Marcelo Tas dá dicas de sobrevivência na rede

Com mais de 450 mil seguidores no Twitter e à frente do popular programa de televisão CQC, o comunicador Marcelo Tas participou na manhã desta quarta-feira de um bate-papo virtual promovido pelo site Comunique-se. Ele foi direto: “as empresas estão na web, mesmo que não queiram”. O recado é para aqueles que ainda têm a ilusão de que, ao ignorar as mídias sociais, elas vão ingorá-los de volta.
Não vão. Já que não adianta fugir, saiba como sobreviver - e, quem sabe até se dar bem - na rede, com algumas ideias de Marcelo Tas:
É o fim da privacidade - Conforme-se. Agora toda bobagem que você faz - em seu nome ou no nome de sua empresa- poderá ser exposta na rede em poucos segundos. “Uma boa ideia é não fazer caquinha por aí”, sugere o apresentador. Mais do que nunca o que importa é viver uma vida ética em todos os aspectos: se não por inclinação pessoal, ao menos para não deixar furos que possam ser explorados por espertinhos. É preciso pouco para construir - mas muito menos para destruir - uma reputação na internet.
You can run but you can’t hide - Você pode não querer criar uma conta de Twitter para sua empresa, nem uma página no Facebook. Isso não impede que outros façam campanhas de ódio contra seus produtos. Na era digital, você perde o controle sobre a sua marca: é muito fácil disseminar opiniões em blogs, no Twitter, no Orkut. Marcelo Tas conta a história de um dos sócios da rede de restaurantes Spoleto, que, prestes a processar uma comunidade de ódio no Orkut, mudou de ideia e resolveu entrar na discussão. O empresário logo percebeu a grande oportunidade que aquele grupo representava: ao ouvir críticas, poderia descobrir como melhorar seus produtos e atendimento. É como fazer uma pesquisa de opinião espontânea. Ficamos diante de algo que “é precioso, e é de graça”, ressalta o apresentador.
Redes sociais são trabalho - “Não faço isso no intervalo, esse é meu trabalho principal”, revela Marcelo Tas ao falar sobre o tempo dedicado ao Twitter. Tas é enfático ao destacar que o negócio de qualquer empresa passa pela internet, e que já se foi o tempo em que se podia encarar as redes sociais como brincadeira de criança. Segundo ele, são feitas mais de 300 milhões de movimentações bancárias pela web diariamente, o que é mais uma prova de que aquilo que acontece na internet é coisa séria.
Na medida da necessidade - Apesar de falar como uma espécie de evangelizador das redes sociais, mais de uma vez o comunicador fez questão de ponderar que não recomenda que ninguém se aventure a criar perfil em rede alguma a menos que vá conseguir mantê-lo ativo. ”Esse negócio de sair abrindo Twitter, Facebook, é uma besteira. Tem que abrir o que vai usar. Não é bom abrir mil janelas, blogs, sites e não usa nada. Aí fica com telhado de vidro. Está ampliando o tamanho de um telhado de vidro que você não tem como cuidar”.
O presidente da empresa tem que ser o “garoto do computador” - Convencido da importância das redes sociais para o sucesso do seu negócio, você decide colocar um estagiário para “cuidar do computador”? Para Marcelo Tas, é um sinal de que sua empresa não entendeu nada sobre o funcionamento da internet. Ele defende que a cultura de rede deve partir de quem tem mais poder na empresa e se disseminar entre todos da equipe. Para Tas, é um equívoco que agências de publicidade, por exemplo, tenham departamentos de internet. Internet não é um departamento, é o ambiente de negócios em que vivemos hoje.
Jornalistas precisam de um código de conduta - Com um pequeno celular na mão, jornalistas - como qualquer um - podem perder a noção da relevância daquilo que estão dizendo. É principalmente para fazer que os profissionais não esqueçam disso que Marcelo Tas defende criação de políticas de uso das redes em empresas jornalísticas. Um dos maiores perigos - e ao mesmo tempo uma prática recorrente - é o jornalista confiar cegamente em uma informação que recebe pelo Twitter e passá-la adiante sem checar, observa o comunicador. “Quando o jornalista retuíta uma mensagem, é como se ele tivesse colocando sua assinatura naquela informação. É a credibilidade dele que está em jogo”. Outro risco é o de perder reportagens por não resistir a contar o que está fazendo naquela hora: muitos acabam revelando pautas para a concorrência ou mesmo para os alvos de uma investigação jornalística.
Twitter tem que ter alma - Tem que ter ética, tem que ter atenção, tem que ter bom senso, mas também tem que ter alma. Tas admite que pode ser uma boa estratégia para uma celebridade como Oprah ou Ellen DeGeneres contratar uma equipe de assessores para postar e responder mensagens pelo Twitter, desde que o jogo esteja claro para quem acompanha aquelas mensagens e que isso não transforme o perfil em algo burocrático. O apresentador recorre à metáfora da horta: você pode até delegar os cuidados a uma equipe, mas a graça está exatamente no seu toque pessoal, em cuidar pessoalmente do crescimento das plantinhas.
Televisão, agências de propaganda e anunciantes precisam experimentar mais - Vivemos uma época em que as coisas estão sendo inventadas. Tudo está sendo experimentado, temos a liberdade de testar as novidades na medida em que aparecem. Para Marcelo Tas, as emissoras de televisão, os patrocinadores, as agências e todos os meios considerados tradicionais estão um pouco atrasados em perceber o imenso potencial que temos diante de nós. As pessoas estão consumindo, produzindo e reproduzindo informação em ritmo acelerado. Ao invés de querer frear este processo ou aplicar a ele antigos modelos, é hora de inovar. Por que não anunciar no Twitter? Inventar formatos alternativos de programas tradicionais para transmissão via web? As oportunidades são muitas e estão diante de nosso nariz.
Quer mais? O apresentador esteve em Porto Alegre na semana passada e falou à Zero Hora sobre esta revolução digital em que estamos imersos - e como usá-la a nosso favor.
Confira o vídeo:






19 de novembro de 2009 às 10:38
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19 de novembro de 2009 às 11:37
Muito clara e objetiva a reportagem sobre redes com o Tas. Porém gostaria de fazer uma observação: o propósito de ZH colocar a opção de “Comentários” em suas reportagens abre uma janela para leitores exporem outros argumentos não colocados nas reportagens e permite a troca de idéias. Porém noto que meus comentários não são divulgados, são sistematicamente deletados da discussão. Aí acuso ZH de não permitir o desenvolvimento das idéias. Vejo outros meios de comunicação, como ” O Estadão” que permitem discussões em fóruns, as pessoas falam de tudo, às vezes demais. Mas entra a questão da própria razão, argumentação e responsabilidade de quem participa destas redes. O Tas coloca claramente que a omissão não redime que opiniões sejam formadas, inclusive sem a participação da empresa, seja do ramo que for. ZH precisa vivenciar e praticar melhor neste aspecto, caso contrário poderá ter cada vez menos leitores e participantes. Não tornem as discussões monólogos.
19 de novembro de 2009 às 13:53
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