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Posts na categoria "Política e sociedade"

A Revolução de 1848

17 de março de 2013 0

Em 1848, uma onda de revoluções varreu a Europa. As péssimas colheitas de 1845, em função da quebra da safra de trigo e de uma praga que se abateu sobre a cultura da batata, haviam elevado o custo de vida e detonado uma série de insurreições camponesas em 1846. A Irlanda, um dos países mais atingidos, viu sua população recuar em 50% nos 30 anos seguintes, em decorrência da fome e das migrações em massa (sua população havia quadruplicado nos últimos 100 anos antes da crise).

Houve aumento generalizado de pobreza, fechamento de fábricas e queda do valor dos salários. Levantes operários, como os ocorridos na cidade francesa de Lyon, foram duramente reprimidos. As classes médias, por sua vez, continuavam demandando pela ampliação dos espaços de representação política. Setores da burguesia e da nobreza também estavam insatisfeitos e cobravam reformas liberais, tanto nos países mais democráticos, como a França, como nas autocracias da Europa Central, como a Prússia e a Áustria. Nos vastos impérios multiétnicos, como a Áustria, que se estendia da Itália aos Balcãs, fermentava o nacionalismo das minorias.

Mas foi na França onde tudo, mais uma vez, começou. Luís Felipe I, fazendo um reinado ultraconservador, apoiado por banqueiros, julgava-se solidamente instalado no poder. No entanto, a crise trouxera o fantasma de uma grande massa de desempregados, enquanto trabalhadores, socialistas e até alguns burgueses pressionavam pela adoção do sufrágio universal em substituição ao voto censitário, então em voga. Manifestações desordenadas espocaram em fevereiro de 1848 em frente à casa do impopular ministro François Guizot. Um tiro foi disparado e as tropas responderam, com um saldo inesperado de 500 mortos. Os cadáveres foram então desfilados pelas ruas de Paris em carros iluminados com tochas, gerando um impacto dramático. 50 mil manifestantes tomaram as ruas. Houve novas mortes e 15 mil prisões. A Guarda Nacional terminou por se unir aos populares e, 24 horas depois, Luís Felipe renunciou, assim como acontecera com seu antecessor. Dessa vez, contudo, a Câmara, ao invés de manter a monarquia, proclamou a República, que ficou conhecida como a Segunda República, tendo se estendido até 1852.

No dia 24 de fevereiro, constituiu-se um governo provisório, de coalização, unindo burgueses, ansiosos por restabelecer a ordem, republicanos e socialistas, os quais pugnavam pela melhoria das condições dos trabalhadores e pelo sufrágio universal. O Governo reuniu personagens como o poeta Lamartine, o operário Albert e o historiador Auguste Blanqui. Apesar do grande apoio popular, a tensão entre moderados e socialistas radicais, representados pelo irrequieto Louis Blanc, de pronto se estabeleceu.

Reformas e concessões sobrevieram. Reduziu-se a jornada de trabalho de 12 para 10 horas e criaram-se as célebres oficinas nacionais, fábricas de capital público que se constituíram em uma das primeiras experiências de estatização, mas que não funcionaram. O filósofo Pierre-Joseph Proudhon, um dos fundadores do anarquismo, sugeriu um banco de crédito popular, contudo, a proposta não avançou. Pelas páginas de seu jornal, bradava: “propriedade é roubo”, alarmando a burguesia. Instalou-se a chamada Comissão de Luxemburgo, um órgão que se responsabilizou por arbitrar os conflitos de trabalho e desenvolver uma legislação social. Na prática, porém, o governo resistiu a apoiar direitos do trabalho.

Em Paris, a situação estava calma. Os socialistas ainda confiavam no governo. Esse breve período ficou conhecido como a República Social. Mas a maior parte dos políticos do governo ignorava a situação das províncias, onde as estradas de ferro foram destruídas pelos tumultos, castelos saqueados e agiotas espancados. Faltava mercado para os produtos, impostos subiam, o marasmo econômico se instalara e as agitações políticas grassavam. Aos olhos de quem estava no Interior, o governo hesitava. O mundo dos negócios percebia o pesadelo se avolumando diante da instabilidade.

