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Posts de setembro 2012

O fator hormonal influencia na concentração e no aprendizado dos adolescentes?

17 de setembro de 2012 Comentários desativados

Pergunta:

Será que não existe alguma pesquisa falando dessa dificuldade de se trabalhar com adolescentes devido ao fator hormonal em que estes passam da fase infantil para a fase adulta? Será que essa fase de turbulência não influenciaria na concentração e no aprendizado? Até agora vimos ótimos exemplos de escolas de ensino fundamental com crianças de 6 a 14 anos, fase infanto-juvenil, mas e a partir dos 15 anos? Será que a fase conhecida como “a mais complicada”, não contaria na avaliação de um bom aprendizado?

De Dayse Caroline


Resposta:

A produção do estrogênio nas meninas e da testosterona nos meninos provoca mudanças no corpo deles durante a adolescência. O aumento dos testículos, o aparecimento dos seios e o surgimento dos pêlos em ambos origina uma mudança de atitude. Eles estão muito mais focados nessas modificações e nas novas descobertas causadas por tudo isso do que no estudo em si. Também há a ação dos hormônios sexuais no cérebro, algo que gera maior agressividade nos meninos e oscilações de humor nas meninas. Já as mudanças no sistema nervoso central causam uma perda de concentração.

Tanto por razões diretas, como a ação dos hormônios, quanto por razões indiretas, as descobertas geradas a partir das mudanças corporais, podem ser fatores que ocasionam a dispersividade  dos adolescentes em sala de aula.

por Dra. Ruth Clapauch – Vice-presidente do Departamento de Endocrinologia Feminina e Andrologia da Socidade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM)

Os pais estão sendo proibidos de entrar na Escola Antônio Stella (RS)?

17 de setembro de 2012 Comentários desativados

Pergunta:

Olá, gostaria de saber se é valido uma escola proibir a entrada de pais, mães e ou responsaveis na escola em horário de aula e se existir mesmo esssa proibição, baseada em que lei ela foi feita? É que aqui onde eu moro em Ibiraiaras, norte gaúcho, a Escola Estadual de Ensino Médio Antonio Stella simplesmente do nada proibiu a entrada das mães, não só em sala de aula, mas também na própria escola! Em um tempo onde se prega “Todos Pela Educação” e “Amigos da Escola”, como pode um colegio estadual simplesmente “proibir” pra não serem “incomodados? Por favor, nos ajudem! Não que não se queira fazer parte da vida escolar das nossas crianças, estamos é sendo expulsos do território escolar.

de Marguete Zancan


Resposta:

A orientação dada pela escola é a de que as crianças sejam levadas pelos pais até a entrada e que elas sejam encaminhadas até a sala de aula pelo monitor. Essa ação visa a autonomia e a indepedência da criança no ambiente escolar, é preciso que elas se sintam confiantes e desenvoltas no local onde passam boa parte do dia. Tal orientação foi discutida em reunião de pais no começo do ano, mas a intenção da escola pode ter ficado mal esclarecida para alguns. Os pais são sempre bem-vindos, tanto é que diversos eventos são organizados com a ajuda deles.

por Carmen Regina Antoniolli, diretora da E.E.E.M Antônio Stella e por Gessilda Moreira, orientadora educacional da E.E.E.M. Antônio Stella

O que o Governo Estadual do Rio Grande do Sul fará pelos professores?

13 de setembro de 2012 Comentários desativados

Perguntas sobre salário:

A partir de quando a educação no Rio Grande do Sul começou a perder qualidade? Quais professores o Governo pretende atrair para a educação no estado com um salário básico de pouco mais de R$400?

De Heitor Rodrigues Martins

Quando o nosso governador irá pagar o que é de direito aos professores? Eu vou ficar de olho e vou cobrar, principalmente do nosso governador.

De Gilson R. Leite

Qual profissional de outra categoria vai trocar seu digno salário para ser professor e ganhar pouco mais de R$ 1.000,00?

De Vilquer

Como tornar interessante uma profissão em que o professor ganha menos que um profissional autônomo?

De Alberto Dilamar Bogler

Gostaria de saber: a campanha vai abordar a remuneração precária dos professores? Como o Governador do Estado irá intervir nesta campanha? Não há cobrança cabível ao o corpo docente do Estado com a situação atual.

De Bruno Tonetto

Perguntas sobre não cumprimento da Lei do Piso:

Sou professor de escola pública e particular. Tenho mestrado na minha área e recebo três vezes mais na escola particular. O governo do Estado não cumpre a lei do piso! Não existe educação de qualidade com um salário tão baixo.

