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Posts de setembro 2012

Quando o Governo Federal irá distribuir os tablets para os professores do Ensino Médio?

27 de setembro de 2012 Comentários desativados

Pergunta:

O Governo Federal prometeu tablets para todos os professores, mas até agora nenhuma notícia sobre o assunto e nem sobre o curso de capacitação dos professores para o uso desses tablets. Quando eles irão chegar e quando será o curso?

de Rodnei Anacleto

Resposta:

O uso de tablets no ensino público é uma das ações do Proinfo Integrado, programa de formação voltada para o uso didático-pedagógico das Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC) no cotidiano escolar, articulado à distribuição dos equipamentos tecnológicos nas escolas e à oferta de conteúdos e recursos multimídia e digitais.

Incialmente os tablets serão distribuídos para professores de escolas de Ensino Médio. Assim que for concluída a entrega, terá início a distribuição para os estabelecimentos do Ensino Fundamental que oferecem os anos finais e a seguir para os anos iniciais. Foram pré-requisitos para definir por onde começar a distribuição de tablets: ser escola urbana de Ensino Médio, ter internet banda larga, laboratório do Programa Nacional de Tecnologia Educacional (ProInfo) e rede sem fio (wi-fi).

Como são os próprios estados que realizam o contrato com as empresas vencedoras do pregão, o prazo de entrega dos equipamentos vai depender da assinatura dos contratos que cada um fará.  A previsão do FNDE é que as assinaturas dos contratos comecem a partir de setembro. Também teremos a fases de inclusão dos conteúdos e capacitação de multiplicadores e de professores.

Em 2012 foram adquiridos 409.793 tablets. Com investimento total de cerca de R$ 330 milhões em 2012, repassados aos estados.

de Ministério da Educação

O que o Governo de Santa Catarina fará para suprir a falta de professores?

27 de setembro de 2012 Comentários desativados

Perguntas:

Sou estudante do 3º ano do Ensino Médio e tenho professores que já me informaram que no estado de Santa Catarina, quando esgotam-se os candidatos ao cargo de professor das escolas estaduais, são aceitos candidatos sem formação nenhuma para dar aula. Isso é ou não é um descaso do Governo com a educação do estado?

É inaceitável que pessoas sem formação nenhuma possam ministrar aulas para alunos de qualquer nível de escolaridade. É uma forma absurda de cobrir a falta de profissionais da área, algo que acontece devido ao não pagamento de salário acordado entre o governo e os professores.

De Gabriel

Como podemos pensar em qualidade para o Ensino Médio se, por exemplo, a maior escola do estado, o Instituto Estadual de Educação esta sem professor de Inglês para o terceiro ano do Ensino Médio há vários meses? Hoje por exemplo só teria uma aula de Matemática e duas de Educação Física. Como fica o encaminhamento para o mercado de trabalho se mal os alunos estão tendo aula? Como pode um professor na maior boa vontade adiantar aulas, dar aula em duas turmas ao mesmo tempo, para que os alunos não fiquem horas esperando por professores que não estão lá para dar aula?

A Escola Estadual Leonor de Barros, está sem vários professores para a oitava série. Estão repetindo notas de outros bimestre para suprir o boletim vazio de notas. Não há professores de Inglês, Artes, Ensino Religioso, entre outros.

É bonito falar em notas de aproveitamento, mas é preciso avaliar o próprio processo de avaliação que o governo está fazendo perante a educação estadual de Santa Catarina.

De Tatiana Ramos Amorim Cabral

Resposta:

A Secretaria de Estado da Educação tem procurado promover estratégias de gestão que proporcione a todas as escolas da rede apresentar uma relação matrícula/professor adequada, resultante de um planejamento que tenha por objetivo manter o quadro de professores das Unidades Escolares completo. Evitando prejuízos ao aprendizado dos alunos, garantindo boas condições de trabalho ao professor e suprindo as necessidades pedagógicas das diversas faixas etárias.

Seguem, abaixo, algumas das medidas tomadas no sentido de manter o quadro de professores das Unidades Escolares completo e com profissionais qualificados:

* Concurso público de remoção e lotação para o cargo de professor;

* Concurso público de ingresso para o cargo de professor;

* Processo seletivo para admissão de professores com contrato temporário ACTs;

* Garantir a permanência de regras claras e definidas para o estágio probatório de professores e demais profissionais da educação, divulgando as mesmas para conhecimento e compreensão. Aproveitar este momento para complementar a formação do professor, orientar a prática docente e acompanhar o seu desenvolvimento.