Assim, monarquistas e moderados conquistaram maioria nas eleições de 23 de abril, estampando a reação conservadora. Esta Assembleia Constituinte foi o primeiro órgão legislativo francês eleito pelo sufrágio universal. O Governo Provisório cessou suas atividades e deu lugar a uma executiva de 5 membros, integrada por Lamartine, dentre outros. A Comissão de Luxemburgo foi dissolvida e as deficitárias Oficinas Nacionais, fechadas: 110 mil trabalhadores foram instantaneamente demitidos. Em maio, protestos comunistas foram reprimidos com veemência. Com os agitadores socialistas se negando a aceitar o resultado, o proletariado parisiense se lançou a uma nova insurreição, entre 23 e 26 de julho, conhecida como as Barricadas de Paris.

A burguesia, aterrada diante das palavras de ordem “pão ou chumbo!”, nomeou por aclamação Louis Cavaignac ditador provisório, com ordens de submeter o povo. Decretou-se o estado de sítio. Em 4 dias de combates, com nobres, burgueses, padres e camponeses marchando lado a lado para ajudar o General, morreram 1.500 pessoas, 12 mil foram presas e 4 mil deportadas para a Argélia. A censura e a proibição de reuniões foram estabelecidas. Era o fim do sonho dourado de reconciliação entre as classes.

Em 12 de novembro de 1848, uma nova Constituição afirmou o presidencialismo, o legislativo unicameral e o sufrágio universal masculino. Nas eleições de dezembro, o aventureiro Luís Napoleão Bonaparte (sobrinho de Napoleão), deputado pelo Partido da Ordem, de extrato conservador, se elegeu com cerca de 5,5 milhões de votos, vencendo o detestado Cavaignac, que recebeu 1,5 milhão de votos. Bonaparte recebeu em massa os votos dos camponeses, que, desse modo, homenageavam o tio que lhes garantira a posse de terras quando nobreza e clero ameaçavam retomá-las depois da Revolução Francesa. Mas também contou com a simpatia de operários, que odiavam Cavaignac, além, é claro, dos conservadores amedrontados com o clima de instabilidade. Príncipe, filho de Luís I da Holanda, Luiz Napoleão participara de duas tentativas de amotinamento contra o rei Luís Felipe – em 1836, na guarnição de Estrasburgo, e em 1840, a Conspiração de Bolonha. Fora condenado à prisão perpétua em Ham, da qual fugiu para Londres, usando identidade falsa, onde escreveu um livro sobre o combate à pobreza que granjeou apoio do proletariado.

No entanto, em pouco tempo, Napoleão mostrava ao que viera. Em 1850, o descontentamento popular já era presente e o sufrágio universal, constrangido. Nova crise econômica, em 1851, acirrou os ânimos, servindo de pretexto para controlar a imprensa e intervir no ensino clerical nas escolas. Como a Constituição não permitia a reeleição, Luís Bonaparte desfechou um golpe em 2 de dezembro, reinstalando a ditadura. Teve início aí o Segundo Império, e Bonaparte se autoproclamou Napoleão III, conclamando plebiscitos para ratificar o golpe e o Império. A democracia direta foi, assim, utilizada para legitimar a ditadura.

A Revolução na França provocou uma onda de protestos em toda a Europa, em uma reação às diretrizes restauradoras e autocráticas firmadas pelo Tratado de Viena, que procurara reordenar o Continente após a queda de Napoleão Bonaparte, em 1814. Na Áustria, o poderoso artífice da restauração, o chanceler Metternich, se viu forçado a renunciar. Houve levantes em Berlim, Viena, Londres, Praga, Polônia, Budapeste, Nápoles… Porém, a feição deles era mais nacionalista do que liberal. Ainda assim, como sublinha o historiador Eric Hobsbawm, 1848 fixou-se como um paradigma de revolução global. Na prática, alguns avanços liberais foram garantidos, em especial na França, mas o desfecho mostrou que a democracia liberal também poderia se prestar ao controle social. A burguesia, inicialmente aliada aos protestos, recuou e se separou dos proletários.

SEMINÁRIO CONTESTADO, LEITURAS E SIGNIFICADOS

15 de setembro de 2012 0

O Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro está promovendo um seminário sobre o Conflito do Contestado, no qual terei também a honra de falar. Posto abaixo a programação para vocês, notando apenas que não sou vinculado à Universidade Federal de Santa Catarina, como indicado no folder, mas ao Unilasalle/Canoas, no Rio Grande do Sul.

