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A atual situação da educação brasileira está relacionada à má aplicação do Construtivismo?

13 de novembro de 2012 Comentários desativados

Pergunta:

Por que o Brasil vem adotando nos últimos tempos metodologias de educação construtivista de ensino, que na prática, os professores não sabem aplicar? Não seria uma coincidência nítida a queda da qualidade na educação com a adoção da máxima construtivista “O que importa é desenvolver o raciocínio, o conteúdo é secundário”? Respondam educadores e acadêmicos: o conteúdo é secundário?

De Alessandra Ferreira, 30 anos, bancária de Joinville (SC)

Resposta:

O conteúdo não é secundário. Entretanto, ele só é compreendido pelo aluno, efetivamente, se há raciocínio, ou seja, se o aluno desenvolve modos de pensar sobre este conteúdo. Ao mesmo tempo, ninguém desenvolve raciocínio a partir do nada, ninguém pensa sobre o nada, é preciso ter conteúdo para pensar sobre ele. Portanto, andam juntos: conteúdo e pensamento (ou, se preferir, raciocínio).

Outro aspecto que merece esclarecimento: o conteúdo em si, a informação, isso não é conhecimento. A informação está em todos os lugares (hoje mais do que nunca). Mas para que haja conhecimento é preciso um sujeito que o produza (a partir da informação). Conhecimento supõe uma construção, um protagonismo cognitivo do sujeito. É isso que os princípios do construtivismo propõem, mas que, de um modo geral, não foram devidamente compreendidos entre nós.

E não existe esta “máxima construtivista”, talvez ela seja apenas mais uma “informação” equivocada das tantas que andam por aí, já que sobre educação e ensino (assim como de escalação de time) “todo mundo entende” neste nosso país.

A queda da qualidade não se deve exclusivamente a metodologias mal aplicadas (ou à incorreta interpretação de princípios que as fundamentam), embora procedimentos pedagógicos sejam, sim, importante fator para o alcance dos objetivos que um/a professor/a se propõe. Mas a tal queda envolve uma análise mais complexa: há outras causas que precisam ser incluídas, facilmente identificadas a partir de uma análise retrospectiva, envolvendo as últimas cinco décadas da história da educação no nosso país.

Por Beatriz Terezinha Daudt Fischer, professora do Programa de Pós-Graduação em Educação da Unisinos

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