* Está em estudo a criação de um programa de avaliação de desempenho institucional específico para a Rede Estadual de Santa Catarina, elaborado por segmentos, com a participação de todos os envolvidos no processo educacional, buscando o aperfeiçoamento, a valorização, a qualificação, a motivação e o comprometimento com as responsabilidades inerentes à área educacional.

Por Secretaria Estadual da Educação de Santa Catarina


Notícia: Mais de 37 mil inscritos no concurso público para magistério da rede estadual de SC farão prova no domingo

A correção de fluxo influenciará o desempenho dos alunos no Ensino Médio?

27 de setembro de 2012 Comentários desativados

Perguntas:

O governo de Santa Catarina diz que está melhorando a educação do estado, mas cria projetos como correção de fluxo, colocando na oitava série alunos de quinta e sexta série. Além disso, esses alunos têm somente as disciplinas de Matemática, Português, Educação Física e Artes. Neste projeto os alunos só são retidos por faltas, independente de suas notas. Haverá evasão desses alunos no Ensino Médio, visto que não acompanharão os demais alunos? O que fazer para que isso não ocorra?

De Zeni

Se o currículo do Ensino Fundamental (6 ao 9 ano) fosse melhor trabalhado pela escola e pelos professores, sem a correção de fluxo, não teríamos uma melhor preparação para  o Ensino Médio?

De Acyr Osmar de Oliveira, 63 anos, professor de São José (SC)


Resposta:

A correção de fluxo permite que estudantes do 5º e do 6º ano do Ensino Fundamental com defasagem idade/ano possam adequar o fluxo de aprendizagem com a idade. Com isso, o estudante seguirá os próximos anos de estudo de acordo com sua idade. Recuperar os saberes possibilita que o aluno termine o Ensino Fundamental e ingresso no Ensino Médio com condições de permanência e aproveitamento. Não se pode associar a evasão no Ensino Médio com o programa, pois esse foi implantado este ano e ainda está em curso, sendo finalizado ao final deste ano letivo.

Por Secretaria Estadual de Educação de Santa Catarina

Que parcerias público-privada envolvendo a educação há hoje no Brasil?

25 de setembro de 2012 Comentários desativados

Pergunta:

Qual a dificuldade de se montar escolas com parcerias público/privada?

De Marco Antônio de Jesus Dias e Silva, 47 anos, Administrador de Gravataí (RS)


Resposta:

Existem muitas parcerias como essa no Brasil hoje. Um dos programas do Ministério da Educação (MEC), o Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec) que amplia a oferta de cursos de educação profissional e tecnológica tem parcerias com escolas técnicas privadas e com os serviços nacionais de aprendizagem – SENAI, SENAC, SENAR e SENAT.

Há outras instituições privadas que têm parceria com a iniciativa pública. É o caso da Parceiros em Educação que promove e monitora parcerias no intuito de levar à educação pública a experiência e a determinação dos empresários brasileiros para complementar o contínuo desenvolvimento da educação em direção à eficiência.

O Instituto Unibanco foca suas atividades nos problemas que afetam o Ensino Médio. Utiliza-se de tecnologias e metodologias que possam aumentar a efetividade de escolas públicas que oferecem este nível de ensino.

Já a Fundação Itaú Social trabalha em parceria com as três esferas de governo, com o setor privado e com organizações da sociedade civil. As iniciativas da Fundação têm como foco a educação integral, a gestão educacional, a avaliação de projetos sociais e a mobilização social.

Cerca de 2 milhões de alunos em mais de 1.300 municípios do Brasil são beneficiados por meio dos programas do Instituto Ayrton Senna. A organização sem fins lucrativos trabalha no intuito de desenvolver o potencial das novas gerações, ajudando estudantes a ter sucesso na escola e a ser cidadãos capazes de responder às exigências do século 21.

Existem iniciativas dos próprios empresários. O engenheiro Gustavo Lermen construiu e equipou um laboratório de informática na Escola Municipal Alexandre Vieira em sua cidade natal Dom Pedrito (RS). Anualmente ele promove um concurso de Matemática entre os alunos da escola e premia o melhor com um notebook.