Folder contestado IHGB

Setembro em Porto Alegre

11 de setembro de 2012 0

Porto Alegre em setembro é uma festa! Na esteira dos lilases dos Ipês roxos, que salpicam calçadas e tingem horizontes, brota em catadupas uma explosão de cores, anunciando a potência da primavera. Refulge a programação cultural, numa efervescência que acompanha o colorido das floradas. Dois grandes artistas expõem atualmente na cidade: Miguel Rio Branco e Waltercio Caldas. A temporada de teatro está estupenda. No sábado, assisti no São Pedro à montagem de Mãe Coragem e seus Filhos, de Bertold Brecht, pelo mítico Berliner Ensemble. É um privilégio poder assistir no Brasil a teatro dessa qualidade. É emocionante quando, ao final da apresentação, o Theatro São Pedro vem abaixo, saudando o magnífico desempenho dos atores. Foram vários minutos de aplausos ininterruptos, numa despedida entusiástica do público.

Ademais, não tenho tido muito tempo para acompanhar as eleições. Soube que a Manuela d’Ávila estaria se aproximando do Prefeito Fortunati, de acordo com as pesquisas, ou até o ultrapassando. A Deputada tem mesmo muito carisma. É simpática e sem dúvida alguma muito bem intencionada. E sinaliza para o novo, pelo qual os porto-alegrenses cada vez mais parecem ansiar, depois de anos de estagnação da cidade. Falta-lhe, contudo, experiência de gestora no currículo. Jovem Deputada, Manoela alcançou votações expressivas, mas ainda não passou por uma secretaria ou um ministério importantes.

Fortunati, por sua vez, vem galopando forte aprovação dos eleitores à sua gestão como Prefeito. De fato, há muito Porto Alegre não conhecia tanto dinamismo. Com certeza, restam inúmeros problemas a serem enfrentados e nem todas as iniciativas de Fortunati podem ser aplaudidas, mas ele tem sido o melhor Prefeito da cidade em décadas.

Pessoalmente, gosto muito do Deputado Adão Villaverde. Sua posição de pouco destaque nas pesquisas não deixa de surpreender na outrora inexpugnável cidadela do PT. De qualquer forma, acho válido que o partido esteja investindo na projeção de novas lideranças na Capital. Vale algo parecido para a candidatura do Wambert di Lorenzo, do PSDB – acho importante que existam vozes na campanha demarcando territórios ideológicos.

As vias tortas do Legislativo gaúcho

30 de agosto de 2012 0

Este artigo foi publicado no jornal Zero Hora, de Porto Alegre, no último sábado, dia 25, no âmbito da série “Visões do Rio Grande”, uma ótima iniciativa do Caderno de Cultura, pilotada pelo competente jornalista e escritor Luiz Antônio Araujo, que pretende discutir alguns dos livros, de autores ainda vivos, que mais influenciaram a cultura e a intelectualidade gaúchas. Trata-se de entrevistas com os referidos autores, acompanhadas de curtas resenhas, escritas por intelectuais convidados. Achei a proposta tão interessante, que sugeri ao Araujo transformar oportunamente a série em um livro, talvez ampliando um pouco alguns artigos. Tais balanços periódicos sobre a as estratégias de construção da nossa identidade coletiva me parecem muito profícuos. Que bom que a Zero Hora tem nos oportunizado esse espaço! Coube-me comentar o livro “Poder Legislativo e Autoritarismo no Rio Grande do Sul”, do Professor Hélgio Trindade. Confere aí.

