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As semelhanças e diferenças no tom do discurso das entidades contra os governos Dilma e Temer

30 de junho de 2017 0

O Conselho das Federações Empresariais de Santa Catarina (Cofem), composto por Fiesc, Fecomércio, Faesc, Fetrancesc, Facisc, Fampesc e FCDL, lançou nesta quinta-feira um manifesto que pede o combate à corrupção e defende as reformas estruturantes como soluções para mudar a realidade nacional.

O documento, intitulado “Por um novo Brasil”, diz que é preciso valorizar quem trabalha, empreende e vive honestamente. Coincidência ou não, foi lançado horas depois de a Comissão de Constituição e Justiça do Senado aprovar o relatório favorável à reforma trabalhista – o texto segue agora para o plenário.

O posicionamento das entidades não surpreende, já que todas elas têm defendido abertamente as reformas – incluindo aí também a da Previdência –, necessárias para, segundo elas, tornar o Brasil mais competitivo e estimular a geração de empregos. O que chama atenção é a mudança no tom do discurso.

Em março do ano passado, cerca de dois meses antes da abertura do processo que culminou no impeachment de Dilma Rousseff, o Cofem também havia lançado um duro manifesto. Há semelhanças entre o texto daquela época e o de agora. Ambos, além de defenderem as reformas, pedirem a valorização do setor produtivo e aclamarem por união dos brasileiros para atravessar o momento de turbulência, citam a gravidade da crise ética, política e econômica do país. Mas há algumas diferenças que, embora soem sutis, são pontuais.

Manifesto do Cofem de março de 2016…

…e o de junho de 2017

Apesar de não mencionar nomes, os manifestos têm destinatários distintos. O primeiro criticava abertamente a gestão de Dilma, questionando os rumos tomados pelo então atual governo e afirmando que ele havia perdido as condições para guiar os destinos do país.

O de agora não faz menção direta ao Executivo – fala em corrupção “em todas as esferas do poder” –, apesar de Michel Temer ter se tornado o primeiro presidente a ser denunciado por corrupção, contar com uma penca de ministros investigados por supostos atos ilícitos e amargar a menor aprovação popular dos últimos 28 anos.

Se antes o manifesto defendia um novo governo com credibilidade, agora o Cofem se dirige especificamente ao Congresso Nacional – ou seja, ao Legislativo –, manifestando apoio a deputados e senadores que têm se posicionado pela aprovação das reformas.

Pelo menos duas leituras podem ser feitas a partir do teor dos dois manifestos:

1) Para a classe empresarial e o setor produtivo, o interesse pelas reformas se sobressai independentemente de qual partido esteja no poder;

2) As pequenas melhoras de alguns indicadores econômicos e a iminente votação das reformas (sobretudo a trabalhista), que criam um cenário positivo de possível saída desta longa e profunda recessão, deixam as denúncias de corrupção que recaem sobre o atual governo em segundo plano.

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