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Posts na categoria "Música"

Cultura de alto a baixo - entrevista com Camille Paglia em O Globo

12 de fevereiro de 2013 0

Caros, continuo desaparecido daqui do blog e acho que isso ainda vai um bom tempo, tendo em vista a montanha de coisas que estou escrevendo no momento. Mas faço uma pausinha na minha concentração aqui para postar essa breve mensagem, até porque vários amigos têm me escrito, perguntando a respeito.

Saiu uma ótima entrevista com a Camille Paglia no jornal O Globo, do Rio de Janeiro, nesse sábado. Confere aí! Eu estou de acordo com a percepção dela de que a arte contemporânea,  embora possa apresentar bons testemunhos, está cada vez mais difícil de apresentar algo com uma carga dramática e densidade semiológica de amplo impacto. O exemplo oferecido de David Bowie é muito feliz. Ele passou por pelo menos duas décadas revolucionando o rock, articulando poesia e música de qualidade, com mímica, teatro, figurinos extraordinários, cinema, fotografia, iluminação. Antecipou tendências estéticas e revolucionou costumes. E o que há hoje? Lady Gaga, uma figura medíocre em todos os sentidos, adorada por uma combinação melancólica de falta de educação com excesso de mercado. Ahh..Camille faz referência a um livro que ajudarei ela a produzir, sobre o carnaval de Salvador. Verdade! Nós conversamos sobre e isso desde 2009. Mas a Camille nunca disse que sou baiano. Isso foi enxertado na fala dela pelo pessoal do jornal, na hora de produzir a versão. Mas tudo bem, tomei como um baita elogio.

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Camille Paglia: Taylor Swift, Katy Perry e Hollywood estão arruinando as mulheres

07 de dezembro de 2012 1

Dandy, de 1988

18 de junho de 2012 2

Lembrei-me de postar hoje aqui para vocês link para o filme Dandy, de 1988, uma viagem experimental dirigida por Peter Sempel. É da época em que Berlim foi o centro planetário da cultura pós-punk. O filme é uma colagem, sem roteiro claro, com trechos de conversas aleatórias, tomadas de animais, cenas urbanas e alguns objetos que se repetem, como um peixe morto e um bule de café, este, com efeito, considerado nos créditos um ator de fato! O elenco é bem interessante, com destaque para o Blixa Bargeld, líder da lendária Einstürzende Neubauten, e o Nick Cave, que está ótimo! Meio non sense nas falas, mas sempre com canções pungentes. A Nina Hagen, uma das grandes revelações do rock no fim dos anos 1980 está um luxo. A voz ainda potente, o jeito escrachado e o visual opera punk, um barroco street pós-moderno que só ela sabia imprimir. É incrível perceber como ela decaiu. Hoje, perdeu a voz, mantem um arremedo fora de época do visual cheio de personalidade daqueles tempos e tornou-se evangélica fervorosa, iso depois de uma fase esquisita em que pretendia se comunicar com extra-terrestres. Mas ela vive na patética Lady Gaga, que copia muito do visual da Nina, sem mencionar a referência, óbvio! Ainda aparecem no filme o Dieter Meier, integrante da poderosa banda eletrônica suíça, a Yello, e o Campino, da Toten Hosen. Um destaque é o dançarino butoh japonês Kazuo Ohno. A trilha sonora é impecável!

Mikhail Bakhtin, Roberto Da Matta, Ortega y Gasset e os carnavais brasileiros

17 de junho de 2012 0

Na sua tese de doutorado de 1941 sobre François Rabelais na Idade Média, o linguista russo Mikhail Bakhtin desenvolve a instigante fórmula da carnavalização da literatura, com vezo, talvez, muito menos marxista do que fenomenológico, já que condensa percepção de haver uma expansão da vida no âmbito da cultura popular, em relação complementar e, ao mesmo tempo, conflituosa, com as engrenagens de regulação institucional. Bakhtin revela como, por meio de Rabelais, emerge a cultura da Idade Média, alavancada por uma incrível potência do fazer cotidiano, onde o grotesco, ao impregnar-se de comicidade, torna-se subversivo. Suspenso, porém, o mecanismo de inversão ritual, a carnavalização opera como válvula de escape para a pressão social, reafirmando, no limite, as hierarquias vigentes.