Seminário Nacional do Contestado por Moacir Pereira, Cacau Menezes e Milena Fischer

24 de agosto de 2012 0

Os últimos dias andaram bastante agitados, de forma que não consegui manter a atualização do blog como desejaria. Mas aproveito para ainda reproduzir aspectos da repercussão do seminário nacional sobre a guerra do Contestado na imprensa. A prestigiada coluna do Moacir Pereira, no dia 5 de agosto, tratou do assunto, no Diário Catarinense. A Milena Fischer, da Zero Hora, também me distinguiu com uma nota muito simpática, na sua novíssima e dinâmica coluna social. Não tenho link para a nota que o Cacau Menezes publicou na sua coluna do dia 5 de agosto, mas fica aqui o registro e o agradecimento a ele.  Noto ainda que, para quem se interessa pelo assunto, os debates prosseguem, com inúmeras atividades, dentre as quais um seminário na Universidade de Pelotas, cuja programação já postei aqui, e um outro encontro, em setembro, no Rio de Janeiro, promovido pelo Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro.

Seminário sobre o Contestado na Universidade Federal de Pelotas, de 29 a 31 de agosto

09 de agosto de 2012 0

A Universidade Federal de Pelotas estará sediando um seminário sobre a Guerra do Contestado entre os dias 29 e 31 de agosto próximos. Confere aí a programação.

folder pelotas final

José Murilo de Carvalho, sobre o Contestado

09 de agosto de 2012 0

O historiador José Murilo de Carvalho, membro da Academia Brasileira de Letras e da Academia Brasileira de Ciências, falou sobre o Contestado ao portal do Ministério Público de Santa Catarina.

Entrevista com Paulo Pinheiro Machado, sobre o Contestado

05 de agosto de 2012 0

Confere aí a ótima entrevista com o historiador Paulo Pinheiro Machado, da Universidade Federal de Santa Catarina, que está no site do Ministério Público.

Contestado: livro traz registro militares da guerra, no Diário Catarinense

05 de agosto de 2012 2

Essa matéria foi publicada no Diário Catarinense na semana passada. É alusiva ao Seminário Nacional 100 Anos da Guerra do Contestado, promovido pelo Memorial do Ministério Público de Santa Catarina, bem como comenta o último livro que lancei, na condição de um dos organizadores, “Memórias do General José Vieira da Rosa: participação na Guerra do Contestado”.

01-08-2012MPSCDCLivrotrazregistrosmilitaresdaguerra

Breve balanço do Seminário Nacional 100 Anos da Guerra do Contestado

05 de agosto de 2012 1

Encerrou-se na sexta-feira, dia 3, o Seminário Nacional 100 Anos da Guerra do Contestado, iniciado no dia 1º e promovido pelo Memorial do Ministério Público e pelo Instituto Histórico e Geográfico de Santa Catarina, com o apoio de importantes instituições, tais como a USP, o Unilasalle/Canoas, a UNOESC, a UFSC, a Fundação Catarinense de Cultura e os Institutos Históricos e Geográficos Brasileiro, do Paraná e do Rio Grande do Sul, além do Instituto de História e Geografia Militar do Brasil. Nos três dias do evento, que teve a programação de abertura parcialmente prejudicada pelo mau tempo em Florianópolis, que determinou o fechamento do aeroporto local impedindo que alguns palestrantes aterrissassem a tempo na cidade, discutiram-se apaixonadamente múltiplos aspectos do conflito do Contestado, que talou os sertões catarinenses entre 1912 e 1917. Abordaram-se as dimensões jurídicas do Contestado, com o longo processo judicial arbitrado pelo Supremo Tribunal Federal em torno da questão de limites entre os Estados do Paraná e de Santa Catarina. Discutiu-se o conflito na perspectiva das forças militares e à luz da História Social. Dimensionou-se-o no contexto das relações coronelistas de poder da Primeira República brasileira e percebeu-se-o como reação ao imperialismo capitalista norte-americano. Identificou-se conexões com o Partido Federalista sul-rio-grandense, percebendo-se ali um federalismo de feição popular. Esmiuçou-se a vida dos monges que povoaram o universo espiritual dos caboclos, recorrendo-se à Antropologia e à História das Religiões. Mostrou-se a atualidade da crença joanina, isto é, no monge João Maria, que o povo da região ainda espera ver beatificado pela Igreja Católica. Visitou-se a dor dos vencidos e mostrou-se que o Contestado não terminou, vez que a região ainda apresenta o menor IDH de Santa Catarina. Conheceram-se emocionantes esforços de educação patrimonial e de valorização da memória coletiva. Descreveram-se as ossadas que ainda jazem esquecidas em valas comuns e os vestígios dos fornos utilizados para incinerar cadáveres, que se produziam aos milhares, não apenas durante o período mais aceso do conflito, mas também depois dele, quando vaqueanos e coroneletes da região levaram o terror aos sobreviventes, numa verdadeira política de extermínio e genocídio. O Contestado foi uma das maiores insurreições camponesas da História.