De Bruno Carlson Writzl

Por que o governador não cumpre a lei que ele próprio sancionou quando ministro da educação? Só assim ele terá o direito de começar a cobrar melhor qualificação dos professores. Dessa forma eles poderão ter acesso a um pouco mais de informação e, assim, tentar ministrar aulas mais atrativas para os alunos “ávidos” por informações nos “atualizados” laboratórios de informática existentes nas escolas com “maravilhosa infra-estrutura” do nosso estado.

De Rafael D. Arcari

Gostaria de saber se o projeto terá medidas de cobrança quanto ao pagamento do piso ao Senhor Governador, sendo que, no momento, o Estado só fala em contenção de gastos. A melhoria começa por aí. Precisamos sentir firmeza nas promessas.

De Adalgiza Mara Schutz Maziero, 34 anos, professora, Canoinhas (SC)

Por que em nenhum momento se questionou porque os governos não cumprem a Lei do Piso? Foi uma conquista garantida em lei, mas os governos não cumprem! A valorização dos profissionais em educação só começa quando os governos cumprirem a lei.

De Gilberto Schmidt

Perguntas gerais envolvendo professores:

Têm professores atuando na escolas, sendo ultrapassados e sem conhecimento. Não está na hora de realizar uma avaliação externa por disciplina e cobrar aproveitamento do saber, bem como recompensar monetariamente os bons profissionais?

De Alberto Dilamar Bogler

Primeiramente gostaria de parabenizar o Grupo RBS pela sua iniciativa. Segundo, gostaria de perguntar: como os governantes tiveram coragem de rebaixar tanto as condições de saúde dos professores? Rebaixarem tanto as necessidades que os mesmos têm? Pois eles trabalham tanto pelo conhecimento do nosso Estado! O mínimo seria dar-lhes boas condições de saúde e local de trabalho.

De Luana Campioni

Os professores teriam que ministrar aulas em uma só escola, tendo o tempo necessário para o preparo de suas aulas, e ter um salário melhor para ter melhor qualidade de vida. Seria possível isso acontecer?

De Solange Sosaiani

Quando o nosso governador vai dar prioridade a um salário digno (o piso nacional) aos professores para que possam dar uma aula com mais qualidade? Por que não falta vontade aos professores, mas dinheiro! Afinal, todos nós sabemos que professor pobre dá aula pobre. De nada adianta querer falar sobre ensino de qualidade se o professor não tem dinheiro para assinar revistas, comprar livros, ter acesso a internet…

De Cleci, 62, Professora aposentada, Santa Rosa (RS)

Respostas:

Piso salarial:

Enquanto acontece, em âmbito nacional, o debate sobre o índice de reajuste do piso nacional do magistério, a Secretaria Estadual da Educação (Seduc) está pagando o completivo para que nenhum professor da rede estadual receba valor inferior a R$ 1.451,00. Paralelamente, a política de reajuste salarial implantada pelo governo garante no mínimo 76,68% para todos. Um recorde comparado ao que foi dado pelos dois últimos governos, 6% na gestão 2007-2010 e 14% da gestão 2003-2006.

Por Secretaria Estadual da Educação

Recursos Humanos:

A Secretaria Estadual da Educação (Seduc) está trabalhando o gerenciamento contínuo dos recursos humanos da rede estadual. As demandas atuais são de professores que se afastaram por motivos de licença saúde, desistências de contratos ou exoneração. A rede estadual conta com cerca de 79 mil professores ativos, dos quais cerca de 21 mil são contratações emergenciais. A Seduc está trabalhando para diminuir este tipo de contratação, considerada frágil e com pouco vinculo à rede.  Com isso em 2012 foi realizado o Concurso Público para professores da rede estadual, com a aprovação de 5,5 mil professores, que estão em processo de nomeação. Ainda existe a previsão de realização de um novo concurso público em 2013 para professores e funcionários da rede estadual.

Por Secretaria Estadual da Educação

Qual a validade da implementação do Ensino Médio Politécnico?

12 de setembro de 2012 Comentários desativados

Perguntas:

Por que a Secretaria Estadual de Educação não se dispõe a respeitar ou até mesmo a dialogar a identidade das escolas na construção da nova proposta para o Ensino Médio Politécnico e Integrado?

De Juliano Bender, 33 anos, professor e arquiteto de Montenegro (RS)

No começo do ano foi implantado o Ensino Politécnico. No final do ano passado foi dito que não seria implantado no começo desse ano porque seria preciso um planejamento mais detalhado. Há hoje uma estatística de funcionamento e resultado provisório desse politécnico? Se não tem, posso dar um parecer: de uma turma de 32 alunos, sobram 17, dos quais mais três falam em abandonar.

Sobre os motivos também posso dar uma prévia: na reunião que houve com as diretorias das escolas e com algumas pessoas da comunidade a questão dos transporte foi levantada. Resposta: se virem. Hoje alunos e professores têm que fazer horários diferenciados, o que nem todos conseguem, porque não foi planejada nenhuma estrutura para que o projeto pudesse funcionar bem.