Esta é, essencialmente, a tese que o sociólogo Roberto DaMatta absorve, no seu clássico Carnavais, malandros e heróis, publicado em 1979, talvez o último grande exemplar dos monumentais esforços ensaísticos de interpretação sintética do Brasil, iniciados por Varnhagen na década de 1850, e aos quais tanto devemos. DaMatta chega a analisar o carnaval em correlação com as paradas e procissões, exatamente como propõe Bakhtin, dispondo o carnaval do Rio de Janeiro dentre os rituais fundados no princípio de inversão, enquanto inclui a Semana da Pátria e as procissões da Semana Santa dentre aqueles afirmadores da estrutura hierárquica da sociedade. Estranhamente, DaMatta não cita Bakhtin e não lhe reconhece como fonte da fórmula…

Assim como Gilberto Freyre, com sua linguagem fluída e descomplicada, com seus temas da cultura popular, DaMatta logrou levar a sociologia a um público amplo, para muito além da academia. E se tornou um dos intelectuais brasileiros mais influentes. Carnavais… foi originalmente recebido com certo estranhamento. Mas seu olhar antropológico arejou o ambiente acadêmico brasileiro, então impregnado pelo marxismo e engajado no combate à ditadura militar. No auge do ostracismo universitário imposto a Gilberto Freyre, DaMatta reabilitou os temas que lhe eram caros.

É sem dúvida na abordagem antropológica que reside a grande riqueza de Carnavais…, bem como é neste recorte exclusivo que está o seu calcanhar de Aquiles. Siderado pelo método estruturalista, DaMatta dissocia a sua análise da História. Seu livro é um magnífico retrato. Mas um retrato possível, e datado, especificamente do Rio de Janeiro, de fins dos anos 1970.

Seu mundo é estático, se retroalimenta. Conclui que o Brasil tem um sistema de permanência, atemporal, hierárquico, que rege o conjunto de nossas relações sociais e interpessoais. DaMatta reconhece haver um polo liberalizante, conectado à modernização e à urbanização. É o espaço da legislação impessoal. Contudo, para ele, toda a vez que o indivíduo é retirado da rede de significação hierárquica, emanada das estruturas duais e cerzida no plano da comunidade, da família, das relações de compadrio, cai na impessoalidade, não como igual, mas como ultra-explorado. Isto porque aqueles indivíduos que logram manter a sua condição de pessoa no âmbito de uma formação patrimonial, preservando em alguma medida suas relações pessoais de poder, delas se valem para escapar às normas impessoais, estratégia esta que seria interditada aos pobres, aos imigrantes dos Estados nordestinos nas capitais do Sudeste… Portanto, para DaMatta, a impessoalidade que nos Estados Unidos é o cimento da democracia, no Brasil jogaria o papel inverso, reiterando e aprofundando o quadro de exploração.

Ora, se esta fórmula pode ser útil para ajudar a explicar a permanência renitente de injustiças na sociedade brasileira, tem dificuldade em dar conta da enorme transformação pela qual a mesma vem passando nos últimos anos. Eu creio que o próprio DaMatta percebeu isso: seus textos mais recentes sobre o comportamento do brasileiro no trânsito urbano já levam em consideração que as pessoas podem reagir diversamente às leis em conjunturas diferentes.

Outras fragilidades teóricas lhe são atribuídas, tais como, resumidamente, a ausência de uma problematização do conceito de classe social; uma percepção algo idealizada do indivíduo ocidental; e uma inversão do esquema explicativo do patrimonialismo, amplamente reconhecido como marcado por uma indistinção entre espaço público e privado, mas que, para DaMatta, se negrita por uma oposição entre casa e rua.

