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Posts na categoria "Mundo"

Novas chamadas de artigos para a revista Interfaces, Brasil/Canadá

25 de maio de 2013 0



Caros, reproduzo abaixo novas chamadas para artigos na revista Interfaces, Brasil/Canadá, órgão oficial da Abecan (Associação Brasileira de Estudos Canadenses), uma publicação acadêmica junto a qual atuo como editor.


Interfaces 17/2013 (Relações Canadá/ América Latina)

Editores convidados:

Profa. Dra. Elena Palmero González (Universidade Federal do Rio de Janeiro)

Prof. Dr. Hugh Hazelton (Concordia University)

Data para envio de textos: 30 de agosto 2013

Edição da revista: 30/12/2013


Relações Canadá/América Latina: economia, política, história, sociedade (sociologia e antropologia), cultura artística e literária (artes plásticas, música, literatura). Gestão pública e movimentos sociais. Políticas de colaboração, transferências tecnológicas e movimento intelectual entre América Latina e Canadá. Diásporas latino-americanas no Canadá. A formação cultural latino-canadense: extraterritorialidade, bilinguismos, poéticas do deslocamento. O sujeito interamericano e a tradução cultural e literária. Relações literárias transamericanas: a literatura latino-canadense.



Interfaces 17/2013 (Relations between Canada and Latin America)


Invited Editors:

Elena Palmero González (Universidade Federal do Rio de Janeiro)

Hugh Hazelton (Concordia University)


Relations between Canada and Latin America: economics, politics, history, society (sociology and anthropology), artistic and literary culture (fine arts, music, literature). Public administration and social movements. Collaborative programs, technology transfer and intellectual exchange between Latin America and Canada. The Latin American diaspora in Canada. The formation of Latino-Canadian culture: extraterritoriality, bilingualism, the poetics of migration. The Inter-American subject and cultural and literary translation. Trans-American literary relations: Latino-Canadian literature.

Interfaces 17/2013 (Relations entre le Canada et l’Amérique latine)


Éditeurs invites:

Elena Palmero González (Universidade Federal do Rio de Janeiro)

Hugh Hazelton (Concordia University)


Relations Canada/Amérique latine : économie, politique, histoire, société (sociologie et anthropologie), culture artistique et littéraire (arts plastiques, musique, littérature). Gestion publique et mouvements sociaux. Politiques de collaboration, transferts technologiques et mouvements intelectuels entre l’Amérique latine et le Canada. Diaspora latino-américaine au Canada. La formation culturelle latino-canadienne : extraterritorialité, bilinguisme, poétiques de migration. Le sujet interaméricain et la traduction culturelle et littéraire. Les relations littéraires transaméricaines: la littérature latino-canadienne.


Interfaces 17/2013 (Relaciones Canadá/ America Latina)

Editores invitados:

Profa. Dra. Elena Palmero González (Universidade Federal do Rio de Janeiro)

Prof. Dr. Hugh Hazelton (Concordia University)


Relaciones Canadá/América Latina: economía, política, historia, sociedad (sociología y antropología), cultura artística y literaria (artes plásticas, música, literatura). Gestión pública y movimientos sociales. Políticas de colaboración, transferencias tecnológicas y movimiento intelectual entre América Latina y Canadá. Diásporas latinoamericanas en  Canadá. La formación cultural latinocanadense: extraterritorialidad, bilingüismos, poéticas del desplazamiento. El sujeto interamericano y la traducción cultural y literaria. Relaciones literarias transamericanas: la literatura latinocanadense.



Número 18, Interfaces Brasil-Canadá, jan.-jun. 2014

Editora convidada: Zilá Bernd (Unilasalle/UFRGS)

Prazo de envio dos artigos: 15 de março de 2014


O papel da Memória Social em territórios multiétnicos e transculturais, como o Brasil e o Canadá. Refletir sobre o papel da memória coletiva e social em contextos de hibridação cultural; discutir o novo papel da memória social em territórios culturais marcados pela diversidade e pelo caráter relacional que se estabelece a partir das passagens inter e transculturais. A partir do pensamento fertilizador de pesquisadores do Quebec como Fernand Dumont, que nos fala do futuro da memória; Jocelyn Létourneau, que propõe uma nova relação com a cultura, “como memória e como horizonte”; ou Gérard Bouchard, que alerta para os “jogos e nós de memória”, verificar nas práticas sociais, na história cultural e na literatura o papel inovador que pode assumir a Memória social, em tempos de globalização.

Numéro 18, Revue Interfaces Brasil-Canadá, jan.-juin 2014

Éditrice invitée : Zilá Bernd (Unilasalle/UFRGS)

Délai pour la remise des articles : le 15 mars 2014

Le rôle de la Mémoire Sociale dans des territoires multiethniques et transculturels comme le Brésil et le Canada. Réfléchir sur le rôle de la Mémoire sociale et collective dans des contextes d´hybridation culturelle; discussion sur le nouveau rôle de la mémoire sociale dans des territoires marqués par la diversité et par le caractère relationnel qui s´établit à partir des passages inter et transculturels. Ayant pour base les fertiles propositions des chercheurs québécois comme Fernand Dumont, qui nous parle de l´avenir de la mémoire; comme Jocelyn Létourneau, qui propose une nouvelle relation avec la culture « comme mémoire et comme horizon » ; ou Gérard Bouchard qui attire notre attention sur « les jeux et les nœuds de mémoire », vérifier dans les pratiques sociales, dans l´histoire culturelle et la littérature le rôle innovateur qui peut jouer la Mémoire Sociale en temps de mondialisation.


