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Aos 135 anos, Karsten se reinventa para enfrentar os desafios do setor têxtil e as dificuldades financeiras

30 de setembro de 2017 1

Se dizem que só o tempo cura feridas abertas, também é verdade que o passar dos anos pode ser uma oportunidade de recomeço. Testemunha da evolução industrial do último século, a blumenauense Karsten encontrou justamente na capacidade de se reinventar a fórmula da longevidade de suas 135 primaveras, celebradas na sexta-feira. O momento é de comemoração, mas sem motivos para acomodação. A empresa que nasceu das mãos de imigrantes alemães prepara novos movimentos para se renovar e manter a posição de sexta companhia mais antiga do país em operação.

Dentro desta centenária jornada, a última grande transformação ocorreu em 2014, quando investidores externos à família fundadora anunciaram a compra de 25% do capital da tradicional empresa têxtil instalada no Testo Salto. O grupo, liderado por Armando Hess, um dos herdeiros da Dudalina, despejou R$ 40 milhões na operação para aprimorar a gestão e fortalecer a capacidade de investimento da Karsten.

Alvin Rauh Neto, diretor comercial da Karsten: empresa foi totalmente reestruturada nos últimos três anos (Foto: Lucas Correia, Jornal de Santa Catarina)

O objetivo do aporte: fazer frente ao crescimento das dívidas, agravado pelas crises do setor têxtil e por uma estratégia de negócio que por anos foi concentrada sobretudo nas exportações, afetadas pela política macroeconômica que resultou na depreciação do dólar e pela ascensão de países asiáticos no ramo, como a China.

– Nós reestruturamos quase tudo nos últimos três anos – resume Alvin Rauh Neto, ex-presidente da companhia, sócio do novo grupo investidor e atualmente no cargo de diretor comercial.

Mergulhada em um cenário semelhante ao de centenas de empresas país afora, a “lição de casa” citada pelo executivo exigiu cortes na própria carne. Neste período, a Karsten desativou uma fábrica no Nordeste e fechou o centro de distribuição então instalado em Gaspar, concentrando essas operações na matriz, em Blumenau. Também se desapegou de linhas de produtos que não eram rentáveis e reorganizou a área comercial.

Para não ficar apenas na defensiva, investiu em máquinas e modernização do parque fabril e ampliou ações de marketing e relacionamento com parceiros de negócios e consumidores. As exportações ficaram limitadas a 10% da receita, com essas vendas direcionadas a países onde a marca já é mais consolidada, principalmente na América Latina.

No mercado doméstico, a aposta é na força da tradição da marca Karsten no segmento de cama, mesa e banho e no desenvolvimento de produtos de valor agregado. A lista inclui desde tecnologias que garantem que mesmo toalhas mais fofas tenham maior capacidade de absorção à aplicação de nanopartículas que diminuem efeitos de crises alérgicas, além de toalhas de mesa “antiformigas”, com lâmpadas de LED e mais resistentes à lavagem.

Em outras frentes de negócio, a empresa mira o mercado de venda de tecidos, com a criação de uma linha de decoração de paredes, e aos poucos começa a se aventurar no varejo, caminho já trilhado com sucesso por outras grandes indústrias têxteis da região como Hering e Dudalina. Já são seis lojas espalhadas por Santa Catarina, Paraná, Rio Grande do Sul e São Paulo. Há também uma operação de comércio eletrônico tirada do papel há dois anos, que já começa a render bons resultados.

– Estamos aprendendo a varejar – diz Rauh Neto.

As mudanças implementadas deram novo ânimo aos negócios, mas ainda estão longe de garantir saúde financeira à Karsten. Os últimos balanços operacionais apresentam indicadores no vermelho. No final do primeiro semestre deste ano, os prejuízos acumulados beiravam os R$ 340 milhões. O calcanhar de Aquiles das contas da companhia são as debêntures, títulos de renda fixa de longo prazo emitidos por empresas e que devem ser resgatados na data do vencimento, pagando juros ou dividendos aos seus compradores.

A complexidade na negociação desses créditos suscitou especulações de que a Karsten estaria cogitando pedir recuperação judicial, um mecanismo previsto em lei federal que cria condições mais favoráveis para o pagamento das dívidas. Rauh Neto, porém, descarta esta hipótese e diz que a empresa mantém diálogo com os credores para buscar uma solução para a situação. Enquanto isso, as atenções se dividem com o que está por vir.

– Uma empresa só chega aos 135 anos de vida se estiver olhando para frente, para o futuro – avalia o executivo, indicando o segredo que sustenta a companhia desde 1882.

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Comentários (1)

  • Carlos diz: 1 de outubro de 2017

    Investi alguma coisa em ativos desta empresa, fiz uma pessima analise , comprei e cheguei a perder 30%, quando perdi somente 15%, me desfiz dos ativos e parti para outra, infelizmente em nossa região com exceção da Hering e Metisa de Timbo, não há outras empresas atrativas para se investir em ações. Mesmo assim considero uma boa empresa, mas falta resiliência, seus produtos são ótimos, num futuro quem sabe poderei adquirir alguma coisa da Karsten, mas no momento ela me decepcionou um pouco.

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