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05 fev12:25

Pelotas em concerto

Sancler Ebert, Zero Hora

Por duas semanas, de forma ininterrupta, e durante o dia inteiro, os moradores de Pelotas irão conviver com o som de cantos líricos e de instrumentos como violino, saxofone e piano. De um lado a outro da cidade, músicos vão se reunir para trocar experiências e aperfeiçoar técnicas no 1º Festival Internacional Sesc de Música. Se para os profissionais o período vai ser rico em aprendizado, para o público vai ser de deleite com a música erudita – e de graça.

Locais como o Teatro Guarany, a Arena da Praia do Laranjal, a Catedral São Francisco de Paula, o Hospital Municipal e o Clube Brilhante serão cenários de recitais, música de câmara, concertos e óperas, todos com entrada gratuita para o público, a partir desta segunda-feira (o domingo é dedicado apenas ao cadastramento dos participantes). O evento é inspirado no Festival Internacional de Inverno de Campos do Jordão. Diz o gerente de Educação, Assistência e Cultura do Sesc/RS, Silvio Bento:

– Precisávamos de um festival gaúcho deste porte, para que os estudantes não precisassem viajar para outros Estados quando quisessem contato com grandes nomes.

Aluno do Conservatório de Música da Universidade Federal de Pelotas, Renan Reis Leme, 21 anos, reitera a fala de Bento. Ansioso para entrar em contato com artistas de sete países e de 17 Estados, o jovem violinista espera que a comunidade do município aproveite o intensivo musical proposto.

– Existe um ganho duplo para quem é da área, no sentido que nos renovamos ao trocar experiências com músicos de todo país e de fora e também porque o público da região, que é o nosso, cria uma maior cultura musical – acredita Renan.

Impedida de tocar piano, que era sua grande paixão, devido a uma artrite reumatoide nas mãos, Veridiana Lima, 23, descobriu que podia continuar na música usando as cordas vocais. Cantora lírica, a pelotense entende que a cidade também estará encontrando-se novamente com a música, após seu memorável passado cultural.

Pelotas recebe o evento, em grande parte, por uma questão de estrutura.

– Não é toda cidade que conta com um teatro como o Guarany, um dos melhores em acústica do Estado – destaca Sílvio Bento.

O apoio das universidades que têm núcleos de música e o passado efervescente, quando grupos de ópera que faziam temporadas na Argentina e no Uruguai incluíam Pelotas em seu roteiro, também pesaram na escolha.

Evento promove aulas e oficinas na periferia

O lado social do projeto vai levar a música à periferia de Pelotas, com aulas de musicalização para crianças e adolescentes em associações de bairros. A ideia é estimular nos participantes o gosto pela música. Também está prevista a construção de instrumentos, pelos próprios alunos, com material reciclado. Além das oficinas, devem ocorrer apresentações nas comunidades.


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