Number 18, Interfaces Brasil-Canadá, jan.-june 2014

Guest editor: Zilá Bernd (Unilasalle/UFRGS)

Deadline for submissions: March 15, 2014

The role of Social Memory in multiethnic and transcultural territories such as Brazil and Canada. Reflecting on the role of collective and social memory in cultural hybridity contexts; discussing the new role of social memory in cultural territories marked by diversity and by a relational character that establishes itself from inter and transcultural passages. Originating from the fertilizing thoughts of Quebec researchers as Fernand Dumont, who discusses the future of memory; Jocelyn Létourneau, who proposes a relationship with culture, “as memory and as horizon”; or Gérard Bouchard, who warns about the “games and knots of memory”, to verify in social practices, in cultural history and in literature the innovative role that Social Memory can represent in globalizied times.

A lenta unificação italiana

25 de maio de 2013 0

O desaparecimento do Império Romano provocou uma involução política na península italiana, pela fragmentação: cada região tornou-se um paese. Esse espírito localista ficou conhecido como “mentalidade de campanário”. O território, dividido entre 60 cidades que se intrigavam constantemente, era convite à invasão estrangeira, sendo disputado pela França, Espanha e Áustria. Os italianos mostraram-se incapazes de se unir, cada qual tentando tirar algum proveito da ocupação estrangeira para usá-la contra os rivais locais: Milão X Veneza X Gênova; Florença X Pisa, e assim por diante. Além disso, o Sacro Império Romano-germano (fundado por Otão em 962) fraturava-se entre gibelinos e o papado (guelfos), cada qual tentando hegemonizar o controle político, polarizando entre si ao longo da Idade Média.

A situação desesperava intelectuais. Dante, em 1310, escreveu um ensaio propondo um acordo entre o papado e o Sacro Império. Petrarca, em 1347, celebrou a grandeza romana passada nos poemas África e Canção da Itália. Maquiavel sonhou com um príncipe capaz de liderar unificação em 1513. Mas o Renascimento do Humanismo e da Ciência, entre os séculos XV e XVI, não conseguiu chegar à política. A Itália permanecia desunida.

Com a Revolução Francesa, a região reviveu o sentimento de voltar a formar uma pátria: Napoleão Bonaparte era de família da Córsega e incendiou a imaginação italiana. Em 1797 fundou a República Cisalpina (que englobava a Lombardia e parte dos estados pontifícios, estabelecidos em 756), mais tarde a rebatizando de República Italiana. Este foi o futuro embrião do estado nacional italiano. Mas durou apenas até 1804.

No Norte, na Lombardia e no Vêneto, o nacionalismo se fortificou, como reação à ocupação austríaca, mesmo após a derrota de Napoleão, em 1815. O Sacro Império, encabeçado pelo imperador austríaco, havia assegurado seus direitos sobre esta região pelo Tratado de Rastatt em 1714, não pretendendo dela abrir mão. Mas Napoleão ajudou a disseminar um mito romântico do estado étnico, sedimentando o nacionalismo semeado pela Revolução Francesa.

Dentre os desdobramentos da Revolução de 1848, na França, conhecida como a “primavera dos povos”, estalou uma sublevação contra o domínio austríaco. Mas, apesar de Giuseppe Garibaldi, hábil e corajoso, foi frustrada por inépcia militar e falta de unidade interna. Muitos ainda preferiam suportar o despotismo a aceitar ideias socialistas advogadas por outro líder, Giuseppe Mazzini: defendiam a igualdade política na teoria, mas igualitarismo econômico poucos queriam. Assim, o republicanismo caiu em descrédito.

Entrementes, grupos dominantes por toda a Europa reabilitam a Igreja católica, abalada com o Iluminismo e a Revolução Francesa, pois viram nela uma forma de guardar o populacho contra as “heresias sociais”. O Papado fez novos acordos com Espanha, França, Áustria.

Em 1852, fracassou um levante em Mântua. No ano seguinte, uma sublevação em Milão foi desbaratada. Em julho de 1857, 300 seguidores de Mazzini foram trucidados por camponeses em Sanza, que os tomaram por bandidos. A centelha política do socialismo romântico se apagava.

Depois desses sucessivos fracassos, republicanos e democratas se colocaram a reboque da política de Conde Camilo de Cavour, que passou a liderar a unificação. O Primeiro Ministro do Piemonte, depois de 1848, defendeu o constitucionalismo, investiu em irrigação e modernização da agricultura, renovou a indústria, ativou o comércio (mediante tratados com França, Bélgica e Países Baixos), renovou o sistema fiscal e fortaleceu os bancos. Garibaldi, engenho militar do movimento, aderiu à causa. Mas manteve-se fiel aos princípios republicanos. Quando finalmente foi eleito ao parlamento nacional, criado em seguida à vitória do Reino do Piemonte na 2ª Guerra da Independência (1859), renunciou por se negar a prestar juramento a um monarca.

