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Posts na categoria "Porto Alegre"

Lançado livro AJ Renner (1884-1966), capitão de indústrias

14 de agosto de 2013 0

Nessa segunda-feira foi o lançamento do meu último livro A. J. Renner (1884-1966), capitão de indústrias, realizado em parceria com os irmãos Eduardo (Peninha) e Fernando Bueno. O livro, que conta a trajetória do empresário gaúcho AJ Renner, fundador do conglomerado de empresas Renner e cuja vida profissional iniciou-se no lombo de uma mula como caixeiro viajante na região serrana, tem design bem cuidado do Sandro Fetter e produção de Adriana Donatto. Há anos me interesso por esse personagem, que seguiu um modelo fordista de produção e antecipou para seus funcionários muitas das garantias trabalhistas que apenas mais recentemente se difundiram, como a participação dos trabalhadores no lucro das empresas. Nos anos 1990, publiquei um livro em parceria com a Luiza Kliemann sobre as Tintas Renner. Alguns anos mais tarde, pela Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul, organizei uma coletânea de discursos e artigos de A.J. Esse livro, agora, publicado pela Editora Paiol, é a coroação dessa pesquisa. E foi ótimo trabalhar em parceria com os irmãos Bueno e com toda a equipe que auxiliou na confecção do livro. A coluna da Milena Fischer na Zero Hora de hoje reproduz algumas fotos bem bacanas do lançamento no Memorial da Livraria do Globo, no centro de Porto Alegre.

AJ Renner CAPA

Tele-taxi com frequência não funciona em Porto Alegre entre aproximadamente 17hs30min e 20hs

26 de maio de 2013 2

Quando alguma coisa é um fato consumado, é necessário que alguma instância regulatória o reconheça. É um fato consumado que o serviço de tele-taxi não funciona em Porto Alegre entre aproximadamente 17hs30min e 20hs. Tente requisitar um taxi por alguma cooperativa nesse horário: os telefones estarão quase sempre ocupados, ou chamam e ninguém responde, ou, se atendem, prometem um taxi que nunca chega. O tema pode parecer prosaico, mas há uma dimensão ética aí que cabe reconhecer. Aparentemente, os taxistas desligam a sua comunicação por gps com as centrais porque temem assumir chamados, ficarem presos no trânsito, atrasarem e, quando finalmente chegam, verificam que o passageiro já tomou outro veículo. Então, preferem ou sair das ruas no horário de pico do trânsito, ou apanhar passageiros apenas nas ruas, ignorando os chamados. Até a alguns anos, havia uma confiança mútua entre taxistas e passageiros na cidade. Os primeiros sabiam que seriam aguardados e os outros sabiam que seriam atendidos. Ninguém mais sabe nada, nem confia em ninguém. Passageiros chamam veículos, mas tomam o primeiro que aparecer. Taxistas aceitam chamados, mas desistem da corrida no meio do caminho quando supõem que o tempo de espera superou o razoável, sem dar satisfações. Diante desse quadro, as centrais de atendimento telefônico das cooperativas simplesmente resolvem o problema tirando o telefone do gancho. Assim, nem mesmo aqueles poucos taxistas que mantém os gps ativos recebem os chamados. A EPTC, por sua vez, a quem cabe fiscalizar o serviço, nada faz. Se não consegue fiscalizar competentemente o serviço, porque não expede algum tipo de portaria, regulamento, norma, sei lá, reconhecendo que as cooperativas não atendem os usuários nesse horário? É incrível o acordo de hipocrisia que se estabelece em torno dessa questão.