Estamos no meio do ano e as diretorias têm que correr atrás de professores novos porque uns querem virar políticos, alguns são transferidos ou porque simplesmente porque não foi encontrado professor disposto a dar aula. A ideia do Ensino Politécnico pode ser boa, mas para os alunos que ainda não estão trabalhando ou pensando em trabalhar. Talvez qualquer modelo de ensino funcione e melhore o nível da educação no Estado e no país, desde que professores e alunos tenham estrutura para ensinar e aprender bem, e então sim, possam ser cobrados por resultados.

De Eliseu Eduardo Lof, 41 anos, analista de sistemas de Harmonia (RS)

Mudanças serão obrigatórias para formação de crianças e jovens. Como fica a situação do Politécnico que está sendo implantado, mas que até agora não tem professores capacitados para o seu desenvolvimento de fato?

De Ana Mari Morales da Rosa

Com índices cada vez piores, para ajudar o governo Tarso implementa um Ensino Politécnico em que os professores não estão qualificados nem orientados quanto a metodologia a ser seguida. O que será que podemos fazer para mudar isso? Será que a sociedade está informada do que foi imposto aos seus filhos? Mudanças na educação sem o mínimo de orientação faz uma geração inteira não ter oportunidades.

De Carolina, 31 anos, professora de Guaíba (RS)

Como será o Ensino Médio com essas novas regras?

de Aléxia Fortes Pedrozo, 15 anos, estudante de Sapucaia do Sul (RS)

Resposta:

Ao assumir a Secretaria de Estado da Educação (Seduc), em janeiro de 2011, a atual gestão fez um diagnóstico da situação de educação pública no Rio Grande do Sul. O levantamento apontou altos índices de reprovação e evasão no Ensino Fundamental e no Médio e a falta de uma formação adequada para os educadores.

As primeiras medidas focaram as séries iniciais do Ensino Fundamental. A secretaria assumiu por inteiro a responsabilidade da alfabetização e do letramento, colocando o professor como protagonista do processo de aprendizagem. Foi implantada a progressão continuada para os três primeiros anos do Ensino Fundamental, conforme estabelecido por resolução do Conselho Nacional de Educação.


Entenda o funcionamento da progressão continuada

A progressão continuada influencia o futuro desempenho dos alunos?

Neste caso a Seduc Investiu na formação continuada, em serviço dos docentes e em material didático. Foi criado o plano didático pedagógico, para acompanhamento de alunos que apresentam dificuldade de aprendizagem. Também foi disponibilizado o professor apoiador, que juntamente com o professor da turma, faz o acompanhamento dos alunos para a consolidação da aprendizagem.

O Ensino Médio apresentava um quadro de evasão, repetência, fragmentação curricular e falta de identidade. Com o objetivo de enfrentar esta situação a Seduc convocou a Conferência Estadual do Ensino Médio e da Educação Profissional, que contou, no processo de preparação, com a participação de cerca de 35 mil professores, funcionários, alunos e pais. O processo iniciado nas escolas, passou pelas etapas municipal, regional (Coordenadoria Regional de Educação), inter-regional e estadual. Na Conferência foi pactuada a reestruturação curricular com base nas resoluções do Conselho Nacional de Educação. O objetivo da mudança foi vincular o ensino à realidade vivida pelo estudante, contribuindo para que o aluno possa desenvolver seu projeto de vida a partir das aprendizagens e das pesquisas realizadas na escola e a adequação do Ensino Médio a nova legislação.

A reestruturação curricular prevê a organização do currículo a partir de duas etapas: formação geral (núcleo comum) e diversificada. Ambas são trabalhadas pelas áreas do conhecimento (Linguagens, Matemática, Ciências da Natureza Ciências Humanas e suas respectivas tecnologias). O Seminário Integrado é o espaço onde os estudantes aplicam os conhecimentos das áreas em forma de pesquisa. O novo currículo também busca desenvolver no aluno a capacidade de reflexão e compreensão quanto ao mundo do trabalho, para que no momento apropriado, ocorra a sua inserção consciente e qualificada. A implantação do Novo Ensino Médio iniciou em 2012, para o 1º ano e será concluída em 2014, com o 3º ano. A carga horária do Ensino Médio passou de 800 horas para 1000 horas por ano.

Na Educação Profissional Integrada ao Ensino Médio o estudante cursa, na mesma escola, com a mesma matrícula e com projeto pedagógico único o Ensino Médio (português, história matemática etc.) e o curso técnico.

Por Departamento Pedagógico da Secretaria Estadual de Educação do Rio Grande do Sul


Assista a entrevista do Secretário Estadual de Educação sobre a implantação do Ensino Médio Politécnico

A progressão continuada influencia no futuro desempenho dos alunos?

