clicRBS
Nova busca - outros
27 abr15:06

Rui Biriva partiu deixando os palcos vazios de alegria

Eduardo Rosa, Conselho de Colaboradores

Hoje o dia não teve a mesma alegria, com certeza, pois um dos símbolos desta “saiu de cena”. Falo de um artista da música gaúcha, reconhecido nos “quatro cantos do Rio Grande do Sul” por suas músicas recheadas de reflexões sobre o sentido da vida, de bons sentimentos e também por sua mensagem de descontração.

O conheci pessoalmente durante sua passagem por Pelotas, para realizar o show de seu último CD, “Pedindo Cancha”, durante um evento de verão na praia do Laranjal, dia 23 de janeiro de 2010. Naquela oportunidade, conversei com ele sobre sua vida, carreira e o porquê do nome Biriva.

Ele explicou que “birivas” eram viajantes, tropeiros que levavam mercadorias coloniais, dos Campos de Cima da Serra do Rio Grande do Sul até Sorocaba, em São Paulo, em cima de burros.

Rui da Silva Leonhardt, participou de um festival de música: a 4ª Seara da Canção, em Carazinho, no ano de 1984, onde interpretou a canção Birivas, de autoria de Airton Pimentel, sagrando-se o campeão, e a partir daí recebeu o apelido de Rui Biriva.

À época em que tive contato com o Rui, demonstrou ser uma pessoa bem acessível e humilde. O show da noite daquele sábado havia sido cancelado por problemas técnicos da organização, e mesmo assim Rui não demonstrou tristeza ou descontentamento. Com esse fato podemos até lembrar uma de suas músicas de nome Rebanho das Agonias, onde ele declama: “Não canto melancolias. Eu não sou pastor de tormentos”.

Pegou seus músicos e, num banco de cimento, embaixo de uma figueira do Laranjal, fez uma apresentação à parte para os apreciadores de suas músicas. Dentre estes, alguns de outras cidades que tinham viajado somente para vê-lo, movidos por uma admiração, tal qual aquele gaúcho apaixonado cuja história é contada em mais um sucesso do próprio Rui Biriva, “Castelhana”: “Ah eu viajei, ah eu viajei, viajei pra ver você!”.

Naquela noite, pude confirmar algo que acreditava ser verdade: Ainda podemos ser felizes mesmo quando as coisas não saem perfeitas e, no que depende de nós para promovermos essa felicidade, não devemos deixar para depois.

No dia seguinte (24), o cantor do povo gaúcho, o dono da alegria, cantou para os amantes da vida que lá estavam no Laranjal para ouvirem suas canções.

Dentre elas podemos relembrar os sucessos: Tchê Loco, Santa Helena da Serra, Birivas, Pé na Estrada, Amigo, Castelhana, Quebrando Tudo, Canção do Amigo, Festança, Das Bandas de Horizontina, Vamo Pegá e Tonto de Saudade.

Termino este texto com as próprias palavras de Rui Biriva após passar pelo primeiro procedimento médico, para a retirada do tumor do intestino em abril de 2010. Neste post, as fotos que tirei dele e com ele na praia do Laranjal, em janeiro do mesmo ano.

“Nesta fase de altas turbulências que passei nos últimos dias, com descoberta e rápida retirada de um tumor no meu intestino, refleti e repensei minha vida. Quando estamos debilitados fisicamente e mentalmente, aproveitamos para ver nossa própria trajetória como em um filme nem sempre colorido, mas completamente real.

Deus meu deu um segundo nascimento, uma nova oportunidade de rever atitudes, ações e reações. Foi uma oportunidade de renovação, de valorizar quem e o que merece. Viver mais em família e entre amigos. De ter oportunidade de corrigir erros e falhas, de tentar ser uma pessoa melhor.”

Rui Biriva morreu na noite de segunda-feira (25), aos 53 anos, no Hospital de Clínicas de Porto Alegre, onde estava internado desde 14 de abril para o tratamento de um tumor no intestino grosso. Ele foi sepultado nesta quarta-feira (27) em sua cidade natal, Horizontina.

Por

Um Comentário »

  • Tony Anders disse:

    Grande Rui Biriva em talento e humildade.Deixa para nós a certeza,de que o mundo não é só tristeza.Com suas melodias alegres mostrou-nos o lado bom da vida.E provou que mesmo com sofrimento e dor,jamais devemos desistir de nossos intentos.Parabéns pelo texto Eduardo! e por compartilhar conosco um pouco mais sobre este ser tão iluminado e carismático.

Comentários