Em Carnavais…, DaMatta pretende descrever uma totalidade, acabando por expandir sua vivência de Rio de Janeiro para todo o universo brasileiro. Assim, não há em seu livro uma única palavra sobre o carnaval de Salvador, de Recife, etc… E cada cidade brasileira possui um carnaval completamente diferente. Em Salvador, há blocos, afoxés e trios elétricos e não existem escolas de samba, tampouco os desfiles no sambódromo, tão característicos do Rio de Janeiro. Em Olinda e Recife há o frevo e o maracatu. E assim por diante.

Genericamente, como sublinha o antropólogo Antonio Risério, a tese de Bakhtin, encampada por DaMatta, está correta e se aplica a todos os carnavais, de Nova Orleans a Olinda. Mas o desafio está em compreender as especificidades, dando-se um passo além do universalismo.  O carnaval de Salvador, por exemplo, aprofunda a inversão, na medida em que acontece na rua, e não no espaço regrado do sambódromo, dividido em zona de desfiles e em plateia. O espetáculo cênico do Rio de Janeiro que tão bem se presta às emissões televisivas, não se realiza em Salvador, onde se estabelece uma espontaneidade caleidoscópica impossível de ser documentada em toda a sua intensidade por câmeras.

Além disso, como também registra Risério, se a retórica do carnaval flui pela inversão das desigualdades do cotidiano, ela também possui o componente de exagerar a dramatização dessas desigualdades. DaMatta, que já teve dificuldade de perceber isso para o Rio de Janeiro de fins dos anos 1970, afastou-se ainda mais da verdade sobre o carnaval ao ignorar Salvador, pois ali esta dramaticidade veio carregada em cores mais fortes pelos blocos afros: as entidades afrocarnavalescas, nos anos 1970, dramatizavam o desejo de uma igualdade social inexistente. Ali, a emergência dos blocos afro e dos afoxés, como o Ilê Ayê e o Olodum, convergiam no congraçamento e brincavam a festa, mas sem deixar de assinalar a assimetria. Além disso, essas entidades carnavalescas negromestiças (o conceito é de Risério), contribuíram para re-significar e valorizar o passado étnico num presente mestiço, esboçando um futuro no qual direitos deveriam ser conquistados e consolidados. Como afirma Glicério, com razão, com o adensamento da festa, a partir dos anos 1980, a Bahia nunca mais foi a mesma.

De lá para cá, houve uma assimilação desse carnaval negromestiço pelos poderes públicos e pela indústria turística e cultural. Mas isto, longe de configurar uma derrota, afirmou um novo horizonte, no qual os valores simbólicos que lhes eram intrínsecos ganharam musculatura, sendo expandidos e partilhados pela sociedade branca, mais ou menos como aconteceu com o samba no Rio de Janeiro no segundo quartel do século XX. Ora, essa transmutação esta longe de autorizar a concepção do carnaval como um veículo muito mais de permanência do que de transformação, como pretendeu Roberto DaMatta em seu livro.

Daniela Mercury, que é branca, veicula hits como “Oyá por Nós”, inspirado numa reza de candomblé a Iansã, o Orixá arquetípico da beleza e do poder femininos, cujo elemento é o vento. Daniela, que é excelente dançarina, constrói muito de suas coreografias a partir dos movimentos ritualísticos do candomblé, onde a cada gesto corresponde uma reza, um ritmo, uma história, valendo-se aqui a memória coletiva – que estamos acostumados no Ocidente a transmitir fundamentalmente pela escrita – do corpo humano como suporte.

O carnaval de Salvador, hoje, também é animado por uma potente indústria cultural. E muitos espaços da rua foram loteados, sendo privatizados durante a festa. Ao longo dos circuitos dos blocos carnavalescos, montam-se camarotes, para todos os gostos e para todos os bolsos. Mas isto faz parte da evolução natural da festa, que cresce em público e em visibilidade e que precisa se viabilizar economicamente.