As principais unidades políticas na Itália, então, eram o Reino do Pimonte (capital Turim), da Lombardia (Milão), a República de Veneza, o Reino das duas Sicílias (Nápoles), os Estados Pontifícios (Roma), o Ducado de Parma e o Ducado de Módena. Cavour cerziu uma complicada engenharia militar-diplomática. A entrada do Piemonte-Sardenha na malfadada Guerra da Criméia (1853-56) lhe deu voz internacional. Mas as esperanças de Cavour não se concretizaram no Congresso de Paris, que discutiu a paz, e a questão italiana não entrou na pauta das grandes potências.

Em janeiro de 1857, Cavour estabeleceu um tratado secreto com Napoleão III contra a Áustria, pelo qual a França prometia defender a Sardenha em caso de ataque. Napoleão não desejava enfraquecer o Papa, mas estava de olho nas sobras de eventual esfacelamento de possessões austríacas na região. Cavour, assim, provocou Viena, que abriu hostilidades em abril de 1959. Em 4 de junho desferiu-se a grande batalha de Magenta, com derrota austríaca. Em seguida, no dia 24, o embate sanguinário de Solferino. Napoleão ficou deprimido com a matança e temeroso de que Prússia se aliasse à Áustria, precipitando o concerto da paz com Francisco José, Imperador austríaco, sem consultar seus aliados sardos. Cavour quis que a Sardenha prosseguisse sozinha na luta e renunciou ao cargo quando o pragmático rei do Piemonte, Vitor Emmanuel, aceitou a decepcionante paz. A Sardenha ganhou a Lombardia, mas Veneza permaneceu em poder austríaco.

Plebiscitos, então, foram desferidos em Parma, Modena, Romania e Toscana, que decidiram se unir à Sardenha. Partidários da União se lançaram contra Roma e Nápoles. Garibaldi desembarcou com os famosos Mil na Sicília e se apoderou da ilha. Semanas depois, foi recebido em Nápoles como libertador. Estava a ponto de avançar sobre Roma, quando Cavour, reposto no cargo, frustrou a investida, temendo que as potências católicas acudissem o Papa Pio IX e o processo de unificação refluísse. Em 17 de março de 1861, foi proclamado novo Reino da Itália, tendo Victor Emanuel por rei e o Statuto piemontês de 1848 por Constituição.

Cavour morreu em 6 de junho de 1861, esgotado pelos esforços. A Itália unificada era já uma realidade, mas o processo não terminara. Em 1866, na chamada IIIª Guerra da Independência, italianos liderados pelo intrépido Garibaldi lutaram contra os austríacos para libertar Veneza, logrando êxito. Mas um tratado foi assinado antes de conseguirem capturar Trento, que só aderiu à Itália na Primeira Guerra Mundial. Roma, por sua vez, continuava sob domínio papal. Em 1870, a guarnição francesa que protegia o Papa se retirou da cidade, invadida então pelas tropas de Vitor Emmanuel, que encerraram o Papa no Vaticano. Seria preciso esperar pelo século XX para que um acordo entre a Itália e o papado se firmasse.

A Revolução de 1848 na Prússia e na Áustria

20 de abril de 2013 2

O Congresso de Viena, entre 1814 e 1815, fixara a divisão das Alemanhas em 39 reinos, ducados e cidades livres, que tinham em comum apenas o idioma alemão. As fronteiras dessa Confederação Germânica mais ou menos correspondiam às do antigo Sacro-Império Romano-Germânico, mas a quantidade de membros diminuiu. Todos mantinham a autonomia, mas se comprometiam com mútua defesa.

A Prússia e a Áustria, que dominava a Dieta, espécie de congresso, localizada em Frankfurt, eram as principais potências da região. A estrutura econômica era basicamente feudal, a exceção da Prússia, mais industrializada, que desde 1834 capitaneava a Zollverein, uma união aduaneira paralela à Confederação, mas que não incluía a Áustria, Hamburgo, Bremen e Holstein. Grande parte do território da Áustria e também parte da Prússia não integrava esta liga, o que lhes permitia atuar como países autônomos.

A dinâmica dos votos na Dieta era complexa. Os votos não representavam cidadãos, ou eleitores, mas monarcas e países: 23 membros menores compartilhavam cinco votos; seis outros Estados contavam um voto cada – os reis da Baviera, Saxônia, Vürttemberg, o príncipe-eleitor de Hesse e os grão-duques de Baden e do Hesse; as cinco cidades livres de Lübeck, Frankfurt, Bremen e Hamburgo compartilhavam um voto; três estados eram governados por soberanos estrangeiros – os reis da Dinamarca, dos  Países-Baixos e do Reino-Unido (até 1837) eram membros da Confederação Germânica como, respectivamente, duque de Holstein, grão-duque de Luxemburgo (sem raízes germânicas) e rei de Hanôver, com um voto cada. A Confederação seria extinta apenas em 1866.

A partir da revolução de 1848 na França, marcada pela abdicação de Luís Felipe I, sublevações eclodiram em Viena, Berlim e em outras cidades, cerzindo uma aliança entre operários e burgueses em torno de almejadas reformas liberais e autonomistas, no movimento conhecido como a Primavera dos Povos. A Hungria, a Boêmia, a Polônia e a Lombardia exigiram independência da Áustria.