A dinâmica do evento mostrou-se profícua ao propor um diálogo entre a História, a Memória e o Patrimônio, instâncias, como se sabe, com naturezas diferentes. Reunidos estavam, assim, acadêmicos cientistas, historiadores, juristas, militares, jornalistas, antropólogos, sociólogos, cineastas, escritores e agentes da memória social. Por três dias, o auditório da Procuradoria-Geral de Justiça de Santa Catarina acolheu nomes de prestígio como Silvio Back, Sergio Rubim, Paulo Pinheiro Machado, Paulo Derengosky, Aureliano de Moura, Margarida Moura, Aluizio Blasi, Miguel do Espírito Santo, Paulo Hapner, Espiridião Amin e Vicente Telles, dentre outros. Comprovou-se a qualidade dos estudos que vêm sendo realizados sobre o tema. Novas pesquisas foram conhecidas, como as de Tania Welter, Rogério Rosa, Marcia Espig, Delmir Valentini e Alexandre Karsburg. Atentos aos detalhes, pesquisadores dos institutos históricos, como Janary Bussmann e Elísio Marques, nos descortinaram aspectos pouco conhecidos.

Os 30 minutos destinados para as comunicações foram insuficientes para a maior parte dos painelistas, que tinham conteúdo e fluência para falar por pelo menos uma hora cada. Talvez o tempo previsto para as falas tenha sido curto, de fato, mas foi a fórmula encontrada pela organização do evento para acomodar o grande número de painelistas convidados. Sacrificou-se um pouco do aprofundamento em benefício de um painel mais diverso. O bom tempo destinado aos debates, sempre animados por muitas perguntas e participações, compensou em parte o desejo aprofundar temáticas.

Foi farta a cobertura da imprensa. O Diário Catarinense dedicou matéria de uma página ao Seminário e ao livro sobre as memórias do General Vieira da Rosa, lançado pelo Memorial do Ministério Público. Jornais do interior repercutiram entrevistas realizadas pela Comunicação Social do MP. Blogs e sites comentaram o evento. Um documentário foi filmado. Mas acerta o jornalista Sergio Rubim, o Canga, quando lamenta o pouco interesse demonstrado pelos canais de televisão de Florianópolis em aproveitar a presença de tão ilustres intelectuais na cidade: faltou talvez a realização de um programa de debates televisivo.

Da livraria convidada para montar um stand esperava-se mais. Apesar de alertados com semanas de antecedência do teor da programação, não cuidaram seus administradores de providenciar a aquisição de livros dos painelistas e tampouco de reunir um bom acervo sobre o Contestado. Foi uma decepção, pois se esperava mais compromisso com a cultura e com os autores catarinenses de parte de uma das mais tradicionais livrarias de Florianópolis.

Ao final, como sublinhou o folclorista Vicente Telles, o importante são o sentimento e a capacidade de seguirmos nos indignando contra as injustiças que mancham nosso passado comum, para que aqueles que têm pela frente mais futuro do que passado, possam viver num mundo mais humano. Que o Seminário possa funcionar como uma brasa a incendiar nossas consciências, pois é grande a dívida que temos para com o passado.

As programações alusivas ao Centenário do Contestado continuam. Em setembro, no Rio de Janeiro, o Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro abrigará um seminário sobre o evento. No próximo simpósio da ANPUH de São Paulo, Paulo Pinheiro Machado, um dos mais reconhecidos especialistas sobre o tema, oferecerá um minicurso. Nos próximos meses, a Universidade Federal de Pelotas e a Universidade da Fronteira Sul, em Chapecó, também estarão realizando colóquios, dialogando em torno de novas pesquisas. Em outubro, no Irani, uma cerimônia marcará os 100 anos do sangrento combate que detonou o conflito. O Memorial do Ministério Púbico, por sua vez, programa mais um conjunto de edições, a começar pelos anais do Seminário da semana passada, que será publicado sob a forma de um livro coletivo.