Trata-se de um raro caso de festa celebradora da identidade nacional que está franqueada a qualquer um. Tanto no Rio de Janeiro, quanto em Olinda, ou em Salvador, qualquer estrangeiro é bem vindo. Mais do que isso, rapidamente integrado, não se sentirá deslocado. No Rio, milhares de estrangeiros desfilam fantasiados todos os anos nas Escolas de Samba, não mais se limitando a acompanhar o espetáculo da arquibancada. Em Salvador, muitos mais se apinham nos camarotes ou se deixam levar pelas ruas e avenidas. Assim, há no carnaval uma síntese peculiar entre o regional e o específico, de um lado, e o universal, de outro, que se reveste de brilho no mundo hedonista contemporâneo. E aqui DaMatta acerta ao perceber que o carnaval, mesmo quando apoiado no ferramental de produção simbólica burguês, engendra um horizonte antipuritano, pois investe na glorificação do feminino, na exaltação do nu masculino, na celebração do hedonismo, da invocação da sensualidade, franqueando o erotismo e acolhendo a possibilidade do sexo sem reprodução.

Além disso, pelo carnaval, as multidões se afirmam quase sempre de maneira pacífica e lúdica, o que, num mundo assombrado pela paranoia da segurança, ganha especial relevo. Como notou com precisão Camille Paglia, não há paralelo nos Estados Unidos para a liberdade de movimento das multidões manifesta no carnaval de Salvador. Conservadores empedernidos, como José Ortega y Gasset, estavam errados em não reconhecer às massas capacidade de autorregulação, não apenas descentralizada, mas também pacífica.

Esta festa de multidões, ao mesmo tempo fluída e hibridizante, se ancora numa tradição. Como notou DaMatta corretamente, o carnaval se inscreve numa cronologia cósmica, pois situa-se numa escala cíclica, independente de datas fixas: é o momento de exagero que se antecipa à continência da Quaresma, revelando valores não apenas brasileiros, mas cristãos. As teses de Ortega y Gasset, que não reconhece às massas a possibilidade de uma ação legitimada em tradições, não se sustentam quando expostas à realidade do carnaval brasileiro.

Nos últimos anos o espaço da celebração religiosa vem encolhendo: a Quaresma esta cada vez mais circunscrita a um feriado burguês com algum resquício de componente espiritual concentrado na sexta-feira santa. Já o carnaval vem expandindo-se, começando cada vez mais cedo e terminando cada vez mais tarde, sem mencionar os cada vez mais frequentes carnavais fora e época, como as Micaretas, celebradas em pequenas cidades do interior do Nordeste.

Alguém poderia ler esta ode hedonista ao antipuritanismo como uma válvula de escape domesticada num mundo encharcado pelo mercado de consumo de massas, destinada a confirmar o status quo pela inversão temporária. Isto pode ser também provavelmente verdade. Mas está longe de dar conta da complexidade da questão.

Como lembra Risério, as pessoas que brincam o carnaval são de carne e osso. Suas experiências afetivas e sensoriais não podem ser estancadas e rasuradas pela prisão racionalista da lógica dual. Num mundo no qual a polícia alveja mortalmente um rapaz que corre atrasado para apanhar o metrô, com uma mochila às costas (Jean Charles, em Londres), ou que não permite que as pessoas parem por alguns minutos para jogar conversa fora numa calçada, o carnaval brasileiro emerge como um notável contraponto. Há muito mais aqui do que uma defesa apaixonada da liberdade. O excesso de regulação do cotidiano é esterilizante e imbecilizante.