Em março, o todo-poderoso ministro das relações exteriores austríaco Metternich fugiu para a Inglaterra e o Imperador Francisco I precisou outorgar uma Constituição. Um novo levante, em maio, obrigou-o a convocar uma Assembleia Nacional, eleita pelo sufrágio universal masculino – a primeira da história da autocrática Áustria.

Mas burguesia, temerosa diante do que identificava por radicalismos, voltou atrás, optando por sujeitar-se a um governo centralizado. O exército sufocou a revolta e em outubro o novo primeiro-ministro Schwarzenberg dissolveu a Constituinte. Fernando I abdicou em favor de seu sobrinho Francisco José, que restaurou o absolutismo da tradicional casa dos Habsburgo.

Enquanto isso, em Berlim barricadas e confrontos com tropas obrigaram o Rei Frederico Guilherme IV a convocar uma Assembleia, em maio. O nacionalismo alemão era uma força de coesão, ao passo que no multiétnico Império Austríaco funcionava como fator desagregador. Mas os debates se arrastaram. Até que uma revolta da população de Schleswig e Holstein contra Frederico VII da Dinamarca precipitou decisão da Assembleia, pois a Prússia foi comissionada para intervir militarmente em defesa dos alemães daqueles reinos, numa fórmula mais patriótica do que parlamentar.

A solução para o impasse foi assim um Reich Federal, com parlamento nacional presidido pelos Hohenzollern, reis da Prússia. O projeto de Constituição acolheu no capítulo dos direitos fundamentais o que havia então de melhor nas liberdades gerais, inclusive o voto universal. Mas Guilherme IV recusou a coroa da nova Alemanha, porque oferecida por uma Assembleia popular, e não pelo direito divino e dinástico, repelindo a Constituição.

Foi grande a frustração dos liberais. O processo de unificação estagnou e a revolução foi enfraquecida. Em protesto, uma minoria radical se reuniu em Stuttgart, mas as sessões eriçadas foram interrompidas pelos soldados de Würtemberg, em junho de 1849.

Assim, fracassou a via parlamentar para a unificação alemã e o arrogante Guilherme IV, sabotando a Constituição, perdeu a chance de conduzir o processo. Diante do vácuo de poder, Schwarzenberg, em Viena, decidiu reconstituir a débil Dieta. Precipitando-se choques entre as chancelarias Berlinense e Vienense, o czar Nicolas I da Rússia apoiou Áustria. Para não se expor a uma guerra, Guilherme IV recuou. Assim, a projetada União Prussiana foi dissolvida e a Dieta da Confederação Alemã se reestabeleceu. Foi um revés humilhante para a diplomacia Hohenzollern.

A Europa central terminou o ano de 1849 com a restauração dos princípios arbitrários. O único avanço foi o Landtag prussiano, um parlamento controlado pela burguesia que podia aprovar novas leis, mas não elegia ministros. Seria preciso a Prússia de Otto von Bismarck nos anos 1860 para a unificação alemã avançar, mas dessa vez sobre bases militaristas e autoritárias. Já o velho império do Danúbio permaneceria como um anacronismo, até ser abatido pela força dos novos acontecimentos.

A Revolução Francesa de 1830

25 de fevereiro de 2013 0

O Rei da França, Luís XVIII, irmão do decapitado Luís XVI, foi entronado pelas potências europeias reunidas no Congresso de Viena, em 1814/15, após o fim das Guerras Napoleônicas: depois da Revolução Francesa e de Napoleão Bonaparte, a França voltava aos braços dos Bourbons. Ele estava conseguindo alcançar em seu país o difícil equilíbrio entre forças liberais e conservadoras, mas morreu em 1824. Sucedeu-o seu irmão mais moço, o intransigente Carlos X, que em cinco anos fez tudo o que não devia: pretendeu recompensar a velha nobreza em detrimento da burguesia já relativamente consolidada, prestigiou o clero e desprezou necessidades do povo. Pelas Ordenanças de 25 de julho de 1830, impôs censura total à imprensa, tentou um golpe de Estado e dissolveu a Câmara, de maioria liberal, recém-eleita. Foi a gota d’água.

O contexto era delicado. Havia uma crise de subprodução agrícola, importando na alta dos gêneros alimentícios, e entorpecimento da atividade industrial. O comércio sofrera com o bloqueio marítimo durante o período napoleônico e só começara a se recuperar depois de 1825. A indústria, por seu turno, amargara um duro golpe depois da queda de Napoleão Bonaparte, perdendo mercados cativados com a expansão da influência política e militar sobre a Europa. Agravava o quadro certa timidez intrínseca ao capital francês, tradicionalmente mais voltado para mercados locais, bem como a falta de visão dos estadistas – na Bélgica, por exemplo, o governo alavancava o desenvolvimento, criando ferrovias estatais. Com o dobro da superfície e da população da Inglaterra, a França patinava, não igualando nem de perto a indústria britânica. Falências de estabelecimentos fabris se precipitavam, o desemprego urbano crescia e, junto com ele, o descontentamento popular. Em paralelo, as ideias liberais varriam o continente, apesar do refluxo imposto pelo Congresso de Viena, de modo que o reacionarismo de Carlos X era percebido como extemporâneo. Nem mesmo a bem-sucedida campanha militar na Argélia, que deu início à longa ocupação colonial francesa no país africano, melhorou a popularidade do rei com fumaças absolutistas.

