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04 abr10:34

Pelotense portador de síndrome de down é o primeiro do país a receber diploma de curso técnico

Sancler Ebert, Zero Hora

O diploma entregue a Gustavo Bicca, 30 anos, neste sábado (2) à noite em Pelotas, representou uma conquista única para família do rapaz, assim como também para o país.

Formado em Agroindústria pelo Instituto Federal Sul-rio-grandense (IFSul), Bicca é o primeiro portador de síndrome de down a finalizar um curso técnico profissionalizante no Brasil.

- Como o país é pólo inovador em educação na América do Sul, talvez ele seja também o pioneiro da América Latina – apostou o coordenador de educação profissionalizante e técnica inclusiva do Ministério da Educação, Franclin Nascimento. O funcionário do MEC fez questão de participar da colação no Theatro Guarany onde discursou sobre a inclusão de alunos.

Enquanto o curso normal tem três anos, Bicca levou quase nove para fazê-lo. Para o reitor do IFSul, Antonio Carlos Brodi, para que os alunos diferente possam se desenvolver e se formar é preciso respeitar suas diferenças.

- Cada um tem seu tempo próprio, desenvolve de acordo com sua potencialidade. O senso comum diz que temos de tratar todos iguais. Ele demorou mais porque nós não estávamos preparados para ele, o que precisamos é preparar a instituição para estar apta a receber todo tipo de estudante – conclui.

Outro ponto abordado durante a formação de Bicca foi o pós-curso. De acordo com a diretora de ações inclusivas do IFSul, Gisela Loureiro Duarte, houve uma preocupação de que o estudante pudesse trabalhar após finalizar as aulas. Como a família de Bicca é proprietária de uma chácara, o recém-formado desenvolveu um projeto para cultivar e vender rosas.

- Assim ele pode agregar o conhecimento que aprendeu no curso com o que ele vai trabalhar – reflete Gisela.


Pelotense deve continuar estudando

Perfeito. É assim que Bicca resume a noite em que se formou. O coração parecia que ia sair pela boca, confessa ele que estava nervoso com a colação. Com a capacidade de conquistar qualquer um com pouca palavras, o pelotense foi ovacionado ao ter seu nome chamado durante a formatura.

- Nos surpreendeu ver todos os outros colegas levantando e batendo palmas para ele, porque uma das maiores dificuldades para a inclusão é o preconceito – conta a mãe do recém-formado, Marilene Bicca.

Antes mesmo de ter o diploma do curso técnico em mãos, o estudante já estava vivendo seu novo desafio. Matriculado no curso de jornalismo, Bicca tem participado de algumas disciplinas como aluno especial. O vestibular ele deve tentar no ano que vem. O seu sonho é trabalhar com marketing. Mas e as rosas, questionam os familiares? – Vou continuar vendendo elas – revela com um largo sorriso, pouco antes de oferecer a reportagem a compra de alguns botões da flor.


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Um Comentário »

  • Peri disse:

    História inspiradora essa do Gustavo. Ele sempre teve o incentivo de seus pais, que lhe estimularam a praticar tênis, natação e diversas atividades que ajudaram no seu desenvolvimento. Lembro que Gustavo quando ele era bem novo e ia para o Parque Tênis Clube jogar tênis. Era super carinhoso, conversava com todo mundo e era adorado por todos. Também ficava na frente da casa dele na Dom Joaquim e era festejado por quem o conhecia. De fato, um menino muito especial, que merece suas conquistas. PARABÉNS, GUGU!!!

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