Existe algum índice que avalie as escolas particulares?

24 de setembro de 2012 Comentários desativados

Pergunta:

Encontrei no site do MEC e do Inep a avaliação do Ideb de escolas municipais, estaduais e federais, porém não encontrei Ideb para escolas particulares. Gostaria de saber: qual o sistema de avaliação ao qual as escolas privadas são submetidas? Tenho especial interesse em saber sobre as escolas particulares de Florianópolis.

De Rosaura Gazzola, 48 anos, engenheira agrônoma de Florianópolis


Resposta:

O Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) avalia as escolas particulares somente por amostragem, ou seja, somente algumas instituições sorteadas participam. Os índices das escolas particulares são divulgados apenas por região.

O Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) avalia instituições públicas e privadas e divulga os resultados por escola participante. Como o Enem não é um exame obrigatório, a avaliação de cada escola é medida apenas pelo número de alunos que prestaram a prova voluntariamente.

Não há outro índice ou exame que avalie especificamente as escolas particulares.

Os últimos resultados do Enem por escola que podem ser acessados no site do Inep são os de 2010.

Quanto o Governo Federal investe em educação?

20 de setembro de 2012 Comentários desativados

Perguntas:

Por que o governo investe tanto no Ensino Superior, agiliza o ingresso a esse grau de ensino, deixando em segundo plano o Ensino Fundamental? Como formar uma geração futura, negligenciando o presente? Nas escolas fundamentais, faltam professores, faltam materiais de apoio.

de Dilon Pinto Bresam, 56 anos, aposentado de Palmares do Sul (RS)

Por que a educação está relegada a um plano inferior nos orçamentos do Governo?

de Humberto Dufour

Resposta:

Os resultados de uma recente pesquisa sobre investimentos da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) demonstraram que o Brasil ainda investe pouco em educação. Segundo os dados, os investimentos do país na área representam 5,5% do Produto Interno Bruto (PIB), enquanto a meta estabelecida para os países participantes da OCDE é de 6,23%.

A média de gastos com alunos do pré-primário é US$ 1,69, comparado aos US$ 6,67 da média da organização. É a terceira pior entre 34 países. No ensino primário, o resultado do Brasil é o quarto pior entre 35 países: U$$ 2,40 contra US$ 7,71 da média. A relação não melhora no que diz respeito ao ensino secundário, o investimento é de US$ 2,23 – a terceira pior – contra US$ 9,31 da média de 37 países avaliados.

Ainda assim, segundo a análise, o Brasil aumentou os investimentos totais em educação. Em 2000, as despesas com ensino representavam 10,5% dos recursos públicos, enquanto em 2009 subiram para 16,8%. É uma das taxas mais elevadas entre os 33 países. De 2000 a 2009 , os investimentos em educação superior registraram redução de 2%.

Para a organização, no entanto, o fato de 92% das crianças com menos de seis anos estarem em sala de aula deve ser comemorado, pois, em 2005, o percentual era de 83%.

Leia na íntegra a reportagem de Zero Hora sobre o assunto

Quem é melhor em educação: Rio Grande do Sul ou Santa Catarina?

20 de setembro de 2012 Comentários desativados

Pergunta:

Entre os estados do Rio Grande do Sul e Santa Catarina qual o melhor em educação?

De Tamires Pontes

Resposta:

Essa é uma questão complicada de ser respondida, pois seria preciso uma análise histórica dos fatos para termos plena certeza de quem oferece a melhor educação. Contudo, um dos itens que podemos utilizar para responder essa dúvida é os dados de 2011 do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb).

O Ideb foi criado em 2007 e tem como principal função mensurar o desempenho do sistema educacional brasileiro. Para isso, seu cálculo leva em conta a combinação do resultado dos estudantes em avaliações externas de larga escala (a Prova Brasil e o Saeb), nas provas de Língua Portuguesa e Matemática, com a taxa de aprovação dos alunos.