Kikogate - Kiko e a política da celebridade

20 de abril de 2013 0

Setembro em Porto Alegre

11 de setembro de 2012 0

Porto Alegre em setembro é uma festa! Na esteira dos lilases dos Ipês roxos, que salpicam calçadas e tingem horizontes, brota em catadupas uma explosão de cores, anunciando a potência da primavera. Refulge a programação cultural, numa efervescência que acompanha o colorido das floradas. Dois grandes artistas expõem atualmente na cidade: Miguel Rio Branco e Waltercio Caldas. A temporada de teatro está estupenda. No sábado, assisti no São Pedro à montagem de Mãe Coragem e seus Filhos, de Bertold Brecht, pelo mítico Berliner Ensemble. É um privilégio poder assistir no Brasil a teatro dessa qualidade. É emocionante quando, ao final da apresentação, o Theatro São Pedro vem abaixo, saudando o magnífico desempenho dos atores. Foram vários minutos de aplausos ininterruptos, numa despedida entusiástica do público.

Ademais, não tenho tido muito tempo para acompanhar as eleições. Soube que a Manuela d’Ávila estaria se aproximando do Prefeito Fortunati, de acordo com as pesquisas, ou até o ultrapassando. A Deputada tem mesmo muito carisma. É simpática e sem dúvida alguma muito bem intencionada. E sinaliza para o novo, pelo qual os porto-alegrenses cada vez mais parecem ansiar, depois de anos de estagnação da cidade. Falta-lhe, contudo, experiência de gestora no currículo. Jovem Deputada, Manoela alcançou votações expressivas, mas ainda não passou por uma secretaria ou um ministério importantes.

Fortunati, por sua vez, vem galopando forte aprovação dos eleitores à sua gestão como Prefeito. De fato, há muito Porto Alegre não conhecia tanto dinamismo. Com certeza, restam inúmeros problemas a serem enfrentados e nem todas as iniciativas de Fortunati podem ser aplaudidas, mas ele tem sido o melhor Prefeito da cidade em décadas.

Pessoalmente, gosto muito do Deputado Adão Villaverde. Sua posição de pouco destaque nas pesquisas não deixa de surpreender na outrora inexpugnável cidadela do PT. De qualquer forma, acho válido que o partido esteja investindo na projeção de novas lideranças na Capital. Vale algo parecido para a candidatura do Wambert di Lorenzo, do PSDB – acho importante que existam vozes na campanha demarcando territórios ideológicos.

De repente, assessores se transformaram em procuradores, em Porto Alegre

01 de setembro de 2012 1

Merece ser lido o artigo de André Karam Trindade sobre a polêmica conversão automática de 81 assessores em procuradores do município de Porto Alegre pela nova Lei Complementar 701/2012, que instituiu a Lei Orgânica da Procuradoria-Geral do Município de Porto Alegre. Nos anos 1970, quando estávamos em plena ditadura militar, tais promoções em massa, sem concurso público, eram chamadas pelo povo de trenzinhos d’alegria. A Prefeitura, a Câmara de Vereadores e a OAB do RS defendem a medida como forma de modernização e fortalecimento da Procuradoria. Mas há controvérsias. Acho que o debate está posto.

O Rio Grande e Santa Catarina ardem

10 de agosto de 2012 0

Na segunda-feira passada, um belo dia de sol, tomei um avião de Florianópolis a Porto Alegre. Sentado na janela, do lado direito da aeronave, esperava desfrutar da bela paisagem dos campos do sul de Santa Catarina e do planalto do Rio Grande do Sul. Mas poucos minutos depois de nos afastarmos de Florianópolis, comecei a visualizar focos de queimadas. De início, achei que fosse um fenômeno localizado, mas elas só pararam quando começaram os vales da serra, já quando o avião inicia os procedimentos de pouso em Porto Alegre. É uma visão chocante. Centenas de focos de queimadas lançando aos céus uma fumaça branca que se funde em uma grande e densa nuvem a engolir o horizonte como se fosse um dia nublado. Queimadas são criminalizadas, porque só trazem prejuízos. Essa fumaceira afeta a saúde das pessoas, o solo gretado pelo fogo perde nutrientes e a cada ano animais silvestres perecem inocentemente. Isto sem mencionar a ameaça do fogo se espalhar para áreas de preservação ou mesmo para áreas urbanas. É o cúmulo que não se faça nada de consistente a respeito. Espalhar placas às margens das rodovias anunciando a criminalização das queimadas é uma ação inócua. Está na hora de se punir seriamente esse pessoal incendiário. Dizem que os municípios da região possuem áreas extensas e vias de acesso nem sempre franco. Mas, se conseguimos ver o horror de uma aeronave, porque os governos não se unem para mapear a ação dos criminosos? Será que fotografias de satélite não podem ajudar? Entra ano e sai ano e não ouço falar de ninguém sendo sequer multado.