Assim, o povo, mais uma vez, se sublevou em Paris. Os protestos foram iniciados pela burguesia. Banqueiros e agiotas suspenderam operações; industriais fecharam as fábricas, precipitando os trabalhadores com medo do desemprego às ruas. Jornalistas liberais inflamaram as multidões. Barricadas foram armadas pela cidade, e enfrentamentos aconteceram durante os chamados Três Dias Gloriosos, de 26 a 28 de julho.

A Guarda Nacional, lançada contra a massa, como já o fizera durante a Revolução Francesa, acabou negando-se a prosseguir com a repressão. Carlos X foi, desse modo, derrubado em 2 de agosto. Morreu seis anos depois, no exílio. Substituiu-o seu filho, Luís Antônio, que também abdicou 20 minutos depois em favor do sobrinho do decaído, Henrique, último rei da dinastia Bourbon, o qual permaneceu apenas sete dias no trono. Liberais lograram coroar Felipe de Orleans. A indicação não apenas era uma garantia às pretensões absolutistas dos antecessores, como ainda colocava um freio nos excessos da massa amotinada: a lembrança de 1789 ainda estava viva na memória.

O clima revolucionário daqueles dias está retratado no célebre romance de Vitor Hugo Os Miseráveis. Um famoso quadro do pintor Delacroix, A Liberdade guiando o Povo, também remete às lutas de 1830. No centro da Praça da Bastilha, em Paris, ergue-se a Coluna de Julho, monumento de 47 metros, inaugurado em 1840. Ornado em bronze e encimado por uma alegoria colossal do Espírito da Liberdade, em sua base repousam os restos mortais das 615 vítimas da Revolução de Julho.

Os eventos de julho de 1830 representaram menos uma revolução do que a confirmação da Constituição de 1814, ameaçada por Carlos X. A Carta foi liberada de ambiguidades, explicitando-se a constitucionalidade da monarquia, representativa e responsável. O direito ao voto se estendeu de 100 mil para 250 mil eleitores, todos proprietários, conformando 1% da população. As garantias liberais, portanto, ficaram relativamente restritas. Luiz Felipe, por sua vez, tornou-se o célebre Rei Burguês. Mas seu compromisso com a burguesia também encontrava limites, pois seu governo privilegiou a aliança com banqueiros, cujos interesses nem sempre coincidiam com os dos industriais e comerciantes de vários estratos.

Como de outras vezes, a erupção de ânimos na França detonou uma onda de reação em cadeia pela Europa, sendo o componente nacionalista combinado com o liberal. Levantes se registraram na Bélgica, em regiões da Itália ainda não unificada, em diversos estados alemães e na Polônia. Todos esperaram em vão o apoio francês, que nunca chegou.

As mudanças mais importantes aconteceram na Bélgica, que deixara de ser um domínio do Império Austríaco e estava associada à Holanda no Reino dos Países Baixos, por decisão do Congresso de Viena, desde 1814. Agora, conquistava independência, coroando o Rei Leopoldo. Foi decisivo o apoio dissuasório da frota inglesa, senhora dos mares. A partir daí, a Bélgica abraçou a posição diplomática de neutralidade perpétua.

Portugal também conseguiu registrar sucessos. Dom Pedro I renunciou à coroa no Brasil, onde crescia sua impopularidade, em favor do filho, Dom Pedro II. Tornou-se Dom Pedro IV em Portugal e liderou uma bem-sucedida revolução contra o domínio retrógrado do irmão Dom Miguel. Em 1834, o país ganhou uma Constituição de matizes liberais. Também na Espanha, as pretensões reacionárias de Carlos de Borbón foram frustradas pela guerra civil de 1833 a 1840. Na Suíça, ainda, o liberalismo se afirmou.

De modo geral, entretanto, forças reacionárias prevaleceram na Europa Oriental. A França constitucional seguiu a Inglaterra e se apartou da cega rigidez do programa da Restauração. Ambas as nações eram economicamente progressistas, haviam rompido com o feudalismo e simpatizavam com vizinhos menos avançados que buscavam emancipação política. A Europa daqueles anos se dividiria entre países com governos representativos, de um lado, e países com despotismo monárquico, de outro, liderados pela Áustria, pela Prússia e pela Rússia.

A Era da Restauração

13 de janeiro de 2013 1

O ano de 1815 é considerado por muitos historiadores como o umbral lógico do século XIX para a Europa. A Revolução Francesa e as Guerras Napoleônicas haviam agitado as rígidas instituições do Antigo Regime. Agora, com a queda de Napoleão Bonaparte, as nações vitoriosas estavam ansiosas por reparar as estruturas ressentidas das monarquias não constitucionais e antiliberais. Depois de 25 anos de revoluções e guerras ininterruptas, estadistas reacionários reuniram-se, entre 2 de maio de 1814 e 9 de junho de 1815, em Viena, capital do antigo Império Austríaco, objetivando restabelecer a paz. Os debates foram protagonizados pela Áustria, Prússia, Rússia e Reino Unido, mas com participação da derrotada França e de nações menores, como Portugal, Espanha e Suécia.