11 de setembro de 2012 Comentários desativados

Pergunta:

A tal progressão continuada onde os alunos do Ensino Fundamental não “podem” ser reprovados não é um dos fatores que irão influir no fraco desempenho do aluno ao final das séries iniciais? Alunos que chegam a 3ª série/4º ano que mal sabem escrever o próprio nome terão condições de prestar exames para avaliação?

de Vilmar Moraes

Por que os alunos que não aprendem a ler e escrever não podem reprovar nas séries iniciais?

de Joelma, 45 anos, professora, Canoas (RS)

Resposta:

A origem da polêmica é a homologação, pelo Ministério da Educação, da resolução n.º 7, de 14 de dezembro de 2010, do Conselho Nacional de Educação, que fixa as diretrizes curriculares nacionais para o Ensino Fundamental de 9 anos. Fica explícito, no artigo 30, que os três anos iniciais devem assegurar a alfabetização, o letramento e a “continuidade da aprendizagem, tendo em conta a complexidade do processo de alfabetização e os prejuízos que a repetência pode causar no Ensino Fundamental [...]”.

Face à bem intencionada resolução, cabe o argumento de que, entre a norma e a sua implementação, há uma distância que pode gerar consequências, por vezes indesejáveis. Teço duas ponderações acerca de possíveis consequências nesse caso.

A primeira: a continuidade dos estudos, no sentido de evitar a retenção e a evasão, pressupõe o compromisso com o ensino e a aprendizagem. Se a reprovação é condenada pelos danos que pode causar às crianças, outros tantos prejuízos podem ser provocados pela aprovação sem aprendizagem. O risco que se corre é o do afrouxamento dos objetivos pedagógicos a serem atingidos ao longo de cada um dos anos e o do esmorecimento dos critérios de avaliação. Diante da heterogeneidade das turmas, em que crianças com diferentes conhecimentos partilham a mesma sala de aula, há de se pensar em formas de acompanhamento dos alunos que não atingirem os objetivos. Para que cada aluno possa continuar seu processo de aprendizagem, é necessário que os professores desenvolvam propostas pedagógicas e intervenções didáticas, a fim de que todas as crianças avancem, e, igualmente, que o sistema de ensino garanta a recuperação dos conteúdos paralela ao ano letivo.

Eis a segunda ponderação: se a intenção da resolução é constituir um ciclo de alfabetização e letramento, nomeando separadamente esses dois processos implicados na ação alfabetizadora, está se entendendo o primeiro como a aprendizagem do sistema de escrita de base alfabética e o segundo como a aprendizagem dos usos e das funções da linguagem escrita, a leitura e a produção de diferentes gêneros de texto. Considerando que a interação com as funções da leitura e da escrita nas diversas instâncias da vida social muito ensinam às crianças e que tais usos são culturalmente variados, essas vivências precisam ser ampliadas na escola por meio das práticas letradas que o sistema educacional valoriza e que, portanto, ensina e avalia.

Concluo, talvez para o desalento do leitor, apontando que o debate entre reprovação e aprovação torna-se secundário enquanto o ensino e a aprendizagem não forem garantidos em qualquer sistema de ensino, seja ele seriado ou ciclado. Nem repetência nem aprovação automática produzem aprendizagem. O que produz aprendizagem é o ensino.

por Luciana Piccoli, professora do Departamento de Ensino e Currículo da Faculdade de Educação (Faced) da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)


A última pergunta já contém boa parte da resposta, pois todo aluno deve participar dos exames, justamente pelo fato de que se forem bem planejados e aplicados deverão revelar o que sabem seus respondentes. As provas, como instrumentos de avaliação, são desenvolvidas para levantar informações fidedignas sobre aquilo em torno do que foram elaboradas.

Outra coisa, o que seria o cerne da avaliação, é julgar os resultados segundo critérios bem estabelecidos. Por isso, não existe, a rigor, “condições de prestar exames” como escreveu o missivista. Ao contrário, o exame é que permitir saber se o respondente tem ou não o que chamaria de “condições”. Se as provas não revelam tudo, podem, sim, fornecer informações valiosas, de modo que alunos que sabem pouco devem ter resultados compatíveis com esse patamar. O que fazer com esses resultados é outra questão.

Com vistas à primeira pergunta, apesar dos alunos brasileiros, especialmente nos anos iniciais, apresentarem patamares de aprendizagem muito baixos, é preciso olhar os dados de avaliações externas, como é o caso da Prova Brasil, e constatar que é justamente neste segmento do ensino fundamental que se assiste, desde 2001, um crescimento significativo das médias de proficiência em leitura e resolução de problemas.

