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Estratégia global de crescimento da Philips passa por Blumenau

01 de dezembro de 2017 0

Evandro Garcia, diretor de vendas, marketing e serviços da Philips na América Latina (Foto: Divulgação)

Em breve o centro tecnológico que a Philips mantém em Blumenau vai começar a desenvolver novos softwares para atender a área pública de saúde. A ideia é abranger toda a cadeia do setor, com soluções para atenção primária, gestão e medicina preventiva. Serão produtos pensados para reduzir despesas ligadas à assistência e ao tratamento dos pacientes, explica Evandro Garcia, diretor de vendas, marketing e serviços da multinacional holandesa para a América Latina.

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— Hoje os custos não param de aumentar e a capacidade de financiamento é cada vez menor para a saúde — justifica o executivo.

Inaugurado em junho de 2016, o polo blumenauense da empresa passou por uma ampliação recentemente. Uma nova área de 2,5 mil metros quadrados – já prevista no planejamento inicial – foi entregue no início de setembro. Mais 100 funcionários foram contratados, elevando o quadro para 608.

O carro-chefe da unidade é o Tasy, software de gestão para hospitais e clínicas criado pela Wheb Sistemas, empresa local comprada pela Philips em 2010. Dali a solução é comercializada para clientes da América Latina, Europa e Ásia.

Na entrevista a seguir, Garcia fala dos planos da empresa para a cidade.

Como estão os negócios da Philips no Brasil e quais as perspectivas para este ano?

A Philips é holandesa, tem 125 anos, mas pouca gente sabe que está há 100 anos no Brasil. Agora, a companhia passa por uma transformação muito forte, que acelerou muito nos últimos seis, sete anos. Tomamos a decisão estratégica de ser uma empresa focada só em saúde. Tudo que é desenvolvido hoje é pensado para aquilo que o mercado precisa de prestação de serviço nessa área. Essa estrutura em Blumenau é, talvez, a principal dentro dessa transformação que a Philips tem em todo mundo. É um centro de inovação e de desenvolvimento de novas tecnologias, onde conseguimos pensar e desenvolver soluções para o Brasil, América Latina e todos os países do mundo. O Tasy (software carro-chefe) é um produto world class, pensado e desenvolvido para atender as necessidades de todo mundo. Ele é a base de uma estratégia global da Philips, onde a gente pretende nos próximos anos acelerar mais as soluções de conectividade e de integração de dados de pacientes. A gente tem colocado muita energia nessa unidade de Blumenau, que não para de expandir. Temos certeza que os próximos anos continuarão sendo de crescimento.

A empresa acabou de inaugurar uma expansão da planta em Blumenau. Qual o tamanho do investimento feito na cidade até hoje?

Dobramos a nossa capacidade em pouquíssimo tempo, desde que a unidade foi inaugurada, há pouco mais de um ano. E posso te garantir que em um ano em que a maioria das empresas passou por uma reestruturação, uma reorganização de custos, de capacidade de investimento, a Philips fez investimentos fortíssimos financeiros e também na contratação de pessoas. Aqui (em Blumenau) trabalham pessoas de altíssima capacidade profissional. Esse é um ponto muito forte também que encontramos em Santa Catarina. A formação acadêmica das pessoas é muito boa e o nível dos profissionais, muito alto. Isso tudo, somado à capacidade de investimento que a Philips tem por ser uma empresa global, superior à da maioria das empresas, e somado a uma estratégia de crescimento global, resultou na entrega desse grande projeto aqui em Blumenau.

As soluções desenvolvidas aqui vão para quais países?