Os termos foram desenhados no Tratado de Paris, firmado em 30 de maio, pelo qual se impunha o pagamento de indenizações pela turbulenta França. Mesmo diante do regresso fugaz do Imperador Napoleão, em março de 1815, para o chamado Governo dos 100 Dias, prosseguiram as discussões. As conclusões do Congresso de Viena foram fixadas nove dias antes da derrota final de Napoleão na célebre batalha de Waterloo, em 18 de junho, em território belga.

Nortearam os trabalhos os princípios da legitimidade, da restauração e do equilíbrio, pelos quais se procurou reinstalar no trono os monarcas afastados por Napoleão. Consideraram-se legítimas as fronteiras vigentes antes de 1806, mas admitiu-se certo redesenho com base numa noção fabricada de equilíbrio entre as nações. Decidiu-se ali que os valores contrarrevolucionários e a imobilidade dinástica seriam mais estáveis. O propósito não era reviver o cortejo de injustiças do Antigo Regime, mas alcançar a segurança.

Além da afirmação política da Áustria, Rússia, Prússia e Inglaterra sobre uma França eclipsada, o período ali inaugurado seria marcado pelo avanço maciço do processo de mecanização da indústria e pela incontestável supremacia naval da Inglaterra, cuja frota não seria ameaçada em qualquer parte do globo terrestre.

A Áustria, depois de quatro vezes derrotada pelas aplastantes campanhas napoleônicas, mostrou um surpreendente poder de recuperação. Viena foi eleita a sede do Congresso da Paz, graças ao espírito empreendedor de Klemens von Metternich, Ministro das Relações Exteriores. O Império do Danúbio, reino dos Habsburgo, havia se convertido num anacronismo na era dos estados nacionais, com uma sociedade feudal e aristocrática, formada e segmentos múltiplos (minorias alemãs, húngaras, polacas, checas, croatas, italianas…), mas tinha tradição e orgulho dinástico. O colapso da França fez da Áustria o centro das forças conservadoras. Os Habsburgo perderam alguns territórios, como a Bélgica, mas conservavam Veneza e Lombardia. O Sacro Império Romano-Germânico, ficção arcaica encabeçada pelo Imperador austríaco e desbaratada em 1806, não renasceu, mas reencarnou na nova Confederação Alemã, uma liga de 38 estados que se reuniam em Frankfurt numa assembleia chamada Dieta, que representava os soberanos, mas não o povo. Grande parte do Reino da Prússia e do Império Austríaco não foi incluída, contudo, na Confederação, enquanto reinos como Holstein, Luxemburgo e Hanôver eram representados por soberanos estrangeiros.

A Prússia também recuperou o antigo prestígio: ganhou parte da Saxônia, a Pomerânea Sueca e confirmou possessões dos Hohenzollern, seus soberanos, mas convalesceu uma década até se recuperar do esforço de guerra contra a França. A Rússia foi representada em Viena pelo próprio Czar Alexandre I, paradoxal autocrata com veleidades liberais sucedido pelo irmão Nicolas I em 1825, o qual sufocou de vez os brilhos liberais na região. A Rússia ganhou maior parte da Polônia (partilhada pela quarta vez entre as potências) e manteve a Finlândia, conquistada em 1809, e a Bessarábia (1812): saiu das guerras revolucionárias com conquistas mais extensas do que qualquer outro Estado.

A Dinamarca perdeu a Noruega (um milhão de habitantes) para a Suécia, porque esta abandonou a causa francesa em 1812. A Saxônia, elevada a dignidade de reino por Napoleão, perdeu como punição 2/5 do território para a Prússia. O Reino Unido dos Países Baixos foi criado como estado tampão ao norte da França, com 3 milhões de belgas e 1 milhão de holandeses, súditos de Guilherme I de Orange. A independência da Suíça foi garantida. A casa de Savóia foi restaurada no Piemonte-Sardenha. Em Nápoles, um pretendente Bourbon foi coroado rei das Duas Sicílias. Os estados papais voltaram a estar sujeitos a Roma. Portugal e Espanha retomaram sua autonomia.

Luís XVIII se apresentou como herdeiro o trono francês e seu embaixador Talleyrand convenceu as 4 potências que se deveria devolver uma França intacta aos Burbons. Três anos mais tarde os exércitos de ocupação se retiraram, mas permaneceu um povo com sentimento de derrota governado por uma monarquia impopular.

A ideia de um governo europeu viabilizado mediante conferências ruiu em seguida, quando a Rússia, a Áustria e a Prússia defenderam intervenção na Espanha, repelida pela Inglaterra. Em 1822, a Inglaterra se afastava da política europeia e o governo inglês, odiado internamente pelos liberais, se tornou a esperança dos liberais no exterior. O domínio naval inglês ajudou a garantir independência de estados latino-americanos, vez que pretensões de Fernando VII da Espanha estavam sendo reconhecidas pela Rússia – senhora dos mares e dona de uma potente indústria, a Inglaterra tinha a lucrar com essas novas nações por meio do comércio. Já o princípio de imobilismo entrou em cheque em 1829, com a guerra de independência dos gregos contra o Império Turco. O chanceler austríaco Metternich chegou a se opor às pretensões dos gregos, mas a Inglaterra, a Rússia e a França acabaram ajudando-os. Mas em linhas gerais, a fórmula alcançada pelo Congresso de Viena durou 100 anos e por 40 anos as grandes potências evitaram recorrer às armas – foi o maior período isento de guerras da Europa desde a paz romana.