Quanto à “promoção automática”, ou “progressão continuada”, ou qualquer outra denominação que se aplique aos expedientes que não permitem a reprovação por desempenho ao final de determinados anos escolares é necessário enfrentar algumas mentiras, que repetidas podem se insinuar como verdades. Vejamos, em primeiro lugar, que o Brasil é um dos países onde mais se reprova na educação obrigatória, no caso do Ensino Fundamental e mesmo no Ensino Médio. Basta contrastar dados da Unesco com os do censo escolar para se perceber porque o Brasil é o 4º pais que mais reprova, sendo suplantado apenas por países africanos desorganizados como nações e marcados pela miséria extrema. Portanto, trata-se de uma falácia a tese de no Brasil “todo mundo passa de ano”.

Em segundo lugar, há uma crença nos benefícios da repetência, consequência da reprovação para os que não abandonam a escola após serem reprovados. Ainda que praticada com as melhores das intenções, várias pesquisas, com destaque para aquela que se encontra integrada à Prova São Paulo (denominação da avaliação externa da Rede Municipal de Ensino de São Paulo), já evidenciaram que os alunos repetentes têm ganhos de proficiência menores do que aqueles de seus colegas promovidos e que no ano anterior tinham proficiências semelhantes.

Várias causas podem levar a esta situação. A mais conhecida é que alunos repetentes, salvo exceções, são tratados pedagogicamente, para além de fatores de autoestima, como não tendo nenhum conhecimento, como se estivessem começando o ano escolar pela primeira vez. Isso significa que não se incide naquelas dificuldades que teriam levado à reprovação e nem se aproveita o que ele já saberia.

Finalmente, se existem limitações nos resultados escolares de nossos alunos a solução não está na reprovação em massa, praticada no Brasil. Onde estaria a solução é outra questão.

Por Ocimar M. Alavarse, professor da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP)

É possível planejar a educação sem interferência ideológica e política?

10 de setembro de 2012 Comentários desativados

Pergunta:

Como podemos planejar a educação a longo prazo sem interferência ideológica e política?  É possível enxergar a escola como um empresa com metas e resultados?

de Marco Antônio Simas Araújo

Resposta:

Em qualquer linha de planejamento - participativo, estratégico, técnico-burocrático, dentre outras formas de pensar a questão – sempre haverá uma referência ideológica e política. Não se pode pensar em planejar algo que não esteja voltado para determinados objetivos ou fins. No Brasil essas referências foram e continuam sendo também interferências, conforme cada momento/contexto histórico.

No período dos governos militares, por exemplo, foi dada muita ênfase ao modelo técnico-burocrático, com a finalidade de garantir e de intensificar o controle exigido pela ideologia da época. Em contraposição a esse modelo, durante o processo de redemocratização do país, a ênfase recaiu sobre o planejamento participativo, com a finalidade de fortalecer processos coletivos próprios de regimes democráticos. No momento atual, o planejamento estratégico, amplamente adotado por empresas, com estabelecimento de metas e resultados, vem sendo difundido como uma forma de fortalecer também os objetivos e finalidades educacionais de nosso país, principalmente no que se refere a reduzir os índices de evasão e reprovação na Educação Básica e de melhorar a média nacional de aprovação.  Observe-se, por exemplo, o estabelecimento do ano de 2022 para que o Brasil alcance a meta 6,0 na aprendizagem escolar.

O problema é que uma unidade escolar diferencia-se fortemente de uma empresa, pois enquanto a primeira tem como objetivo fazer com que todos os seus alunos aprendam os conhecimentos escolares e continuem aprendendo para o resto de suas vidas, a segunda pretende auferir maiores lucros por meio de algum tipo de produção e/ou comercialização. Em outras palavras, enquanto a primeira volta-se para uma formação humana e cidadã, para a vida em sociedade, a segunda volta-se para ter êxito no mercado. Logo, não é possível enxergar uma escola como se fosse uma empresa.

É possível, sim, estabelecer uma programação com metas a serem cumpridas em longo prazo pelas diferentes áreas de conhecimento, sem que isso se transforme em uma simples transposição de métodos empresariais para ambientes escolares. Para isso, deverá planejar suas ações de forma participativa, em nome da garantia de uma unidade teórico-prática para que a finalidade da Educação Básica possa ser alcançada, ou seja:  “A Educação Básica tem por finalidades desenvolver o educando, assegurar-lhe a formação comum indispensável para o exercício da cidadania e fornecer-lhe meios para progredir no trabalho e em estudos posteriores”. (Art. 22 da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional – Lei Nº 9.394/1996).

por Maria Beatriz Gomes da Silva, professora da Faculdade de Educação (Faced) da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)

Existe diferença entre os dados comparativos de desempenho dos alunos da rede estadual e da rede municipal?

