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11 mai11:15

Arrozeiros podem sofrer maior prejuízo da história caso novo Código Florestal seja aprovado

Thais D’avila, Canal Rural

Os produtores de arroz da metade sul do Estado temem que a aprovação do novo Código Florestal possa gerar desemprego e êxodo rural, além de prejuízo econômico. A maior preocupação é com uma possível redução da área de produção em 20%. De acordo com um levantamento feito pela Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul) a estimativa é de que o prejuízo, caso ocorra a diminuição, fique em torno de R$ 14 bilhões por ano, maior do que o registrado na pior seca da história do Estado (ocorrida durante a safra 2003/2004) quando a produtividade média da soja ficou em 558 quilos por hectare.

Em Pelotas, uma propriedade familiar produz arroz irrigado há mais de cem anos. Ao longo do tempo, os proprietários foram aprimorando os cuidados ambientais, praticando a rotação com a soja, cultura de sequeiro, melhorando as condições do solo e reduzindo a necessidade de adubação. Nas áreas de plantio transitam animais silvestres, emas, capivaras e jacarés.

O produtor Fernando Rechsteiner garante que a maioria dos produtores está alinhada com a necessidade de preservação ambiental e acredita que o novo Código deve respeitar as áreas já consolidadas na atividade agrícola. “Nós temos que ter uma preocupação para as áreas de produção não invadirem as áreas de preservação, mas ao mesmo tempo nós não podemos aceitar que áreas de preservação invadam áreas de produção consolidadas”, alerta o produtor.

Rechsteiner ainda garante que nunca houve uma floresta nativa na região de sua propriedade e teme as adequações necessárias caso o novo Código seja aprovado. “A preocupação nossa é que se nós tivéssemos que plantar uma floresta nesta região, talvez não houvesse nem uma adaptabilidade dessas plantas com solo e o clima da nossa região.”

 O produtor não sabe informar o prejuízo caso o Código Florestal seja aprovado com a redução de 20% na área de produção. “De uma hora pra outra se nós tivermos que abandonar essas áreas o prejuízo é realmente incalculável. Eu temo que várias propriedades na nossa região fiquem inviabilizadas, vão deixar de ter escala pra ter uma mínima escala de lucro”, declara Rechsteiner. 

A Associação Rural de Pelotas também está preocupada com as definições do novo Código. O vice-presidente da entidade, Rodrigo Souza, levou à bancada gaúcha em Brasília argumentos para que a redução de 20% não seja aprovada. “O prejuízo econômico é violento. Mas muito maior do que o prejuízo econômico do Estado é o prejuízo social. Nós teríamos mais do que 20% de desemprego imediato, se fossem retirados os 20% da área produtiva do interior, que tem uma base econômica agropecuária. Nós teríamos em torno de 23% de desemprego imediato e teríamos também, em consequência disso, o exôdo rural. Essas pessoas por falta de alternativa migrariam para periferia dos grandes centros e a concentração de problemas ambientais e sociais na periferia das grandes cidades.”

>> Entenda os principais pontos em discussão a respeito do Código Florestal

>> Clique aqui e confira a matéria divulgada no RBS Notícias deste terça-feira (10)

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