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Ônibus perdem 293 mil passageiros no trimestre em Blumenau

30 de outubro de 2017 11
Foto: Lucas Correia, Jornal de Santa Catarina

Foto: Lucas Correia, Jornal de Santa Catarina

É grande o desafio que Seterb e Blumob têm de encarar para recuperar o sistema de transporte coletivo de Blumenau. Os veículos zero quilômetro com wi-fi e tomadas para carregar celulares, grandes novidades da nova operação, estão longe de serem suficientes para fazer o blumenauense trocar o carro particular ou aplicativos como Uber pelos ônibus.

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De julho (mês em que começou a atuar com a frota renovada) até setembro, a empresa conduziu 6.805.568 pessoas. No mesmo período do ano passado, à época já atuando sob um contrato emergencial, foram 7.098.940. Ou seja, houve perda de 293.372 passageiros no trimestre.

Foi justamente esta menor demanda um dos principais fatores que culminaram na readequação da tabela do sistema, anunciada pelo poder público há 10 dias. Trinta das 89 linhas passaram por readequações. Na ponta do lápis, 83 horários foram eliminados. Com isso, houve uma redução de 896 quilômetros rodados por dia. Só isso garante, segundo o presidente do Seterb, Carlos Lange, uma economia diária de 300 litros de óleo diesel. Sem contar na menor despesa com manutenção dos carros e mão de obra.

Autarquia e empresa asseguram que todos esses fatores serão considerados no momento de revisão da tarifa, previsto para dezembro. Segundo o sindicato dos trabalhadores do transporte coletivo (Sindetranscol), as alterações não provocaram demissões de funcionários.

As mudanças, diz Lange, buscam o equilíbrio financeiro da operação, como está previsto no contrato. Para o sistema ser economicamente viável, é preciso transportar uma média mensal de 2.053.569 passageiros pagantes da tarifa integral.

Em setembro, por exemplo, o volume total foi de 2.228.660. Mas desta conta se tiram os 76.186 usuários que tiveram o benefício do embarque gratuito. Como estudantes pagam meia passagem, também é preciso dividir o número de integrantes desta categoria – que chegou a 423.617 no último mês – por dois. Feito isso, restam 1.940.666 pessoas que de fato pagaram a tarifa cheia.

Nos três primeiros meses de operação, esta média ficou em 1.985.977. Há, portanto, um déficit mensal que gira em torno de 67 mil passageiros.

Tanto Seterb quanto Blumob admitem preocupação com os números e afirmam que os esforços estão centrados em garantir um sistema sustentável ao preço mais acessível possível. Diretor da empresa em Blumenau, Maurício Garroti diz que o cenário de queda de passageiros é geral e se repete em outras cidades onde a Viação Piracicabana atua, como Brasília, Ribeirão Preto (SP) Mogi das Cruzes (SP), Uberaba (MG) e na região da Baixada Santista. Não é um problema exclusivo daqui.

Ninguém em sã consciência torce para uma nova quebra do sistema. O governo Napoleão pagaria um preço alto, inclusive político, se isso acontecer. A empresa não quer perder dinheiro e sabe que uma tarifa muito abusiva só vai espantar ainda mais o usuário. E a cidade precisa de uma alternativa de transporte coletivo segura e de qualidade até mesmo para fazer frente ao estrangulamento da mobilidade urbana.

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Comentários (11)

  • Emerson diz: 30 de outubro de 2017

    “O cenário de queda de passageiros é geral e se repete em outras cidades onde a Viação Piracicabana atua, como Brasília, Ribeirão Preto (SP) Mogi das Cruzes (SP), Uberaba (MG) e na região da Baixada Santista. Não é um problema exclusivo daqui.” – A empresa é ruim, fato, porém há uma boa parcela de responsabilidade daqueles que deram aval a destruição do transporte público de Blumenau.

  • Andreas Kegel diz: 30 de outubro de 2017

    O tiro no pé foi colocar novos ônibus SEM AR CONDICIONADO. Em Blumenau, não é luxo, é necessidade…

  • Felipe diz: 30 de outubro de 2017

    Ué, e na época do Siga manter o sistema de transporte público economicamente viável não era do interesse público?
    Acho que a boquinha da Piracicabana é maior né.
    Parabéns ao prefeito Napoleão por ter catalputado o sistema de transporte público blumenauense 20 anos para o passado (mas com precinho corrigido para inflação em 2017).

