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Qual é o papel dos pais na educação dos filhos?

05 de setembro de 2012 Comentários desativados

Perguntas:

A participação no processo de ensino também depende dos pais. O que será feito para que a família assuma o seu papel sem deixar que tudo seja resolvido na escola?

de Adriana Fernandes Silva Reinert, 40 anos, professora de Joinville

Por que não pensamos também nos valores que são apresentados aos filhos pelos pais no lar? Qual é o papel da família na educação?

de Rosana Cristina Mascena

Sou professor há 16 anos e estou achando a iniciativa da campanha maravilhosa. Todavia, em tudo que se fala as responsabilidades se concentram nas políticas públicas, nas estratégia de ensino e na preparação do professor. Pelo amor de Deus! Isso é só metade da equação. É preciso abrir espaço para falar sobre o aluno, que está cada vez pior em função do protecionismo da família. Abram espaço urgente para que alguém fale sobre isso.

de Leandro da Silveira, professor

Como uma professora pode ser estimulada a ensinar com qualidade quando, muitas vezes, além do salário tão baixo, ainda coloca em risco sua  integridade física ao receber ameaças de mães que não aceitam que seus filhos irresponsáveis sejam cobrados?

de Noemia Gomes

Eu escuto falar em palestras de qualificação que cada vez mais tudo está ficando para escola, desde oensino até a educação disciplinar. Então qual é o papel da família, qual é opapel do aluno se tudo sobra para o professor? Tudo é culpa do professor, se o aluno não passa de ano, se não aprende, mas então me pergunto, será que o aluno e a família não têm que fazer sua parte? Nas qualificações que são feitas no meu município sempre nos é passado que o professor tem que fazer isso, que o professor tem que fazer aquilo e nós é cada vez mais exigido. O professor trabalha na escola e em casa para planejar suas aulas, sempre buscando se aperfeiçoar para atender melhor seus alunos. Qual é papel da família e do aluno nesse processo?

de Eliane do Amaral, 31 anos, professora de Taquara (RS)

Acredito que este problema deve-se a negligência das famílias. Tentamos de tudo para que os alunos aprendam. O problema não é falta de aprendizagem, mas falta de vontade, de expectativa, de objetivos, poucos possuem sonhos. Muitos deles dizem: não vou fazer e quero ver quem me obrigue. As famílias, quando chamadas na escola, dizem que não podem com a vida dos filhos e se omitem da educação que deveriam ter a obrigação de alicerçar. Uma das saídas que eu vejo é que os pais deveriam ser punidos pela irresponsabilidade dos filhos, pela evasão e pela falta de estudo. País desenvolvido requer alunos estudiosos. Fazemos muito mais do que nos compete.

de Simone Varoni de Tupanciretã (RS)

Resposta:

Muitos pais jogam para a escola a responsabilidade da educação dos filhos. Sabemos do importantíssimo papel que a educação familiar exerce sobre os filhos e o quanto ela é fundamental para a continuidade desse processo educacional pelo qual a escola é responsável. A omissão dos pais na educação dos filhos repercute fortemente no trabalho do professor. Aquilo que os pais não fizeram, os professores terão que fazer. Exemplo: se os pais não ajudaram os filhos nos estudos, o professor sofrerá porque terá sob sua responsabilidade um aluno que não sabe estudar, é dispersivo, não faz os temas de casa, perturba a aula distraindo os colegas e se candidata à reprovação. Se os pais não ensinaram aos filhos o respeito, a gentileza, não se dirigindo a outras pessoas com palavras desabonadoras, como palavrões, ou pior ainda, com ameaças, esse comportamento, mais dia menos dia, aparecerá em sala de aula, inclusive contra o professor ou a professora.

Pior ainda, quando os pais chegam à escola tratando funcionários, professores e, até, a direção com desrespeito, com ameaças, inclusive de agressão física, eles estarão colaborando, às vezes sem o saber, o que não ameniza sua responsabilidade, na (de)formação de um futuro delinquente. Pais que se comportam dessa maneira podem pensar que estão protegendo seus filhos. Enganam-se. Estão, de fato, colocando-se contra eles, comprometendo seu futuro. Se um pai não é capaz de dizer um não para seu filho, em qualquer situação em que o filho tratar alguém desrespeitosamente, ele simplesmente não está exercendo sua função paterna. Penso, inclusive, que ele não deveria ser pai.

Se o professor tem o dever de ser competente, de dominar o conhecimento que ensina e de ensinar bem, de tratar os alunos como pessoas que merecem respeito, os pais têm o dever de educar bem os filhos, de ensinhar-lhes o respeito aos outros, o tratamento gentil (“por favor”, “desculpe-me”, “se você me permite”, “bom dia”), o que devem evitar (“nunca mais dirija-se a alguém com palavrão”) e, também, de chamar a atenção para a positividade de suas manifestações (“Você é lindo, linda”, “você conseguirá, vá em frente”, “você é inteligente, estude um pouco mais que você compreenderá”, “gostei quando você agradeceu a fulano/fulana”).

Pais e escola trabalham de forma complementar na educação dos filhos, garantindo sua felicidade atual e futura. O que os pais fazem a favor da educação dos filhos ajudará a escola; o que a escola faz ajudará os pais. O resultados serão filhos realizados, confiantes, respeitosos, com cabeça erguida na direção do futuro, com olhar brilhante perante novas oportunidades. A sociedade terá gosto em abrir-lhes espaços.

por Fernando Becker, professor de Psicologia da Educação da Faculdade de Educação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)

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