A Zona Sul – despossuída pelo “desenvolvimento”? - Artigo de Kathrin Rosenfield

23 de julho de 2012 0

Caros, reproduzo abaixo artigo da amiga Kathrin Rosenfield, a propósito do sonhado centro cultural na Tristeza, em Porto Alegre, publicado na Zero Hora desse último domingo.


A cidade de Amherst, Massachussets, onde me encontro nesse momento, é chamada The Commonwealth of Amherst – Prosperidade Conjunta de Amherst. Ela tem 25 mil habitantes (mais ou menos o tamanho da Vila Assunção, da Tristeza e da Conceição juntos) e, para as decisões de administração e planejamentos, 250 cidadãos são eleitos para apresentar projetos e votar como serão desenvolvidas as diferentes áreas.  A cidade decide. Não é nem o prefeito, nem o secretário, nem o governador, nem o parlamento. São os delegados constituídos da cidade. Há críticas a essa atitude e talvez muitas delas sejam justas. No entanto, é admirável que uma cidade possa não somente decidir, mas ter critérios para decidir. Agora penso em Porto Alegre, no bairro em que moro e pelo qual eu luto – uma luta muitas vezes inglória, sobretudo quando se trata do planejamento de médio e longo prazo…


O desenvolvimento é atropelado, sem planejamento, feito ao sabor de interesses e idéias desconjuntadas. Rapidamente eliminam-se os pulmões verdes da orla, que – em vez de ser reservada para o uso comum (Common Wealth) dos moradores atuais e futuros -  já tem grandes partes loteadas para torres comerciais e residenciais. E como ficará o trânsito e os serviços básicos (de escolas a centros médicos e hospitais)? Ninguém sabe muito bem como tudo isso irá funcionar num futuro próximo. É claro que pouco se pensa nos espaços culturais. Enquanto os prédios históricos do Centro são restaurados, os bairros perdem seus casarões – ou ainda, eles caem em abandono, ou são cedidos para fins bizarros – como acontece nesse momento com os charmosos prédios do complexo arquitetônico localizado na Rua Landell de Moura, 430, no bairro Tristeza. Os moradores reivindicam há anos a transformação do local em centro cultural, ações explicitas, racionalizadas e insistentes começaram em 2005! Havíamos sugerido que o Governo se unisse com a iniciativa privada para criar uma ilha cultural necessária para o desenvolvimento saudável da Zona Sul, onde faltam cinemas de qualidade, livrarias e bibliotecas, teatros e salas para dança, salas de exposição e de conferências, cafés…

No entanto, fomos surpreendidos com a recente notícia de que esse mesmo local – que reivindicamos desde 2005 – será ocupado por nada menos que quatro entidades que não refletem nenhum dos desejos dos moradores: pelo Movimento Tradicionalista Gaúcho, pelo Instituto de Artes Cênicas do programa “Galpões Culturais”, por “um grupo da comunidade, que já está no local, mas que deverá apresentar um projeto de ações culturais e de manutenção do espaço”, e… pela Superintendência de Serviços Penitenciários – conforme uma decisão tomada numa “audiência pública” para a qual nenhum morador e nenhuma das entidades de bairro foram chamados.