10 de setembro de 2012 Comentários desativados

Pergunta:

Gostaria de saber os dados comparativos entre os alunos das escolas municipais e estaduais de Porto Alegre. O município paga três vezes mais do que o estado, por isso as notas das escolas municipais  deveriam ser muito melhores. Caso contrário, cai por terra a teoria de que o ensino é ruim porque os professores ganham mal.

de Paulo Tietê, 75 anos, aposentado de Porto Alegre

Resposta:

O Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) avalia tanto as escolas do ensino estadual quanto as do ensino municipal. As planilhas com os resultados são divulgadas no site do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira. Os índices são separados por município (redes: federal, estadual, municipal e pública) e por escola.

Os dados do Ideb 2011 de Porto Alegre são os seguintes:

Ensino Fundamental Regular – Anos Iniciais

Rede estadual – 4,6
Rede municipal – 4,4

Ensino Fundamental Regular – Anos Finais

Rede estadual – 3,4
Rede municipal – 3,6

Acesse o site do Ideb para mais informações sobre o índice e para fazer o download das planilhas

Que melhorias serão implementadas na Escola Estadual Protásio Alves (RS)?

06 de setembro de 2012 Comentários desativados

Perguntas:

Quero saber o que o Secretário da Educação pretende fazer para melhorar as condições físicas na Escola Protásio Alves (de Porto Alegre). Os alunos não têm laboratório e faltam tomadas nas salas de aula para ligar os computadores. Os banheiros, os bebedouros, a calçada e a entrada para pessoas com deficiência estão estragados. Só existe banheiro adaptado para os meninos. Faltam professores.

de Elisandra Santos

Tenho uma amiga cadeirante que estuda na Escola Estadual Protásio Alves (RS) e a escola não oferece estrutura nenhuma para ela desde a entrada até a sala de aula. O que se pretende fazer para melhorar a inclusão das pessoas com deficiências nas escolas? É  a segunda escola que ela estuda e não é adaptada.

de Josiane França

Sou estudante do grau técnico de informática no Colégio Estadual Protásio Alves, localizado na Av. Ipiranga, em frente a Zero Hora. Quero saber o que pretendem fazer para que sejam feitas melhorias de acessibilidade no colégio, onde muitos deficientes visuais e cadeirantes têm aulas?

O chão do colégio está em péssimas condições, o banheiro feminino está sem acesso para cadeirantes,  as estudantes devem usar o banheiro masculino, pois o feminino não é adaptado. O corredor onde os deficientes visuais têm aula (no térreo) está em péssimas condições, sem falar na “rampa” do portão que dá direito ao acesso especial de cadeirantes pela avenida Erico Verissimo. Não é uma rampa, é apenas um buraco, ou uma rampa muito mal projetada… Quando vai mudar?! Quando vão parar de tratar os deficientes como “gente estranha”. Igualdade social é TUDO!

de Bruna Silveira Severo

Respostas:

O Governo do Estado está empenhado em recuperar e restaurar as 2.572 escolas da rede pública estadual através de reformas globais. Amparado em um levantamento  feito pelas Coordenadorias Regionais de Educação (CREs) e pelas Coordenadorias Regionais de Obras Públicas (CROPs), serão reformadas inicialmente 428 escolas, cujos projetos estão sendo licitados. Em Porto Alegre são 45 escolas contempladas. Não faremos mais obras pulverizadas a não ser que venham acompanhadas de um Laudo de Emergencialidade.

O Colégio Estadual Protásio Alves não foi incluído no primeiro lote do Plano de Necessidade de Obras (PNO) e, como as demais escolas, aguardará para ser incluído numa reforma completa. Há adequações que podem ser supridas através da gestão da escola com recursos da autonomia financeira, pois a escola recebe recursos para manutenção e custeio e isto inclui pequenos reparos como a colocação de tomadas, bebedouros e reparo em calçadas.

pelo Departamento Administrativo da Secretaria Estadual de Educação do Rio Grande do Sul

A Escola Estadual Protásio Alves procura professor de Análise de Sistemas para dar aulas no seu curso técnico. A Coordenadoria Regional de Educação (CRE) está com autorização concedida desde agosto, mas está encontrando dificuldades em contratar o professor, uma vez que o banco de contratos tem poucos candidatos nessa área, que não estão aceitando a proposta. Hoje (3/9) pela manhã, dois candidatos decidiram repensar, e ficaram de dar a resposta. A escola também precisa contratar, de forma temporária, profissional de Orientação Educacional e Agente Educacional-Manutenção e Infraestrutura.

pelo Departamento de Recursos Humanos da Secretaria Estadual de Educação do Rio Grande do Sul

