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Não seria interessante se os professores tivessem seus conhecimentos testados?

26 de novembro de 2012 Comentários desativados

Pergunta:

Sou estudante de Licenciatura em História. Costuma-se falar que o ensino nas escolas públicas, não só aqui do Rio Grande do Sul, mas em todo o Brasil vai mal. Culpa-se na maioria das vezes o aluno, mas não seria interessante se os professores também fossem testados? Se existissem provas semestrais/anuais para testar a qualidade de quem ensina não teríamos professores mais qualificados?

De Maiara, 18 anos, estudante/recepcionista, Flores da Cunha (RS)


Resposta:

Maiara, em verdade, embora o microcosmo da sala de aula, locus da relação professor-aluno, insira-se em um complexo macrocosmo do qual sofre os efeitos, são os maus desempenhos em avaliações externas que chamam a atenção. A sua naturalização parece ser responsável por sua própria reprodução.

Por outro lado, a própria institucionalização, necessária, da educação formal é, ainda que parcialmente, responsável pela produção de uma inércia que lhe é constitutiva e, numa época tendencialmente líquida, pode favorecer a produção de meros cumpridores de tarefas. A avaliação docente, embora não deixe de se configurar uma responsabilização em sua especificidade proposta por Forbes, pela qual cabe ao analista tocar naquilo que é mais caro ao analisando e o mobilize, para que deixe de sofrer, ressoa o poder disciplinador para a produção dos corpos dóceis de que fala Foucault.

A experiência paulista do Programa de Valorização por Mérito” que se caracteriza pela submissão voluntária do professor a um exame, para efeito de promoção, constituiu uma das tentativas de instituição da avaliação docente. Certamente a crítica ao Programa residiria no caráter voluntário da submissão à avaliação o que não promoveria a participação da totalidade do professorado paulista.

Felizmente há futuros colegas que comprovam o que Françoise Waquet, uma historiadora como você, escreveu: em tempos do mestre Google, ao contrário de não haver mais lugar para um mestre Sócrates, ele é imprescindível, porque nada substitui o laço social, fundado no amor filial e eletivo entre mestre e discípulo, a essência da relação escolar.

Por Elzira Yoko Uyeno, professora do Programa de Mestrado em Lingüística Aplicada da Universidade de Taubaté (UNITAU)

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