As perguntas que se colocam são sem fim: quando e onde foi realizada essa audiência e quem participou? Sob que base o lugar foi cedido para o MTG e o que a SUSEPE vai fazer lá? E porque os reiterados pedidos da população não tiveram nenhuma resposta?   Se existia um movimento da comunidade desde 2005, porque ninguém foi chamando?

Mas a pergunta principal, a pergunta de principio para qualquer planejamento urbanístico e cultural é: Que critérios foram utilizados para que quatro atividades tão díspares fossem escolhidas para um espaço público? Um email para o gabinete da Secretaria da Cultura (enviado no dia 13 de julho) ficou – como é quase sempre de praxe – sem resposta.  As idéias, contribuições e reivindicações dos moradores são ignoradas. Fica claro que, aqui, não se trata de “prosperar conjuntamente”!

O colapso do serviço de taxis em Porto Alegre

10 de abril de 2012 4

Desde que fui morar em Florianópolis, tornei-me usuário bem mais frequente do serviço de transporte público em Porto Alegre. Afinal, chegando à Capital de avião ou de ônibus, a locomoção na zona urbana depende de outros meios, que não o veículo particular. Lembro-me da época de estudante, nos anos 1980 e 1990, quando eu costumava usar mais o transporte público. Os ônibus eram velhos, viviam lotados, às vezes sujos, a malha de linhas era precária e o atendimento dos funcionários ruim. Isso tudo mudou muito! Hoje, a cidade conta com uma frota renovada e uma malha bastante eficiente. Andar de ônibus ou de lotação é quase sempre uma experiência confortável.

Em compensação, desorganizou-se incrivelmente o serviço de taxis. Todo mundo reclama! Há dois anos venho denunciando esta barbaridade aqui pelo blog. De uns tempos para cá, o tema ganhou as manchetes dos jornais. Mas a Prefeitura, nada faz!

São poucas as cooperativas e companhias de teletaxi atuando na cidade. Em horários de pico e em dias de chuva, é impossível conseguir ser atendido ao telefone. As atendentes simplesmente tiram o telefone do gancho! Faltam veículos nos pontos de taxi. Em alguns, estabelecem-se filas monumentais. Reconheço que seja difícil de atender um fluxo ímpar como o do retorno do feriadão de Páscoa na rodoviária. Mas o problema do ponto de aeroporto Salgado Filho existe há anos e acontece em qualquer dia. E ninguém faz nada!

Certa vez, depois de perder cerca de meia hora esperando um táxi no aeroporto – e olha que era um dia normal, nada de feriadão – liguei para a EPTC para reclamar. Disseram-se que não tinham nada a ver com isso, que a fiscalização do funcionamento do ponto cabia à cooperativa. Vejam, cidadãos de Porto Alegre, a que situação absurda estamos condenados! O próprio prestador do serviço se autofiscaliza.

No ano passado, uma fratura obrigou-me a depender por um mês de muletas, de bengala e, logicamente, dos taxis. Foi um pesadelo! Quando se tem alguma dificuldade de locomoção, quando se está carregado de malas, o serviço de taxi não é um luxo, mas um gênero de primeira necessidade! Uma cidade que não consegue organizar este serviço convenientemente desrespeita o cidadão.

Um aspecto positivo no serviço de taxis em Porto Alegre é que a maior parte dos motoristas é composta de gente educada, honestíssima e respeitadora das leis de trânsito. Sou fã dos nossos taxistas. Não acreditam em mim? Experimente usar regularmente os taxis em cidades como Florianópolis, Rio de Janeiro ou – a pior de todas! – Buenos Aires! No Rio, a coisa já melhorou muito. Mas ainda há risco de se tomar um veículo imundo ou ilegal. Em Florianópolis, a regra dos taxistas é dirigir muito acima do limite de velocidade, falando ao celular, tagarelando baboseiras com os coitados dos passageiros. Depender de taxi comum em Florianópolis é uma praga! Em Buenos Aires, então, a todos estes problemas, soma-se razoável quantidade de motoristas sem vergonhas, que tentam roubar os passageiros. Se você for a Buenos Aires, não confie nos taxistas!