Projeto 260, domingo dia 18, na Tristeza, em Porto Alegre

11 de dezembro de 2011 1

No início do ano, um grupo de garotos da Zona Sul de Porto Alegre juntou-se para criar um espaço de interlocução e arte. A iniciativa partia de duas constatações elementares: a noite porto-alegrense estava ficando excessivamente baladeira, tipo assim, um fim em si mesma, hedonista, irritantemente consumista; e, por outro lado, faltavam equipamentos urbanos de cultura nos bairros da Capital. Sim, o Bonfim tem, por exemplo, seu tradicional Ocidente, que abriga ações instigantes, como o já célebre Sarau Elétrico. O Cristal ganhou a Fundação Iberê Camargo, com sua arquitetura icônica e seus privilegiados salões expositivos. Mas e a Tristeza?

Assim, numa residência na Rua Landel de Moura, pertinho da margem quieta do Lago Guaíba, o pessoal começou a se encontrar, em tardes de domingos. No cardápio, bandas jovens, fotografia, instalações e, bom, também, claro, uma cerveja, ou duas…

Para uma geração que às vezes dá a impressão de estar perdendo a habilidade de decodificar a linguagem corporal das pessoas, porque vive com os rostos capturados pelo brilho azulado das telas dos AIpéds, AIfones, AIdiabos e toda uma tralha festejada por interativa, confesso que deu gosto de ver o pessoal conversando e vibrando com bandas que fundiam rock e samba. Para uma turma que nem sempre sabe como uma laranjeira produz os frutos que chegam a sua mesa no café da manhã sob a forma de sucos, foi alentador vê-los circulando sob os ramos de figueiras, limoeiros, bergamoteiras de um belo pomar, ou se abrigando do sol sob um farto parreiral.

O coletivo logo ganhou nome: Projeto 260. Cheguei a comentar aqui no blog uma das edições do evento, que então se chamou Fiat Lux. Pois então, o projeto cresceu e reluz. A efervescência coletiva agora adota o velho fórum da Rua Landel de Moura, 430. O imóvel, um espaço privilegiado no coração da Tristeza, estava ocioso e semiabandonado desde que o Judiciário se transferiu dali para a Avenida Otto Niemeyer, há alguns anos. A associação de moradores do bairro vem lutando para garantir uma destinação comunitária e cultural para o endereço. Ambas as iniciativas, assim, se encontraram.

No próximo domingo, dia 18, entre as 15 e 22 horas, um espaço estanque entra em movimento: com o apoio da Opus Promoções, o Projeto 260 apresenta agora o Fórum Musical. A proposta promete, reunindo as bandas Purifique e Cadiombleros, as gurias do Tamanco no Samba e, ainda, Ian Ramil e banda. Ingressos antecipados estão disponíveis nas lojas Trópico.

A ebulição do Projeto 260 é um indicativo de que Porto Alegre começa a consolidar a vocação de cidade culturalmente policentrada, algo inimaginável há alguns anos, mas, agora, já bastante palpável.

Camille Paglia resenha último livro de Greil Marcus, sobre o The Doors

06 de dezembro de 2011 0

Para quem curte o The Doors, acaba de sair nos Estados Unidos livro de Greil Marcus, um dos mais respeitados críticos locis de rock, sobre a banda. A crítica Camille Paglia, entretanto, não foi muito entusiasta da qualidade da obra na resenha publicada no último domingo no NYT. Confere aí.

Dois vídeos bacanas com a Daniela Mercury

23 de setembro de 2011 0

Ainda estou me aprumando depois do retorno da última viagem, pois é grande o volume de trabalho a ser enfrentado. Tempo para o blog, cada vez mais escasso. Lamento.

Mas, por enquanto, quero partilhar com vocês uns vídeos bem legais de uma cantora baiana que eu adoro, a Daniela Mercury. Muitos, sobretudo no sul do País, a conhecem mais como diva pop, do axé music e do carnaval de Salvador, o que certamente é verdade. Mas Daniela é ótima cantando também músicas tranquilas, lentas. Adorei esta versão que ela faz do clássico de Ary Barroso, “Risque”.

