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Em discurso, vereador de Blumenau pede respeito e tolerância aos LGTBI

29 de junho de 2017 0

Bruno Cunha fez discurso contundente na Câmara (Foto: Jessica de Morais, CMB, Divulgação)

O vereador Bruno Cunha (PSB) fez um contundente discurso na sessão desta quinta-feira da Câmara de Blumenau ao falar sobre o Dia do Orgulho LGTBI, celebrado na quarta-feira.

Pediu respeito, tolerância e diálogo para a construção de uma sociedade mais plural. E alfinetou a Casa e alguns dos colegas de plenário, afirmando que a legislatura passada errou ao impossibilitar a discussão sobre gênero nas escolas – a proibição virou alvo de ação no Supremo Tribunal Federal.

De modo sutil, Bruno assumiu publicamente ser homossexual num ambiente em que este tipo de discussão ainda é um tabu. Discreto em relação à sua orientação sexual (ele não levanta bandeiras da causa LGTBI em sua atuação como parlamentar), o jovem vereador do PSB falou pela primeira vez sobre o assunto na tribuna.

Confira a íntegra do discurso:

Ontem (28 de junho) foi comemorado o dia de reflexão mundial dos direitos LGTBI.

Particularmente, não gosto da expressão orgulho LGTBI, porque entendo que da mesma forma que a sexualidade não deve denegrir, também não deve orgulhar.

A sexualidade não é nem qualidade, nem defeito, é característica.

Estou aqui pra dizer como demonstrado nesse vídeo, da ONU, que estamos em todas as profissões, em todos os países, estados e cidades do mundo. Estamos no comércio, na indústria, na universidade, estamos na política.

Estou aqui pra pedir a todos muita reflexão. Depende de cada um de nós a construção de uma sociedade plural, tolerante, amável, que substitua o julgamento pela compreensão, respeito e amor. Uma sociedade que aprenda a conviver pacificamente com as diferenças, com a pluralidade do gênero humano.

Estou aqui representando todas as pessoas que entendem o amor de forma inclusiva e não excludente e que consideram justa todas as formas, jeitos e maneiras de amar.

Estou aqui para dizer que a intolerância, o preconceito, a indiferença e a violência atingem, denigrem, machucam, matam.

Estou aqui para dizer que não cabe aoEestado permitir ou impedir a relação amorosa de pessoas do mesmo sexo. Não é apenas inconstitucional, é inconcebível e desumano.

Estou aqui para dizer que o que as crianças necessitam não são de pais e mães héteros, são de pais e mães que as deem amor, carinho, respeito, afeto, educação, independentemente da sexualidade.

Estou aqui pra dizer, meus colegas, que essa Casa errou na legislatura passada quando impossibilitou a discussão de gênero nas escolas, pois esse não é um tema da política, mas da ciência, pois sei, não em teoria, mas na prática, o quanto essa omissão é nociva, perigosa.

Estou aqui pra dizer também que não faço parte de coletivos LGBTI porque lamento que através de muitos métodos radicais, fanáticos, acabam muitas vezes prejudicando avanços institucionais.

Não é possível alcançarmos amor através de métodos de ódio, raiva, julgamento, rotulação.

Lamento que movimentos que não me representam e não representam muitos LGBTI tenham atitudes lastimáveis como moções de repúdio absurdas a estabelecimentos comerciais e em atos públicos serem desrespeitosos não cumprimentando bancas e autoridades.

Lamento muitos desses coletivos estarem estruturados por partidos políticos, manipulando pessoas bem intencionadas, com causas justas e necessárias.

Acredito que só avançaremos na construção de uma sociedade plural com muito respeito, tolerância, diplomacia, diálogo. Seguirei me comportando dessa forma, construtiva, respeitosa, com a ciência de que as mudanças sao gradativas e dependem da nossa sensatez, sensibilidade e capacidade de mostrarmos aos outros uma realidade distinta.

Se a vida sexual do seu amigo ou vizinho importa, saiba que tem algo errado na sua vida.

Que possamos avançar. Como diz Lulu Santos em uma de suas músicas, “vamos à luta e conhecemos a dor, consideramos justa toda forma de amor”.

Acredite, o mundo mais inclusivo depende de você, de cada um de nós. Que tenhamos mais empatia, tolerância, respeito e AMOR. Obrigado.

Ou veja o vídeo, publicado na própria página do vereador no Facebook:

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