Diz a EPTC que não adianta conceder licenças extras tendo em vista eventos pontuais, como a Copa do Mundo. Estou de acordo. Mas já faz muito tempo que o dia-a-dia do usuário do serviço virou um inferno!

É evidente que faltam licenças em Porto Alegre! A Zero Hora já denunciou aquilo que todos sabiam, por ouvir dizer e por dedução lógica: que há um comércio paralelo e ilegal de licenças na cidade! Todos sabem que a concessão de licenças está congelada desde 1973. De lá para cá, muita coisa mudou. Se a população pode ter aumentado relativamente pouco, há um fluxo muito maior de pessoas de fora pela cidade, como aquelas ligadas ao turismo de eventos ou de negócios, por exemplo. O interior do Estado cresceu e as pessoas viajam mais. Dependem da rodoviária, do aeroporto e dos hospitais da Capital, por exemplo. E, além disso, imaginem o impacto numa cidade como Porto Alegre da enorme ascensão social que animou o Brasil nos últimos dez anos! É claro que as pessoas estão com mais dinheiro no bolso e mais dispostas a usar serviços como o de taxi!

Só ampliar significativamente as licenças resolveria tudo? Provavelmente não, embora resida aí o X da questão. Também seria preciso obras de engenharia em pontos mais tumultuados, como o da rodoviária e do aeroporto e, sobretudo, uma fiscalização com mais aferro e mais transparência sobre o serviço das cooperativas. A população tem o direito de exigir que as cooperativas sejam multadas quando tiram o telefone do gancho. E se não o são, alguém tem de explicar porque estamos reféns dessa barbaridade! É vácuo de atribuição? Incompetência? Falta de estrutura? Alguma maracutaia? Sei lá, mas a resposta tem de ser dada!

Se o Prefeito não enxerga isso tudo é porque está cego! Eu estou entre os mais de 70% de porto-alegrenses que aprova a gestão do Prefeito José Fortunati. Penso que é o melhor Prefeito que a cidade tem em muitos anos! Mas não é possível tapar o sol com a peneira nesse caso. A reação dele ao problema tem sido lenta e insatisfatória. Se a EPTC está mostrando incompetência para gerir o problema, o que já está mais do que notório para os usuários do serviço, deveria um Prefeito dinâmico chamar esta gente à responsabilidade e intervir no processo. É a imagem dele que está em risco aqui. E Fortunati é candidato à reeleição.

Não tem cabimento estarmos há anos discutindo este tema. O assunto já encheu o saco! Está na hora de ações objetivas e concretas. Chega de nhém nhém nhém!

Lançado livro "Pátria Gaúcha: o RS nas lentes de grandes fotógrafos"

06 de março de 2012 0

Na quarta-feira passada eu fui à cerimônia de lançamento na Fundação Iberê Camargo, em Porto Alegre, do livro Pátria Gaúcha. O trabalho está belíssimo. Com design de Marilia Ryff-Moreira Vianna e curadoria de Rogério Reis, a obra reúne fotografias sobre o Rio Grande do Sul de André Abdo, Celso Chittolina, Clovis Dariano, Cris Berger, Eneida Serrano, Eurio Sallis, Fernando Bueno, Flávio Dutra, Guto de Castro, Leonid Streliaev, Leopoldo Plentz, Luiz Carlos Felizardo, Luiz Eduardo Achutti, Marcos Luconi, Nede Losina e Raul Krebs. Abaixo, posto algumas das belas imagens para vocês.






















A. J. Renner – nota sobre uma grande liderança empresarial do Sul do Brasil

31 de janeiro de 2012 0

Está on-line meu artigo do mês na revista Voto.