Em torno da gênese da Europa

13 de setembro de 2012 0

Não fosse pela crise da Grécia, para quem vê a Europa hoje sua unidade política pode parecer algo dado. Mas não é assim. Em novembro de 1989, ninguém imaginava que o muro de Berlim cairia ou que as Alemanhas se reunificariam.

Em 1945, o tema era tabu na França recém liberta, pois a ocupação nazista impusera a tese de uma Europa unificada sob tacão totalitário. O historiador Lucien Febvre, enfrentando-o, contudo, invocou Marc Bloch: a Europa surgiu como civilização quando o Império romano desmoronou. Não há Europa por natureza, não apenas por causa de sua diversidade geográfica e cultural, mas porque suas fronteiras foram móveis.

Para os gregos antigos, o mundo era uma esfera plana. Como esta abstração lógica previa necessidade de repartição simétrica das terras, a massa oriental foi denominada Ásia (terra do sol nascente) e a ocidental Europa (terra em que a noite cai). A ideia de continente é tardia – aparece em 520 a.C.: Hecateu de Mileto acreditava serem a Ásia e a Líbia (África) juntas do mesmo tamanho da Europa. Heródoto, nascido em 484 a.C, mais crítico, disse ignorar de onde esses nomes vinham, quais os limites dos continentes e se eram mesmo cercados por água. Estrabão, geógrafo, por volta de 20 d.C.  em Roma, já dizia que a Europa e a Líbia juntas não se igualariam à Ásia – sente-se a presença de Alexandre o Grande entre eles. Os continentes são concepções ocidentais, que satisfazem necessidades de generalização e classificação.

O filósofo espanhol José Ortega y Gasset, no início do século XX, considerou a Europa mestiça, mas não incluiu muçulmanos, judeus, africanos, americanos… Mais recentemente, o Ministro da Educação da França, Luc Ferry, disse acreditar numa identidade europeia, baseada no helenismo, no cristianismo e no judaísmo, que, ainda, dialogaria com os EUA. São ainda fórmulas questionáveis.

A Grécia inventou a Europa, mas o mundo grego era mediterrânico. No século XVIII, franceses e prussianos quiseram-se herdeiros de uma Grécia idealizada – diante do perigo persa, a Grécia de fato descobrira a sua identidade, até então fragmentária: se Homero ainda não usava um coletivo para os gregos, Heródoto confrontara a liberdade ao despotismo asiático. O conceito de grego se construiu em oposição ao de bárbaro.

Mas a liberdade dos gregos convivia com a escravidão, marginalização do camponês e subordinação das mulheres. A democracia ateniense era privilégio de 1/10 da Ática. Esse limitado programa democrático perdeu vigência no século IV a. C: a tirania macedônica realizou o sonho de derrota do Império Persa, mas as cidades gregas renunciaram à autonomia.

O milagre grego, segundo o historiador Joseph Fontana, precisa ser desmistificado – de povo criador, para cultura hibridizada. A cultura, contrariamente ao que se acredita, era lá sobretudo oral. Grandes bibliotecas (400 mil rolos em Alexandria) eram instrumentos de controle manipulados por minorias. A escrita apareceu em 3.200 a.C. na Mesopotâmia e foi aprimorada na Fenícia, onde o sistema sumério foi adaptado à fala semítica, com cada signo representando um som consonântico, formas lineares e desenho sobre papiro. Por volta de 800 a.C., os gregos adotaram o prático alfabeto fenício e o enriqueceram com as vogais.

Fala-se nos gregos, mas pouco se sabe dos Etruscos (1200 a 200 a.C), primeira  organização urbana em terras hoje europeias e que tanto legou aos romanos. Já em Cartago, a alfabetização era mais estendida do que entre os gregos, porém Roma apagou sua memória.

Roma não foi um império uniforme. Povos e culturas díspares, submetidos militarmente, se mantinham unidos graças à comunidade de interesses entre elites. Estado patrimonial e oligárquico, tinha ordem social mantida pelo evergetismo, o chamado pão e circo, possibilitando uma cidadania mais expandida. Mas cidades articulavam-se pouco com a área rural, onde funções públicas foram progressivamente privatizadas, com magnatas ampliando clientelas. Quando as cidades caíram diante das invasões bárbaras, sobrou a vida rural.

