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Os bastidores da tumultuada sessão da Câmara sobre diversidade de gênero

27 de outubro de 2017 2

Foto: Lucas Correia, Jornal de Santa Catarina

Muito pouco se falou da essência da proposta do ciclo de palestras sobre diversidade – não apenas de gênero – que a Escola Elza Pacheco vai promover em novembro durante a tumultuada sessão ordinária da Câmara de Vereadores desta quinta-feira.

Da direção da unidade de ensino vem a informação de que o tema foi escolhido a partir de demandas dos próprios alunos, adolescentes entre 15 e 18 anos – longe, portanto, de serem crianças – que querem entender melhor o que isso quer dizer.

Mas numa tarde de tensão no plenário e ânimos exaltados de integrantes de movimentos contrários e favoráveis ao diálogo sobre o assunto, houve mais uma disputa com contornos políticos sustentada na polarização entre esquerda e direita do que espaço para o efetivo debate.

Os discursos fugiram do foco quando migraram para temas paralelos à questão, como exposições de arte, cirurgias de mudança de sexo, religião e diferentes composições de família. Sem unidade, é zero a chance de haver conversa produtiva.

Como manda o figurino

O maior retrato da polarização foi a composição do plenário: favoráveis ao diálogo sobre gênero ocuparam as poltronas mais à esquerda, enquanto os contrários permaneceram do lado direito.

Guerra virtual

Ativistas religiosos usavam o Whatsapp para informar os rumos da sessão a colegas que não estavam no plenário. Em grupos que faziam menção a Deus e à família, mensagens alertavam sobre a “guerra” que estaria por vir.

Maestro

Ricardo Alba (PP) estava em casa. A maioria presente no plenário era favorável à restrição do debate de gênero nas escolas. Após um discurso ácido contra a esquerda, o vereador foi ovacionado. Enquanto ouvia o apoio de seu público, fazia o típico gesto do maestro que comanda uma orquestra.

Farpas

O vereador Ito de Souza (PR) acusou Alba de inflar os ânimos do público presente. Os dois trocaram farpas.

Mea culpa

Os vereadores Sylvio Zimmermann (PSDB) e Alexandre Caminha (PROS), que votaram favoráveis à moção de repúdio à escola, admitiram que não analisaram a fundo o tema.

Segurança reforçada

A Polícia Militar reforçou a segurança na sede da Câmara ontem. Em alguns momentos, cerca de 10 agentes estavam dentro da Casa, divididos entre os acessos do prédio e do plenário. À medida que a discussão foi esfriando, alguns foram dispensados. Felizmente não foi preciso usar de força para conter os mais exaltados.

E eles?

Principais interessados no assunto, estudantes da Elza Pacheco não tiveram voz na discussão. Algumas alunas da escola presentes na Câmara pediram a palavra no plenário. Não tiveram o pedido aceito pelo vice-presidente da Casa, Almir Vieira (PP), que alegou que o regimento interno da Casa não permitiria a intervenção.

O parlamentar também sustentou que, se a palavra fosse aberta a um, deveria ser aberta a todos ali presentes, o que causaria ainda mais confusão.

Estudantes ouvidos pelo blog relataram que a repercussão foi exagerada e que a proposta do evento foi distorcida.

Foto: Lucas Correia, Jornal de Santa Catarina

Ternura no caos

Algumas integrantes da Rede Feminina de Combate ao Câncer ficaram assustadas com o tumulto da Câmara. Muitas não sabiam dos protestos marcados. A tribuna livre – momento que antecede o início das sessões e onde representantes da sociedade podem apresentar projetos e solicitar demandas – estava reservada para a entidade ontem.

Os relatos de mulheres que passaram por procedimentos para retirada de mamas representaram um raro momento de unanimidade do dia, provocando aplausos de todos os presentes. Antes de saírem, elas foram presenteadas com rosas.

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Comentários (2)

  • Sandro diz: 28 de outubro de 2017

    “ain esquerda isso, ain esquerda aquilo”

    Ricardo Alba é como o Dória: parecia promissor nos primeiros dias, mas caiu a máscara rapidinho.

    “Principais interessados no assunto, estudantes da Elza Pacheco não tiveram voz na discussão. Algumas alunas da escola presentes na Câmara pediram a palavra no plenário. Não tiveram o pedido aceito pelo vice-presidente da Casa, Almir Vieira (PP), que alegou que o regimento interno da Casa não permitiria a intervenção.”

    Iriam acabar com o showzinho, não é mesmo?

    “o tema foi escolhido a partir de demandas dos próprios alunos”

    Vergonha total.

    Pior vereador da cidade vai virar prefeito interino. Depois ainda criticam nordestino, como se blumenauense soubesse votar.

  • Flávio diz: 28 de outubro de 2017

    Ideologia de gênero é esquizofrenia social. Fora isso nas escolas.

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