O índice vai de zero a dez e faz parte do Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE), plano de governo que estabeleceu metas para o país, estados, municípios e escolas. Por essa razão, cada escola, município, estado e o país têm metas a serem atingidas. A principal meta do Brasil é chegar a 6 pontos no primeiro ciclo do Ensino Fundamental até 2022. O total é equivalente à média dos países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

O Ideb é dividido em três etapas: Ensino Fundamental – Anos Iniciais, Ensino Fundamental – Anos Finais e Ensino Médio Regular. Os dados de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul são:

Ensino Fundamental – Anos Iniciais:

Rio Grande do Sul: 5,1
Santa Catarina: 5,8

Ensino Fundamental – Anos Finais:

Rio Grande do Sul: 4,1
Santa Catarina: 4,9

Ensino Médio Regular:

Rio Grande do Sul: 3,7
Santa Catarina: 4,3

* com informações do Todos Pela Educação

Acesse o site do Ideb para mais informações

Por que todas as escolas não adotam a média 7?

19 de setembro de 2012 Comentários desativados

Pergunta:

Fui professor por 22 anos e me exonerei por não concordar com o sistema, nem com o ensino e nem com a avaliação. Foi divulgado o baixo desempenho que nossos alunos têm.  Por que não se utiliza o sistema de avaliação da média 7,0? Esse sistema nunca foi abandonado por colégios de bom ensino. O mais interessante é que o próprio Governo Federal está entrando no barco querendo aumentar o número de aulas em vez de aumentar a qualidade.

De Milton Seiffert

Resposta:

A lei 9.394/96, mais conhecida como Lei de Diretrizes e Bases da Educação estabelece no inciso I do Artigo 12 que, respeitadas as normas comuns e as do seu sistema de ensino, os estabelecimentos de ensino terão a incumbência de elaborar e executar sua proposta pedagógica: o Projeto Político Pedagógico (PPP).

O PPP, além de ser uma obrigação legal, deve traduzir a visão, a missão, os objetivos, as metas e as ações que determinam o caminho do sucesso e da autonomia a ser trilhado pela instituição escolar.

Um dos itens a ser decidido pela escola no Projeto Político Pedagógico é a média escolar. As motivações que levam as instituições de ensino a decidir por média 5, 6 ou 7 são individuais. Para entender melhor o que leva as escolas a adotarem uma outra média seria preciso analisar caso a caso.

* Com informações da Secretaria Estadual de Educação de Santa Catarina

Capitães da Areia é um livro adequado para alunos do Ensino Fundamental?

19 de setembro de 2012 Comentários desativados

Pergunta:

Sou professora de Português da rede municipal de Sapucaia do Sul. Todos os anos, entre setembro e outubro, faço um “intensivão” para os formandos do Ensino Fundamental que pretendem fazer a prova de seleção para a Fundação Liberato, de Novo Hamburgo. Elaboro aulas para prepará-los para tais provas. Esse ano não é diferente, mas, pela primeira vez, estou me sentindo perdida.

Para a minha surpresa, esse conceituado colégio exigiu como leitura Capitães da Areia de Jorge Amado. Sou fã do Jorge Amado e de suas obras, mas  Capitães da Areia é, na minha opinião, a obra mais forte e chocante desse autor. Admiro esse livro, mas a primeira vez que li tinha 18 anos. Não considero leitura adequada para adolescentes entre 13 e 16 anos.

Ensino Jorge Amado para o terceiro ano do Ensino Médio que tem alunos na faixa etária de 16 anos. Capitães da Areia para adolescentes entre 13 e 16 anos? Não questiono o valor literário dessa obra, mas sim se esse é um conteúdo para jovens dessa faixa etária. Qual é a opinião de especialistas?

De Miriam Ribeiro – professora de Língua Portuguesa, Literatura e Produção Textual de Sapucaia do Sul (RS)


Resposta:

Não vejo problema na indicação de Capitães de Areia. Em primeiro lugar, Jorge Amado tem uma capacidade excepcional de narrar histórias. No presente romance, temos quadros que apresentam um grupo de meninos de rua, liderados por Pedro Bala, lutando pela sobrevivência. A professora, no entanto, não questiona o valor da obra, mas a adequação da obra para o final do Ensino Fundamental. Assim, cabe discutir esse ponto.

Revendo a obra, creio que seja perfeitamente adequada para a faixa etária dos 13 aos 16 anos. Em primeiro lugar, a qualidade narrativa do romance contribui para que o leitor se envolva com a história e valorize a leitura do livro. Em segundo lugar, a infância e a adolescência são representadas em sua complexidade. Em terceiro, temos uma perspectiva humanizadora dos meninos de rua, que permite ao leitor um novo olhar para a realidade.