O cristianismo, por sua vez, sofreu mutações. No início, era essencialmente camponês, em oposição à cidade e à hierarquia do templo, tendo estabelecido relação direta do Homem com Deus. Depois se espalhou pelas cidades gregas orientais, com os grupos de Paulo, no interior do quais mulheres tinham inclusive algum destaque. Finalmente, o Imperador Constantino fundou uma Igreja com autoridade centralizada, verdades admitidas, doutrina unificada. Foi o fim do caráter plural e comunitário e o início da única religião sujeita ao controle de um clero hierarquizado. Não é à toa que Hobbes disse ser o “papado o fantasma do defunto Império romano, que se senta coroado em sua tumba”. O cristianismo oriental foi considerado herético, reavivando o preconceito grego contra os asiáticos. E cristianização foi lenta, com o paganismo subsistindo no campo por séculos e se misturando com a cultura germana e celta. A consciência simbólica do medievo não nasce do Cristianismo, mas é uma variedade da consciência arcaica primitiva.

Entre Roma e a Idade Média há mais adaptação do que ruptura. Os reinos bárbaros tentaram conservar o máximo possível de um Império no qual baseavam sua legitimidade política. Carlos Magno tentou reestabelecer o Império em 800, mas o projeto era regressivo e condenado ao fracasso diante da nova diversidade dos povos.

De qualquer forma, mais importante na Idade Média não é o que ela conserva, e sim o que cria. Não foi uma época de imobilidade: a população duplicou, cultivos se estenderam e cidades estabeleceram vínculos com zonas rurais. Os muçulmanos foram fundamentais, pois trouxeram novos cultivos, formas eficazes de irrigação, o papel (inventado na China), conhecimentos técnicos e científicos, como o sistema numérico indiano. Surgiu uma nova cultura – nem grega, nem romana, mas, agora, europeia.

As Cruzadas deformaram nossa visão dos muçulmanos e da cristandade oriental. A Igreja nestoriana se estendia no século XIII do Egito à China. O Império Bizantino nunca existiu, pois eram romanos e cristãos. A 4ª Cruzada saqueou Constantinopla em 1204, sob a justificativa de que bizantinos não acreditavam na infalibilidade do Papa. O preço foi viver com medo dos turcos por 250 anos.

A Inquisição fixou violenta repressão, sufocando a cultura popular. A Igreja interferiu na sociedade camponesa, combatendo sobrevivências do paganismo. A sexualidade foi demonizada e a cristandade culpabilizada. Os séculos XVI e XVII foram de reconquista interior, com homegeinização e afirmação da supremacia dos grupos dominantes. Minorias foram segregadas.

Heresia era o que a hierarquia eclesiástica considerava inaceitável, conforme o contexto. Os Humiliatti da Lombardia, por exemplo, foram anatematizados pelo Papa Alexandre III, mas reabilitados por Inocêncio III. Revoltas populares, como a dos cátaros, propuseram cristianismo sem compromisso com senhores feudais, sendo duramente reprimidas. 200 mil pessoas (80% das quais mulheres) foram mortas por bruxaria. Na Espanha se aplicou uma solução final aos mouros, aniquilados. Estabeleceu-se perseguição aos judeus, que viveram integrados até o século XI, pois Igreja não queria mais admitir uma cultura escapando ao seu controle.

O racionalismo é outro mito europeu. Os gregos articulavam o exercício do logos com a fé. Não separavam filosofia de cultura e religião. Já renascentistas combinavam ciências exatas com o pensamento mágico: Isaac Newton esteve interessado em alquimia e em profecias.

Quiénes son los rebeldes sirios, por Jon Lee Anderson

24 de agosto de 2012 0

O célebre jornalista Jon Lee Anderson, da New Yorker, publicou um novo e interessantíssimo artigo sobre a revolta em curso na Síria. Posto aqui para vocês o link para o texto em espanhol. Acho que merece leitura, pois é grave o que se passa naquele torrão do planeta.

Revista Interfaces Brasil/Canadá, nº 14

04 de agosto de 2012 0

Está online a revista Interfaces, Brasil/Canadá, publicação oficial da Associação Brasileira de Estudos Canadenses, dedicada aos estudos comparados entre os dois países, junto a qual funciono como um dos editores. A revista tem excelente pontuação no Qualis, indicador da Capes para periódicos científicos, com nota máxima (A 1) em Letras e B 2 na área Interdisciplinar. Os artigos do número atual estão ótimos. A revista vem sendo publicada pelas editoras da Universidade Federal Fluminense e da Unilasalle em Canoas/RS.  Confira aí.

Blog de Jon Lee Anderson

07 de março de 2012 0

Para quem se interessar por aprofundar o tema, vale recomendar também o blog do Jon Lee Anderson na New Yorker, com atualizações sobre a Síria.

Bons artigos sobre a situação na Síria

07 de março de 2012 0

Tenho procurado seguir matérias sobre a situação recente na Síria. É muito triste o que está acontecendo lá. E preocupante. Parece que todos os caminhos levam a uma sangrenta guerra civil. Recomendo aqui dois artigos. Na semana passada, o amigo jornalista Jon Lee Anderson publicou excelente artigo na New Yorker. O acesso agora já está franqueado aos não assinantes. Vale a pena conferir. Da mesma forma, a New Yorker publicou um ótimo chat com o Jon Lee, sobre a experiência dele com a Síria. Lembrando sempre a enorme dificuldade que os jornalistas estão enfrentando para ingressar no País e cobrir os acontecimentos recentes. Outro artigo dramático é esse do Tyler Hicks, cuja leitura me foi indicada pelo amigo Humberto Trezzi, jornalista gaúcho que já fez incursões perigosas em zonas de guerra.