A Escola Estadual Protásio Alves construiu dois laboratórios de informática no térreo do prédio em função de seus dois alunos cadeirantes (eles são estudantes do Curso Técnico em Informática). O banheiro masculino está sendo transformado em banheiro feminino. Um banheiro masculino será construído com as verbas repassadas pela Secretaria Estadual de Educação A escola precisaria de um elevador para que os alunos cadeirantes tivessem acesso aos outros andares. O pedido já foi solicitado para a Secretaria Estadual de Educação, mas sabe-se que é algo complicado de ser feito por causa da estrutura antiga do prédio. O projeto “Sem acessibilidade não há inclusão” de quatro alunos da escola, que daria acesso à área diretiva, chamou a atenção de um engenheiro na Feira de Acessibilidade. O projeto será colocado em prática com a ajuda dele.

por Sônia Tessaro Boyde, diretora da Escola Estadual Protásio Alves

Por que a televisão não abre mais espaço para programas educativos?

06 de setembro de 2012 Comentários desativados

Perguntas:

Em que aspectos a televisão brasileira contribui para a educação e para a deseducação das pessoas? Como a televisão poderia contribuir de maneira mais efetiva para elevar o nível educacional e cultural da população?

de Sérgio Furtado, 63 anos, publicitário de Porto Alegre

Por que a TV educa tão pouco? Programas educativos têm horários reduzidos, escondidos em meio a uma programação totalmente comercial. Não está na hora de isto mudar?

de Sandro Lopes, 43 anos, instalador eletricista de Novo Hamburgo


Resposta:

Tem duas respostas para essa excelente pergunta: a legal e a real. A legal é que nosso modelo de televisão segue o modelo norte-americano onde a TV comercial é a norma e a TV educativa é marginal, uma coadjuvante bem menor. Ainda neste mundo legal, não há nada de errado nisso. A TV é um serviço público administrado pelo setor privado (como acontece em outros setores como a saúde, educação e transportes) e, como tal, somos nós na sociedade que exigimos como ele deve ser.

Se isso não acontece, bem, é porque não incomoda a maioria das pessoas. Certamente, elas gostam mais da novela do que dos programas educativos. Lembre-se, as TVs comerciais não fazem TV para nós e sim para os anunciantes. E esses, por sua vez, querem audiência para seus comerciais, pouco se importando quais são os programas. Se o educativo der audiência, ok. Esse é nosso contrato social com essa turma. Assistimos TV de graça e o modelo de negócio para pagar os custos de produção da TV é esse.

Bem, já a resposta do real: de fato, está tudo errado! Qual o ponto fraco do meu argumento no parágrafo anterior? É que quando se reclama do hospital, da escola e das linhas de ônibus, são os próprios meios de comunicação eletrônicos, como a TV, que repercutem. Assim, como são parte mais do que interessada na questão, não há qualquer motivação para mudar como está e nem denunciar os abusos e a falta de coerência neste tal modelo de negócio que, afinal, está negociando um direito público à informação, ao conhecimento e ao apoio à educação que a TV tem enorme potencial para dar. Parte importante do problema é que quem deveria, então, fiscalizar e punir esses servidores privados do interesse público, poderes Executivo e Legislativos, embora tenham a lei do seu lado – que exige uma televisão da maneira como você gostaria – são reféns de mais da metade de congressistas que possuem emissoras de radiodifusão e que não querem mudar o que está aí.

Como sair desta sinuca? Primeiro, depois de muito tempo, abre-se a discussão de um novo marco regulatório da comunicação eletrônica que visa uma nova regulamentação e uma cobrança maior por uma televisão mais voltada para o interesse público. Segundo, cobrar das emissoras comerciais, enquanto cliente que você é, uma nova postura (assim como fazemos com a escola de nossos filhos). Os instrumentos para isso são vários, desde as redes sociais até simplesmente não assistir ao canal (sem audiência, eles são obrigados a mudar a programação, certo?) e ver outra coisa em outro canal. Ou até mesmo ler um livro ou ir ao cinema. Como vê, a resposta não é fácil. Já pensou, deixar de assistir a novela como forma de protesto?

de Cláudio Márcio Magalhães, doutor em Educação e professor do Centro Universitário UNA

Qual é o papel dos pais na educação dos filhos?