    Ok, a real é a seguinte: a maioria das pessoas não se importa com wifi ou tomadinhas USB no ônibus. Elas querem ficar o mínimo de tempo possível no ônibus ou esperando por ele.

    Ao invés de coisas inúteis (mas baratinhas) como essas, esses ônibus deveriam ter MAIS horários (e não menos), para que as pessoas possam se locomover com dignidade pela cidade, e sem levar uma hora para chegar em casa ou no trabalho. E os ônibus deveriam oferecer um mínimo de conforto (ar condicionado alguém?), principalmente no verão infernal de Blumenau.

    Enquanto isso não acontecer, só quem não tem opção vai continuar pegando ônibus nessa cidade: estudante (que não dirige… e paga meia passagem), gente que pode chegar suada e fedendo a suor no trabalho, ou gente que mora perto do trabalho e por isso fica pouco tempo no ônibus.

  • Fernandes diz: 30 de outubro de 2017

    Boa tarde só não ve quem não quer, mais quem está quebrando o transporte publico no país são esses aplicativos de transporte que trabalhão na clandestinidade sem nenhuma regulamentação, tem que haver regulamentaçaõ sim para poder dar mais segurança aos usuarios, se não vai virar uma terra sem lei e quando estas empresas quebrarem o transporte público dai não adianta reclamar do preço, porque dai já será tarde, porque eles conseguirão monopolizar o sistema. Não sou contra aos aplicativos mais do jeito que está não pode funcionar.

  • Bugado diz: 30 de outubro de 2017

    Quem reside num raio de 10 km do trabalho e tem carro não será masoquista para pegar ônibus. Mas o povo precisa ter consciência sobre o tema mobilidade. Então eu pergunto se os nossos administradores vão trabalhar de ônibus. Lógico que não! Transporte subsidiado? Nem pensar! Algum empresário tem que ganhar, sempre. O povo? Que se lasque!

  • Sérgio Luiz Zoz diz: 30 de outubro de 2017

    O POVO está dando uma resposta clara e direta de repúdio ao péssimo serviço público de transporte de passageiros prestado em nossa cidade e em todo o país!!! O POVO não aguenta mais um sistema que não atende mais as suas necessidades e que nunca pensou em se modernizar, mas sim, sempre cobrar mais e mais caro!!! NADA supera a QUALIDADE, RESPEITO e PRATICIDADE dos APP’s!!! Só um cego, idiota ou perfeito energúmeno não enxerga o óbvio!!! O POVO SABE O QUE É BOM!!!!!

  • Fernando diz: 31 de outubro de 2017

    Pelo menos nos ônibus troncais deveriam ter ar -condicionado, fora o sucateamento dos terminais de ônibus como por exemplo o terminal da fonte que ja esta a mais de dois anos com aquela cobertura estragada desde que caiu uma árvore sobre ela.

  • Carlos diz: 31 de outubro de 2017

    Com certeza quantidade de motos na cidade aumentou proporcionalmente a redução do número de passageiros que optaram por um meio mais rápido e independente. Obviamente o sistema de transporte público não está atendendo as necessidades de boa parte da população.

  • Valerio diz: 31 de outubro de 2017

    Confundir onibus novos com transporte publico moderno leva a isto. Para se deslocar 18km, levar mais de 1h não é extamente um transporte eficiente..

  • Hans diz: 31 de outubro de 2017

    Serviço ruim + desemprego + falta de estudos para criar linhas novas que pudessem atender mais pessoas em menor tempo + wi-fi que não funciona (sim tenho conhecidos que usam ônibus que me falaram que o wi-fi é uma bosta) + falta de ar condicionado + passagens caras + umas coisitas mais = PERDA DE PASSAGEIROS

  • Luís Holl diz: 1 de novembro de 2017

    Diminui o número de passageiros por que é mais barato andar de carro que de ônibus. O número de passageiros só vai aumentar quando o preço da passagem for menor que o custo de percorrer de carro a distância média percorrida pelo passageiro da blumob. Mas não se pensa num sistema de transporte coletivo pra reduzir o tráfego, se pensa em como manter lucrativa uma empresa.

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