A. J. Renner nasceu em Feliz, em 7 de maio de 1884, filho de descendentes de alemães. Seus pais tinham uma modesta padaria e seus avós eram agricultores ou militares. A família mudou-se para Montenegro, onde o pai de A. J. associou-se a uma serraria e a uma usina de banha. Jovem, A. J. Renner aprendeu ouriversaria em uma tradicional joalheira de Porto Alegre. Em 1907, converteu-se em sócio da empresa comercial de seu sogro e cunhados, em São Sabastião do Caí, a Christian Jacob Trein & Co, dedicando-se, assim, ao ofício de caixeiro viajante. Foi quando percorreu, no lombo de mulas, as antigas picadas da região colonial. Viajando sob intempéries, sol, chuva e até neve, percebeu que faltava aos caixeiros uma vestimenta adequada. Curioso, foi assim que acabou desenvolvendo o conceito da capa Ideal, que se tornou o maior sucesso da indústria têxtil do Rio Grande do Sul.
Para atender a produção do novo produto, desenvolvido a partir de muita pesquisa, em 2 de janeiro de 1911, sob a razão social de Frederico Engel & Co., entrou em operação uma tecelagem em São Sebastião do Caí. A razão social foi trocada, em 2 de fevereiro de 1912, para A. J. Renner & Cia. . Em 1916, a empresa foi transferida para Porto Alegre, barateando os custos de produção. Em Porto Alegre, Renner construiu uma organização vertical, adotando novas técnicas, revolucionárias para a época. Em breve, tornou-se referência para os industriais e empreendedores gaúchos e seus produtos começaram a ser vendidos em todo o Brasil.
Renner decidiu apostar na relação direta com o consumidor. Foi assim que disseminou pelo Estado uma rede de revendedores exclusivos de seus produtos. Logo em seguida, surgiram as “roupas em prova”, ou seja, ternos e paletós alinhavados, permitindo o ajuste em poucas horas na própria loja conforme especificações do cliente. Para isso, implantou em cada filial uma oficina anexa. Para dinamizar a comercialização, aproximando-a de mais bolsos dos consumidores, instituiu ainda um sistema de vendas a prazo. Tamanho foi o sucesso da loja que em 1932 ganhou uma sede própria. O edifício foi ampliado em 1935 e completamente reformado em 1944. Tornou-se uma das referências arquitetônicas do Centro de Porto Alegre
Aos poucos, as lojas foram comercializando novos produtos desenvolvidos pela fábrica. Dos costumes masculinos passou aos tailleurs para senhoras e daí à malharia de seda e lã. O aproveitamento dos retalhos deu origem à confecção de chinelos e sapatilhas. A insatisfação quanto à qualidade do solado conduziu-o a fundar um curtume, donde em seguida derivou toda uma linha de calçados. A preocupação com a qualidade da lã incentivou a companhia a estabelecer prêmios aos fornecedores. Distinguiam-se assim aqueles que apresentavam lãs mais limpas e regulares. Da mesma forma, o fornecimento de linho exigiu de A. J. longas horas de meditação. Estudou a cultura e o processo de colheita. Verificou onde se faziam necessários ajustes e transformações. Terminou incentivando o início de uma plantação modelo em Farroupilha. Com o propósito de aperfeiçoar a maceração da palha e o tratamento da fibra no próprio local de produção, associou-se aos agricultores.
Sempre muito atento às questões sociais, Renner foi um dos primeiros empresários brasileiros a investir pesadamente em qualificação e bem estar de sua mão-de-obra. Construiu vilas operárias, creches, refeitórios, criou cooperativas de crédito para seus funcionários. Tão amplos e importantes eram os benefícios estabelecidos que os operários de suas companhias negavam-se a aderir às greves gerais que paralisavam Porto Alegre, quando os trabalhadores lutavam por melhores condições de vida. Já com a implantação do sistema de três turnos em 1916, Renner inovou ao estabelecer a jornada de oito horas, o que era uma antiga reivindicação da classe operária. Em seguida, a eletrificação da produção, substituindo o maquinário a vapor, melhorou significativamente a rotina de trabalho, com a abolição de correias e polias. A medida reduziu também os acidentes.
