantou argumentar: a erva era verde e tudo o que é verde para essa gente sem noção é bom. Simples assim. Ficou lá a extremosa, a ser sugada pelo parasita. E a doidivanas da praça achando que tinha ganho o seu dia na luta para salvar o planeta.


Nunca aconteceu com vocês?


Recentemente reverberaram por prestigiosas colunas críticas à derrubada dos ficos e ligustros na Praça da Alfândega. A derrubada estava aprovada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e era mais do que justificável, pois estas espécies exóticas possuem copa cerrada, que bloqueia a entrada e luz solar, sufocando as demais, sem mencionar suas raízes agressivas, que prejudicam o encanamento e o calçamento. Além disso, seriam substituídas por encantadores ipês amarelos, árvores nativas muito apreciadas pela fauna e notadamente decorativas. O que mais me impressionou na queixa vazada pela imprensa era que partia de cidadãos cultos, professores universitários, jornalistas experientes… Num indicativo muito claro de que estamos errando fragorosamente no nosso sistema educacional, pois há muito tempo estamos produzindo gerações de pessoas alienadas da natureza. Essas pessoas agora se descobrem paladinos da luta verde e convertem-se em furibundos defensores das macegas que crescem pelos cantos das calçadas. E a quem interessar possa, vale lembrar que as praças e parques são locais de paisagismo urbano – não tem o menor cabimento aceitar ali qualquer macega, pois há um projeto paisagístico que precisa ser preservado. Bom, pelo menos deveria haver, pois isso é civilização e cultura!


Outro dia, postei aqui no blog link para um lúcido artigo da Camille Paglia no qual ela criticava exatamente essa dissociação do ensino universitário com a vida real. Quando professores universitários, alguns até apopsentados, resolvem defender os ligustros e os ficos da Praça da Alfândega, esta tese fica mais do que comprovada!


Aliás, em se tratando da Praça da Alfândega, eu iria ainda mais longe. Eu adoro os guapuruvús: são lindos, altos, esguios, quase uma escultura modernista, com magnífica floração amarela na primavera. O problema é que são árvores que caem, com enorme freqüência, sobretudo depois de uma certa idade. Ora, os guapuruvús da Praça da Alfândega são imensos e já bem antigos. Eu gostaria de ver um laudo da SMAM sobre a segurança que eles oferecem aos freqüentadores da Praça…


E falando em SMAM, na esquina das Avenidas Copacabana e Wenceslau Escobar, na Tristeza, havia uma casinha, que foi demolida para dar lugar a um empreendimento comercial. Até aí, tudo normal. O lance é que o prédio ali erguido foi obrigado a desviar duas velhas árvores. Criou-se uma forma arquitetônica meio esdrúxula. A medida seria mais do que elogiável, não estivessem estas árvores condenadas e definhando a olhos vistos. Uma delas, cuja qualidade agora não me recordo, estava completamente tomada de erva de passarinho e já tinha um de seus lados necrosado; a outra, era uma araucária, que de tão velha, já formara a taça. E se tratava de uma araucária especialmente raquítica, indicando que crescera em solo impróprio e jamais conseguira se desenvolver convenientemente. De fato, o motivo pelo qual as araucárias não se adaptam bem em Porto Alegre é que elas necessitam de solos profundos, o que existe na serra, mas não na Capital. Para piorar a situação, essa árvore fanava a olhos vistos, já tendo vários galhos ressequidos e pelados. Estava morrendo, de velha, de fraca. Nesse caso, o melhor seria abreviar o suplício e cortá-la de uma vez! Mas, não! É verde! E a SMAM, que não dá conta de limpar as ervas de passarinhos das árvores, não deixou derrubar aquelas duas agonizantes, num claro indício de que a histeria eco-urbanóide chegou aos técnicos. Melhor seria ter determinado aos construtores do prédio que as derrubassem e ali plantassem exemplares nativos, em substituição.


É esse tipo de dissociação que está tomando conta da nossa Câmara de Vereadores. Nossos Vereadores podiam estar propondo soluções criativas para a cidade, mas preferem paralisá-la com essa discussão sobre os 60 metros de área de restrição à construções por 60 quilômetros de orla. Se estivessem efetivamente preocupados com o bem estar da população de Porto Alegre e com o ambiente da cidade, teriam, por exemplo, entregue à Governadora e ao Ministério Público uma moção exigindo que os incendiários dos Campos de Cima da Serra fossem severamente multados e, até, enjaulados. Afinal, o fogo que eles produzem contribuiu para o aquecimento global e ajudou a levar as emergências dos hospitais da Capital a um colapso sem precedentes. Imaginem o impacto que uma moção assim não teria junto ao Governo! E coloco aqui o Ministério Público também porque quando todos os agentes Executivos falham, é no ente ministerial que depositamos nossas esperanças. Foi por isso que a sociedade outorgou-lhe o poder que esgrime desde a Constituição de 1988. E é triste constatar que no caso dos incêndios criminosos nos campos, o Ministério Público nada tem feito. Mas, não, os Vereadores preferem perder-se em debates infrutíferos e delirantes.