Quanto ao impacto da obra, o suposto choque, cabe abrir um espaço para conversar com os alunos sobre o tema, pois violência e sexualidade são problemas contemporâneos. É válido acrescentar ainda que o trabalho narrativo de Jorge Amado não banaliza o tema, mas o insere dentro da formação dos jovens.

Por Antônio Sanseverino, professor de Literatura Brasileira da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)

A preocupação da professora Miriam põe uma questão pedagógica que merece atenção especial. Uma questão que não se resolve no plano pedagógico, mas no psicológico e epistemológico; melhor dito, um problema de epistemologia genética. Refiro-me à capacidade cognitiva ou intelectual do leitor. O adolescente, de 13 a 16 anos, está preparado para ler a obra X, Y ou Z? Não estou me referindo, aqui, ao impacto emocional da obra, mas ao impacto cognitivo, intelectual. Esta, parece-me, deve ser a preocupação principal.

Um texto que foi escrito em linguagem cotidiana, direta, sem o uso de metáforas sofisticadas, pode ser lido por crianças de 8 a 11 anos. Um texto que faz uso de metáforas sofisticadas só poderá ser lido por sujeitos plenamente operatório-formais; crianças não o entenderão. Refiro, como exemplo, a outra exigência escolar frequentemente feita a alunos de ensino médio: Dom Casmurro, de Machado de Assis. Como a maioria dos adolescentes não progrediu o quanto se poderia esperar deles, em capacidade de raciocínio formal, devido aos problemas que conhecemos da educação brasileira, não conseguem interpretar uma leitura dessas, nem com a ajuda do professor.

São necessárias operações formais para duas demandas de uma obra literária:

a) configurar os personagens que dela fazem parte respeitando a importância que eles têm na trama;

b) armar a trama de relações entre esses personagens. Sem competência formal, a leitura não dará conta da riqueza da obra.

E quanto ao impacto? Bem, há pessoas de 40 anos que não suportam um enredo que crianças de 13 anos tiram de letra. É aqui que entra o trabalho docente. Tenho certeza de que a Professora Miriam, passada a surpresa, fará um importante trabalho na direção da compreensão da obra de Jorge Amado – aliás, uma trama que, a seu modo, repete-se atualmente em muitas capitais brasileiras.

por Fernando Becker, professor de Psicologia da Educação da Faculdade de Educação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)

Como funciona o Programa Mais Educação (ensino em tempo integral)?

17 de setembro de 2012 Comentários desativados

Perguntas:

Qual é o maior desafio do governo para a implementação do turno integral nas escolas públicas? A implementação de novas matérias, o resgate das antigas como técnicas domésticas e agricultura, música e esporte em geral trariam uma nova perspectiva aos alunos. A falta de interesse dos mesmos é algo visível a nós pais. O que mais atormenta é o relaxamento dos professores e diretores das escolas públicas. Seria fácil pra mim como pai transferir minha filha a minha escola privada, mas me sinto responsável pelo abandono do ensino público. Quero como cidadão, ser um dos pilares para a construção de um ensino público de qualidade a todos.

de Diego Petrocelli, 31 anos, técnico em histopatologia de Porto Alegre (RS)


Por que o ensino não se apresenta no formato de ensino integral? Mais do que isso, voltado por exemplo, nas séries iniciais e nível médio para além do estudo tradicional, o aprendizado de artes, através de música, pintura, artes cênicas e indo ainda mais longe, buscando neste mundo globalizado um aprendizado em línguas mais utilizadas como inglês, espanhol e também a base da língua mãe que é o latim. Não teríamos dessa forma verdadeiramente um ensino integralizado?

de Anderson de Lacerda, 34 anos, farmacêutico de Cachoeirinha (RS)


A educação em tempo integral é importante, porém as escolas precisam planejar e preparar os professores para que o ensino-aprendizagem não fique mais uma vez no “faz de conta”. Como este processo se dará dentro das escolas? Grande parte dos professores estão desatualizados e perdidos! Por onde (co)recomeçar? A formação é ponto relevante para obter-se êxito.

