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Por que há poucos investimentos para a Educação Infantil?

03 de outubro de 2012 Comentários desativados

Perguntas:

Se o Brasil quer melhorar a educação, por que não começa a pensar nos menores de 6 anos que precisam de escolas? Deveriam dar estrutura e investimento para que as escolas infantis pudessem aumentar o número de crianças atendidas, principalmente para aquelas que precisam. Há tantas burocracias…

De Eliane Abreu

Por que os professores de educação infantil não são valorizados? Má remuneração, longa jornada de trabalho, baixo investimento em qualificação profissional, etc. Por que a Educação Infantil – especialmente pré escola – é esquecida quando se fala em processo de alfabetização? A criança inicia a alfabetização/letramento muito antes do Ensino Fundamental.

De Vera Lúcia dal Bosco da Silva, 43 anos, psicopedagoga clínica de Caxias do Sul (RS)

Respostas:

Formação deficiente na Pré-Escola

Uma das razões para o alto índice de defasagem verificado no Ensino Médio tem origem uma década antes. Uma das avaliações de especialistas é de que a falta da pré-escola dificulta a aprendizagem nos anos seguintes – principalmente no caso de crianças sem acesso a materiais como livros em casa.

— A escola tem uma cultura própria que começa a ser aprendida na pré-escola, como copiar do quadro, ficar mais tempo sentado, fazer exercícios. Também envolve manejar livros, relacionar a letra com o som. Muitas crianças que não passam pela Educação Infantil têm dificuldade em fazer essa adaptação, o que atrapalha a aprendizagem nos primeiros anos do Fundamental — afirma Maria Carmen Silveira Barbosa, professora da Faculdade de Educação da UFRGS e especialista em Educação Infantil.

Leia mais: Por que 34,5% dos alunos do Ensino Médio não estão na série correspondente à sua idade?

Resultados insatisfatórios

Segundo um cruzamento de dados feito pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE), apenas 29 dos 496 municípios gaúchos, o equivalente a 6% do total, atingiram as metas para creche e pré-escola estabelecidas há mais de uma década pelo Plano Nacional de Educação (PNE). De acordo com o PNE, as prefeituras deveriam oferecer vagas, no ano passado, para 50% das crianças de zero a três anos e para 80% das de quatro e cinco anos. Além das 29 cidades que atingiram ambas as metas, 12 atingiram só a primeira e 169 apenas a segunda.

A maior parte dos municípios não atingiu nenhuma. Em 117 deles, quase um em cada quatro, a oferta de vagas em creches foi zero. Em consequência disso, o sistema deixa de atender no Rio Grande do Sul 62,6% das crianças de cinco anos ou menos. Conforme o levantamento do TCE, as vagas que deveriam ter sido criadas e não foram somam 188.190 – 137.409 em creches e 50.781 na pré-escolas.

A necessidade de investir no setor ganhou mais urgência com a aprovação da emenda constitucional 59, que determinou 100% de atendimento na pré-escola até 2016. No Rio Grande do Sul, isso significa a criação de 101 mil vagas. As administrações municipais afirmam que o problema é a escassez de recursos.

A partir de 2007, com a criação do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb), as prefeituras começaram a receber dinheiro federal para a Educação Infantil, mas consideram os valores insuficientes. Segundo pesquisa da União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime), cada aluno custava no Estado,em 2009,R$ 7 mil ao ano. O repasse do Fundeb é de R$ 3,7 mil para a creche de turno integral.

– O governo federal tem programas que ajudam a construir os prédios e a equipá-los, mas o custeio fica com o município. As prefeituras estão se organizando para ampliar os recursos próprios investidos no setor. Mas também fazemos o pleito de mais repasses do governo federal – diz Marcia Adriana de Carvalho, presidente da Undime/RS.

Apesar do baixo percentual de atendimento às crianças no Estado, inferior à média nacional, houve avanços de 2008 para 2011, com crescimento de 17% das matrículas no Rio Grande do Sul, contra 3,2% no país.

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