05 de setembro de 2012 Comentários desativados

Perguntas:

A participação no processo de ensino também depende dos pais. O que será feito para que a família assuma o seu papel sem deixar que tudo seja resolvido na escola?

de Adriana Fernandes Silva Reinert, 40 anos, professora de Joinville

Por que não pensamos também nos valores que são apresentados aos filhos pelos pais no lar? Qual é o papel da família na educação?

de Rosana Cristina Mascena

Sou professor há 16 anos e estou achando a iniciativa da campanha maravilhosa. Todavia, em tudo que se fala as responsabilidades se concentram nas políticas públicas, nas estratégia de ensino e na preparação do professor. Pelo amor de Deus! Isso é só metade da equação. É preciso abrir espaço para falar sobre o aluno, que está cada vez pior em função do protecionismo da família. Abram espaço urgente para que alguém fale sobre isso.

de Leandro da Silveira, professor

Como uma professora pode ser estimulada a ensinar com qualidade quando, muitas vezes, além do salário tão baixo, ainda coloca em risco sua  integridade física ao receber ameaças de mães que não aceitam que seus filhos irresponsáveis sejam cobrados?

de Noemia Gomes

Eu escuto falar em palestras de qualificação que cada vez mais tudo está ficando para escola, desde oensino até a educação disciplinar. Então qual é o papel da família, qual é opapel do aluno se tudo sobra para o professor? Tudo é culpa do professor, se o aluno não passa de ano, se não aprende, mas então me pergunto, será que o aluno e a família não têm que fazer sua parte? Nas qualificações que são feitas no meu município sempre nos é passado que o professor tem que fazer isso, que o professor tem que fazer aquilo e nós é cada vez mais exigido. O professor trabalha na escola e em casa para planejar suas aulas, sempre buscando se aperfeiçoar para atender melhor seus alunos. Qual é papel da família e do aluno nesse processo?

de Eliane do Amaral, 31 anos, professora de Taquara (RS)

Acredito que este problema deve-se a negligência das famílias. Tentamos de tudo para que os alunos aprendam. O problema não é falta de aprendizagem, mas falta de vontade, de expectativa, de objetivos, poucos possuem sonhos. Muitos deles dizem: não vou fazer e quero ver quem me obrigue. As famílias, quando chamadas na escola, dizem que não podem com a vida dos filhos e se omitem da educação que deveriam ter a obrigação de alicerçar. Uma das saídas que eu vejo é que os pais deveriam ser punidos pela irresponsabilidade dos filhos, pela evasão e pela falta de estudo. País desenvolvido requer alunos estudiosos. Fazemos muito mais do que nos compete.

de Simone Varoni de Tupanciretã (RS)

Resposta:

Muitos pais jogam para a escola a responsabilidade da educação dos filhos. Sabemos do importantíssimo papel que a educação familiar exerce sobre os filhos e o quanto ela é fundamental para a continuidade desse processo educacional pelo qual a escola é responsável. A omissão dos pais na educação dos filhos repercute fortemente no trabalho do professor. Aquilo que os pais não fizeram, os professores terão que fazer. Exemplo: se os pais não ajudaram os filhos nos estudos, o professor sofrerá porque terá sob sua responsabilidade um aluno que não sabe estudar, é dispersivo, não faz os temas de casa, perturba a aula distraindo os colegas e se candidata à reprovação. Se os pais não ensinaram aos filhos o respeito, a gentileza, não se dirigindo a outras pessoas com palavras desabonadoras, como palavrões, ou pior ainda, com ameaças, esse comportamento, mais dia menos dia, aparecerá em sala de aula, inclusive contra o professor ou a professora.

Pior ainda, quando os pais chegam à escola tratando funcionários, professores e, até, a direção com desrespeito, com ameaças, inclusive de agressão física, eles estarão colaborando, às vezes sem o saber, o que não ameniza sua responsabilidade, na (de)formação de um futuro delinquente. Pais que se comportam dessa maneira podem pensar que estão protegendo seus filhos. Enganam-se. Estão, de fato, colocando-se contra eles, comprometendo seu futuro. Se um pai não é capaz de dizer um não para seu filho, em qualquer situação em que o filho tratar alguém desrespeitosamente, ele simplesmente não está exercendo sua função paterna. Penso, inclusive, que ele não deveria ser pai.

Se o professor tem o dever de ser competente, de dominar o conhecimento que ensina e de ensinar bem, de tratar os alunos como pessoas que merecem respeito, os pais têm o dever de educar bem os filhos, de ensinhar-lhes o respeito aos outros, o tratamento gentil (“por favor”, “desculpe-me”, “se você me permite”, “bom dia”), o que devem evitar (“nunca mais dirija-se a alguém com palavrão”) e, também, de chamar a atenção para a positividade de suas manifestações (“Você é lindo, linda”, “você conseguirá, vá em frente”, “você é inteligente, estude um pouco mais que você compreenderá”, “gostei quando você agradeceu a fulano/fulana”).

Pais e escola trabalham de forma complementar na educação dos filhos, garantindo sua felicidade atual e futura. O que os pais fazem a favor da educação dos filhos ajudará a escola; o que a escola faz ajudará os pais. O resultados serão filhos realizados, confiantes, respeitosos, com cabeça erguida na direção do futuro, com olhar brilhante perante novas oportunidades. A sociedade terá gosto em abrir-lhes espaços.

por Fernando Becker, professor de Psicologia da Educação da Faculdade de Educação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)