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Como tornar a escola mais atrativa para os alunos do século XXI?

05 de outubro de 2012 Comentários desativados

Perguntas:

Aprender é fantástico, mas estudar na escola é muito chato, porque a escola está muito distante da realidade do aluno. Por que a gente aprende o que é gostoso fora da escola – esportes, música, línguas, arte, dança, informática, direção – e é obrigado a assistir aulas no colégio e mesmo na faculdade sobre assuntos sem nenhum interesse e proveito?

De Sérgio Furtado

Por que hoje nas escolas, a preocupação maior é com as horas em sala de aula do que com a qualidade dessas aulas? Adianta o aluno permanecer na escola por mais tempo, sendo que esse tempo é desperdiçado? Sou professora, mas a minha grande preocupação é: a maioria dos concursos prezam mais por assuntos que não condizem com a realidade em sala de aula, por quê?

De Roberta, 46 anos, professora de Brasília (DF)

Sabemos que o ensino reprodutivo não interessa mais e não prepara o aluno pra vida. Eu, particularmente acho que trabalhos escolares voltados para o concreto, para a prática são muito mais interessantes e produtivos. Então, como pode ter direções e coordenações pedagógicas que ainda aprovam e pedem provas como instrumentos de avaliação?

De Ivanete Pavan, 45 anos, professora de Caxias do Sul (RS)

O sistema educacional vigente valoriza muito mais o conhecimento cognitivo, pautado por uma política de verificação quantitativa – em que o acerto é premiado e o erro é duramente criticado -, do que a sabedoria integral do ser, através de um trabalho alinhado com todas as esferas de conhecimento: naturais, humanas, sociais, de expressão, espirituais e racionais.

Portanto, eu pergunto: por que não debater e incentivar um dos movimentos de mudança na educação, baseado na renovação estrutural do ensino? No século XVIII, conforme descreveu Michel Foucault no primeiro capítulo de sua brilhante obra “Vigiar e Punir”, os alunos dos internatos franceses assistiam às aulas da mesma forma, apenas com diferenças na metodologia de ensino, que os alunos do vigente ano de 2012. Sentados em filas, em espaços delimitados, com as disciplinas sendo divididas por faixas igualitárias de horário, e com ênfase apenas na matemática e no idioma oficial do país.

De Rafael Gomes Corrêa, 31 anos, professor de Educação Física de Porto Alegre (RS)

Agora no Jornal do Almoço falava-se em reformulação de currículos, em especial para o Ensino Médio. Essa reformulação deveria priorizar conteúdos significativos, bem como habilidades e competências para a vida. Hoje nos deparamos com uma educação conteudista que precisa “treinar” alunos para dar respostas sobre conteúdos que não são significativos e aplicáveis na vida cotidiana.

Não estamos nos preocupando demasiadamente com os rankings (de notas, de escolas, de alunos…) ao invés de nos preocuparmos com a qualidade dos conhecimentos trabalhados em nossas instituições de ensino? Estamos treinando ou ensinando nossos alunos?

Podemos educar sentados embaixo de uma árvore analisando o que nos cerca, só precisamos ter bem claro qual o real objetivo/metas que queremos da Educação, e isso infelizmente não somos nós educadores que decidimos, pois a educação seria muito mais significativa e interessante!

De Karina Dohms

Resposta:

Há o sentimento comum entre alunos e professores – mas em toda sociedade – de que os conteúdos aprendidos no dia a dia da escola não são significativos. Diante do século XXI, caracterizado por constantes revoluções tecnológicas, mudanças de hábitos e acesso ilimitado à informação, faz-se necessário renovar o ensino.

Não bastará, porém, apenas promover mudanças pontuais, mas sim mudar suas bases. Precisamos resgatar o sentimento de que cada dia de aula de fato contribui para a formação do aluno, de que o objetivo do ensino é, realmente, formar para a vida.

O fato é que, apesar de todos quererem e esperarem um revolução na educação (isso não é exclusividade do Brasil), as mudanças ocorridas nos últimos anos são tão recentes e vastas que estamos ainda à procura de uma solução.

Durante todo o tempo em que a humanidade teve um modo de vida minimantente estável e o conhecimento se restringia a certas instituições, foi suficiente uma concepção de ensino que visava:

a) passar os conteúdos relevantes;

b) um método de ensino expositivo;

c) uma a avaliação que meramente constata se o conhecimento foi “absorvido” pelos alunos. O objetivo do ensino era ensinar de forma competente uma lista de conteúdos.

Hoje, em um mundo dinâmico é preciso uma concepção de ensino que:

a) desenvolva habilidades;

b) tenha um método de ensino que estimule a prática;

c) uma avaliação que observe o trabalho ao aprender. O objetivo deve ser desenvolver a autonomia dos alunos em diversas áreas, principalmente no aprendizado.

Como promover essa mudança? Várias experiências estão sendo feitas. Parece não bastar somente adicionar mais conteúdos no currículo, que já está inchado. Da mesma maneira, apenas aumentar a carga horária nas escolas parece não ser suficiente: se os alunos já estão desmotivados, a tendência é, após certo ponto, as horas adicionais levarem a queda de rendimento. O uso de tecnologias tem se mostrado mais arriscado do que o imaginado, pois elas precisam ser bem utilizadas. Estimular a melhora em rankings de ensino podem ser motivadoras, mas de nada adiantarão se os alunos, no cotidiano escolar, não notarem que aprendem algo relevante para suas vidas!

Por Fábio Ribeiro Mendes, graduado em Direito e em Fisolofia. Possui experiência na área de métodos de ensino. Vencedor do Prêmio Educação RS (Sinpro/RS) em 2010.

Para saber mais: A Nova Sala de Aula, de Fábio Ribeiro Mendes (Autonomia Editora, 224 páginas). Uma amostra do livro pode ser acessada em http://www.autonomiaedu.com.br/publicacao/a-nova-sala-de-aula/

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