de Ivany Cielo


Considerando que a educação se faz com o binômio família-escola, e atualmente a maioria das famílias, não tem o tempo necessário para fazer a sua parte, pela necessidade do pai e da mãe buscar o mercado de trabalho, pergunto se a melhor alternativa não seria implementar a escola em turno integral? Aliada à qualificação dos nossos professores e a melhor remuneração.

de Luiz Carlos Karnikowski de Oliveira


Como funciona o Ensino Integral? Em quais escolas esse projeto está sendo aplicado?

de Janaína, 15 anos, estudante de Monte Castelo (SC)


Respostas:

Temos mais de 30 mil escolas que aderiram ao ensino integral esse ano por meio do Programa Mais Educação. Esse é um programa que ajuda muito, porque aumenta a jornada escolar em três horas, de quatro para sete horas diárias. Dentre os benefícios, a escola passa a oferecer monitores para melhorar a grade curricular e três refeições. Todos os países desenvolvidos do mundo que têm escolas de excelência têm escolas de tempo integral. O Brasil precisa caminhar nessa direção. É um processo em que estamos avançando.
Em três horas a mais você pode dar, além das disciplinas obrigatórias, o reforço em Matemática, Português, Ciências, etc. Você pode fazer programação de cultura, teatro, música, de direitos humanos, de responsabilidade ambiental, de conhecimento das leis de trânsito, de cultura regional… São 10 macrocampos que a escola pode escolher, e ela tem flexibilidade e escolhe as atividades que mais motivam os alunos. Eu vi uma jovem outro dia que tinha abandonado a escola, voltou por causa do Programa Mais Educação, entrou no judô e virou campeã brasileira!

por Aloizio Mercadante, ministro da Educação durante o Painel RBS

Assista na íntegra a participação do ministro no Painel RBS

O Programa Mais Educação, instituído pela Portaria Interministerial nº 17/2007 e regulamentado pelo Decreto 7.083/10, constitui-se como estratégia do Ministério da Educação para induzir a ampliação da jornada escolar, dos tempos, espaços e oportunidades educativas, propondo a organização curricular na perspectiva da Educação Integral em tempo integral.

O Programa Mais Educação (PME) induz da agenda da educação integral em jornada ampliada no Brasil e tem por finalidade contribuir para a melhoria da aprendizagem de crianças, adolescentes e jovens matriculados em escolas públicas, mediante oferta de educação básica considerando-se a jornada escolar diária de, no mínimo, sete horas, cinco dias por semana.O PME tem como princípios: a articulação das disciplinas curriculares com diferentes campos de conhecimento e práticas socioculturais; a constituição de territórios educativos para o desenvolvimento de atividades de educação integral; a integração entre as políticas educacionais e sociais e a valorização das experiências históricas das escolas de tempo integral.

Cada escola escolhe, anualmente, em função do seu projeto político pedagógico, atividades distribuídas entre os macrocampos oferecidos pelo Programa (respeitando as categorias de escolas urbanas e escolas do campo). O macrocampo de acompanhamento pedagógico é obrigatório para todas as escolas do PME podendo ser trabalhado nas áreas de alfabetização e letramento, matemática, ciências, geografia, história, tecnologia da alfabetização e línguas estrangeiras.Escolas públicas estaduais, municipais e distritais estão aptas a participar do PME.

A seleção das escolas é realizada pela Secretaria de Educação Básica (SEB/MEC) e atende anualmente a alguns critérios específicos. O Programa Mais Educação estabeleceu os seguintes critérios para seleção das unidades escolares em 2012:

- escolas contempladas com PDDE/Integral no ano de 2008, 2009, 2010 e 2011;

- escolas estaduais, municipais e/ou distritais que foram contempladas com o PDE/Escola e que possuam o IDEB abaixo ou igual a 4,2 nas séries iniciais e/ou 3,8 nas séries finais;

- escolas localizadas nos territórios prioritários do Plano Brasil Sem Miséria;

- escolas com índices igual ou superior a 50% de estudantes participantes do Programa Bolsa Família;

- escolas que participam do Programa Escola Aberta; e

- escolas do campo.

Atualmente, 32 mil escolas participam do programa beneficiando aproximadamente 5,1 milhões de estudantes. A meta para 2014 é atender 60 mil escolas públicas.

por Ministério da Educação (MEC)