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Por que mesmo com a facilidade do acesso ao conhecimento o rendimento na escola ainda é baixo?

25 de outubro de 2012 Comentários desativados

Pergunta:

Por que hoje em que o acesso ao conhecimento é mais fácil e rápido o rendimento na escola é tão baixo?

De Jeannifer Stephanie Machado da Silva, 17 anos, estagiária de Porto Alegre (RS).

Resposta:

Prezada Jeannifer,

Primeiro, é preciso efetuar uma distinção entre “informação” e “conhecimento“. O que as tecnologias digitais garantem de forma mais rápida e em grande quantidade é o acesso a informações. No entanto, para que essas informações se transformem em conhecimento o estudante-navegante precisa, resumidamente falando, se apropriar dessa informação, isto é, que ele seja capaz de atribuir significado e dar sentido a elas.

Para tanto, existem algumas condições prévias que necessariamente precisam ser atendidas, como, por exemplo, se os conhecimentos prévios do estudante lhe possibilitam construir novos conhecimentos; se ele está motivado e tem uma pergunta a fazer; dentre outras. Assim, é preciso considerar que a garantia de “acesso às informações” não pode ser considerada suficiente para que ocorram as aprendizagens, sejam elas escolares ou não.

Segundo, é preciso considerar que nem todo mundo tem acesso à Internet. Os resultados da pesquisa do IBGE de 2011 revelam que mais da metade da população brasileira com mais de 10 anos de idade não acessa a Internet. Algumas pessoas têm acesso apenas na escola, e, na maior parte dos casos, na modalidade de laboratório, com utilização agendada pelo professor. Apenas frequentar laboratórios de informática ou lanhouses de forma esporádica não tem surtido muito efeito no que se refere aos benefícios que a Internet oferece em termos de diversidade de informações e interações.

O terceiro e último ponto que gostaria de considerar é a necessidade de distinguir as aprendizagens sobre os conhecimentos escolares – aqueles basicamente propostos pelos currículos – do material que está disponível online, bem como dos modos de interação e produção de conteúdo na cultura digital. Nem sempre o que está na web diz respeito ao que está nos currículos, e as motivações para o acesso à rede não necessariamente estão ligadas às aprendizagens escolares. Estar na web ou fazer parte da cultura digital talvez não se adeque ao atual modo de funcionamento da escola.

Assim, esperar que o acesso à Internet seja suficiente para melhorar o rendimento escolar talvez seja um engano. Além de políticas públicas que garantam o direito ao acesso de qualidade à Internet, seja nos lares ou nas escolas, ainda é preciso investir na formação de professores e suporte técnico que possibilitem dar conta da complexidade que envolve a criação de propostas pedagógicas e currículos online, bem como a criação de uma rede de colaboração, apoio e troca de experiências entre as próprias escolas.

Finalizo propondo a seguinte reflexão: se fala muito que a escola conectada deve ser espaço para promoção da cultura digital. Mas, e a escola, ela mesma, está inserida ou faz parte da cultura digital?

Por Daniel de Queiroz Lopes, professor do Programa de Pós-Graduação em Educação da Unisinos

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