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24 out11:25

Angústia de mãe: Gestante viaja por mais de sete horas para ter gêmeos

Joice Bacelo* | joice.bacelo@zerohora.com.br

Uma grávida de gêmeos teve de aguardar três dias e fazer uma viagem de sete horas e mais de 500 quilômetros de ambulância para dar à luz. Elisiane San Martins, 34 anos, acabou transferida da Santa Casa de Santa Vitória do Palmar, no extremo sul do Estado, para ganhar os bebês no Hospital Municipal de Novo Hamburgo, onde havia vagas na Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) neonatal.

Eva Tereza, na foto com Elisiane, buscou ajuda para a sobrinha

A angústia da futura mãe e de seus familiares começou quando a bolsa de Elisiane se rompeu, quinta-feira passada. Nesse momento, teve início uma longa espera por vagas em hospitais do Estado com UTI neonatal – necessária para dar suporte aos gêmeos prematuros após o nascimento. Não havia leito em hospitais próximos, em Pelotas e Rio Grande, ou em outros mais distantes. A situação se agravou quando um dos exames indicou risco de infecção hospitalar para mãe e bebês.

O drama fez uma tia de Elisiane, Eva Tereza de Sá, que mora em São Paulo, recorrer à imprensa gaúcha. Depois de acompanhar a família aguardar transferência durante três dias, ela decidiu ligar para a Redação de ZH:

– Eu não podia ficar com as mãos amarradas.

Elisiane morava com o marido no interior de Santa Catarina desde março. Quando descobriu que esperava gêmeos, voltou ao Estado a fim de contar com os cuidados da mãe, em Santa Vitória do Palmar.

A obstetra Rosane de Oliveira, que acompanha o caso de Elisiane, explica que, ao contrário de gestações completadas no tempo ideal (entre 38 e 40 semanas), as prematuras não exigem o parto imediato com o rompimento da bolsa. A espera permite o amadurecimento do pulmão do bebê. Quanto mais próximo da data ideal para o parto ser realizado, menores os riscos.

O procedimento correto é que a paciente seja internada em uma instituição de saúde e passe por exames de monitoramento. A gestação é interrompida quando a gestante entra em trabalho de parto ou há risco de infecção para a mãe ou para o bebê – o que ocorreu com Elisiane. Por isso, o parto precisava ser feito, no máximo, até ontem.

Somente poucas horas antes do prazo, ao meio-dia, foi confirmada a vaga que permitiria o nascimento de Guilherme e Gustavo, em Novo Hamburgo. Mas nem isso eliminou a preocupação dos familiares e da médica, já que a longa viagem até o Vale do Sinos envolvia o risco de a gestante entrar em trabalho de parto no caminho.

Por sorte, houve tempo para chegar ao Hospital Municipal de Novo Hamburgo. Os bebês nasceram entre 18h41min e 18h42min, e permaneciam sob observação ontem à noite.

* Colaborou Marcelo Gonzatto

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