Mais exemplos? Em Copacabana, no Rio de Janeiro, será instalada uma usina de biodiesel para reciclar o óleo de cozinha dos bares e restaurantes. Esse óleo normalmente é despejado nos esgotos, prejudicando sobremaneira o meio ambiente e ajudando a entupir tubulações. O biodiesel que seria produzido a partir daí, seria utilizado para movimentar os caminhões de lixo da Prefeitura, reduzindo gastos com combustível e a emissão de CO2. O equipamento todo para a usina custa menos de R$ 250 mil reais, o que estabelece retorno garantido para a iniciativa. Ou seja, a Prefeitura ainda terá lucro!


Por quê não propor algo parecido para Porto Alegre? Por quê não ajudar o Executivo a encontrar soluções criativas e eficazes?

Mais Fumaceira

24 de agosto de 2010 3

A paisagem que se descortina no trajeto entre Gramado a Terra de Areia é deslumbrante. Há várias micro-regiões. Tenho especial apreço pela região dos Campos de Cima da Serra. Entretanto, dessa vez, a visão que se tinha ao passar por ali era desoladora. Divisava-se da estrada grandes extensões de queimadas. Algumas haviam visivelmente começado junto à rodovia, reforçando a suspeita de que tiveram por origem baganas de cigarro lançadas por motoristas irresponsáveis. Mas alguns campos ardem numa extensão tão ampla que nos assalta a dúvida sobre a intencionalidade da queimada. O povo da região de fato confirma que alguns vizinhos atiçam fogo nos campos, com a intenção de renovar a pastagem, gretada pela seca e amarelecida pelo gelo do inverno. Isto, apesar das placas à beira da rodovia sinalizando serem as queimadas crime passível de punição.


As conseqüências dessa ação não poderiam ser mais danosas. Parei no Café Tainhas, onde se encontra sempre um café honesto e um delicioso pastel de carne. A fumaça era tanta que os olhos ardiam. São, portanto, inegáveis os prejuízos para a saúde humana. As atendentes contaram-me terem chamado os bombeiros num outro dia, pois o fogo ameaçava as propriedades do entorno. Isto, sem mencionar a fauna e a flora que são prejudicadas com as queimadas, que ainda contribuem para piorar o aquecimento global. A região está coalhada de reservas florestais! Finalmente, cidades circunvizinhas são atingidas pela sufocante fumaceira, incluídos aí destinos turísticos como São Francisco, Canela e Gramado.


É lamentável. Não entendo como é que a comunidade da região consegue conviver com vizinhos canalhas que incendeiam propositalmente os campos. Onde estão as autoridades policiais, administrativas e judiciárias, que nada fazem? Basta enjaular um ou dois desses bestas-feras incendiários que o resto da turma se acomoda. Acho que as Prefeituras de cidades como Gramado e Canela deveriam exigir indenização do povo de São Francisco de Paula e Cambará do Sul. Afinal, o lixo tóxico produzido por alguns daqueles cidadãos, com a cumplicidade silente dos demais, está prejudicando a saúde e a economia de seus habitantes. Sim, claro, quem é que vai querer ir para um destino turístico engolido pela fumaceira? Para ter problemas respiratórios, sair com os olhos irritados e com o corpo fedendo a fumaça?


Ouvi dizer que a fumaceira está chegando à região Metropolitana. Em Porto Alegre, falou-se que a causa da chuva ácida cor-de-laranja que caiu dia desses residia nas queimadas no Centro do País. Pode ser… Mas o fato é que há cidadãos gaúchos, criminosos, colaborando para produzir esse flagelo. É uma vergonha para um estado que se pretende civilizado e ilustrado.


Está na hora de uma ação mais efetiva contra os criminosos dos Campos de Cima da Serra.

Estradas

24 de agosto de 2010 3

Ontem atravessei a região dos Campos de Cima da Serra, no Rio Grande do Sul, pois foi a rota que escolhi para seguir de Gramado a Florianópolis. De Tainhas até Terra de Areia, a estrada esta excelente. Finalmente foi concluído esse trecho da chamada Rota do Sol. Em compensação, o percurso entre São Francisco de Paula e Tainhas continua com o asfalto debulhado em vários pontos, representando desgaste para o carro e risco para o motorista. Esta situação já está assim há vários anos, mas nada é efetivamente providenciado. Todavia, nada que se compare com o suplício da BR 101. É absolutamente inaceitável que a duplicação de uma estrada consuma mais de sete anos. Restam ainda vários trechos com desvios ao sul de Palhoça. E nos trechos aonde já se registra a duplicação, a sinalização é precária, tornando a viagem um risco, sobretudo para quem dirige à noite. Porém, não há dúvida de que a situação já está muito melhor do que há sete anos atrás. A questão é, porque esta duplicação se arrasta dessa maneira? Quando será concluída?