Neste outro vídeo, emerge a Daniela urbana, morando em São Paulo, adorável, misturado em tudo o que faz o regional e o global. Curto o jeito como Daniela é baiana, moderna, contemporânea, paulistana, tudo ao mesmo tempo. Um aspecto interessante desse vídeo é a intimidade que ela revela com a literatura e com as artes plásticas, a percepção de que a moda tem uma conceituação elaborada, traços, enfim, que chamam a atenção numa estrela do pop contemporâneo, seja onde for. Encanta, também, a grandeza da Daniela. Ela sempre deixa claro que o mundo da arte é um coletivo e que o diálogo é fundamental. E todo espaço dela é sempre um território a ser partilhado com outros artistas.

Bom o set

21 de setembro de 2011 0

Adorei o set novo do DJ Nando Barth! Baixa aí!

Adriana Calcanhoto, em Florianópolis

11 de setembro de 2011 0

Um vento besta veio empecer a gloriosa herança do dia de ontem aqui Florianópolis, quando o céu de azul envolvente serviu de moldura para o sol que banhou a tudo, brilhante e tépido. Ao cair da noite, uma lua generosa prateou o mar, coroando o afastamento do espectro da chuva torrencial que nos castigou aqui toda a semana.

Melhor ambiente para o show que Adriana Calcanhoto fazia na cidade não poderia haver. O show de seu novo CD, micróbio do samba, não poderia estar mais lindo. Belas canções, bem arranjadas e entoadas com sutileza, com delicada técnica e pungente emoção. Adriana é tão suave, que cada pequeno gesto torna-se grandiloquente, cada vibração de sua voz encerra um mundo. Em meio a essa paz, temperada por técnica apurada, doçura e repertório de grande qualidade, insinua-se, num crescendo muito bem posto, um humor cativante, cotidiano. Com jeitinho dos anos 1980, Adriana traz para o palco objetos do dia-a-dia – xicrinhas, um prato, uma faca, uma caixinha de fósforos, um secador de cabelos… De cada um, tira um som inusitado, que ilustra a história que permeia a canção. Um espetáculo elaborado, de uma grande intérprete e compositora.

Por essas coisas da vida, há muitos anos não conseguia assistir a um show da Adriana. E ainda guardo na memória, com carinho, a lembrança das noites que eu e alguns amigos passávamos ouvindo-a cantar, com um banquinho e um violão, no pequeno palco do Bar Fazendo Arte, na Cidade Baixa, em Porto Alegre. Lá se vão uns bons 26 anos…

Bem, estou de volta ao Brasil e retomando o blog. Passei uns dias fora. Estava super precisado de férias. Então, até da Internet me desliguei. Foi ótimo! Assim, a medida em que for colocando meus compromissos e minha agenda em dia, vou publicando um ou outro post por aqui.

Lady Gaga despenca

17 de junho de 2011 2

O prestigioso site de notícias Druge Report, uma referência no mundo virtual, veiculou nota indicando que a Lady Gaga já não é mais a número dentre as super estrelas pop: as vendas de seu último CD despencaram 85%. Bem, isso depois de ela ter martelado por aí que seria o álbum da década e marco de uma geração. Toma!

De fato, dia desses estava trocando as estações no rádio do carro e um menino de 19 anos a quem eu dava carona, ao ouvir a tal “Judas”, última música da Gaga, lascou: “A Gaga já foi melhor: não vou comprar este último CD”. Achei aquilo sintomático da relação da primeira diva da era digital com o seu público: Gaga é uma copista, sem consistência e criatividade. Jogou-se nos braços do consumo. Ora, o consumo tende a cuspi-la como bagaço, tão logo terminar de mastigá-la. Provavelmente funcionará com ela do mesmo jeito que acontece com estas casas noturnas para adolescentes: o sucesso estrondoso é seguido pelo mais completo abandono, pois logo ali na esquina, abriu uma novidade. E a Gaga de fato vem investindo muita energia em roupas, fantasias e declarações de efeito, quando deveria estar é se dedicando a fazer música de melhor qualidade.