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Como deveria funcionar a educação inclusiva? Ela está tendo eficácia no Brasil?

04 de dezembro de 2012 Comentários desativados

Perguntas:

Será que a educação inclusiva no Brasil realmente inclui? Está de fato tendo eficácia?

De Vanessa Tissot, 34 anos, agente comunitária de saúde de Charqueadas (RS)


É comum ouvir comentários dos políticos que educação é de fato prioridade, mas em Sapiranga o que precisa de resposta é inclusão social. Por que é falado só nas campanhas políticas?

De Antônio Vieira da Silva, 44 anos, auxiliar administrativo de Sapiranga (RS)

Resposta:

Desde 2008, no Brasil, a Educação Especial na perspectiva da Educação Inclusiva se tornou uma política pública forte, com ações de financiamento e diretrizes claras. Tivemos um salto quantitativo e qualitativo bastante significativo na matrícula dos alunos com deficiência no ensino regular. Foram criadas as Salas de Recursos Multifuncionais que realizam o Atendimento Educacional Especializado e inúmeras ações de formação de professores. Então podemos dizer que a inclusão hoje é uma realidade no nosso país.

Por Selene Penaforte, especialista em educação inclusiva e professora do curso de Pedagogia da Faculdade 7 de setembro de Fortaleza (CE)

Pergunta:

Os alunos de inclusão estão sendo atendidos, em todos os itens que constam na lei? Será que a acessibilidade, os recursos humanos, pedagógicos e materiais existem nas escolas municipais? As respostas e as mudanças que nós professores esperamos estão nas mudanças metodológicas, nas formações continuadas, na educação inclusiva e no horário integral e/ou na forma como os governantes investem na educação? (Eu amo ser professora e os meus alunos).

De Márcia Amâncio, 48 anos, professora de Porto Alegre (RS)

Resposta:

Todos os alunos hoje no Brasil têm direito constitucional garantido por lei à escolarização independentemente de sua condição funcional. Se algum aluno público alvo da Educação Especial se encontra ainda fora a escola, a família deve procurar imediatamente efetuar a matrícula na escola mais próxima de sua casa. Caso tenha algum problema, deve procurar o ministério público ou o Conselho de Educação de sua cidade para fazer valer o seu direito. O Ministério da Educação, em parceria com os municípios, tem proporcionado formação de professores e equipado as escolas com o Atendimento Educacional Especializado para que os alunos possam ser atendidos nas suas especificidades.  Mesmo assim, a escola e a família devem estar atentos para cobrar do poder público constituído, as melhores condições possíveis para o atendimento ao aluno com deficiência na escola regular.

Por Selene Penaforte, especialista em educação inclusiva e professora do curso de Pedagogia da Faculdade 7 de setembro de Fortaleza (CE)

Pergunta:

A inclusão para alunos especiais é muito difícil. Ainda se faz necessário uma classe específica para trabalhar corretamente com essas crianças, porque o tempo de aprendizagem deles é outro. Isso não os excluí da sociedade nem tem qualquer ligação com a inteligência de cada um, porque todo ser humano tem aptidão para alguma atividade, mas no caso desses alunos, necessitam de um tempo diversificado que a escola de um  modo geral não oferece.

Geralmente o que temos visto, são essas crianças numa sala de aula que todos dizem ser “normal”, mas que está longe de ser, pois abrange 30, 40 alunos, ambiente em que fica quase impossível e até desumano dar uma atenção a qualquer aluno que apresente dificuldades, e olha que existem muitos nessa situação.

Como fica a aprendizagem desses alunos se os professores já não buscam qualificação para realizar esse trabalho? Como será o desenvolvimento desses alunos no contexto geral de uma sala de aula dita “normal”? O que é ser normal? Será que podemos fazer essa avaliação? A inclusão está sendo bem trabalhada e desenvolvida pela escola?  O que os governantes têm a dizer sobre isso? Qual o compromisso deles com a inclusão? É bem entendida ou só uma palavra bonita para impressionar?

De Ana Lucia Viegas, 46 anos, técnica de enfermagem de Montenegro (RS)

Resposta:

Cara professora,

Ao defendermos a inclusão dos alunos com deficiência juntos na mesma sala de aula, temos por base o princípio de que o aluno aprende melhor quanto mais heterogêneo for o ambiente, como bem defende Vygotsky em seus postulados sobre aprendizagem e desenvolvimento. O problema não está na deficiência, e sim na qualidade (ou não) das intervenções vividas pelos alunos com deficiência.

O conceito de deficiência não pode ser visto apenas como uma limitação funcional, e sim como o resultado dessa limitação com as interações sociais, com o ambiente. É fundamental as práticas pedagógicas que vêem na diferença um valor pedagógico e não um problema na sala de aula. O aspecto fundamental é a qualidade das experiências vividas por esses alunos na escola.

Então quando o aluno apresenta concretamente uma limitação decorrente de uma deficiência, o ambiente, ou seja, a escola poderá fazer desaparecer ou minimizar ao máximo essa condição, desde que o ambiente não apresente “deficiências” e responda às necessidades do aluno. Nosso papel é perseguir exaustivamente a qualidade da escola.

Por Selene Penaforte, especialista em educação inclusiva e professora do curso de Pedagogia da Faculdade 7 de setembro de Fortaleza (CE)

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