Em 1930, Renner aderiu à Revolução de 3 de Outubro, ajudando, inclusive, a subvencioná-la. Foi graças ao sucesso desse movimento que a Federação das Indústrias do RS pôde ser fundada, em 1931, pois, até então, os velhos governantes do Estado faziam todo o possível para inviabilizar o surgimento de fóruns de organização na sociedade civil. A participação de Renner no movimento e sua proximidade a Getúlio Vargas, na época Governador do Rio Grande do Sul e líder da Aliança Liberal, ajudaram a desfraldar a bandeira da legislação trabalhista. Renner, já como presidente da Federação das Indústrias do RS, viajou a São Paulo para ajudar o Governo Provisório a convencer os empresários paulistas da importância da adoção no Brasil de medidas assistencialistas para os trabalhadores, bem como de uma legislação trabalhista moderna.  
Nos anos 1930, A. J. Renner foi representante classista na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul, chegando a galgar o posto de Vice-Presidente. Foi envolvido nas articulações políticas que determinaram no Rio Grande do Sul o fim do célebre modus vivendi, uma tentativa de regime parlamentarista, cujo corolário foi a queda do General Flores da Cunha do Governo.
O termo da Segunda Guerra mundial deu lugar a uma ampla reformulação do maquinário da empresa. Também foram construídos novos pavilhões e reformados os escritórios. Membro do Rotary Club, Renner engajou-se numa campanha mundial movida pela entidade que sugeria o caminho das obras e reformas como forma de ocupar a mão-de-obra e os capitais liberados com o final do conflito.
Durante os anos 1940 e 1950, A. J. Renner abraçou inúmeras causas. Defendeu a utilização de combustíveis alternativos, como o gasogênio e óleos vegetais. Advogou a causa da reforma agrária, insistindo que as cidades deveriam ser cercadas por cinturões verdes de pequenas propriedades rurais, distribuídas subvencionadamente aos trabalhadores sem-terra. Criticou sem trégua a política cambial, orçamentária e tributária de sucessivos governos. Pugnou pela garantia da liberdade de mercado e pelo recuo da intervenção do Estado na economia, que se consubstanciava seja sob a forma de agências reguladoras ou mediante a formação de monopólios estatais no setor de serviços públicos. Todavia, celebrou a criação de agências de fomento e de crédito à produção agrícola e industrial. Insistia na necessidade de racionalização e enxugamento da administração estatal. Propugnava a melhoria das condições infra-estruturais do País e se lançou numa campanha de valorização da atividade industrial, que tinha por metas a mudança de mentalidade, o reforço da imagem empresarial, o reequipamento do parque fabril, o desembaraço da produção mediante desregulamentação estatal e, sobretudo, a expansão do financiamento aos produtores.
Renner criticou o capitalismo liberal e atacou os extremismos políticos de esquerda ou de direita. Execrava o populismo demagógico. Acreditava na possibilidade de convivência da livre iniciativa e do lucro empresarial com a justiça social, em plena vigência de um regime democrático. Acreditava, ainda, na chance de cooperação construtiva entre Estado, trabalho, campo e capital. Pode, por isso, ser considerado como um dos precursores de um modelo próximo à social democracia no Brasil.
A.J. Renner faleceu em 27 de dezembro de 1966, aos 82 anos de idade, em Porto Alegre. Representou para o Rio Grande do Sul um paradigma do empreendedor dinâmico, que se afirmou à margem do amparo governamental e conquistou, por seus méritos, espaço de interlocução política. Foi lembrado por toda uma geração como o “Capitão de Indústrias”, apelido que não se remetia apenas a sua impressionante capacidade empreendedora, mas também, e, sobretudo, à condição de liderança política que empunhou ao longo de sua trajetória pessoal.