O Tasy hoje atende toda a América Latina e projetos na Europa e no Oriente Médio, mas ele está sendo desenvolvido para atender todos os mercados. Então, independentemente do lugar que decidirmos começar a comercializar o produto, o Tasy já está preparado. Por isso que o que é desenvolvido aqui em Blumenau é uma solução world class, que pode atender qualquer necessidade do mercado global, seja em laboratórios, clínicas, operadoras de saúde, hospitais, toda a demanda de serviços de saúde pública ou privada. Estamos focados em atender toda a cadeia produtiva do segmento. A gente enxerga e tem visto, independentemente do mercado que a gente esteja falando, que as necessidades são muito parecidas. O mercado de saúde hoje precisa ser reinventado do ponto de vista de modelo financeiro, de cobrir os custos na área, que não param de crescer. E a capacidade de investimento é sempre menor. Então também estamos pensando nisso: como desenvolver soluções de altíssima tecnologia para suportar a redução dos custos de saúde.

Além do Tasy, a empresa está trazendo outras soluções que eram desenvolvidas lá fora para o centro de Blumenau. Quais são?

Temos hoje softwares para suportar toda a parte de diagnóstico e tratamento em cardiologia, como o IntelliSpace Cardiovascular, que é um produto global da Philips que agora está sendo desenvolvido integrado ao Tasy para atender o mercado do Brasil. Os clientes que já têm o Tasy em todo o país podem ter agora essa solução de cardiologia, que dá suporte aos médicos no diagnóstico de seus pacientes internados.

Esse movimento começou quando?

Começou há cerca de um ano dentro do planejamento estratégico de ter novas soluções integradas. Isso faz parte de uma estratégia da Philips de ter suas soluções conectadas. Cada vez mais essa é uma tendência de mercado, de que você possa ter soluções diversas e integradas em um único produto.

Há uma demanda grande na região por mão de obra qualificada neste setor. Como você enxerga essa questão, já projetando o crescimento da Philips?

Um gap grande é a comunicação. A língua inglesa ainda é um problema. A gente tem encontrado profissionais com perfil acadêmico bom. Uma das soluções que encontramos para corrigir algum gap no perfil necessário e mais adequado que o mercado exige foi investir em capacitação e desenvolvimento interno. Hoje temos programas que vão desde o inglês até formação acadêmica em projetos que a empresa patrocina e investe para que essa mão de obra seja a mais adequada possível ao que o mercado global exige. E a exigência é alta.

O que está sendo pensado para a unidade de Blumenau para os próximos anos?

Estão sendo pensadas várias coisas. Eu não posso abrir todos os detalhes ainda, mas posso dizer que vamos desenvolver nos próximos anos muita solução de software para atender a área de saúde púbica. Toda a parte de atenção primária de saúde, de conectividade, de gestão de saúde populacional e medicina preventiva serão foco de desenvolvimento da Philips, para apoiar e suportar os mercados públicos e privados na redução do custo assistencial e dos custos de tratamento dos pacientes. Hoje os custos não param de aumentar e a capacidade de financiamento público ou privada é cada vez menor para a saúde. Esse será o foco. Blumenau é o centro que vai criar essas soluções.

A Philips ainda é muito vista como um fabricante de eletrônicos, embora haja essa mudança de foco para a área de saúde. Há uma preocupação da empresa em mudar essa percepção?

Isso gradativamente, todo ano, fica mais claro para o mercado. A Philips tomou uma decisão estratégica de ser uma empresa de saúde. E quanto tomou essa decisão, ela praticamente abriu mão de ter outras soluções. Nós já fomos líderes globais de áudio e som. Tomar uma decisão dessa, portanto, não é fácil, é preciso ter muita clareza do caminho que se está traçando. Hoje não temos mais participação nos negócios de áudio e som e iluminação. Somos uma empresa 100% pensada, desenvolvida e criada por pessoas que vêm da área de saúde. Hoje no centro de Blumenau, além de pessoas na área de desenvolvimento de softwares, temos médicos, enfermeiros, fisioterapeutas, farmacêuticos, profissionais de saúde pensando em soluções para saúde. Isso é um reflexo daqui que também acontece na empresa em todo o mundo.

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